Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

Página Principal

23.3 - TEXTOS SAGRADOS

 

Livros sagrados por religião

Índice:
Cristianismo
23.3.01 - Bíblia

23.3.1.1 - Velho Testamento
23.3.1.2 - Novo Testamento

23.3.1.3 - Personagens Bíblicos

23.3.1.4 - Passagens da Bíblia

23.3.1.5 - Literalismo Bíblico

23.3.1.6 - Inerrância Bíblica

23.3.1.7 - Hermenêutica bíblica

23.3.1.8 - Teologia Liberal

23.3.02 - Apócrifos

Livro de Nepos

 

Islamismo
23.3.03 - Alcorão (Corão)

23.3.04 - Suna
23.3.05 - Hadith


Judaísmo
23.3.06 - Torá
23.3.07 - Tanakh
23.3.08 - Talmud
23.3.09 - Mitzvá
23.3.10 - Sefer Yetzirah


Confucionismo
23.3.11 - Analectos de Confúcio


Hinduísmo
23.3.12 - Mahabharata
23.3.13 - Bhagavad Gita
23.3.14 - Upanishad
23.3.15 - Shruti
23.3.16 - Vedas
23.3.17 - Rig Veda
23.3.18 - Sama Veda
23.3.19 - Yajur Veda
23.3.20 - Atharva Veda
23.3.21 - Yoga Sutras
23.3.22 - Kama Sutra

23.3.23 - Purvas


Taoísmo
23.3.24 -
Tao Te Ching


Zoroastrismo
23.3.25 - Avesta


Fé Bahá'í
Kitáb-i-Aqdas
Kitáb-i-Íqán
Palavras Ocultas
Epístola ao Filho do Lobo
Os Sete Vales
Jóias dos Mistérios Divinos
Epístolas de Bahá'u'lláh
O Tabernáculo da Unidade
O Chamado do Senhor das Hostes
Palestras de 'Abdu'l-Bahá
O Segredo da Civilização Divina
Epístolas do Plano Divino
A Última Vontade e Testamento

 

Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons)
23.3.23 - Livro de Mórmon
 

23.3.1 - BÍBLIA SAGRADA:

Bíblia (do grego βίβλια, plural de βίβλιον, transl. bíblion, "rolo" ou "livro"[1]) é o texto religioso central do cristianismo e sendo o maior Best-Seller de todos os tempos com mais de 6 Bilhões de cópias vendidas em todo o Mundo, 7 vezes o número de cópias do 2º Colocado da Lista dos 21 Livros Mais Vendidos. [2]


Foi São Jerônimo, tradutor da Vulgata latina, que chamou pela primeira vez ao conjunto dos livros do Antigo Testamento e Novo Testamento de "Biblioteca Divina". A Bíblia é uma coleção de livros catalogados, considerados como divinamente inspirados pelas três grandes religiões dos filhos de Abraão (além do cristianismo e do judaísmo, o islamismo). São, por isso, conhecidas como as "religiões do Livro". É sinônimo de "Escrituras Sagradas" e "Palavra de Deus".


As diversas igrejas cristãs possuem algumas divergências quanto aos seus cânones sagrados. Inclusive protestantes entre protestantes. Algumas igrejas cristãs protestantes possuem 39 livros no Antigo Testamento como parte do cânone de suas Bíblias, e outras, 46 livros. As Bíblias protestantes que possuem 46 livros são das igrejas que aceitam os deuterocanônicos como inspirados. A Igreja Católica possui 46 livros no Antigo Testamento como parte de seu cânone bíblico (os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico (ou Sirácides), Baruque, I Macabeus e II Macabeus, e alguns trechos nos livros de Ester e de Daniel). Estes textos são chamados deuterocanônicos (ou "do segundo cânon") pela Igreja Católica.
 

Importante dizer que uma parcela grande de judeus, cerca de quatro quintos,tem em seu cânon os deuterocanônicos, diferente da minoria farisaica palestinence. E foi dessa minoria que alguns Protestantes do século XX, finalmente retificaram seu cânon, com os aparecimentos das primeiras Sociedades Bíblicas.


As igrejas cristãs ortodoxas, e as outras igrejas orientais, aceitam, além de todos estes já citados, outros dois livros de Esdras, outros dois dos Macabeus, a Oração de Manassés, e alguns capítulos a mais no final do livro dos Salmos (um nas Bíblias das igrejas de tradição grega, cóptica, eslava e bizantina, e cinco nas Bíblias das igrejas de tradição siríaca).[3]


As igrejas cristãs protestantes, consideraram os textos deuterocanônicos como apócrifos, mas os reconhecem como leitura proveitosa e moralizadora, além do valor histórico dos livros dos Macabeus e outros os tem como literamente canônicos. Varias e importantes Bíblias protestantes, como a Bíblia do Rei Tiago e a Bíblia espanhola Reina-Valera, contêm nas suas edições os deuterocanônicos.
Quanto ao Novo Testamento, os cristãos são unânimes em aceitar o Novo Testamento com seus 27 escritos.

conceitos:
A Bíblia é um livro muito antigo. Ela é o resultado de longa experiência religiosa do povo de Israel. É o registro de várias pessoas, em diversos lugares, em contextos diversos. Acredita-se que tenha sido escrita ao longo de um período de 1.600 anos por cerca de 40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais.


Os cristãos acreditam que estes homens escreveram a Bíblia inspirados por Deus e por isso consideram a Bíblia como a Escritura Sagrada. No entanto, nem todos os seguidores da Bíblia a interpretam de forma literal, e muitos consideram que muitos dos textos da Bíblia são metafóricos ou que são textos datados que faziam sentido no tempo em que foram escritos, mas foram perdendo seu sentido dentro do contexto da atualidade.


Para a maior parcela do cristianismo a Bíblia é a Palavra de Deus, portanto ela é mais do que apenas um bom livro, é a vontade de Deus escrita para a humanidade. Para esses cristãos, nela se encontram, acima de tudo, as respostas para os problemas da humanidade e a base para princípios e normas de moral.


Não-cristãos de um modo geral veem a Bíblia como um livro comum, com importância histórica e que reflete a cultura do povo que o escreveu. Em regra os não-cristãos recusam qualquer origem divina para a Bíblia e a consideram como de pouca ou de nenhuma importância na vida moderna, ainda que na generalidade se reconheça a sua importância na formação da civilização ocidental (apesar de a Bíblia ter origem no Médio Oriente).


A comunidade científica tem defendido a Bíblia como um importante documento histórico, narrado na perspectiva de um povo e na sua fé religiosa. Muito da sua narrativa foi de máxima importância para a investigação e descobertas arqueológicas dos últimos séculos. Mas os dados existentes são permanentemente cruzados com outros documentos contemporâneos, uma vez que, a história religiosa do povo de Israel singra em função da soberania de seu povo que se diz o "escolhido" de Deus e, inclusive, manifesta essa atitude nos seus registros.


Independente da perspectiva que um determinado grupo tenha da Bíblia, o que mais chama a atenção neste livro é a sua influência em toda história da sociedade ocidental e mesmo mundial.Face ao entendimento dela nações nasceram (Estados Unidos etc.), povos foram destruídos (Incas, Maias, etc), o calendário foi alterado (Calendário Gregoriano), entre outros fatos que ainda nos dias de hoje alteram e formatam nosso tempo. Sendo também o livro mais lido, mais pesquisado e mais publicado em toda história da humanidade, boa parte das línguas e dialetos existentes já foram alcançados por suas traduções. Por sua inegável influência no mundo ocidental, cada grupo religioso oferece a sua interpretação, cada qual com compreensão peculiar.

IDIOMAS:
Foram utilizados três idiomas diferentes na escrita dos diversos livros da Bíblia: o hebraico, o grego e o aramaico.

 

Em hebraico consonantal foi escrito todo o Antigo Testamento, com exceção dos livros chamados deuterocanônicos, e de alguns capítulos do livro de Daniel, que foram redigidos em aramaico. Em grego comum, além dos já referidos livros deuterocanônicos do Antigo Testamento, foram escritos praticamente todos os livros do Novo Testamento. Segundo a tradição cristã, o Evangelho de Mateus teria sido primeiramente escrito em hebraico, visto que a forma de escrever visava alcançar os judeus.


O hebraico utilizado na Bíblia não é todo igual. Encontramos em alguns livros o hebraico clássico (por ex. livros de Samuel e Reis), em outros um hebraico mais rudimentar e em outros ainda, nomeadamente os últimos a serem escritos, um hebraico elaborado, com termos novos e influência de outras línguas circunvizinhas. O grego do Novo Testamento, apesar das diferenças de estilo entre os livros, corresponde ao chamado grego koiné (isto é, o grego "comum" ou "vulgar", em oposição ao grego clássico), o segundo idioma mais falado no Império Romano.
A primeira tradução latina da Bíblia foi a Vetus Latina, baseada na Septuaginta, e, portanto, contendo livros não incluídos na Bíblia hebraica. O Papa Dâmaso I montaria a primeira lista de livros da Bíblia, no Concílio de Roma em 382 d.C. Ele pediu a São Jerónimo que produzisse um texto confiável e consistente, traduzindo os textos originais em grego e hebraico para o latim. Esta tradução ficou conhecida como a Bíblia Vulgata Latina, antes disso havia grande confusão e divergência sobre os textos bíblicos a serem aceitos pelos cristãos e, em 1546, o Concílio de Trento a declarou como a única Bíblia autêntica e oficial no rito latino da Igreja Católica.

INSPIRADA POR DEUS:

O apóstolo Paulo afirma que "toda a Escritura é inspirada por Deus" [literalmente, "soprada por Deus", que é a tradução da palavra grega θεοπνευστος, theopneustos] (2 Timóteo 3:16). Na ocasião, os livros que hoje compõem a Bíblia não estavam todos escritos e a Bíblia não havia sido compilada, entretanto alguns cristãos crêem que Paulo se referia à Bíblia que seria posteriormente canonizada. O apóstolo Pedro diz que "nenhuma profecia foi proferida pela vontade dos homens. Inspirados pelo Espírito Santo é que homens falaram em nome de Deus." (2 Pedro 1:21). O apóstolo Pedro atribui aos escritos de Paulo a mesma autoridade do Antigo Testamento: "E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição" (2 Pedro 3:15-16). Veja também os artigos Cânon Bíblico e Apócrifos.


Os cristãos creem que a Bíblia foi escrita por homens sob Inspiração Divina, mas essa afirmação é considerada subjetiva na perspectiva de uma pessoa não-cristã ou não-religiosa. A interpretação dos textos bíblicos, ainda que usando o mesmo Texto-Padrão, varia de religião para religião. Verifica-se que a compreensão e entendimento a respeito de alguns assuntos pode variar de teólogo para teólogo, e mesmo de um crente para outro dependendo do idealismo e da filosofia religiosa defendida, entretanto, quanto aos fatos e às narrações históricas, existe uma unidade.


A fé dos leitores religiosos da Bíblia baseia-se na premissa de que "Deus está na Bíblia e Ele não fica em silêncio", como declara repetidamente o renomado teólogo presbiteriano e filósofo, o Pastor Francis Schaeffer, dando a entender que a Bíblia constitui uma carta de Deus para os homens. Para os cristãos, o Espírito Santo de Deus atuou de uma forma única e sobrenatural sobre os escritores. Seguindo este raciocínio, Deus é o verdadeiro autor da bíblia, e não os seus escritores, por si mesmos. Segundo este pensamento Deus usou as suas personalidades e talentos individuais, para registrar por escrito os seus pensamentos e a revelação progressiva dos seus propósitos em suas palavras. Para os crentes, a sua postura diante da Bíblia determinará o seu destino eterno.

INTERPRETAÇÃO BÍBLICA:
Diferente das várias mitologias, os assuntos narrados na Bíblia são geralmente ligados a datas, a personagens ou a acontecimentos históricos (de fato, vários cientistas têm reconhecido a existência de personagens e locais narrados na Bíblia, que até há poucos anos eram desconhecidos ou considerados fictícios), apesar de não confirmarem os fatos nela narrados, por outro lado, comprovando que aconteceram de alguma forma.[4] Os judeus acreditam que todo o Velho Testamento foi inspirado por Deus e, por isso, constitui não apenas parte da Palavra Divina, mas a própria palavra. Os cristãos, por sua vez, incorporam também a tal entendimento os livros do Novo Testamento. Os ateus e agnósticos possuem concepção inteiramente diferente, descrendo por completo dos ensinamentos religiosos. Tal descrença ocorre face ao entendimento de que existem personagens cuja real existência e/ou atos praticados são por eles considerados fantásticos ou exagerados, tais como os relatos de Adão e Eva, da narrativa da sociedade humana ante-diluviana, da Arca de Noé, o Dilúvio, Jonas engolido por um "grande peixe", etc. A hermenêutica, uma ciência que trata da interpretação dos textos, tem sido utilizada pelos teólogos para se conseguir entender os textos bíblicos.

 

Entre as regras principais desta ciência encontramos:
O texto deve ser interpretado no seu contexto e nunca isoladamente;
Deve-se buscar a intenção do escritor, e não interpretar a intenção do autor;
A análise do idioma original (hebraico, aramaico, grego comum) é importante para se captar o melhor sentido do termo ou as suas possíveis variantes;
O intérprete jamais pode esquecer os fatos históricos relacionados com o texto ou contexto, bem como as contribuições dadas pela geografia, geologia, arqueologia, antropologia, cronologia, biologia, etc.

ESTRUTURA INTERNA:
A Bíblia é um conjunto de pequenos livros ou uma biblioteca. Foi escrita ao longo de um período de cerca de 1600 anos por 40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais, segundo a tradição judaico cristã. No entanto, exegetas cristãos divergem sobre a autoria e a datação das obras.


A sua divisão em capítulos e versículos que conhecemos hoje surgiu em momentos diferentes da história. A primeira divisão (em capítulos) credita-se a autoria ao arcebispo Stephen Langton da Cantuária, no século XIII, que fez as marcações dos mesmos através de uma sequência numérica em algarismos romanos nas margens dos manuscritos. A divisão em versículos foi realizada em 1551 numa edição em grego do Novo Testamento pelo humanista e impressor Robert Stephanus. Pequenas diferenças nas divisões e numerações de capítulos e versículos adotadas podem ser observadas quando se comparam as edições da Bíblia católica, protestante ou judaica (Tanakh).

Origem do termo "Testamento"
Este vocábulo não se encontra na Bíblia como designação de uma de suas partes.
A palavra portuguesa "testamento" corresponde à palavra hebraica berith (que significa aliança, pacto, convênio, contrato), e designa a aliança que Deus fez com o povo de Israel no Monte Sinai, tal como descrito no livro de Êxodo (Êxodo 24:1-8 e Êxodo 34:10-28). Tendo sido esta aliança quebrada pela infidelidade do povo, Deus prometeu uma nova aliança (Jeremias 31:31-34) que deveria ser ratificada com o sangue de Cristo (Mateus 26:28). Os escritores neotestamentários denominam a primeira aliança de antiga (Hebreus 8:13), em contraposição à nova (2 Coríntios 3:6-14).


Os tradutores da Septuaginta traduziram berith para diatheke, embora não haja perfeita correspondência entre as palavras, já que berith designa "aliança" (compromisso bilateral) e diatheke tem o sentido de "última disposição dos próprios bens", "testamento" (compromisso unilateral).


As respectivas expressões "antiga aliança" e "nova aliança" passaram a designar a coleção dos escritos que contém os documentos respectivamente da primeira e da segunda aliança.
O termo testamento veio até nós através do latim quando a primeira versão latina do Velho Testamento grego traduziu diatheke por testamentum. São Jerônimo, revisando esta versão latina, manteve a palavra testamentum, equivalendo ao hebraico berith — aliança, concerto, quando a palavra não tinha essa significação no grego. Afirmam alguns pesquisadores que a palavra grega para "contrato", "aliança" deveria ser suntheke, por traduzir melhor o hebraico berith.


As denominações "Antigo Testamento" e "Novo Testamento", para as duas coleções dos livros sagrados, começaram a ser usadas no final do século II, quando os evangelhos e outros escritos apostólicos foram considerados como parte do cânon sagrado.

<VOLTAR>
 

23.3.1.1 - ANTIGO TESTAMENTO:


O Antigo Testamento, também conhecido como Escrituras Hebraicas, constitui a primeira grande parte da Bíblia cristã, e a totalidade da Bíblia hebraica. Foram compostos em hebraico ou aramaico.


Chama-se também Tanakh, acrônimo lembrando as grandes divisões dos escritos sagrados da Bíblia hebraica que são os Livros da Lei (ou Torá) os livros dos profetas (ou Nevi'im), e os chamados escritos (Ketuvim). Entretanto, a tradição cristã divide o antigo testamento em outras partes, e reordena os livros dividindo-os em categorias; Lei, história, poesia (ou livros de sabedoria) e Profecias.


O Antigo Testamento é composto de 46 livros: 39 conhecidos como protocanônicos e 7 conhecidos como deuterocanônicos. Os livros deuterocanônicos fazem parte apenas da Bíblia Católica, não sendo incluídos na Bíblia Protestante ou no Tanakh judaico.
 

 

O Antigo testamento em hebraico

Muitos séculos antes de Cristo, escribas, sacerdotes, profetas, reis e poetas do povo hebreumantiveram registros de sua história e de seu relacionamento com Deus. Estes registros tinham grande significado e importância em suas vidas e, por isso, foram copiados muitas e muitas vezes e passados de geração em geração.

Com o passar do tempo, esses relatos sagrados foram reunidos em coleções conhecidas por a Lei, os Profetas e os Escritos. Esses três grandes conjuntos de livros, em especial o terceiro, não foram finalizados antes do Concílio Judaico de Jamnia, que ocorreu por volta de 95 d.C..

