Short Answer
Os passes são intervenções energéticas que buscam equilibrar, limpar ou reforçar o campo vibratório de quem os recebe. Embora ambos os ramos – Espiritismo kardecista e Umbanda – utilizem a prática, há divergências marcantes quanto ao seu fundamento teórico, à forma de execução e ao contexto ritualístico. Este artigo examina essas diferenças, oferecendo ao leitor um panorama histórico, doutrinário e acadêmico.
Significado de Diferenças entre passes espíritas e passes de cura na Umbanda
Nos termos populares, “passar” refere‑se ao gesto de movimentar as mãos sobre o corpo do consulente, transmitindo vibrações que supostamente neutralizam energias negativas. No Espiritismo, o termo costuma estar associado ao “passo de desobsessão” ou ao “passo de fortalecimento”, enquanto na Umbanda fala‑se em “passo de cura” ou “passo de descarrego”, inserido em um ritual mais amplo que inclui cantos, pontos e invocação de Orixás ou guias.
Origem e história
A prática do passe tem raízes em tradições de cura energética presentes na Europa do século XIX, quando Allan Kardec compilou relatos de médiuns que descreviam “toques de luz”. Já na Umbanda, o passe foi incorporado a partir da década de 1920, quando o sacerdote Zélio Fernandino de Moraes estruturou o culto sincrético, mesclando elementos católicos, africanos e espíritas. Assim, embora partam de um mesmo substrato de “energia sutil”, cada tradição desenvolveu um vocabulário próprio.
No Espiritismo
No Espiritismo kardecista, o passe é geralmente realizado por um médium experiente, sem a necessidade de instrumentos musicais ou de invocação de entidades. O objetivo principal é desobsessão (remover influências espirituais perturbadoras) ou fortalecimento (reconstituição da aura). A prática segue princípios científicos‑espirituais: o operador deve estar em bom estado físico, mental e moral, e o passe deve ser registrado em livro de notas para fins de acompanhamento evolutivo.
Em outras tradições
Quando comparado a outras correntes, como o Reiki ou o Jin Shin Jyutsu, o passe espírita enfatiza a intenção moral e a comunicação com os espíritos**. Já na Umbanda, o passo pode ser parte de um “ponto de trabalho” que convoca Orixás, Caboclos ou Pretos‑velhos, integrando canto, atabaque e perfume. Essa diferença ritualística reflete a natureza sincrética da Umbanda, que aceita múltiplas linhas de energia.
Características principais
- Ambiente: No Espiritismo, o local costuma ser uma sala silenciosa, iluminada por luz natural ou vela. Na Umbanda, o terreiro pode ter altares, imagens de Orixás e incenso.
- Execução: O passe espírita é feito com as mãos levemente sobre o corpo, sem movimentos circulares extensos. O passe umbandista pode incluir varredura em movimentos circulares, “limpeza” com água de cheiro e “sopro” de energia.
- Objetivo: Desobsessão e fortalecimento (Espiritismo) vs. cura física, emocional e espiritual (Umbanda).
- Participação: Mediunidade direta no Espiritismo; no Umbanda, o médium atua como “condutor” de entidades que dirigem o passe.
Diferenças entre passes espíritas e passes de cura na Umbanda versus conceitos semelhantes
Embora “passagem de energia” seja um termo genérico, há distinções claras: o Reiki utiliza símbolos sagrados e a imposição das mãos em cinco posições fixas, enquanto o Passo de Cura Umbandista segue a sequência dos “pontos de força” de cada Orixá. O Passo Espírita não recorre a símbolos externos; sua eficácia está ancorada na “fé no plano espiritual”. Essas diferenças revelam como a cosmovisão de cada tradição molda a técnica.
Equívocos comuns
Alguns praticantes confundem os dois passes, acreditando que um pode substituir o outro. Essa simplificação ignora que:
- O contexto ritualístico altera a vibração transmitida.
- Os símbolos e invocações umbandistas podem gerar respostas distintas nos campos energéticos.
- O treinamento exigido para conduzir passes espíritas enfatiza a neutralidade moral, enquanto o umbandeiro precisa de iniciação nas linhas de Orixás.
Outro equívoco frequente é a ideia de que os passes são “cura milagrosa” sem necessidade de acompanhamento médico. Ambas as tradições recomendam a integração com a medicina convencional.
Importância histórica e cultural
Os passes representam um ponto de convergência entre a ciência emergente da época (eletricidade, magnetismo) e a espiritualidade popular. No Brasil, eles contribuíram para a legitimação da Umbanda como religião nacional, ao oferecer um ritual de cura reconhecível ao público leigo. No Espiritismo, o passe reforçou a proposta kardecista de “cura moral” como parte da evolução espiritual.
Perspectivas acadêmicas
Estudos antropológicos, como o de G. B. de Paiva (2015), apontam que os passes funcionam como rituais de coesão social, fortalecendo laços entre participantes. Pesquisas de psicologia transpessoal (por exemplo, M. R. Santos, 2019) sugerem que a experiência subjetiva de “energia” pode estar correlacionada a alterações na frequência alfa do cérebro, embora ainda não haja consenso científico.
Em síntese, embora compartilhem a mesma nomenclatura, os passes espíritas e os passes de cura na Umbanda divergem em origem, prática e simbologia, refletindo a riqueza da diversidade religiosa brasileira.
FAQ
Os passes espíritas podem ser feitos por qualquer pessoa?
Não. Eles requerem treinamento, experiência mediúnica e um estado moral e físico adequado, conforme a doutrina kardecista.
É seguro substituir tratamento médico pelos passes de cura na Umbanda?
Nenhum dos rituais substitui a medicina convencional; são complementares e devem ser usados com acompanhamento profissional.
Qual a principal diferença entre o símbolo usado no Reiki e o ponto de força umbandista?
O Reiki utiliza símbolos específicos gravados, enquanto o Umbanda trabalha com pontos energéticos associados a cada Orixá, sem símbolos escritos.

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