A Lei compreende os primeiros cinco livros, tais como na Bíblia cristã. Já os Profetas incluem: Isaías, Jeremias, Ezequiel, os Doze Profetas Menores, Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. Os escritos reúnem o grande livro de poesia, os Salmos, além de Provérbios, , Ester,Cantares de Salomão, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Daniel, Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas. Os livros do Antigo Testamento foram escritos em longos pergaminhos confeccionados em pele de cabra e copiados cuidadosamente pelos escribas. Geralmente, cada um desses livros era escrito em um pergaminho separado, embora a Lei ocupasse espaço maior era escrito em dois grandes pergaminhos.

O aramaico foi a língua original de algumas partes dos lívros de Daniel e de Esdras. Hoje se tem conhecimento de que o pergaminho de Isaías é o mais remoto trecho do Antigo Testamento em hebraico. Estima-se que foi escrito durante o Século II a.C. e por isso, se assemelha muito ao pergaminho utilizado por Jesus na Sinagoga, em Nazaré. Foi descoberto em 1947, juntamente com outros documentos em uma caverna próxima ao Mar Morto.

Diferentes composições do Antigo Testamento

Diferentes tradições cristãs possuem um diferente cânone para o Antigo Testamento. A Igreja Católica Romana utilizou , a partir do século I, como canônica a versão chamada Septuaginta, que foi uma tradução dos escritos hebraicos para o grego, feita antes mesmo do fechamento do cânone hebraico na tradição judaica. Assim, a Septuaginta inclui material que não foi incluído na Bíblia Hebraica, de fontes diferentes e divergentes, inclusive material original já escrito em grego. Os defensores da reforma protestante excluíram do cânone todos os livros ou fragmentos que não correspondiam ao texto hebraico massorético, e como resposta a isso o Concílio de Trento em 1546 determinou que os livros de Judite, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1° Macabeus e 2° Macabeus, os capítulos 13 e 14 e os versículos 24 a 90 do capítulo 3 de Daniel, os capítulos 11 a 16 de Ester (todos existentes em língua grega) deveriam ser tratados como canônicos, ao passo que os textos conhecidos como oração de Manassés e os livros de 3 e 4 Esdras não mais o seriam. A Igreja Católica Ortodoxa acabou por decidir pela inclusão de Tobias, Judite, Sirácida e Sabedoria.

Em outras tradições cristãs existe mais material adicional, como por exemplo na Bíblia Etíope e na Bíblia Copta. A tradição reformada optou por seguir o cânone estabelecido pela tradição judaica, porém mantendo a diferente ordem dos livros.

Temática do Antigo Testamento

O Antigo Testamento trata basicamente das relações entre Deus e o povo Israelita. Existem vários nexos temáticos entre os livros de acordo com suas divisões (seja a cristã ou a hebraica). Única entre essas tradições é a primeira divisão, a Torá ou Pentateuco, que trata da história sagrada do povo de Israel, a partir da criação do mundo até a ocupação da Terra, passando pela legislação litúrgica e religiosa. Tradicionalmente, a Torá ou Lei é atribuída a Moisés e, depois de sua morte, terminada por Josué; porém, muitos autores defendem que a formação da Torá foi um processo longo passando por diversos grupos de autores até sua adoção uniforme pós-exílica.

Transmissão do texto

Quanto ao texto transmitido, não chegaram até nós nenhum rolo original de qualquer material bíblico. Atualmente os documentos mais antigos que ainda exitem são oriundos do século II A.C, tais como o chamado Papíro Nash, encontrado em 1902, no Egito, que contêm odecálogo e o texto da confissão de fé hebraica Shma Israel (Dt. 6:4), e os manuscritos do Mar Morto encontrados em Qumran que incluem diversos fragmentos de textos de praticamente todos os livros da Bíblia Hebraica com a exceção de Ester.

A partir de 100 d.C. a tradição fariseu-rabínica passou a dominar no judaísmo e desenvolveu-se um método de auxílio na transmissão do texto, inclusive a correta vocalização. Os estudiosos que trabalharam para manter a originalidade do texto, especialmente com o declínio do hebraico como língua falada, eram chamados de massoretas e terminaram por elaborar um texto que passou a ganhar autoridade oficial entre os séculos VII e X, chamado de texto masorético. Oriundos dessa tradição existem dois manuscritos importantes que baseiam as edições críticas do texto atual: O códex Leningradensis e o Códex de Aleppo.

A subdivisão do texto em capítulos e versículos não vem do texto original. A primeira divisão existente foi a divisão do texto da Torá(Pentateuco) em 54 parashot que são leituras semanais para o ano litúrgico judaico. A divisão por capítulos foi introduzida pelos cristãos com o objetivo prático de auxiliar a referência a textos. Uma das atuais divisões em capítulos foi realizada por Stephan Langton por volta de1200 d.C. e foi adotada primeiramente num manuscrito hebraico no século XIV. A divisão em versículos foi resultado de um processo que só chegou ao final no século XVI. Por isso a tradição reformada, que rompeu com a tradição católica romana antes desse período, possui diferenças na contagem de capítulos e versículos.

 

Livros Protocanônicos
Pentateuco


Gênesis - Êxodo - Levítico - Números - Deuteronômio
 

Históricos
Josué - Juízes - Rute - I Samuel - II Samuel - I Reis - II Reis - I Crônicas - II Crônicas - Esdras - Neemias - Ester
 

Poéticos e Sapienciais
Jó - Salmos - Provérbios - Eclesiastes (ou Coélet) - Cântico dos Cânticos de Salomão
 

Proféticos
Profetas Maiores
A designação “Maiores” não se trata porém da relevância histórica destes personagens na história de Israel, mas tão somente ao tamanho de seus livros, maiores se comparados aos livros dos Profetas “Menores”.
Isaías - Jeremias - Lamentações de Jeremias - Ezequiel - Daniel
Profetas Menores
Como referido acima, a designação “Menores” não se trata da relevância histórica destes personagens na história de Israel, mas tão somente ao tamanho de seus livros.
Oseias - Joel - Amós - Obadias - Jonas - Miqueias - Naum - Habacuque - Sofonias - Ageu - Zacarias - Malaquias
 

Textos Deuterocanônicos

Históricos
Tobias - Judite - Adições em Ester (Ester 10:4 a 16:24) - I Macabeus - II Macabeus.
Poéticos e Sapienciais
Sabedoria - Eclesiástico (ou Sirácides).
Proféticos
Baruque - Adições em Daniel (Daniel 3:24-90, e Capítulos 13 e 14).
Segundo a visão protestante, os textos deuterocanônicos (chamados "apócrifos" pelos protestantes) foram, supostamente, escritos entre Malaquias e Mateus, numa época em que segundo o historiador judeu Flávio Josefo, a Revelação Divina havia cessado porque a sucessão dos profetas era inexistente ou imprecisa. O parecer de Josefo não é aceito pelos cristãos católicos, ortodoxos e por alguns protestantes, e igualmente pensam assim uma maioria judaica não farisaica, porque Jesus afirma que durou até João Batista, "A lei e os profetas duraram até João"(cf. Lucas 16:16; Mateus 11:13).


No período entre o século III e o século I a.C. ocorre a Diáspora judaica helenística, numa época em que os judeus já estavam, em partes, dispersos pelo mundo. Uma colônia judaica destaca-se, esta se localiza em Alexandria no Egito, onde se falava muito a língua grega. A Bíblia foi então traduzida do hebraico para o grego. Alguns escritos recentes foram-lhe acrescentados sem que os judeus de Jerusalém os reconhecessem como inspirados. Somente no final do século I d.C. tentou-se fixar o cânon (=medida) hebraico, portanto numa época em que a diferenciação entre judaísmo e cristianismo já era bem acentuada. E os escritos acrescentados não foram aceitos no cânon hebraico farisaico, não antes de gerar discussões que perduraram por pelo menos três ou quatro séculos, discussões não só sobre os Deuterocanônicos, mas inclusive sobre livros que hoje são por eles reconhecido como canônicos como Daniel, Ester, Cânticos dos Cânticos, para citar apenas esses, lembrando que os judeus Samaritanos, tem apenas como canônicos os livros do Pentateuco.


Quando Jerônimo traduziu a Bíblia para o latim (a famosa Vulgata), no início do Século IV, incluiu os deuterocanônicos e o canôn ficou como era desde o século I.A Igreja Católica os ratificou como inspirados da mesma forma que os outros livros. No século XVI, com o surgimento da Reforma Protestante, é novamente colocada em dúvida a canonicidade dos deuterocanônicos pelo fato de não fazerem parte da Bíblia hebraica farisaica. No Concílio de Trento, em 8 de abril de 1546, no Decretum de libris sacris et de traditionibus recipiendis (DH 1501), a Igreja Católica novamente os reafirma, após alguns grupos de Protestantismo os considerarem apócrifos, diante de outros do Protestantismo que permaneciam considerando-os como inspirados, permanecendo essa discussão no meio protestante até o inicio século XX, deixando então de fazer parte da maioria das Bíblias protestantes, por força maior das Sociedades Bíblicas.
<VOLTAR>

 

23.3.1.2 - NOVO TESTAMENTO:

Novo Testamento (do grego: Διαθήκη Καινὴ, Kaine Diatheke) é o nome dado à coleção de livros que compõe a segunda parte da Bíblia cristã. A primeira parte é denominada Antigo Testamento. Seu conteúdo foi escrito após a morte de Jesus Cristo e é dirigido explicitamente aos cristãos, embora dentro da religião cristã tanto o Antigo quanto o Novo Testamento são considerados, em conjunto, Escrituras Sagradas.
Os livros que compõe essa segunda parte da Bíblia foram escritos a medida que o cristianismo era difundido no mundo antigo, refletindo e servindo como fonte para a teologia cristã. Essa coleção de 27 livros influenciou não apenas a religião, a política e a filosofia, mas também deixou sua marca permanente na literatura, na arte e na música.
O Novo Testamento é constituído por uma coletânea de trabalhos escritos em momentos diferentes e por vários autores. Em praticamente todas as tradições cristãs da atualidade, o Novo Testamento é composto de 27 livros. Os textos originais foram escritos por seus respectivos autores a partir do ano 42 dC, em grego koiné, a língua franca da parte oriental do Império Romano, onde também foram compostos. A maioria dos livros que compõe o Novo Testamento parece ter sido escrito por volta da segunda metade do século I.
Fazem parte dessa coleção de textos as 13 cartas do apóstolo Paulo (maior parte da obra, escritas provavelmente entre os anos 50 e 68 dC), os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João (narrativas da vida, ensino e morte de Jesus Cristo, conhecidos como os Quatro Evangelhos), Atos dos Apóstolos (narrativa do ministério dos Apóstolos e da história da Igreja primitiva) além de algumas epístolas católicas menores escrito por vários autores e que tem com conteúdo instruções, resoluções de conflito e outras orientações para a igreja cristã primitiva. Por fim, o Apocalipse do apóstolo João.

Nem todos esses livros foram aceitos imediatamente pela Igreja. Alguma dessas cartas foram contestadas na antiguidade, como apocalipse de João e algumas Epístolas Católicas menores (II Pedro, Judas, Tiago, II e III João). Entretanto, gradualmente eles se juntaram a coleção já existente que era aceita pelos Cristãos, formando o cânone do Novo Testamento. Outros livros, como o Pastor de Hermas, as epístolas de Policarpo, de Inácio e as cartas de Clemente, circularam na coleção antiga de livros que era aceita por algumas comunidades cristãs. Porém, esses livros foram excluídos do Novo Testamento pela Igreja primitiva.


Curiosamente, apesar do Cânon do Antigo Testamento não ser aceito uniformemente dentro do cristianismo (católicos, protestantes , ortodoxos gregos, eslavos e armênios divergentes quanto aos livros incluídos no Antigo Testamento), os 27 que formam o Cânon do Novo Testamento foram aceitos quase que universalmente dentro do cristianismo, pelo menos desde o século III. As exceções são o Novo Testamento da Igreja Ortodoxa da Etiópia, por exemplo, que considera autêntico o Pastor de Hermas (séc. II) e a Peshitta, Bíblia da Igreja Ortodoxa Síria, utilizada por muitas Igrejas da Síria, que não inclui o Apocalipse de João na lista de livros inspirados.

LIVROS DO NOVO TESTAMENTO:
Os 27 livros do Novo Testamento foram escritos em diversos lugares e por autores diferentes que classificaram seus Escritos como inspirados, ao lado dos Escritos do Antigo Testamento. Entretanto,ao contrário do Antigo Testamento, o Novo foi produzido em um curto espaço de tempo, durante menos de um século. Esses livros eram respeitados, colecionados e circulavam na igreja primitiva como Escrituras Sagradas. O fato desses livros terem sido lidos, citados, colecionados, e passados de mão em mão dentro das igreja do início do cristianismo, assegura que a Igreja Primitiva tinham eles como proféticos ou divinamente inspirados desde o começo.

Evangelhos:
A palavra Evangelho significa "Boas Novas". Eles referem-se ao nascimento do Messias prometido. Cada um dos quatro evangelhos do Novo Testamento narra a história da vida e da morte de Jesus de Nazaré. Esses evangelhos são composições anônimas que levam o nome dos seus autores no título. Assim, no século II esses livros eram denominados na seguinte fórmula: "O Evangelho de..." ou "O Evangelho segundo..." (Em grego: τὸ εὐαγγέλιον κατὰ ...) + nome do evangelista que foi o autor do evangelho. Todos os quatro evangelhos foram reunidos logo após o Evangelho de João ter sido escrito.  A coleção de quatro livros era conhecida como "O Evangelho" no começo do segundo século. Assim, o cristianismo primitivo sempre aceitou esses evangelhos porque conheciam seus autores.  Os evangelhos de Mateus, Marcos e

 

João parecem ter sido escritos como biografias, seguindo o modelo da antiguidade, enquanto Lucas e Atos parece ter sido composto como uma monografia histórica em dois volumes. São eles:


Evangelho de Mateus - atribuído ao apóstolo Mateus. Este evangelho começa com a genealogia de Jesus e a história do seu nascimento. Termina com o comissionamento dos discípulos por Jesus depois de ressuscitado. O principal objetivo do evangelho de Mateus é mostrar para os judeus que Jesus era o Messias. Apesar dos vários debates sobre sua datação, ele provavelmente foi escrito depois da morte de Jesus (31dc) entre os anos 50-65dc. Era considerado o manifesto da igreja de Jerusalém e, por conseguinte, o documento fundamental do início da fé cristã;
Evangelho de Marcos - atribuído a Marcos, o Evangelista. Marcos não era um dos doze apóstolos de Jesus, mas foi um dos ajudantes de Paulo e depois de Pedro. Segundo os pais da igreja, o evangelho de Marcos foi escrito com base no ensino do apóstolo Pedro, depois de uma palestra feita em Roma para os pagãos por volta do ano 65 dc. Este evangelho começa com a pregação de João Batista e o batismo de Jesus. Alguns manuscritos antigos não trazem os versículos 9-20 do último capítulo; outros manuscritos apresentam finais diferentes.


Evangelho de Lucas - atribuído a Lucas, que também não foi um dos doze apóstolos, mas é mencionado no Novo Testamento como companheiro do apóstolo Paulo (II Timóteo 4:11) e médico (Colossenses 4:14). O autor não foi testemunha ocular das coisas que registrou, mas fez uma minuciosa investigação com essas pessoas que presenciaram os fatos contidos nesse evangelho (Lucas 1:1-4). Ele é digido para alguém chamado Teófilo, que até hoje é desconhecido. Este evangelho começa com histórias paralelas do nascimento e da infância de João Batista e Jesus e termina com as aparições de Jesus ressuscitado e sua ascensão ao céu. Seu objetivos era contar a história de Cristo a partir dessas testemunhas oculares. Foi escrito provavelmente no ano 63dc;


Evangelho de João - atribuído ao apóstolo João, filho de Zebedeu. Este evangelho começa com um prólogo filosófico e termina com as aparições de Jesus ressuscitado. Foi escrito no final do século I e tinha como objetivo complementar de diversas maneiras o registro que tinha sido fornecido sobre a história de Jesus pelos outros três evangelistas.


Os três primeiros evangelhos listados acima são classificados como os Evangelhos sinópticos. Isso porque eles contêm relatos semelhantes da vida e ensino de Jesus. Esses três evangelhos possuem várias dependências literárias. Há duas possíveis explicações para sua formação. Alguma corrente de estudiosos mais liberais afirmam que eles foram escritos com base em uma fonte “Q” (Queller em alemão), que é desconhecida até os dias de hoje; Ou então com base no Evangelho segundo os Hebreus (65-100), que sobreviveu apenas em fragmentos encontrados nas citações feitas por vários pais da igreja primitiva. A segunda explicação para a dependência literária dos evangelhos sinóticos afirma que o evangelho de Mateus foi escrito primeiro. Depois, Lucas utilizou o evangelho de Mateus e o evangelho segundo os Hebreus, além de outros evangelhos que circulavam na época e que não sobreviveram até os dias de hoje. Por fim, o evangelho de Marcos seria fruto de uma palestra que Pedro deu com base nos evangelhos de Mateus e de Lucas.


Já o Evangelho de João é estruturado de forma diferente dos evangelhos sinóticos e inclui histórias de vários milagres palavras de Jesus que não são encontradas nos outros três evangelhos. Esses quatro evangelhos foram unanimemente aceitos como parte do Cânon Sagrado do Novo Testamento. Porém, ele foram apenas alguns entre os muitos outros evangelhos cristãos. A existência de tais textos é mencionada no início do Evangelho de Lucas (Lc 1:1-4). Outros evangelhos, como os chamados "evangelhos judaico-cristão" ou o Evangelho de Tomé, oferecem uma precisa ajuda para entender o contexto do cristianismo primitivo. Além disso, esses outros evangelhos que não foram incluídos no Cânon sagrado podem fornecer alguma ajuda na reconstrução do Jesus histórico.

História:
Atos dos Apóstolos - É a continuação do Evangelho de Lucas (At 1.1 e 2) e conta a história de como a mensagem cristão foi anunciada em Jerusalém, Samaria e as demais regiões do império Romano (At 1.8). Nesse livro, destacam-se duas pessoas: Paulo e Pedro. Pedro dirige o trabalho cristão em Jerusalém, Samaria (At 1.12 – 8.25), Lida, Jope e Cesaréia (At 9.32-11.18). Esse livro também trata da conversão do apóstolo Paulo (At 9) e de suas viagens missionárias pelo Império Romano (At 13-28). Examinando o estilo, a fraseologia e outras evidências internas, a maioria dos estudiosos atribui a Lucas a autoria desse evangelho. Ele foi escrito provavelmente antes da morte do apostolo Paulo por Nero, por volta de 67-68 dc. Isso porque esse livro não cita a morte de Paulo, fato que seria muito relevante para a história cristã antiga.

Epístolas Paulinas:
As epístolas paulinas (ou Corpus Paulinum) são cartas escritas pelo apóstolo Paulo. Essas epístolas tratam de pontos teológicos importantes para o desenvolvimento da doutrina cristã no cristianismo primitivo. Geralmente, essas epístolas foram escritas tanto para indivíduos, quanto para as primeiras comunidades cristãs.
Romanos
I Coríntios
II Coríntios
Gálatas
Efésios
Filipenses
Colossenses
I Tessalonicenses
II Tessalonicenses
I Timóteo
II Timóteo
Tito
Filémon

Hebreus
Hebreus - Sua autoria é incerta. A ciência moderna rejeita ter sido escrita por Paulo. Até mesmo na antiguidade sua autoria foi debatida. Orígenes escreveu: "Os homens dos tempos antigos afirmaram que Paulo foi o autor, mas quem escreveu essa Epístola apenas Deus sabe". O que se sabe é que ela foi escrita na segunda geração de cristãos (Hb 2.1-4) e após um intervalo considerável de tempo depois da conversão do destinatário (Hb 5.12). Assim, o livro de Hebreus parece ter sido escrito no final do ano 60dC.

Epístolas Católicas:
Compreende as epístolas escritas para a igreja em geral. O termo "católico" [grego: καθολική, katholike, que significa "universal"] é usado para descrever essas cartas já nos manuscritos mais antigos onde essas cartas estão presentes. As cartas também são conhecidas como Epístolas Gerais.
Epístola de Tiago - Escrito por Tiago, irmão de Jesus;
Primeira Epístola de Pedro - Escrita por Pedro;
Segunda Epístola de Pedro - Escrita por Pedro;
Primeira Epístola de João - Escrita por João;
Segunda Epístola de João - Escrita por João;
Terceira Epístola de João - Escrita por João;
Epístola de Judas - Escrita por Judas, irmão de Jesus ou por Judas Tadeu.

Profecia
Apocalipse - Último livro do Novo Testamento, o Apocalipse de João foi escrito pelo Apóstolo João, filho de Zebedeu. Alguns sustentam a posição de que seu autor foi outro João, da cidade de Patmos. Mas a evidência interna aponta o autor do Evangelho de João e das três epístolas Joaninas como seu autor. O livro começa com cartas para sete igrejas das província da Ásia. Depois toma a forma de um apocalipse, gênero literário popular tanto no judaísmo quanto no cristianismo antigo.
[editar]Ordem dos livros
A ordem em que os livros do Novo Testamento estão ordenados difere entre algumas tradições eclesiásticas. A Bíblia protestante, por exemplo, segue o ordem da organização encontrada na Bíblia da Igreja Católica Romana. Entretanto, a ordem do Cânon de Lutero é diferente. Fora da Europa Ocidental, onde se encontra a maioria católica e protestante, a Bíblia está organizada em ordens diferentes: o Novo Testamento da Bíblia eslava, siríaca e etíope não seguem a mesma ordem que das Bíblias ocidentais.

Extensão do Novo Testamento:
Os livros que entraram no Cânon Sagrado do Novo Testamento não foram às únicas obras da literatura cristã escrito nos primeiros séculos de nossa era. O processo de canonização dos livros dessa parte das Escrituras começou cedo, com textos sendo explicitamente rejeitados já no tempo dos discípulos. Essa decisão não eram necessariamente baseada em avaliações da ideias religiosas ou da teologia da obra em questão, e sim em uma série de fatores (vê Cânon do Novo Testamento).

Pseudepígrafos
Os livros que foram rejeitados pela igreja primitiva são chamados de Pseudepígrafos. Eram livros considerados espúrios e heréticos pela igreja cristã dos século II e III, época em que surgiram esses textos. Nenhum pai da igreja, Cânon, ou Concílio declarou que qualquer um dos pseudepígrafos seria canônico. Eusébio, assim com a maioria dos pais da igreja, chamou esses livro de “totalmente absurdo e ímpios”.


Os livro pseudepígrafos foram escritos por comunidades gnósticas, docéticas e ascéticas. Os gnósticos eram uma seita filosófica que ensinava que a matéria é má, além de negarem a encarnação de Cristo. Já os docetas ensinavam a divindade de Jesus, mas negavam sua humanidade; diziam que Ele só tinha a aparência de ser humano. Os ascéticos ensinavam que Cristo tinha uma única natureza, que era um fusão entre o divino e o humano.


Esses livros contém certa curiosidade sobre os fatos não relatados nos livros canônicos, como a infância de Jesus, por exemplo. Segundo Norman Geisler, existem cerca de 280 obras dessa natureza. Para os cristãos, o único valor que esses livros têm são históricos, pois revelam a crença e o contexto de seus autores.


Alguns dos principais livros que fazem parte dos Pseudepígrafos são:
Evangelho de Tomé (século I)
Evangelho de Pedro (século II)
Evangelho Árabe da Infância de Jesus (?)
Evangelho de Nicodemos (século II ou V)
Evangelho da Natividade de Maria (século IV)
Atos de Pedro (século II)
Atos de Paulo (140)
Atos de Tomé (?)
Atos de João (?)
Atos de André (?)
Carta atribuída a Nosso Senhor (?)
Carta perdida aos coríntios (século II, III)
Cartas de Paulo a Sêneca (século IV)
Apocalipse de Paulo (?)
Apocalipse de Tomé (?)
Livro secreto de João (?)
Diálogo do Salvador (?)

Apócrifos
Os livros apócrifos do Novo Testamento diferencia-se dos pseudepígrafos por gozarem de grande estima por pelo menos um dos pais da igreja. Entretanto, os apócrifos, na maior parte, não foram aceitos pela igreja cristã primitiva nem pelos pais primitivos e ortodoxos da igreja. Por isso, não foram considerados canônicos.
Alexander Souter define bem a autoridade que desses livros ao afirmar que eles tiveram uma “canonicidade temporal e local”. Ou seja, os apócrifos haviam sido aceitos por um número limitado de cristãos, durante um tempo limitado, sem contudo ter recebido um reconhecimento amplo ou permanente. Norman Geisler fornece três razões do por quê esses livros são importantes e faziam parte das bibliotecas devocionais e homiléticas da igreja primitiva:


Revelam os ensinos da Igreja do século II;
Fornecem documentação da aceitação dos 27 livros do NT;
Fornece informações históricas a respeito da igreja primitiva.
Os livros que fazem parte do Novo Testamento Apócrifo são:
Epístola do Pseudo-Barnabé (70-79)
Terceira Epístola aos Coríntios (96)
Homilia Antiga (120-140)
Pastor de Hermas (70-140?)
Didaquê (100-120)
Apocalipse de Pedro (150)
Atos de Paulo e de Tecla (170)
Epístola aos Laodicenses (século IV?)
Evangelho segundo os Hebreus (65-100)
Epístola de Policarpo aos Filipenses (108)
Sete epístolas de Inácio (110)

Idioma
Judeus e gentios utilizavam os mesmos idiomas para se comunicarem em Jerusalém na época de Jesus: aramaico, grego koiné, e até certo ponto, um dialeto coloquial de Mishnaic hebraico. Todos os livros que formaram o Novo Testamento foram escritos em grego Koiné, o dialeto vernáculo que na época era falado nas províncias romanas do Mediterrâneo Oriental. Estes livros foram posteriormente traduzidas para outros idiomas, principalmente, o latim, o sírio e o copta. Entretanto, alguns alegam que o Evangelho de Mateus foi escrito em hebraico com base na seguinte declaração de Papias, citada no livro História Eclesiástica, de Eusébio:
Mateus compôs as declarações (ta logia) em um estilo hebraico (hebraidi dialekto), e cada um registrou como foi capaz.


Alguns interpretam que essa declaração mostra que o evangelho de Mateus foi escrito em hebraico. Entretanto, uma leitura cuidadosa demonstra que Papias afirma que o evangelho foi escrito “em um estilo hebraico”, e não “na língua hebraica”. Estudiosos como J. Kurzinger e David Alan Brack apoiam essa interpretação. O Comentário Bíblico Moody também defende esse posicionamento ao afirmar que:
Muitos explicaram a declaração de Papias, dizendo que se referia a uma forma original do aramaico do qual se traduziu o nosso evangelho grego. Mas o nosso texto grego não tem as marcas de uma tradução, e a ausência de qualquer traço de um original aramaico lança pesadas duvidas sobre tal hipótese. Goodspeed argumenta detalhadamente que seria contrario à prática grega dar uma tradução grega o nome do autor do original aramaico, pois os gregos apenas se preocupavam com aquele que passava a obra para o grego. Como exemplos (ele cita o evangelho de Pedro) e o Velho Testamento grego, que foi denominado Septuaginta (os setenta)segundo seus tradutores, não segundo seus autores Hebreus.


Por isso, os estudos modernos mostram que o Evangelho de Mateus foi composta em grego e não é diretamente dependente de nenhuma tradução em uma língua semítica, embora a citação de textos do Antigo Testamento demonstra que o autor desse Evangelho sabia hebraico. Outros ainda afirmam que a Epístola aos Hebreus foi escrita em Hebraico, sendo traduzida depois para o grego por Lucas. Essa possibilidade também não é sustentada pelos estudiosos modernos, que argumentam que a qualidade literária de Hebreus sugere que foi composta diretamente em Grego, ao invés de ter sido traduzidos.


Outra questão importante também é notar que muitos livros do Novo Testamento, especialmente os evangelhos de Marcos e João, foram escritos em um grego relativamente "pobre". Eles estão distantes do refinado grego clássico encontrado nas composições feitas pela classe alta, elite governamental, e filósofos conceituados da época.
Uma minoria de estudiosos considera que a versão aramaica do Novo Testamento seria a original e acredita que o grego é apenas uma tradução. Este ponto de vista é conhecido como Primazia Aramaica.
 

Etimologia do termo Novo Testamento

O uso do termo Novo Testamento para descrever a coleção de textos que fazem parte da Bíblia, originou-se do latim Novum Testamentum, que foi pela primeira vez cunhado por Tertuliano. Alguns acreditam que esse termo é uma tradução do grego Διαθήκη Καινή.
Na opnião de alguns especialistas, esse termo grego era usado com o significado de “último desejo ou testamento”, conforme a tradução latina indica. O significado do termo aponta para um arranjo feito por um grupo que pode ser aceito ou rejeitado por outro grupo, embora esse não o possa alterar; e ele, quando aceito, une esses dois grupos de acordo com os termos ali contidos.
Esta frase grega encontra-se no próprio texto do Novo Testamento, onde é traduzido como "nova aliança”. Aliança significa acordo ou contrato que envolve as duas partes que firmam algo. A frase também aparece mais cedo na Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento). Em Jeremias 31:31, a Septuaginta usou essa frase grega para traduzir o original hebraico ברית חדשה (b e chadashah RIT). O termo hebraico é também traduzido geralmente como nova aliança.


Como resultado, algumas pessoas afirmam que o termo foi usado pelos primeiros cristãos para se referir à nova aliança de Deus com o homem por intermédio de Jesus Cristo. Cerca de dois séculos mais tarde, na época de Tertuliano e Lactâncio , a frase era usada para designar uma coleção particular de livros que alguns acreditavam que incorporava esta nova aliança.


Tertuliano oferece o primeiro uso conhecido dos termos Novum Testamentum (Novo Testamento) e Vetus Testamentum (Antigo Testamento). Por exemplo, em Against Marcion, livro 3 e capítulo 14 (escrito no III século, em 208DC), ele escreveu que "Isso pode ser entendido como o Verbo Divino, que é duplamente ligado com os dois testamentos da Lei e do Evangelho". No livro 4 do capítulo 6, complementou: "Pois é certo que todo o objetivo a que ele (Marcião) tem trabalhado arduamente, mesmo na elaboração de suas Antíteses ... é para que ele possa estabelecer uma diversidade entre o Antigo e o Novo Testamento, de modo que o seu próprio Cristo possa ser separado do Criador, como pertencentes a este deus rival e como estrangeiro da Lei e dos Profetas".


Lactâncio (sec. III e IV) , autor cristão que escreveu em latim a obra Divino Instituto no início de século IV, relata no livro 4 e capítulo 20 o seguinte:
"Mas toda a Escritura é dividido em dois Testamentos: o que precedeu o advento e da paixão de Cristo, isto é, a Lei e os Profetas, é chamado de Velho Testamento. Mas as coisas que foram escritas após a Sua ressurreição são nomeadas Novo Testamento. Os judeus fazem uso do Velho Testamento e nós do Novo. Mas os dois não são discordantes porque o Novo é o cumprimento do Velho, e em ambos há o mesmo testador: Cristo, que, depois de ter sofrido a morte por nós, fez-nos herdeiros do Seu reino eterno (...). Como o profeta Jeremias testemunha quando fala coisas como: "Eis que dias vêm, diz o Senhor, que eu vou fazer um novo testamento para a casa de Israel e para a casa de Judá, não segundo a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito, porque não continuou no meu testamento, e eu a desconsiderei, diz o Senhor " [Jeremias 31:31-32] (...). Por Ele ter dito iria fazer um novo testamento para a casa de Judá, o Antigo Testamento, que foi dada por Moisés, não era perfeito. Mas sim o que era para ser dada por Cristo estaria completo."
A tradução da Vulgata do século V utiliza o termo testamentum em II Coríntios 3:6 e 14:
 

6Que também nos fez caber ministros do novo testamento, não na letra, mas no espírito. Pois a letra mata, mas o espírito vivifica. (Douay-Rheims)


14 Mas os seus sentidos foram obscurecidos. Pois, até o dia de hoje, o véu escuro da leitura do Antigo Testamento, não foi tirado (pois em Cristo é anulada). (Douay-Rheims)
No entanto, o mais moderna tradução em Português da Bíblia, a Nova Versão Internacional, traduz esses versos do grego koiné da seguinte forma:


6 Ele nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; pois a letra mata, mas o Espírito vivifica.


14 Na verdade a mente deles se fechou, pois até hoje o mesmo véu permanece quando é lida a antiga aliança. Não foi retitado, porque é somente em Cristo que ele é removido.
Assim, é comum usar qualquer um desses dois termos em Português para traduzir: ou testamento ou aliança, mesmo que eles não sejam sinônimos.
 

Autoria

Por ser uma coleção de livros, o Novo Testamento foi escritor por vários autores. A visão tradicional é que esses livros foram escritos ou por apóstolos, como Mateus, João, Pedro e Paulo; ou por discípulos que trabalharam sob a direção desses apóstolos, como Marcos e Lucas. Todos esses escritores dos livros do Novo Testamento eram judeus, com exceção de Lucas. Três deles, Mateus, João e Pedro, faziam parte do grupo dos apóstolos de Jesus. Outros autores do Novo Testamento, como Marcos, Judas e Tiago foram ativos na igreja primitiva. Os três também já tinham contato com o grupo de apóstolos mesmo antes da morte de Jesus. Lucas e Paulo, embora não tenham sido testemunhas oculares da vida de Cristo, eram bem conhecidos daqueles que o foram. Nada se sabe sobre o autor de Hebreus.


Epístolas Paulinas
Treze das epístolas foram escritas pelo apóstolo Paulo. Alguns estudiosos aceitam apenas sete como autênticas. Entre essas cartas estão incluídas Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Filipenses, I Tessalonicenses e Filemon. Os outros livros do novo testamento, para os estudiosos liberais, foram escritos por pessoas que estavam próximas do apóstolo Paulo.
Entretanto, boa parte dos estudiosos concordam que as 13 epístolas que levam a autoria de Paulo, foram escritas ou ditadas por ele. F F Bruce afirma que "já se foi o tempo em que se ousava negar a autenticidade e a autoria desses documentos". Algumas dessas epístolas paulinas mostram claramente que foram ditadas por Paulo e escritas por um escriba: o livro de Romanos foi escrito por Tércio (Romanos 16:22) e o livro de I Coríntios parece ter sido escrita por Sóstenes (I Corintíos 1:1).
Das treze epístolas que levam o nome de Paulo, três foram escritas no fim de sua prisão em Roma.  I e II Timóteo e a carta de Tito são conhecida como epístolas pastorais. As outras dez são conhecidas como epístolas de viagem, porque foram escritas nas viagens missionárias do apóstolo Paulo.


Hebreus
A Epístola aos Hebreus constitui o maior problema de autoria do Novo Testamento. Na verdade, a questão sobre a autoria de Hebreus é antiga, remontando ao século III.
O escritor eclesiástico Caio não considerava Hebreus como sendo escrita por Paulo. Orígenes afirmava que “se pois alguma igreja considera essa epístola proveniente de Paulo, que seja louvada por isso, pois tão pouco esses homens da antiguidade a transmitiram como tal sem causa; mas só Deus sabe quem realmente escreveu essa epístola”. Eusébio declarou que Clemente de Alexandria afirmava que essa epístola foi escrita por Paulo e hebraico, e traduzida para o grego por Lucas. Já Tertuliano atribuia a autoria a Barnabé; e Apolo foi uma sugestão de Martinho Lutero.


Entretanto, a única certeza que se tem é que o autor não era discípulo imediato de Cristo (Hebreus 2:3). Era judeu, uma vez que empregava a primeira pessoa do plural para se referir ao seu público judaico. Era amigo de Timóteo e pertencia ao círculo paulino (Hebreus 13:23). Além disso, era muito versado no Antigo Testamento, fazendo uso da versão grega da Septuaginta (LXX).


Evangelhos
Os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), tem uma inter-relação única. Eles descrevem muitos dos mesmos acontecimentos e atribuem a Jesus palavras semelhantes ou iguais. A visão dominante entre os estudiosos para explicar essa inter-relação é a hipótese das duas fontes. Esta hipótese propõe que Mateus e Lucas estruturaram seus evangelhos de forma significativa sobre o Evangelho de São Marcos; e outra fonte que continha os ditos de Jesus, conhecida como "Q" (derivado de Quelle, palavra alemã para "fonte"). A natureza e até mesmo a existência de uma fonte escrita contendo esse material partilhado por Mateus e Lucas e designada como Q tem sido questionada por alguns estudiosos, alguns dos quais propuseram a hipótese de variantes a fim de nuançar ou mesmo acabar com a fonte Q.
Os estudiosos que reconhecem a existência de Q argumentam que este era um documento único de escrita, enquanto alguns sugerem que o "Q" foi realmente um número de documentos ou tradições orais. Se fosse uma fonte documental, não há informações sobre o seu autor ou autores, e é praticamente impossível obter essa informação a partir dos recursos atualmente disponíveis.
[editar]Data da composição

Embora não se tenha nenhum dos documentos originais, mas tão somente manuscritos dos séculos posteriores, de modo geral acredita-se que os livros do Novo Testamento teriam sido escritos no século I da era comum. As datas exatas de escrita dos livros propostas por pesquisadores possuem variações. Alguns consideram que o Novo Testamento praticamente completo (com exceção de Apocalipse) já estava escrito antes do ano 70, com alguns livros tendo sido escritos apenas alguns anos após os eventos que narram. De outro lado estão pesquisadores que consideram que todos os livros do Novo Testamento foram escritos bem depois dos acontecimentos relativos à morte de Jesus.


Apesar do Evangelho de Mateus figurar como o primeiro livro do Novo Testamento bíblico, é de maneira geral aceito entre pesquisadores que este não foi o primeiro a ser escrito, nem entre os evangelhos e quanto às demais obras. Isto porque o Evangelho mais antigo teria sido o de Marcos, cuja data de escrita costuma ser calculada entre os anos 55 e 65 da era comum e pode ter servido de fonte para Lucas e Mateus ampliarem as informações sobre a vida de Jesus na terra, embora contenha 31 versículos a mais relativos a outros milagres não relatados pelos demais evangelistas.


Todavia, supõe-se que os livros mais antigos teriam sido as epístolas de Tiago e de Paulo aos gálatas, cuja época teria sido, aproximadamente, em torno do ano 49 da era comum, antes do Concílio de Jerusalém.
Já os últimos livros a serem escritos têm a sua autoria atribuída ao apóstolo João e seriam o seu Evangelho, as três epístolas e o Apocalipse. Este, por volta do ano 95 da era comum, em Patmos, no período da perseguição do imperador Domiciano.


Importante observar que o período que pode ter sido o de maior produção dos escritos do Novo Testamento corresponderia à década de 60 do século I, talvez como uma iniciativa de preservar as informações sobre as origens do cristianismo na época das perseguições de Nero, quando a maioria dos apóstolos foram martirizados, entre os quais Pedro e Paulo.
Por outro lado, as epístolas de Paulo foram muito utilizadas pelo apóstolo para fins de comunicação com as comunidades cristãs e com os pregadores durante os tempos de suas viagens missionárias e na época de Nero. Algumas cartas, como a epístola aos gálatas teriam sido bem antes da primeira perseguição aos cristãos do Império Romano. Outras teriam sido após os últimos relatos que constam no livro de Atos.

Manuscritos do Novo Testamento
Como outras literaturas da antiguidade , o texto do Novo Testamento era (antes do advento da imprensa) preservado e transmitido em manuscritos. De acordo com a última contagem, existem cerca de 5.700 manuscritos gregos do Novo Testamento. Além disso, existem mais de nove mil manuscritos em outras línguas (siríaco, copta, latim, árabe). Alguns desses manuscritos são Bíblia completas, outros são livros ou páginas, e somente alguns são apenas fragmentos.


O Novo Testamento foi escrito em letras de imprensa, conhecidas pelo nome de Unciais (ou minúsculas). A partir do século VI esse estilo caiu em desuso, sendo gradualmente substituído pelos manuscritos chamados minúsculos. Esses predominaram no período que vai do século IX ao XV. O Rylands Library Papyrus ou Papiro P52 é geralmente aceito como o mais antigo registro sobrevivente de um livro que viria a ser o Novo Testamento. É datado em algum momento entre 117 dC e 138 dC. A parte frontal desse papiro contém os linhas do Evangelho de João 18:31-33. No verso, estão registrados os versos 37 e 38. Os manuscritos do Novo Testamento são divididos em três categorias: papiros, unciais e minúsculos. O que os diferencia são suas características diferenciadas.

Papiros
Esses manuscritos datam do século II e III. Eles foram escritos quando o cristianismo ainda era ilegal e as cópias do Novo Testamento eram feitas no material mais barato possível. Atualmente, existem cerca de 26 manuscritos do Novo Testamento em papiro.
Como esses textos surgiram apenas uma geração depois dos autógrafos originais, eles são valiosíssimos para a montagem do texto original através da critica textual do Novo Testamento. O fragmento P52, por exemplo, faz parte dessa categoria.
Outros documentos valiosos são o P45, P46 e o P47, conhecidos como Papiros Chester Beatty (250), consistem de três códices que abrangem a maior parte do Novo Testamento.
P45 – são trinta folhar de um códice de papiro que contém os evangelhos e Atos;
P46 – traz a maior parte das cartas de Paulo, bem como Hebreus, faltando, porém, algumas partes de Romanos, I Tessalonicenses e e todas II Tessalonicenses;
P47 – Contem partes do Apocalispe.
A mais importante descoberta de papiros do Novo Testamento são os Papiros Bodmer (175-225). Eles compreendem o P66, o P72 e oP75. P66 (200dc) - contém algumas porções do evangelho de João;
P72 (séc. III) – É a mais antiga cópia de Judas e de I e II Pedro que se conhece; contém vários livros, alguns canônicos e outros apócrifos;
P75 (175-225dc) – contém Lucas e João em unciais cuidadosamente impressos, com toda clareza. É a mais antiga cópia de Lucas que se tem noticia.

Autoridade
Todas as Igrejas Cristãs aceitam o Novo Testamento como parte das Escrituras Sagradas. Entretanto, os vários ramos do cristianismo diferem em sua compreensão da natureza, extensão e relevância da Autoridade do Novo Testamento.
Geralmente, o papel que uma vertente cristão tem do Novo Testamento como Autoridade depende muito do conceito de inspiração, que esta relacionado com o papel de Deus na formação do Cânon Bíblico. Assim, quanto maior o papel de Deus na doutrina da inspiração, mais se aceita a doutrina da inerrância bíblica e/ou da Bíblia como regra de fé e prática.
As condições para definir esses termos são difíceis, visto que muitas pessoas as usam indiferentemente ou com significados muito diferentes. Aqui, utilizaremos os termos da seguinte forma:

  • Infalibilidade diz respeito à legitimidade absoluta da Bíblia em questões de doutrina.

 

  • Inerrância diz respeito à legitimidade absoluta da Bíblia em afirmações de fatos científicos e históricos. Em outras palavras, a Bíblia não possui erro de natureza nenhuma.

 

  • Fonte Ética diz respeito à legitimidade da Bíblia em questões de moral, fé e prática.
    Todos esses conceitos dependem de seu correto significado para pressupor de que o texto da Bíblia foi interpretado de maneira certa. Assim, partindo de um dos pressupostos acima, tem-se um panorama da Hermenêutica do texto que leva em consideração a intenção do autor que escreveu, quer seja literal, histórica, alegórica, simbólica ou poética. A doutrina da inerrância, por exemplo, é entendida de várias formas, de acordo com o peso dado pelo intérprete.

     

Catolicismo e Ortodoxia Oriental
Tanto para a Igreja Católica quanto para Igreja Ortodoxa Oriental, existem dois tipos de revelações: a Bíblia e a Tradição. Ambos são interpretados pelos ensinamentos da igreja.
Na terminologia católica, o ofício de ensinar é chamado de Magistério (do latim magistra). Na terminologia Ortodoxa a autêntica interpretação da Escritura e da Tradição é limitada ao Direito Canônico dos concílios ecumênicos. Ambas as fontes de revelação são consideradas necessárias para a boa compreensão dos princípios da fé. A visão da Igreja Católica está claramente expressa em seu Catecismo (1992):
§ 83: Como resultado, a igreja, para quem a transmissão e interpretação de Apocalipse foi confiada, não deriva a sua certeza sobre todas as verdades das Sagradas Escrituras sozinha. Tanto a Escritura quanto a Tradição devem ser aceitas e honradas com igual sentimento de devoção e reverência.
§ 107: Os livros inspirados ensinam a verdade. Desde que tudo o que os autores inspirados afirmam deve ser considerado como afirmado pelo Espírito Santo, temos de reconhecer que os livros da Escritura firmemente, fielmente e sem erro de ensinar a verdade que Deus, por causa da nossa salvação, quis ver confidenciou a Sagrada Escritura.

Protestantismo
Os protestantes defendem a doutrina do sola scriptura, cujo significado em latim é “somente a Bíblia”. Eles acreditam que a regra de fé, prática e a interpretações devem levar em consideração exclusivamente os ensinamentos das Escrituras. A tradição não é fonte de autoridade para o protestantismo.
Como a autoridade das denominações protestantes derivam exclusivamente da Bíblia, suas doutrinas estão sempre abertas a reavaliações. Essa abertura à revisões doutrinárias deu base para as tradições protestantes liberais reavaliarem as doutrinas da Escritura em que a Reforma foi fundada. Os membros dessa tradição chegam a questionar se a Bíblia é infalível em questões doutrinarias, se é inerrante em outras declarações factuais e históricos e se Ela tem autoridade divina única. As adaptações feitas pelos protestantes modernos a sua doutrina das Escritura varia muito de denominação para denominação.


Protestantes e Evangélicos Fundamentalistas
Alguns evangélicos americanos conservadores acreditam que as Escrituras tem sua origem da união entre o Divino e o humano: humanos em sua composição; e divino em sua fonte que é Deus. Os evangélicos acreditam que o Espírito Santo guiou os escritores da Bíblia de tal forma que eles não escreveram nada contrário à verdade. Os cristãos fundamentalistas também aceitam a autoridade da Bíblia para questões morais, éticas e científicas.


Para os evangélicos fundamentalistas isso se aplica especialmente a questões como ordenação de mulheres, aborto, evolução e homossexualidade. No entanto, embora a maioria dos protestantes se posicionem contra essas questões, um número cada vez maior do protestantismo está cada vez mais dispostos a considerar que as opiniões dos autores bíblicos são culturalmente condicionado. Essa ala do protestantismo argumenta que há espaço para mudanças juntamente com as normas culturais e os avanços científicos.
A maioria dos cristãos fundamentalistas e dos evangélicos professam a crença na inerrância da Bíblia, ou seja, que os autógrafos originais das Escrituras Sagradas não possuem qualquer tipo de erro.
Já os protestantes mais liberais evitam interpretações da Bíblia que contradiz diretamente as afirmações científicas que são geralmente aceites de fato. Eles não imputam erro aos autores bíblicos, mas entendem que as pessoas que escrevferam a Bíblia tinham em mente determinadas intenções literárias que poderiam dar credibilidade para o progresso humano no conhecimento do mundo ao mesmo tempo em que aceitavam a inspiração divina das Escrituras.


Para os que acreditam na inerrância da Bíblia, a Declaração de Chicago sobre a Inerrância Bíblica (1978) formalizou as visões evangélicas sobre esta questão. Em resumo, essa declaração afirma que a Bíblia é "total e verbalmente dada por Deus, sem erro ou falha em tudo o que ensina, quer naquilo que afirma a respeito de Deus que atuou na criação, quer seja sobre os acontecimentos da história mundial e sobre a sua própria origem literária dada pela Inspiração do Espirito Santo, que em seu testemunho nos concedeu a graça salvadora de Deus na vida individual."
 

Bibliografia

TENNEY, Merril C. O Novo Testamento - sua origem e análise. São Paulo: Shedd Publicações, 2008;
PAROSCHI, Wilson. Crítica Textual do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1993;
BRUCE, F.F. Merece Confiança o Novo Testamento? São Paulo: Vida Nova, 2010;
EUSÉBIO. História Eclesiástica. São Paulo: Paulus, 2000;
SHELLEY, Bruce L. História do Cristianismo ao alcance de todos: uma narrativa do desenvolvimento da Igreja Cristã através dos séculos. São Paulo: Shedd, 2004;
BLACK, David Alan. Por que quatro evangelhos?: razões históricas e científicas da escolha de Mateus, Marcos, Lucas e João. São Paulo: Vida, 2004;
NORMAN, Geisler e NIX, Wilson. Introdução Bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Vida, 2006;


 

O Novo Testamento é composto de 27 livros.
Livros Protocanônicos
 

Evangelhos
Mateus - Marcos - Lucas - João.
 

Livros de Atos
Atos dos Apóstolos (abreviado "Atos").
 

Cartas Apostólicas
Romanos - I Coríntios - II Coríntios - Gálatas - Efésios - Filipenses - Colossenses - I Tessalonicenses - II Tessalonicenses - I Timóteo - II Timóteo - Tito - Filémon - I Pedro.
 

Tratados Doutrinais
I João.


Textos Deuterocanônicos

Através dos séculos, desde o começo da era cristã, e inclusive em contextos protestantes durante os surgimento da Reforma Protestante do século XVI, os textos deuterocanônicos do Novo Testamento foram tão debatidos como os textos deuterocanônicos do Antigo Testamento. Finalmente, os reformistas protestantes decidiram rejeitar sistematicamente todos os textos deuterocanônicos do Antigo Testamento, e aceitar sistematicamente todos os textos deuterocanônicos do Novo Testamento.
 

Trechos Evangélicos
Marcos 16:9-20 - Lucas 22:43-44 - João 5:3'-4, 7:53 a 8:11, e todo o Capítulo 21.
 

Cartas Apostólicas
Tiago - II Pedro - II João - III João - Judas.
 

[editar]Tratados Doutrinais
Hebreus.


Apocalipses
Apocalipse de João (abreviado "Apocalipse").



VERSÕES E TRADUÇÕES:
Apesar da antiguidade dos livros bíblicos, os manuscritos mais antigos que possuímos datam a maior parte do III e IV Século d.C.. Tais manuscritos são o resultado do trabalho de copistas (escribas) que, durante séculos, foram fazendo cópias dos textos, de modo a serem transmitidos às gerações seguintes. Transmitido por um trabalho desta natureza,o texto bíblico, como é óbvio, está sujeito a erros e modificações, involuntários ou voluntários, dos copistas, o que se traduz na coexistência, para um mesmo trecho bíblico, de várias versões que, embora não afetem grandemente o conteúdo, suscitam diversas leituras e interpretações dum mesmo texto. O trabalho desenvolvido por especialistas que se dedicam a comparar as diversas versões e a selecioná-las, denomina-se Crítica Textual. E o resultado de seu trabalho são os Textos-Padrão.


A grande fonte hebraica para o Antigo Testamento é o chamado Texto Massorético. Trata-se do texto hebraico fixado ao longo dos séculos por escolas de copistas, chamados Massoretas, que tinham como particularidade um escrúpulo rigoroso na fidelidade da cópia ao original. O trabalho dos massoretas, de cópia e também de vocalização do texto hebraico (que não tem vogais, e que, por esse motivo, ao tornar-se língua morta, necessitou de as indicar por meio de sinais), prolongou-se até ao Século VIII d.C.. Pela grande seriedade deste trabalho, e por ter sido feito ao longo de séculos, o Texto Massorético (sigla TM) é considerado a fonte mais autorizada para o texto hebraico bíblico original.
No entanto, outras versões do Antigo Testamento têm importância, e permitem suprir as deficiências do Texto Massorético. É o caso do Pentateuco Samaritano (os samaritanos que eram uma comunidade étnica e religiosa separada dos judeus, que tinham culto e templo próprios, e que só aceitavam como livros sagrados os do Pentateuco), e principalmente a Septuaginta Grega (sigla LXX).


A Versão dos Setenta ou Septuaginta Grega, designa a tradução grega do Antigo Testamento, elaborada entre os séculos IV e II a.C., feita em Alexandria, no Egito. O seu nome deve-se à lenda que dizia ter sido essa tradução um resultado milagroso do trabalho de 70 eruditos judeus, e que pretende exprimir que não só o texto, mas também a tradução, fora inspirada por Deus. A Septuaginta Grega é a mais antiga versão do Antigo Testamento que conhecemos. A sua grande importância provém também do facto de ter sido essa a versão da Bíblia utilizada entre os cristãos, desde o início, versão que continha os Deuterocanônicos, e a que é de maior citação do Novo Testamento, mais do que o Texto Massorético.


Da Septuaginta Grega fazem parte, além da Bíblia Hebraica, os Livros Deuterocanônicos (aceitos como canónicos apenas pela Igreja Católica, Ortodoxa, e da maioria judaica da diáspora), e alguns escritos apócrifos (não aceitos como inspirados por Deus por nenhuma das religiões cristãs ocidentais).


Encontram-se 4 mil manuscritos em grego do Novo Testamento, que apresentam variantes. Diferentemente do Antigo Testamento, não há para o Novo Testamento uma versão a que se possa chamar, por assim dizer, normativa. Há contudo alguns manuscritos mais importantes, pelas sua antiguidade ou credibilidade, e que são o alicerce da Crítica Textual.
Uma outra versão com importância é a chamada Vulgata Latina, ou seja, a tradução para o latim por São Jerónimo, em 404 d.C., e que foi utilizada durante muitos séculos pelas Igrejas Cristãs do Ocidente como a versão bíblica autorizada.
De acordo com as Sociedades Bíblicas Unidas, a Bíblia já foi traduzida, até 31 de dezembro de 2007, para pelo menos 2.454 línguas e dialectos[5], sendo o livro mais traduzido do mundo.

 

Língua portuguesa
Os primeiros registros da tradução de trechos da Bíblia para o português remontam ao final do século XIII, por Dom Dinis. Mas a primeira Bíblia completa em língua portuguesa foi publicada somente em 1753, na tradução de João Ferreira de Almeida (1628-1691).

Ele já conhecia a Vulgata, já que seu tio era padre. Após converter-se ao protestantismo aos 14 anos, Almeida partiu para a Batávia. Aos 16 anos traduziu um resumo dos evangelhos do espanhol para o português, que nunca chegou a ser publicado. Em Malaca traduziu partes do Novo Testamento também do espanhol.Aos 17, traduziu o Novo Testamento do latim, da versão de Theodore Beza, além de ter se apoiado nas versões italiana, francesa e espanhola.


Aos 35 anos, iniciou a tradução diretamente dos originais, embora seja um mistério como ele aprendeu os idiomas originais. É certo que ele usou como base o Texto Massorético para o Antigo Testamento, o Textus Receptus, editado em 1633 pelos irmãos Elzevir, e alguma tradução da época, como a Reina-Valera. A tradução do Novo Testamento ficou pronta em 1676.


O texto foi enviado para a Holanda para revisão. O processo de revisão durou 5 anos, sendo publicado em 1681, e teve mais de mil erros. A razão é que os revisores holandeses queriam harmonizar a tradução com a versão holandesa publicada em 1637. A Companhia das Índias Orientais ordenou que se recolhesse e destruísse os exemplares defeituosos. Os que foram salvos foram corrigidos e utilizados em igrejas protestantes no Oriente, sendo que um deles está exposto no Museu Britânico. Após sua morte foram detectados vários erros de tradução, e as sucessivas edições por que passou ao longo dos anos tornou o atual texto das Bíblias de Almeida bastante diferente do texto da primeira edição, mantendo, contudo, o estilo clássico do vocabulário.

23.3.1.3 - Personagens Bíblicos:

 

Clique no link ao lado (azul) para ver alguns Personagens Bíblicos

 

23.3.1.4 - Passagens Bíblicas:

 

Clique no link ao lado (azul) para ver alguns Passagens da Bíblia

 

Referências:

1. No latim medieval biblìa passou a ser usado como uma palavra singular — uma colecção de livros, ou "a Bíblia".
2. [http://lazer.hsw.uol.com.br/21-livros-mais-vendidos.html A Lista dos 21 Livros Mais Vendidos de Todos os Tempos
3. Estes dados são do domínio público nos países de maioria populacional aderente à fé cristã ortodoxa, e tem sido retomados e recompilados de numerosas fontes bibliográficas sérias em grego, russo, alemão, inglês e espanhol.
4. Time "A Boost for the Book of Jeremiah". Descoberta de tablete confirma episódio bíblico (21 de julho de 2007)
5. Sumário estatístico de idiomas com traduções das Escrituras (em inglês). Sociedades Bíblicas Unidas. Página visitada em 27 de março de 2009.

 

 

Bibliografia

LIMA, Alessandro. O Cânon Bíblico - A Origem da Lista dos Livros Sagrados. São José dos Campos-SP: Editora COMDEUS, 2007.
PASQUERO, Fedele. O Mundo da Bíblia, Autores Vários. São Paulo: Paulinas, 1986.
ROST, Leonard. Introdução aos Livros Apócrifos e Pseudo-Epígrafos do Antigo Testamento. São Paulo: Paulinas, 1980.

 

Fonte: Wikipédia

Bíblia

 

23.3.1.5 - LITERALISMO BÍBLICO

Literalismo bíblico é a aderência ao sentido literal e explícito do Bíblia. Na sua forma mais pura tal crença seria negar a existência de alegorias, parábolas e metáforas na Bíblia. No entanto, a frase "literalista bíblico" é um termo usado frequentemente (e às vezes pejorativamente) para se referir aos que acreditam na inerrância bíblica.

Num certo sentido, no entanto, literalismo bíblico não é sinónimo de inerrância bíblica. Considerando-se que a doutrina da inerrância doutrina lida com a veracidade do autor da mensagem pretendida, enquanto que o literalismo bíblico lida com a interpretação de algumas passagens no seu sentido literal.

O termo também tem sido usado para referir-se ao Método histórico-gramatical de hermenêutica bíblica, que é uma prática comum dos conservadores cristãos. De acordo com o Elwell Evangelical Dictionary, o termo literalismo descreve uma prática que "pretende descobrir a intenção do autor, focalizando-se sobre as suas palavras em sua planície, buscando o seu mais óbvia sentido". Nesta definição, uma leitura "literalista" das Escrituras não iria assumir a interpretação literal das alegorias, parábolas e metáforas da Bíblia como visto, por exemplo, na poesia bíblica ou nas parábolas de Jesus.

 

23.3.1.6 - INERRÂNCIA BÍBLICA:

Inerrância bíblica é a doutrina segundo a qual, em sua forma original, a Bíblia está totalmente livre de contradições, incluindo suas partes históricas e científicas. A inerrância distingui-se da doutrina da Infalibilidade bíblica a qual assegura que a Bíblia é inerrante quando se fala de assuntos de fé e de sua prática e não em relação à história e ciência.

 

O contexto da inerrância

Muitas denominações acreditam que a Bíblia é inspirada por Deus, o qual através dos atos humanos é o autor divino da Bíblia. Isto é expressado na seguinte passagem da Bíblia:

"Toda escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, redarguir, corrigir e instruir na justiça (2 Timóteo 3:16)"

Muitos que acreditam na inspiração da escritura ensinam que ela é infalível. Aqueles que defendem a infalibilidade acreditam que aquilo que dizem as Escrituras em matéria de fé e prática cristã é totalmente útil e verdadeiro. Algumas denominações que ensinam que na infalibilidade os detalhes da história e/ou ciência tornam-se irrelevantes para as questões de fé e prática cristã, podem conter erros. Aqueles que crêem que a inerrância deve compreender a comunidade científica, dados geográficos, históricos e detalhes dos textos manuscritos originais são totalmente verdadeiras e sem erros.

 

23.3.1.7 - HERMENÊUTICA BÍBLICA:

Hermenêutica bíblica pretende estudar os princípios da interpretação da Bíblia enquanto uma colecção de livros sagrados e divinamente inspirados. No Cristianismo, esta interpretação é estudada e obtida através da exegese. A hermenêutica bíblica abrange a relação dialética que visa substancializar os significados dos textos bíblicos para aproximar o mesmo da realidade fáctica, na qual se vislumbra o esclarecimento por meio da Bíblia. A hermenêutica bíblica utliza-se de outros princípios comuns aos demais tipos de hermenêutica, como por exemplo a hermenêutica jurídica que segue os princípios da inegabilidade do ponto de partida e a proibição do "non liquet". Em verdade, a hermenêutica bíblica não deve se afastar do texto bíblico, bem como não se abstem da problemática inicial do hermenêuta. O principal objetivo da hermenêutica bíblica é o de descobrir a intenção original do autor bíblico. No caso dos textos da Bíblia o leitor, ao menos racionalmente, não tem acesso direto ao autor original. Por isso é necessário aplicar princípios da hermenêutica (a ciência da interpretação) ao texto bíblico.

Além do fator de separação pessoal entre o leitor atual e o autor original, há outras barreiras para a compreensão. Os últimos e mais recentes livros da Bíblia foram escritos há cerca de dois mil anos atrás. Além da distância de tempo, há diferenças de idioma, pois a Bíblia foi escrita originalmente em hebraico, aramaico e grego. Há ainda diferenças culturais e de costumes que separam os leitores atuais dos autores originais da Bíblia. Alguns exemplos são o sistema de sacerdotes e sacrifícios da Lei de Moisés no Antigo Testamento, e o uso do véu por mulheres no Novo Testamento.

fonte:Wikipédia 

 

23.3.1.8 - LIBERALISMO TEOLÓGICO (TEOLOGIA LIBERAL)

Teologia liberal (ou liberalismo teológico) foi um movimento teológico cuja produção se deu entre o final do século XVIII e o início do século XX. Relativizando a autoridade da Bíblia, o liberalismo teológico estabeleceu uma mescla da doutrina bíblica com a filosofia e as ciências da religião. Ainda hoje, um autor que não reconhece a autoridade final da Bíblia em termos de fé e doutrina é denominado, pelo protestantismo ortodoxo, de "teólogo liberal".

Oficialmente, a teologia liberal se iniciou, no meio evangélico, com o alemão Friedrich Schleiermacher(1768-1834), o qual negava essa autoridade e igualmente a historicidade dos milagres de Cristo. Ele não deixou uma só doutrina bíblica sem contestação. Para ele, o que valia era o sentimento humano: se a pessoa "sentia" a comunhão com Deus, ela estaria salva, mesmo sem crer no Evangelho de Cristo.

Meio século depois de Schleiermecher, outro teólogo questionou a autoridade Bíblica, Albrecht Ritschl (falecido em 1889). Para Ritschl, a experiência individual vale mais que a revelação escrita. Assim, pregava que Jesus só era considerado Filho de Deus porque muitos assim o criam, mas na verdade era apenas um grande gênio religioso. Negou assim sistematicamente a satisfação de Cristo pelos pecados da humanidade, Pregava que a entrada no Reino de Deus se dava pela prática da caridade e da comunhão entre as pessoas, não pela fé em Cristo.

Ernst Troeschl (falecido em 1923) foi outro destacado defensor do liberalismo teológico. Segundo ele, o cristianismo era apenas mais uma religião entre tantas outras, e Deus se revelava em todas, sendo apenas que o cristianismo fora o ápice da revelação. Dessa forma, tal como Schleiermacher, defendia a salvação de não-cristãos, por essa alegada "revelação de Deus" em outras religiões.

 

<VOLTAR>

23.3.2 - APÓCRIFOS

Os Livros apócrifos (grego: απόκρυφος; latim: apócryphus; português: oculto), também conhecidos como Livros Pseudo-canônicos, são os livros escritos por comunidades cristãs e pré-cristãs (ou seja, há livros apócrifos do Antigo Testamento) nos quais os pastores e a primeira comunidade cristã não reconheceram a Pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo e, portanto, não foram incluídos no cânon bíblico.


O termo "apócrifo" foi cunhado por Jerônimo, no quinto século, para designar basicamente antigos documentos judaicos escritos no período entre o último livro das escrituras judaicas, Malaquias e a vinda de Jesus Cristo. São livros que não foram inspirados e que não fazem parte de nenhum cânon. São também considerados apócrifos os livros que não fazem parte do cânon da religião que se professa.


A consideração de um livro como apócrifo varia de acordo com a religião. Por exemplo, alguns livros considerados canônicos pelos católicos são considerados apócrifos pelos judeus e pelos evangélicos (protestantes). Alguns destes livros são os inclusos na Septuaginta por razões históricas ou religiosas. A terminologia teológica católica romana/ortodoxa para os mesmos é deuterocanônicos, isto é, os livros que foram reconhecidos como canônicos em um segundo momento (do grego, deutero significando "outro").

Destes fazem parte os livros de Tobias, Judite, I e II Macabeus, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico (também chamado Sirácide ou Ben Sirá), Baruc (ou Baruque) e também as adições em Ester e em Daniel - nomeadamente os episódios da História de Susana e de Bel e o dragão.
Os apócrifos são cartas, coletâneas de frases, narrativas da criação e profecias apocalípticas. Além dos que abordam a vida de Jesus ou de seus seguidores, cerca de 50 outros contêm narrativas ligadas ao Antigo Testamento.

 

Número de Livros:

O número dos livros apócrifos é maior que o da Bíblia canônica. É possível contabilizar 113 deles, 52 em relação ao Antigo Testamento e 61 em relação ao Novo.A tradição conservou outras listas dos livros apócrifos, nas quais constam um número maior ou menor de livros. A seguir, alguns desses escritos segundo suas categorias.


Evangelhos: de Maria Madalena, de Tomé, Filipe, Árabe da Infância de Jesus, do Pseudo-Tomé, de Tiago, Morte e Assunção de Maria, Judas Iscariotes;


Atos: de Pedro, Paulo e Tecla, Dos doze apóstolos, de Pilatos;


Epístolas: de Pilatos a Herodes, de Pilatos a Tibério, dos apóstolos, de Pedro a Filipe, Paulo aos Laodicenses, Terceira epístola aos Coríntios, de Aristeu;


Apocalipses: de Tiago; de João, de Estevão, de Pedro, de Elias, de Esdras, de Baruc; de Sofonias;


Testamentos: de Abraão, de Isaac, de Jacó, dos 12 Patriarcas, de Moisés, de Salomão, de Jó;


Outros: A filha de Pedro, Descida de Cristo aos Infernos, Declaração de José de Arimatéia, Vida de Adão e Eva, Jubileus, 1,2 e 3 Henoque, Salmos de Salomão; Oráculos Sibilinos.

 

LISTA DE LIVROS APÓCRIFOS:

Antigo Testamento
Apocalipse de Baruc
Apocalipse de Moisés
Apocalipse de Sidrac
Samuel Apócrifo
Ascensão de Isaías
Assunção de Moisés
Caverna dos Tesouros
Epístola de Aristéas
Livro dos Jubileus
Martírio de Isaías
Oráculos Sibilinos
Prece de Manassés
Primeiro Livro de Adão e Eva
Primeiro Livro de Enoque
Primeiro Livro de Esdras
Quarto Livro dos Macabeus
Revelação de Esdras
Salmo 151
Salmos de Salomão
Segundo Livro de Adão e Eva
Segundo Livro de Enoque ou Livro dos Segredos de Enoque
Segundo Livro de Esdras ou Quarto Livro de Esdras
Segundo Tratado do Grande Seth
Terceiro Livro dos Macabeus
Testamento de Abraão
Testamento dos Doze Patriarcas
Vida de Adão e Eva


Livros deuterocanônicos considerados apócrifos, para Judeus e Protestantes
Primeiro Livro de Macabeus ou I Macabeus
Segundo Livro de Macabeus ou II Macabeus
Judite
Baruc
Eclesiástico ou Sirácida ou Ben Sirá
Livro de Tobias
Livro da Sabedoria
adições em Ester
adições em Daniel (ou nomeadamente os episódios da História de Susana e de Bel e o dragão)
 

Novo Testamento
I Clemente
II Clemente
Ágrafos Extra-Evangelhos
Ágrafos de Origens Diversas
Atos de André
Atos de André e Mateus
Atos de Barnabé
Atos de Felipe
Atos de João
Atos de João o Teólogo
Atos de Paulo
Atos de Paulo e Tecla
Atos de Pedro
Atos de Pedro e André
Atos de Pedro e Paulo
Atos de Tadeu
Atos de Tomé
Apocalipse de Pedro
Apocalipse de Paulo
Apocalipse da Virgem
Apocalipse de Tomé
Consumação de Tomé
Correspondência entre Paulo e Sêneca
Declaração de José de Arimatéia
Descida de Cristo ao Inferno
Discurso de Domingo
Ditos de Jesus ao rei Abgaro
Ensinamentos do Apóstolo Tadeu
Ensinamentos dos Apóstolos
Epístola de Barnabé
Epístola aos Laodicenses
Epístola de Herodes a Pôncio Pilatos
Epístola de Jesus ao rei Abgaro (2 versões)
Epístola de Pôncio Pilatos a Herodes
Epístola de Pôncio Pilatos ao Imperador
Epístola de Tibério a Pôncio Pilatos
Epístola do rei Abgaro a Jesus
Epístola dos Apóstolos
Evangelho Árabe de Infância
Evangelho Armênio de Infância (fragmentos)
Evangelho de Bartolomeu
Evangelho de Tiago
Evangelho de Marcião
Evangelho de Maria
Evangelho de Matias (ou Tradições de Matias)
Evangelho de Nicodemos (ou Atos de Pilatos)
Evangelho de Pedro
Evangelho do Pseudo-Mateus
Evangelho do Pseudo-Tomé
Evangelho dos Ebionitas (ou Evangelho dos Doze Apóstolos)
Evangelho dos Hebreus
Evangelho Secreto de Marcos
Evangelho de Tomé
Exposições Valentinianas - (Fragmentos Evangélicos Conservados em Papiros) - (Fragmentos Evangélicos de Textos Coptas)
História de José o Carpinteiro
Infância do Salvador
Julgamento de Pôncio Pilatos - Livro de João o Teólogo sobre a Assunção da Virgem Maria
Martírio de André
Martírio de Bartolomeu
Martírio de Mateus
Morte de Pôncio Pilatos
Natividade de Maria
Odes de Salomão
Passagem da Bem-Aventurada Virgem Maria
Prece de Ação de Graças
Proto-Evangelho de Tiago
Retrato de Jesus
Retrato do Salvador
Revelação de Estevão
Sentença de Pôncio Pilatos contra Jesus
Vingança do Salvador
Visão de Paulo

Manuscritos de Nag Hammadi

Escritos de Qumran
A Nova Jerusalém
A Sedutora
Antologia Messiânica
Bênção de Jacó
Bênçãos
Cânticos do Sábio
Cânticos para o Holocausto do Sábado
Comentários sobre a Lei
Comentários sobre Habacuc
Comentários sobre Isaías
Comentários sobre Miquéias
Comentários sobre Naum
Comentários sobre Oséias
Comentários sobre Salmos
Consolações
Eras da Criação
Escritos do Pseudo-Daniel
Exortação para Busca da Sabedoria
Génesis Apócrifo
Hinos de Ação de Graças
Horóscopos
Lamentações
Maldições de Satanás e seus Partidários
Melquisedec, o Príncipe Celeste
O Triunfo da Retidão
Oração Litúrgica
Orações Diárias
Orações para as Festividades
Os Iníqüos e os Santos
Os Últimos Dias
Palavras das Luzes Celestes
Palavras de Moisés
Pergaminho de Cobre
Pergaminho do Templo
Prece de Nabonidus
Preceito da Guerra
Preceito de Damasco
Preceito do Messianismo
Regra da Comunidade
Rito de Purificação
Salmos Apócrifos
Samuel Apócrifo
Testamento de Amran


Outros escritos
História do Sábio Ahicar
Livro do Pseudo-Filon
Evangelho de Judas

 

APÓCRIFO: LIVRO DE NEPOS

O Livro de Nepos é um dos textos dos apócrifos do Novo Testamento, escrito por bispo egípcio chamado Nepos, de quem nada mais sabemos e cujos ensinamentos eram seguidos principalmente em Arsinoe, na Cilícia segundo Eusébio (História Eclesiástica VII.24). Ele demonstrou ser um literalista estrito, tomando o sentido literal da Bíblia como o único verdadeiro. Seu livro, também conhecido como "Refutação aos alegoristas" era direcionado contra os argumentos do que consideravam certos trechos da Bíblia como mera alegoria. Em particular, o texto buscou desacreditar a posição - minoritária entre os cristãos da época - de que o Apocalipse de João deveria ser interpretado alegoricamente e não literalmente.

Texto

Entre os ensinamentos presentes no texto está a crença de que Jesus irá vir à Terra e fisicamente reinar como um monarca por mil anos durante uma era de deleite para os justos. Esta crença era considerada como ortodoxa na Igreja antiga (defendida entre outros por Ireneu e por Justino Mártir), algo que foi caindo em desuso e, posteriormente, a Igreja passou a interpretar o Apocalipse como uma alegoria. De fato, Dionísio de Alexandria se sentiu compelido a escrever um texto ("Sobre as promessas") contra ela, ainda que ele tivesse grande estima por Nepos pessoalmente e tentou refutar sua doutrina sem ofendê-lo.

O "Livro de Nepos" era tão popular entre as vilas à volta de Alexandria que Dionísio esteve lá pessoalmente para refutá-lo. Em deferência à Nepos e sua ortodoxia anterior de estrito literalismo, ele o fez de maneira muito educada, entrando em respeitoso diálogo com os habitantes locais e contestando cada um dos argumentos do livro.

 

 

Fonte:Wikipedia

EVANGELHOS APÓCRIFOS: TEXTOS QUE A BÍBLIA OCULTOU

Por Sérgio Pereira Couto

Entre o Velho e o Novo Testamentos há um período denominado intertestamentário, no qual se produziram vários textos sobre a história religiosa. Mas a Igreja, sem dar explicações racionais, selecionou apenas quatro deles como evangelhos oficiais. Os demais foram usados por inúmeras seitas, que deles extraíram informações históricas polêmicas.

O artigo a seguir faz uma panorâmica dos misteriosos evangelhos apócrifos.

A vida de Jesus sempre foi envolta em mistério. É esse o ponto motriz da série Operação Cavalo de Tróia, do escritor espanhol J. J. Benítez, lançada no Brasil pela Editora Mercuryo, Esses livros tentam esclarecer passagens obscuras como a natividade de Jesus ou seus últimos momentos no Monte das Oliveiras. O que as pessoas não sabem é que esses mesmos fatos deram origem a outros livros do autor, como O Testamento de São João e Os Astronautas de Yaveh. Este último explora fatos também ligados a Maria e foi escrito antes do primeiro volume co "Cavalo". Todas essas obras têm o mesmo ponto de partida: os evangelhos apócrifos. Mas o que são esses textos misteriosos?

"Apócrifo" (apokryphu no latim, apokryphos no grego) é a palavra denominada para definir uma obra cuja autenticidade não se comprovou. Com o passar do tempo ela ganhou um sentido pejorativo. englobando todos os evangelhos suspeitos de serem heréticos pelos inúmeros concílios da Igreja católica. Os apócrifos abrangem as duas partes da Bíblia. o Velho e o Novo Testamento. e alguns foram dela retirados e posteriormente reintegrados ao Livro, como o Macabeus e as Odes de Salomão.

Não se sabe, porém, de onde esses evangelhos teriam vindo. No começo da nossa era havia uma grande tradição oral que, muito vagarosamente, começou a ser compilada. Já não se pode afirmar, com certeza, quem terá escrito. Sabe-se, contudo, que partiram do mesmo povo, os hebreus, pois eram primeiramente redigidos nessa língua, sendo posteriormente traduzidos para o latim e o grego, além de outras línguas como o árabe, o siríaco, o capta ou o armênio.

Nos dois primeiros séculos de nossa era, os doutores da Igreja aceitavam os apócrifos e não os punham em dúvida. Somente mais tarde, em 325, os apócrifos foram separados dos oficiais.Em uma obra intitulada Libelus Synddicus, um anônimo chegou a explicar como foi feita esta separação: quando os bispos estavam em oração, os evangelhos inspirados pelo Espírito Santo foram se colocar num altar sozinhos. Outra versão diz que, ao serem colocados todos num altar, apenas os não inspirados caíram.

Independente de serem reais ou não, os textos apócrifos precisam ser meticulosamente estudados, pois muitos foram os que os manipularam para fazer preponderar seu ponto de vista sobre a religião. Por exemplo, no final do Evangelho de Bartolomeu, Jesus fala em "Igreja católica", termo nunca usado nos canônicos. Mas nem tudo é truque: os apócrifos são de uma beleza indiscutível. Tanto que a mesma Editora Mercuryo lançou o livro Apócrifos - Os Proscritos da Bíblia, com uma reunião de 12 textos impregnados de simbolismo e gnosticismo. Conheça um pouco desses misteriosos textos.

Livro dos Segredos de Enoch

Recentemente encontrado na Rússia e na Sérvia, muito pouco se sabe de sua origem. Cogita-se que data do século 1 d.C., no período intertestamentário. Seja como for é um documento valioso para o entendimento dos primeiros tempos do cristianismo e que ajuda a entender muitas passagens obscuras dos evangelhos canônicos.

Trata-se de uma visão apocalíptica que mais se parece com o Paraíso da Divina Comédia ,de Dante Alighieri. Enoch experimenta uma viagem pelos dez céus até encontrar-se face a face com Deus. Fala dos anjos rebeldes, do inferno, do sofrimento eterno, da criação e da criação do visível pelo invisível. Dois anjos escoltam Enoch ao céu, onde permanece durante 60 dias. Volta à Terra, entrega os 366 livros que escreveu durante sua estada a seus filhos e novamente ascende.

Recentes hipóteses levantadas falam que este apócrifo teria sido escrito por um judeu helenizado de Alexandria (Egito). Vale lembrar que Enoch e Elias, outro profeta, serão os dois únicos mortais a viverem no céu com seu corpo até a vinda do Anticristo, quando descerão e o combaterão no final dos tempos, sendo por ele mortos.

Protoevangelho de Tiago

O mais famoso dos apócrifos e o usado por J. J. Benítez como inspiração em suas obras. Seu texto é muito remoto e considerado, por muitos estudiosos, como anterior mesmo aos canônicos. Surgiu no fim do século 16 com o nome de "Livro de Tiago", Sua autoria e época são inexatos. O humanista francês Guillaume Postel considerou-o um prólogo ao Evangelho Segundo São Mateus.

o texto trata da infância de Jesus, do nascimento de sua mãe Maria, da educação dela em um templo até a puberdade, como José (viúvo e pai de seis filhos) foi escolhido como seu marido, o nascimento de Jesus numa caverna e de um misterioso astro que guiou os magos até ela. E cita. ainda, o testemunho de uma parteira que constatou a virgindade de Maria ao dar à luz.

Evangelho de Bartolomeu

O apócrifo que mais repercutiu entre coptas. latinos. helênicos e eslavos. Jerônimo (150) faz referência a ele, bem como Epifánio (que morreu em 403. O tema é. talvez, o mais original já é insólito deles: a conversa de Bartolomeu e Jesus com Belial, um anjo maligno que não reconhece ninguém a não ser ele próprio.

A narração começa logo após a ressurreição, quando Bartolomeu, intrigado, pergunta a Cristo onde ele fora  quando as trevas cobriram a Terra,  pois este o vira desaparecer da cruz.

Entre as citações do texto estão os  profetas Enoch e Elias e a "entrevista" a que os apóstolos submetem Maria para que ela lhes revele detalhes da concepção. Nesse texto, bem como em outro apócrifo chamado "Descida de Cristo ao Inferno" (encontrado em duas versões, latina e grega), há uma alusão a pessoas que costumam adulterar os textos religiosos para defender pontos de vista pessoais ou relativos a seitas.

Seja como for, ao final do texto o leitor fica no mínimo intrigado, pois alguns dos mistérios revelados dão asas à imaginação.

Livro da Ascensão de Isaías

Entre os diversos textos do Velho Testamento recusados pela Igreja encontra-se um que revela um caráter extremamente esotérico e revelações que não se encaixam com as afirmações do resto do Livro dos Livros. Este, atribuído a Isaías, profeta e genro de Joás, rei de Judá, é um deles. A época em que foi escrito é estimada entre 88 e 100 d.C. Isaías foi um dos profetas que previram a vinda de Cristo, que haveria de nascer de uma virgem, os principais acontecimentos de sua vida, morte e ressurreição. Isaías morreu aos 110 anos, serrado ao meio por ordem do rei Manassés, a quem criticara por sua vida libertina.

No livro, o profeta conta suas visões: quando o pai de Manassés, Ezequias, ainda está vivo, revela-lhe que seu filho acabaria por se tomar discípulo de Belial e abandonaria a fé de seus antepassados; ao lado do leito do moribundo rei revela-lhe a visão que teve do céu, dos anjos e das potestades. Cada céu revelase mais esplendoroso que o anterior. Um detalhe: até o quinto céu há "esquerda" e "direita"; depois não há mais.

Ao falar também das vestimentas de luz dos anjos, este apócrifo esbarra em definições usadas tanto nos canônicos de Mateus, Coríntios e Apocalipse quanto no apócrifo Livro dos Segredos de Enoch.

Evangelho Pseudo-Tomé e Evangelho Segundo Tomé do Dídimo

Trata-se de dois textos completamente diferentes entre si e que foram muito confundidos. O primeiro é um relato da vida de Jesus que abrange dos cinco aos 12 anos, datado do século 1. Sua narrativa retoma o ponto deixado pelo Protoevangelho de Tiago, ao qual acabaria por ter uma parte agregada que formou um texto longo, com duas ampliações (introduzidas na Armênia no século 4 e no mundo árabe mais ou menos na mesma época).

Seu mérito é a tentativa de preencher uma lacuna deixada pelos evangelhos canônicos, que é a infância de Jesus.

Aqui conhecemos os milagres de Jesus Menino, alguns chegando até mesmo a serem risíveis, como as figuras de pássaros feitas de barro que Jesus constrói  e que criam vida. Jesus Menino desperta admiração e assombro entre os judeus, principalmente entre seus pais carnais.

O segundo texto, cujo original está l no Museu Capta do Cairo, no Egito, foi descoberto em 1945 na região de Nag Hammadi. Junto com este, estava o Evangelho Segundo Felipe, outro apócrifo famoso, cujo texto traz a semente usada por Nikos Kazantzakis em seu livro A Última Tentação de Cristo (transformado por Martin Scorsese no polêmico filme homônimo), ao revelar Cristo como tomado de paixão por Madalena.

O Evangelho segundo Tomé do Dídimo é uma coletânea de frases e parábolas. Foi muito usado como citação pelos antigos doutores da Igreja. É nitidamente gnóstico, com um texto difícil de ser entendido, muitas vezes devido à tradução do grego para o copta. São frases como: "Onde há três deuses, há deuses; onde há dois ou um. estou com ele", Ou ainda: "Todo aquele que conhece o Todo mas não conhece a si próprio, a este falta tudo", o valor histórico dos evangelhos apócrifos é indiscutível. Ao final de sua leitura fica uma sensação de perturbação. como se tivéssemos sido enganados sobre Cristo o tempo todo. Fica claro porque os apócrifos foram excluídos da Bíblia. Não bem por serem heréticos. como afirmam os doutores e exegetas, mas por fazerem as pessoas pensarem mais sobre Deus e suas obras.

 

Fonte: Revista Planeta nº 226 – Julho de 1991

LIVRO DE ENOCH

"Passagem do livro de Enoch, mais precisamente no capitulo 7, que me chamou bastante atenção pelo "conteúdo" divergente ao que as religiões nos contam. Leia e "julgue" por você mesmo" - http://rmorais76.blogspot.com/2010_11_01_archive.htmll

Capitulo 7:

1 - E aconteceu depois que os filhos dos homens se multiplicaram naqueles dias, nasceram-lhe filhas, elegantes e belas.

2 - E quando os anjos, (3) os filhos dos céus, viram-nas, enamoraram-se delas, dizendo uns para os outros: Vinde, selecionemos para nós mesmos esposas da progênie dos homens, e geremos filhos. (3) No texto aramaico lê-se "Sentinelas" (J.T. Milik, Aramaic Fragments of Qumran Cave 4 [Oxford: Clarendon Press, 1976], p. 167).

3 - Então seu líder Samyaza disse-lhes: Eu temo que talvez possais indispor-vos na realização deste empreendimento;

4 - E que só eu sofrerei por tão grave crime.

5 - Mas eles responderam-lhe e disseram: Nós todos juramos;

6 - (e amarraram-se por mútuos juramentos), que nós não mudaremos nossa intenção mas executamos nosso empreendimento projetado.

7 - Então eles juraram todos juntos, e todos se amarraram (ou uniram) por mútuo juramento. Todo seu número era duzentos, os quais descendiam de Ardis, (4) o qual é o topo do monte Armon.
(4) de Ardis. Ou, "nos dias de Jared" (R.H. Charles, ed. and trans., The Book of Enoch [Oxford: Clarendon Press, 1893], p. 63).

8 - Aquele monte portanto foi chamado Armon, porque eles tinham jurado sobre ele, (5) e amarraram-se por mútuo juramento. (5) Mt. Armon, ou Monte Hermon deriva seu nome do hebreu herem, uma maldição (Charles, p. 63).

9 - Estes são os nomes de seus chefes: Samyaza, que era o seu líder, Urakabarameel, Akibeel, Tamiel, Ramuel, Danel, Azkeel, Saraknyal, Asael, Armers, Batraal, Anane, Zavebe, Samsaveel, Ertael, Turel, Yomyael, Arazyal. Estes eram os prefeitos dos duzentos anjos, e os restantes estavam todos com eles. (6) (6) O texto aramaico preserva uma lista anterior dos nomes destes Guardiões ou Sentinelas: Semihazah; Artqoph; Ramtel; Kokabel; Ramel; Danieal; Zeqiel; Baraqel; Asael; Hermoni; Matarel; Ananel; Stawel; Samsiel; Sahriel; Tummiel; Turiel; Yomiel; Yhaddiel (Milik, p. 151).

10 - Então eles tomaram esposas, cada um escolhendo por si mesmo; as quais eles começaram a abordar, e com as quais eles coabitaram, ensinando-lhes sortilégios, encantamentos,e a divisão de raízes e árvores.

11 - E as mulheres conceberam e geraram gigantes, (7). (7) O texto grego varia consideravelmente do etíope aqui. Um manuscrito grego acrescenta a esta secção, "E elas [as mulheres] geraram a eles [as Sentinelas] três raças: os grandes gigantes. Os gigantes trouxeram [alguns dizem “mataram"] os Naphelim, e os Naphelim trouxeram [ou "mataram"] os Elioud. E eles sobreviveram, crescendo em poder de acordo com a sua grandeza." Veja o registro no Livro dos Jubileus.

12 - Cuja estatura era de trezentos cúbitos. Estes devoravam tudo o que o labor dos homens produzia e tornou-se impossível alimentá-los;

13 - Então eles voltaram-se contra os homens, a fim de devorá-los;

14 - E começaram a ferir pássaros, animais, répteis e peixes, para comer suas carnes, um depois do outro, (8) e para beber seu sangue. (8) Sua carne, um depois do outro. Ou, "de uma outra carne". R.H. Charles nota que esta frase pode referir-se à destruição de uma classe de gigantes por outra. (Charles, p. 65).

15 - Então a terra reprovou os injustos.

ENOCH CAP 7-8-9.

<VOLTAR>

<VOLTAR>

O EVANGELHO DE TOMÉ

O Evangelho de Tomé presente na biblioteca de Nag Hammadi assim se inicia: Esses são os ditos secretos que o Jesus vivo disse e Judas Tomé Dídimo registrou. Tradições sírias também alegam que o nome completo do apóstolo era Judas Tomé, ou Jude Tomé. Alguns dizem ter visto nos Atos de Tomé (escrito na Síria oriental entre os séculos II e III) uma identificação de São Tomé com o apóstolo Judas Tadeu, filho de Tiago. No entanto, a primeira frase desse Atos segue os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos, distinguindo os apóstolos Judas Tomé e Judas Tadeu.

Poucos textos determinam o irmão gêmeo de Tomé, apesar de que no Livro de Tomé o Adversário, parte dos manuscritos de Nag Hammadi, identifica-se Jesus como seu irmão: Agora, haja vista que foi dito ser tu meu gêmeo e verdadeiro companheiro, examina-te a ti mesmo.

Fonte: Turner, John D. - The Book of Thomas (NHC II,7 138,7-138,12). Retrieved September 10, 2006.

 

 

Estas são as palavras secretas de Jesus, o vivo, que foram escritas por Didymos Tau'ma (Tomé (Tomás), o gêmeo)


1. Quem descobrir o sentidos dessas palavras, não provará a morte.

2. Quem procura, não cesse de procurar até achar; e, quando achar, será estupefato; e, quando estupefato, ficará maravilhado - e então terá domínio sobre o Universo.

3. Jesus disse: Se vossos guias vos disserem: ‘o reino está no céu', então as aves vos precederam; se vos disserem que está no mar, então os peixes vos precederam. Mas o reino está dentro de vós, e também fora de vós. Se vos conhecerdes, sereis conhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas, se não vos conhecerdes, vivereis em pobreza, e vós mesmos sereis essa pobreza.

 

4. O homem idoso perguntará, nos seus dias, a uma criança de sete dias pelo lugar da vida - e ele viverá. Porque muitos primeiros serão últimos, e serão unificados.

 

5. Conhece o que está ante os teus olhos – e o que te é oculto te será revelado; porque nada é oculto que não seja manifestado.

6. Perguntaram os discípulos a Jesus: Queres que jejuemos? Como devemos orar? Como dar esmolas? Que alimentos devemos comer?
Respondeu Jesus: Não mintais a vós mesmos, e não façais o que é odioso! Porquanto todas essas coisas são manifestas diante do céu. Não há nada oculto que não seja manifestado, e não há nada velado que, por fim, não seja revelado.

7. Bendito o leão comido pelo homem, porque o leão se torna homem! Maldito o homem comido pelo leão, porque esse homem se torna leão!

 

8. Ele disse: O homem se parece com um pescador ajuizado, que lançou sua rede ao mar. Puxou para fora a rede cheia de peixes pequenos. Mas entre os pequenos o pescador sensato encontrou um peixe bom e grande. Sem hesitação, escolheu o peixe grande e devolveu ao mar todos os pequenos. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

 

9. Disse Jesus: Saiu o semeador. Encheu a mão e lançou a semente. Alguns grãos caíram no caminho; vieram as aves e os cataram. Outros caíram sobre os rochedos; não deitaram raízes para dentro da terra nem mandaram brotos para o céu. Outros ainda caíram entre espinhos, que sufocaram a semente e o verme a comeu. Outra parte caiu em terra boa, e produziu fruto bom rumo ao céu; produziu sessenta por uma, e cento e vinte por uma.

 

10. Disse Jesus: Eu lancei fogo sobre a terra – e eis que o vigio até que arda.

 

11. Disse Jesus: Este céu passará, e passará também aquele que está por cima deste. Os mortos não vivem, e os vivos não morrerão. Quando comíeis o que era morto, vós o tornáveis vivo. Quando estiverdes na luz, que fareis? Quando éreis um, vos tornastes dois; mas, quando fordes dois, que fareis?

12. Os discípulos perguntaram a Jesus: Sabemos que nos vais deixar. E quem será então nosso chefe? Respondeu Jesus: No ponto onde estais, ireis ter com Tiago, que está a par das coisas do céu e da terra.

13. Disse Jesus a seus discípulos: Comparai-me e dizei-me com quem me pareço eu.
Respondeu Simão Pedro: Tu és semelhante a um anjo justo.
Disse Mateus: Tu és semelhante a um homem sábio e compreensivo.
Respondeu Tomé: Mestre, minha boca é incapaz de dizer a quem tu és semelhante.
Replicou-lhe Jesus: Eu não sou teu Mestre, porque tu bebeste da Fonte borbulhante que te ofereci e nela te inebriaste.
Então levou Jesus Tomé à parte e afastou-se com ele; e falou com ele três palavras. E, quando Tomé voltou a ter com seus companheiros, estes lhe perguntaram: Que foi que Jesus te disse? Tomé lhes respondeu: Se eu vos dissesse uma só das palavras que ele me disse, vós havíeis de apedrejar-me - e das pedras romperia fogo para vos incendiar.

14. Jesus disse-lhes: Se jejuardes, cometereis pecado. Se orardes, sereis condenados. Se derdes esmolas, prejudicareis ao espírito. Quando fordes a um lugar onde vos receberem, comei o que vos puserem na mesa e curai os doentes que lá houver. Pois o que entra pela boca não o torna um homem impuro, mas sim o que sai da boca, isto vos tornará impuros.

 

15. Se virdes alguém que não seja filho de mulher, prostrai-vos de rosto em terra e adorai-o – ele é vosso Pai.

 

16. Talvez os homens pensem que eu vim para trazer paz à terra, e não sabem que eu vim para trazer discórdias à terra, fogo, espada e guerra. Haverá cinco numa casa, três contra dois, dois contra três; pai contra filho, e filho contra pai. E serão solitários.

17. Eu vos darei o que nenhum olho viu, nenhum ouvido ouviu, nenhuma mão tangeu, e que jamais surgiu no coração do homem.

18. Perguntaram os discípulos a Jesus: Como será o nosso fim? Respondeu-lhes Jesus: Descobristes o princípio, para que estejais procurando o fim? Pois onde estiver o princípio ali estará o fim. Feliz de quem está no princípio; também conhecerá o fim - e não provará a morte.

19. Disse Jesus: Feliz daquele que era antes de existir. Se vós fordes meus discípulos e realizardes as minhas palavras, estas pedras vos servirão. Há no vosso paraíso cinco árvores, que permanecem inalteradas no inverno e no verão, e cujas folhas não caem; quem as conhecer, esse não provará a morte.

20. Disseram os discípulos a Jesus: Dize-nos, a que se assemelha o Reino do céus?
Respondeu-lhes ele: Ele é semelhante a um grão de mostarda, que é menor que todas as sementes; mas, quando cai em terra, que o homem trabalha, produz um broto e se transforma num abrigo para as aves do céu.

21. Disse Maria a Jesus: Com quem se parecem os teus discípulos?
Respondeu Jesus: Parecem-se com garotos que vivem num campo que não lhes pertence. Quando aparecem os donos do campo, dirão estes: Deixai-nos o nosso campo. E eles desnudam-se diante deles e lhes deixam o campo.
Por isto vos digo eu: Se o dono da casa sabe quando vem o ladrão, vigia antes da sua chegada e não o deixará penetrar na casa do seu reino para lhe roubar os haveres. Vós, porém, vigiai em face do mundo; cingi os vossos quadris com força para que os ladrões não encontrem caminho até vós. E possuireis o tesouro que desejais. Sede como um homem de experiência, que conhece o tempo da colheita, e, de foice na mão, ceifará o trigo. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

22. Jesus viu crianças de peito a mamarem. E ele disse a seus discípulos: Essas crianças de peito se parecem com aqueles que entram no Reino. Perguntaram-lhe eles: Se formos pequenos, entraremos no Reino?
Respondeu-lhes Jesus: Se reduzirdes dois a um, se fizerdes o interior como o exterior, e o exterior como o interior, se fizerdes o de cima como o de baixo, se fizerdes um o masculino e o feminino, de maneira que o masculino não seja mais masculino e o feminino não seja mais feminino - então entrareis no Reino.

23. Disse Jesus: Eu vos escolherei, um entre mil, e dois entre dez mil. E eles aparecerão como um só.

24. Seus discípulos pediram: Mostra-nos o lugar onde tu estás, pois precisamos procurá-lo. Respondeu-lhes ele: Quem tem ouvidos, ouça! Há luz dentro dum ser luminoso, e ele ilumina o mundo inteiro. Se não o iluminar, ele é escuridão.

25. Disse Jesus: Ama a teu irmão como a tua própria alma e cuida dele como da pupila dos teus olhos.

26. Jesus disse: Tu vês o cisco no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu próprio olho. Se tirares a trave do teu próprio olho, verás claramente como tirar o cisco do olho do teu irmão.

27. Se não jejuardes em face do mundo, não achareis o Reino; se não guardardes o sábado como sábado, não vereis o Pai.

28. Jesus disse: Eu estava no meio do mundo e me revelei a ele corporalmente. Encontrei todos embriagados, e não encontrei nenhum deles sedento. E minha alma sofria dores pelos filhos dos homens, porque eles são cegos no seu coração e nada enxergam. Assim como entraram no mundo vazios, querem sair do mundo vazios. Agora estão bêbados, e só se converterão se abandonarem o seu vinho.

 

29. Jesus disse: Se a carne foi feita por causa do espírito, é isto maravilhoso. Mas, se o espírito foi feito por causa do corpo, é isto a maravilha das maravilhas. Eu, porém, estou maravilhado diante do seguinte: Como é que tamanha riqueza foi habitar em tanta pobreza?

 

30. Jesus disse: Onde há três deuses, eles são deuses. Onde há dois ou um, eu estou com ele.

31. Nenhum profeta é aceito em sua cidade, nem pode um médico curar os que o conhecem.

32. Jesus disse: Uma cidade situada num monte e fortificada, não pode cair, nem pode permanecer oculta.

33. O que ouvirdes com um ouvido, anunciai-o com o outro do alto dos telhados; porque ninguém acende uma lâmpada e a põe debaixo do velador, nem em lugar oculto, mas sim no candelabro, para que todos os que entram e saem vejam a luz.

34. Jesus disse: Quando um cego guia outro cego, ambos cairão na cova.

35. Jesus disse: Ninguém pode penetrar na casa do forte e prendê-lo, se antes não lhe ligar as mãos; só depois pode saquear-lhe a casa. (Nos outros evangelhos, esse texto é relacionado com o episódio em que Jesus expulsara um demônio, e seus inimigos o acusaram de ser aliado de satanás. Então Jesus faz um paralelo entre “o forte”, que é satanás, e “o mais forte”, que é o Cristo)

36. Jesus disse: Não andeis preocupados, da manhã até a noite, e da noite até a manhã, sobre o que haveis de vestir.

37. Perguntaram os discípulos a Jesus: Em que dia nos aparecerás? Em que dia te veremos?
Respondeu Jesus: Se vos despojardes do vosso pudor; se, como crianças, tirardes os vossos vestidos e os colocardes sob os vossos pés, percebereis o filho do Vivo – e não conhecereis temor.

38. Jesus disse: Muitas vezes desejastes ouvir estas palavras que vos digo, e não achastes ninguém que vo-las pudesse dizer. Virão dias em que me procurareis e não me achareis.

39. Disse Jesus: Os fariseus e os escribas tiraram a chave do conhecimento e a ocultaram. Nem eles entraram nem permitiram entrar os que queriam entrar. Vós, porém, sede inteligente como as serpentes e simples como as pombas.

40. Jesus disse: Uma videira foi plantada fora daquilo que é do Pai; e, como não tem vitalidade, será extirpada pela raiz e perecerá.

41. Jesus disse: Aquele que tem algo na mão, esse receberá; e aquele que não tem, esse até perderá o pouco que tem.

42. Disse Jesus a seus discípulos: Sede transeuntes!

 

43. Disseram-lhe seus discípulos: Quem és tu que nos dizes tais coisas? Respondeu-lhes ele: Pelas coisas que vos digo não conheceis quem eu sou? Vós sois como os judeus, que amam a árvore e detestam o seu fruto; ou amam o fruto e detestam a árvore.

44. Disse Jesus: Quem blasfemar contra o Pai receberá a graça; quem blasfemar contra o Filho receberá a graça; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo esse não receberá a graça, nem na terra nem no céu.

45. Disse Jesus: Não se colhem uvas de espinheiros, nem figos de abrolhos, que não produzem frutos. O homem bom tira coisas boas do seu tesouro; o homem mau tira coisas más do tesouro mau do seu coração, fala coisas más da abundância do seu coração.

46. Disse Jesus: Desde Adão até João Batista, não há ninguém maior entre os nascidos de mulher do que João Batista, porque seus olhos não foram violados. Mas eu disse: Aquele que entre vós se tornar pequeno conhecerá o Reino e será maior do que João.

47. Disse Jesus: O homem não pode montar em dois cavalos, nem pode retesar dois arcos. O servo não pode servir a dois senhores, pois ele honra um e ofende o outro. Nenhum homem que bebeu vinho velho deseja beber vinho novo. Não se coloca vinho novo em odres velhos, com medo que se rompam; vinho novo se coloca em odres novos, para que não se perca. Não se cose um remendo velho em roupa nova, para não causar rasgão.

48. Disse Jesus: Se dois viverem em paz e harmonia na mesma casa, dirão a um monte "sai daqui! " – e ele sairá.

 

49. Disse Jesus: Felizes sois vós, os solitários e os eleitos, porque achareis o Reino. Sendo que vós saístes dele, a ele voltareis.

50. Disse Jesus: Se os homens vos perguntarem donde viestes, respondei-lhes: Nós viemos da luz, lá onde ela nasce de si mesma, surge e se manifesta em sua imagem. E se vos perguntarem: Quem sois vós? Respondei-lhes: Nós somos os filhos eleitos do Pai vivo. Se os homens vos perguntarem: Qual o sinal do Pai em vós? Respondei: É movimento e repouso ao mesmo tempo.

51. Seus discípulos perguntaram: Quando virá o repouso dos mortos e em que dia virá o mundo novo? Respondeu-lhes ele: Aquilo que vós aguardais já veio – mas vós não o conheceis.

 

52. Disseram-lhe os discípulos: Vinte e quatro profetas falaram em Israel, e todos falaram de ti. Respondeu-lhes ele: Rejeitastes aquele que está vivo diante de vós, e falais dos mortos.

 

53. Perguntaram-lhe os discípulos: A circuncisão é útil ou não? Respondeu-lhes ele: Se ela fosse útil, o homem já nasceria circuncidado. A verdadeira circuncisão é espiritual, e esta é útil a todos.

 

54. Disse Jesus: Felizes os pobres, porque vosso é o Reino dos céus.

 

55. Disse Jesus: Quem não odiar seu pai e sua mãe não pode ser meu discípulo. Quem não odiar seus irmãos e suas irmãs não é digno de mim.

 

56. Disse Jesus: Quem conhece o mundo, achou um cadáver; e quem achou um cadáver, dele não é digno o mundo.

 

57. Jesus disse: O Reino do Pai é semelhante a um homem que semeou boa semente em seu campo. De noite, porém, veio seu inimigo e semeou erva má no meio da semente boa. O senhor do campo não permitiu que se arrancasse a erva má, para evitar que, arrancando esta, também fosse arrancada a erva boa. No dia da colheita se manifestará a erva má. Então será ela arrancada e queimada.

58. Feliz do homem que foi submetido à prova – porque ele achou a vida.

59. Disse Jesus: Olhai para o Vivo, enquanto viveis, pra que não morrais e desejeis ver aquele que já não podeis ver.

60. Ao entrarem na Judéia, eles viram um samaritano que carregava uma ovelha.
Jesus disse a seus discípulos: Por que a carrega?
Responderam eles: Para matá-la e comê-la.
Disse-lhes Jesus: Enquanto a ovelha está viva, ele não a poderá comer; só depois de morta e cadáver.
Replicaram eles: De outro modo não a pode comer.
Respondeu-lhes Jesus: Procurai para vós um lugar de repouso, para que não vos torneis cadáveres e sejais devorados.

 

61. Jesus disse: Haverá dois na mesma cama: um morrerá, o outro viverá.
Salomé disse: Quem és tu, ó homem? Como que saído de um só? Tu que usavas a minha cama e comias à minha mesa?
Responde Jesus: Eu vim daquele que é todo um em si; isto me foi dado por meu Pai.
Disse Salomé: Eu sou discípula tua.
Vem a propósito o dito: Quando o discípulo é vácuo, será repleto de luz; mas quando é dividido, ele será repleto de treva.

62. Eu revelo meus mistérios àqueles que são idôneos para ouvi-los. O que tua mão direta faz não o saiba a tua mão esquerda.

63. Disse Jesus: Um homem rico tinha muitos bens. E disse: Vou aproveitar os meus bens; vou semear, colher, plantar e encher meus armazéns, para que não me venha a faltar nada. Foi isto que ele pensou em seu coração. E nesta noite ele morreu.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

64. Disse Jesus: Um homem fez um banquete e, depois de tudo preparado, enviou seu servo para chamar os convidados. O servo foi ao primeiro e disse-lhe: Meu senhor te convida para o banquete. O homem respondeu: Uns negociantes me devem dinheiro; eles vêm à minha casa esta noite, e eu tenho de falar com eles; peço-te que me dispenses de comparecer ao jantar.
O servo foi até outro e disse: Meu senhor te convidou.
Este respondeu: Comprei uma casa, e marcaram um dia para mim; não tenho tempo para vir. O servo foi a outro e disse-lhe: Meu senhor te convida. Este respondeu: Um amigo meu vai casar-se, e eu fui convidado para preparar a refeição; não posso atender; favor dispensar-me.
O servo foi a outro ainda e disse-lhe: Meu senhor te convida. Este respondeu: Acabo de comprar uma fazenda e estou saindo para buscar o rendimento. Não poderei ir, por isso me desculpo.
O servo retornou e comunicou ao seu senhor: Os convidados ao banquete pedem que os dispenses de comparecerem.
Disse o senhor a seu servo: Vai pelos caminhos e traze os que encontrares, para que venham ao meu banquete; mas os compradores e negociantes não entrarão nos lugares de meu Pai.

 

65. Disse ele: Um homem tinha uma vinha. Arrendou-a a uns colonos para a cultivarem, a fim de receber deles o fruto. Enviou seu servo para receber o fruto da vinha. Os colonos prenderam o servo e o espancaram, deixando-o à beira da morte.
O servo voltou e contou a seu senhor o ocorrido. O senhor disse: Talvez não o tenham reconhecido. E enviou-lhes outro servo. Mas os colonos espancaram também este. Então o senhor mandou seu filho, dizendo: Talvez tenham respeito a meu filho.
Mas, como os camponeses soubessem que esse era o herdeiro da vinha, prenderam-no e o mataram.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

66. Disse Jesus: Mostrai-me a pedra que os construtores rejeitaram. Ela é a pedra angular.

67. Disse Jesus: Quem conhece o universo, mas não se possui a si mesmo, esse não possui nada.

68. Disse Jesus: Felizes sois vós, se vos rejeitarem e odiarem. E lá onde vos tiraram e odiaram não será encontrado lugar algum.

 

69. Disse Jesus: Felizes no seu coração são os perseguidos, os que na verdade conhecem o Pai. Felizes são os famintos, porque o corpo dos que sabem querer será saciado.

70. Jesus disse: Se fizerdes nascer em vós aquele que possuis, ele vos salvará; mas, se não possuirdes em vós a este, então sereis mortos por aquele que não possuis. (falando do corpo e da alma)

 

71. Disse Jesus: Destruirei esta casa, e ninguém a poderá reconstruir.

 

72 . Alguém diz a Jesus: Dize a meus irmãos que repartam comigo os bens de meu pai.
Respondeu Jesus: Homem, quem me constituiu partidor?
E dirigindo-se a seus discípulos, disse-lhes: Será que eu sou um partidor?

73. Disse Jesus: Grande é a safra, e poucos são os operários. Pedi, pois ao Senhor para que mande operários à sua seara.

74. Disse ele: Senhor, muitos rodeiam a fonte, mas ninguém entra na fonte.

75. Disse Jesus: Muitos estão diante da porta – mas somente os solitários é que entram na câmara nupcial.

76. Disse Jesus: O Reino é semelhante a um negociante que possuía um armazém. Achou uma pérola, e, sábio como era, vendeu todo o armazém e comprou essa pérola única. Procurai também vós o tesouro imperecível, que se encontra lá onde as traças não se aproximam para comê-lo nem os vermes o destroem.

77. Disse Jesus: Eu sou a luz, que está acima de todos. Eu sou o “Todo”. O Todo saiu de mim, e o Todo voltou a mim. Rachai a madeira – lá estou eu. Erguei a pedra – lá me achareis.

 

78. Disse Jesus: Por que saístes ao campo? Para verdes um caniço agitado pelo vento? Ou um homem vestido de roupas macias? Os reis e os grandes vestem roupas macias – e eles não poderão conhecer a verdade.

79. Uma mulher da multidão disse-lhe: Feliz o ventre que te gestou e os seios que te amamentaram.
Respondeu ele: Felizes os que ouviram o Verbo do Pai e viveram a Verdade. Porque dias virão em que direis: Feliz o ventre que não concebeu, e felizes os seios que não amamentaram.

80. Disse Jesus: Quem conheceu o mundo encontrou o corpo. Mas quem encontrou o corpo, desse tal não é digno o mundo. (o mundo material é um corpo morto, não digno do homem espiritual)

81. Quem ficou rico, saiba dominar-se; quem ficou poderoso, saiba renunciar.

82. Quem está perto de mim está perto da chama; quem está longe de mim está longe do Reino.

83. Disse Jesus: As imagens se manifestam ao homem, e a luz que está oculta nelas – na imagem da luz do Pai – se revelará, mas sua imagem permanecerá velada por sua luz.

84. Disse Jesus: Quando virdes a vossa semelhança, alegrai-vos. Mas, quando virdes o vosso modelo, que desde o princípio estava em vós e nunca morrerá, nem jamais se revela plenamente – será que suportareis isto?

85. Disse Jesus: Adão nasceu de um grande poder e de uma grande riqueza. Mas não era digno deles. Se deles fosse digno, não teria morrido.

86. Disse Jesus: As raposas têm as suas tocas; as aves têm os seus ninhos - mas o Filho do Homem não tem onde repousar a sua cabeça.

87. Miserável o corpo que depende de outro corpo, e miserável a alma que depende desses dois.

88. Os arautos e os profetas irão ter convosco e vos darão o que é vosso. Dai-lhes também vós o que é deles.

89. Disse Jesus: Por que lavais o exterior do recipiente? Não sabeis que o mesmo que creou o interior creou também o exterior?

90. Jesus disse: Vinde a mim, porque o meu jugo é suave e o meu domínio é agradável – e encontrareis repouso para vós mesmos.

91. Disseram-lhe eles: Dize-nos quem és tu, para que tenhamos fé em ti.
Respondeu-lhes ele: Vós examinais o aspecto do céu e da terra, mas não conheceis aquele que está diante de vós. Não sabeis dar valor ao tempo presente.

92. Disse Jesus: Procurai, e achareis. O que me perguntastes nesses dias, eu não vos disse; agora vos digo – e não me perguntais.

93. Não deis as coisas puras aos cães, para que não as arrastem ao lodo. Nem lanceis as pérolas aos porcos, para que não as conspurquem.

94. Quem procura achará; a quem bate abrir-se-lhe-á.

95. Quando tendes dinheiro, não o empresteis a juros, mas dai-o a quem não vos possa restituir.

96. O Reino do Pai é semelhante a uma mulher que tomou um pouco de fermento, misturou-o com a massa, e fez com ela grandes pães. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!

97. Disse Jesus: O Reino é semelhante a uma mulher que levava por um longo caminho uma vasilha cheia de farinha. Pelo caminho, uma alça da vasilha quebrou e a farinha se espalhou atrás dela sem que ela o percebesse; e por isto não se afligiu. Chegada em casa, ela colocou a vasilha no chão – e achou-a vazia.

98. Disse Jesus: O Reino do Pai é semelhante a um homem que quis matar um poderoso. Em sua própria casa ele desembainhou a espada e enfiou-a na parede para saber se sua mão era forte o suficiente para realizar a tarefa. Depois foi matar o poderoso.

99. Seus discípulos lhe disseram: Teus irmãos e tua mãe estão aguardando lá fora.
Respondeu-lhes ele: Os que, nesses lugares, fazem a vontade de meu Pai são os meus irmãos e minha mãe, e são eles que entrarão no Reino de meu Pai.

100. Mostraram a Jesus uma moeda de ouro e disseram: Os agentes de César exigem de nós o pagamento do imposto.
Respondeu ele: Dai a César o que é de César, e dai a Deus o que é de Deus - e dai a mim o que é meu.

101. Quem não abandona seu pai e sua mãe, como eu, não pode ser meu discípulo. E quem não amar a seu Pai e sua Mãe, como eu, esse não pode ser meu discípulo; porque minha mãe me gerou, mas minha Mãe verdadeira me deu a vida.

102. Disse Jesus: Ai dos fariseus! Eles se parecem com um cão deitado no cocho dos bois; não come nem deixa os bois comerem.

103. Disse Jesus: Feliz do homem que sabe por onde penetram os ladrões! Assim pode erguer-se, reunir forças e estar alerta e pronto antes que eles venham.

104. Disseram-lhe: Vinde, vamos hoje orar e jejuar. Respondeu Jesus: Que falta cometi eu, em que ponto sucumbi? Mas, quando o esposo sair da sua câmara nupcial, então oraremos e jejuaremos.

105. Disse Jesus: Quem conhece o seu pai e sua mãe, porventura será chamado filho de prostituta? (sobre a natureza Divina da alma)

106. Disse Jesus: Se de dois fizerdes um, então vos fareis Filhos do Homem. E então, se disserdes a este monte "retira-te daqui" – ele se retirará.

107. Disse Jesus: O Reino é semelhante a um pastor que tinha cem ovelhas. Uma delas se extraviou, e era a maior de todas. Ele deixou as noventa e nove e foi em busca daquela única até achá-la. E, depois de achá-la, lhe disse: eu te amo mais do que as noventa e nove.

108. Disse Jesus: Quem beber da minha boca se tornará como eu. E eu serei o que ele é. E as coisas ocultas lhe serão reveladas.

109. Disse Jesus: O Reino se parece com um homem que possuía um campo no qual estava oculto um tesouro de que ele nada sabia. Ao morrer, deixou o campo a seu filho, que também não sabia de nada; tomou posse e vendeu o campo – mas o comprador descobriu o tesouro ao arar o campo.

110. Disse Jesus: Quem encontrou o mundo e se enriqueceu, que renuncie ao mundo.

111. Disse Jesus: O céu e a terra se desenrolarão diante de vós, e quem vive do Vivente não verá a morte. Quem se acha a si mesmo, dele não é digno o mundo.

112. Disse Jesus: Deplorável a carne que depende da alma! Deplorável a alma que depende da carne!

113. Os discípulos perguntaram-lhe: Em que dia vem o Reino?
Jesus respondeu: Não vem pelo fato de alguém esperar por ele; nem se pode dizer ei-lo aqui! Ei-lo acolá! O Reino está presente no mundo inteiro, mas os homens não o enxergam.

114. Simão Pedro disse: Seja Maria afastada de nós, porque as mulheres não são dignas da vida.
Respondeu Jesus: Eis que eu a atrairei, para que ela se torne homem, de modo que também ela venha a ser um espírito vivente, semelhante a vós homens. Porque toda a mulher que se fizer homem entrará no Reino dos céus.

Fonte: Saindo do Matrix

 

 

 

<VOLTAR>

 

23.3.3 - ALCORÃO (CORÃO)

 

Alcorão ou Corão (em árabe قُرْآن, transl. al-qur’ān, "a recitação") é o livro sagrado do islamismo. Os muçulmanos creem que o Alcorão é a palavra literal de Deus (Alá) revelada ao profeta Maomé (Muhammad) ao longo de um período de vinte e très anos. A palavra Alcorão deriva do verbo árabe que significa declamar ou recitar; Alcorão é portanto uma "recitação" ou algo que deve ser recitado.

Os muçulmanos podem-se referir ao Alcorão usando um título que denota respeito, como Al-Karim ("o Nobre") ou Al-Azim ("o Magnífico").

É um dos livros mais lidos e publicados no mundo. É prática generalizada nas sociedades muçulmanas que o Alcorão não seja vendido, mas sim dado
 

O Alcorão está organizado em 114 capítulos, denominados suras, divididas em livros, seções, partes e versículos. Considera-se que 92 capítulos foram revelados ao profeta Maomé em Meca, e 22 em Medina. Os capítulos estão dispostos aproximadamente de acordo com o seu tamanho e não de acordo com a ordem cronológica da revelação.

Cada sura pode por sua vez ser subdividida em versículos (ayat). O número de versículos é de 6536 ou 6600, conforme a forma de os contar.

A sura maior é a segunda, com 286 versículos; as suras menores possuem apenas três versículos.

Os capítulos são tradicionalmente identificados mais pelos nomes do que pelos números. Estes receberam nomes de palavras distintivas ou de palavras que surgem no inicío do texto, como por exemplo A Vaca, A Abelha, O Figo ou A Aurora. Contudo, não se deve pensar que o conteúdo da sura esteja de alguma forma relacionado com o título do capítulo.

 

Nomes das Suras

Abertura; A vaca; A tribo de Omran; As mulheres; A mesa servida; O gado; As alturas; Os espólios; O arrependimento; Jonas; Hud; José; O trovão; Abraão; Al-Hijr; As abelhas; A viagem noturna; a gruta; Maria; Taha; Os profetas; A peregrinação; Os crentes; a luz; O discernimento; Os poetas; As formigas; As narrativas; A aranha; Os bizantinos; Lukman; A prostração; Os coligados; Sabá; O criador; Ia. Sin; As fileiras; Sad; Os grupos; O perdoador; ; Os versículos detalhados; a consulta; Os ornamentos; A fumaça; a ajoelhada; As dunas; Muhamad; Vitória; Os aposentos; Kaf; Os furacões; O monte; A estrela; a lua; o clemente; O dia inelutável; O ferro; a discussão; O reagrupamento; A mulher testada; as fileiras; Sexta-feira; Os hipócritas; O logro mútuo; O divórcio; As proibições; O reino; A pena; O inelutável; As escadas; Noé; Os djins; O encontro; O emantado; A ressurreição; O homem; Os emissários; A notícia; Os arrebatadores; Ele franziu as sobrancelhas; O obscurecimento; a terra fendida; Os defraudadores; Fenda no céu; As constelações; O visitante da noite; O altíssimo; O que tudo envolve; A aurora; a cidade; O sol; A noite; A manhã; O alívio; O figo; O coágulo; Kadr; A prova; O terremoto; Os corcéis; a calamidade; A rivalidade; A tarde; O difamador; O elefante; Koraich: A caridade; a abuindância; Os descrentes; O socorro; A corda de esparto; A sinceridade; A alvorada; Os homens.

Divisão para leitura e recitação

O Alcorão não foi estruturado como um livro durante parte da vida de Maomé. À medida que o profeta recebia as revelações, ele solicitava a jovens letrados que integravam a sua comitiva que transcrevessem os textos. O chefe desta equipe de secretários, que surgiu de forma institucionalizada após a Hégira, em Meca, foi Zayd ibn Thabit.

O texto foi preservado em materiais dispersos tão variados como folhas de tamareira, pedaços de pergaminho, omoplatas de camelos, pedras e também na memória dos primeiros seguidores. Durante as noites do Ramadão, Maomé recapitulava as revelações, numa conferência onde estavam presentes os logógrafos (escritores profissionais) e os hafiz, ou seja, pessoas que conheciam passagens de memória (que escutaram nas prédicas do profeta).

Após a morte de Maomé em 632 iniciou-se o processo de recolhimento dos vários extratos.

Para alguns, o Alcorão teria sido reunido na sua forma atual sob a direção do califa Abu Bakr nos dois anos que se seguiram à morte de Muhammad; outros defendem que foi o califa Omar o primeiro a compilar o Alcorão. Considera-se que a verdade está a meio termo: Abu Bakr foi aconselhado por Omar a compilar um primeiro manuscrito, auxiliado na tarefa por logógrafos e por dois hafiz.

Consta que os Primeiros Alcorões escritos no mundo estão em 3 diferentes museus, sendo destes um no Iraque, outro no Cairo e o ultimo no Uzbesquistão. Para os Muçulmanos, isso é a maior prova de que o Alcorão nunca foi modificado em sua existência.

Somente em 1694 uma versão completa do Alcorão foi publicada no Ocidente, na cidade de Hamburgo, por Abraham Hinckelmann, um estudioso não-muçulmano.

Conteúdo temático do Alcorão

O Alcorão descreve as origens do Universo, o Homem e as suas relações entre si e o Criador. Define leis para a sociedade, moralidade, economia e muitos outros assuntos. Foi escrito com o intuito de ser recitado e memorizado. Os muçulmanos consideram o Alcorão sagrado e inviolável.


Para os muçulmanos, o Alcorão é a palavra de Deus, sagrada e imutável, que fornece as respostas acerca das necessidades humanas diárias, tanto espirituais como materiais. Ele discute Deus e os seus nomes e atributos, crentes e suas virtudes, e o destino dos não-crentes (kuffar); até mesmo temas de ciência. Os muçulmanos não seguem apenas as leis do Alcorão, eles também seguem os exemplos do profeta, o que é conhecido como a Sunnah, e a interpretação do Corão contida nos ensinamentos do profeta, conhecida como hadith.

Aos muçulmanos é ensinado que Deus lhes enviou outros livros. Para além do Alcorão, os outros são o livro de Ibrahim (que se perdeu), a lei de Moisés (a Torá), os Salmos de David (o Zabûr) e o evangelho de Jesus (o Injil). O Alcorão descreve cristãos e Judeus como "povos do Livro" (ahl al Kitâb).

Os ensinamentos do Islão englobam muitas das mesmas personagens do judaísmo e do cristianismo. Personagens bíblicas bem conhecidas como Adão, Noé, Abraão, Moisés, Jesus, Maria (a mãe de Jesus) e João Baptista são mencionados no Alcorão como profetas do Islão. No entanto, os muçulmanos frequentemente se referem a eles por nomes em língua árabe, o que pode criar a ilusão de que se trata de pessoas diferentes (exemplos: Alá para Deus, Iblis para Diabo, Ibrahim para Abraão, etc).

A crença no dia do julgamento (ver: escatologia) e na vida após a morte (Akhirah) também fazem parte da teologia islâmica.

Importância do Alcorão na cultura islâmica

Quando uma criança nasce no seio de uma família muçulmana, os seus pais são saudados com a fórmula "Que esta criança possa estar entre os anunciadores do Alcorão".

As crianças muçulmanas aprendem desde cedo a começar determinados atos da sua vida, como as refeições, com a fórmula "Em nome de Deus" (Bismillah) e a concluí-los com a expressão "Louvado seja Deus" (Al-Hamdu Lillah). Estas frases são as mesmas que se encontram nos dois primeiros versículos da primeira sura.

Algumas partes do Alcorão são recitadas durante momentos especiais da vida como o casamento ou no leito de morte. Em muitos países muçulmanos certos aspectos da vida pública começam com a recitação de passagens deste livro considerado sagrado.

Os muçulmanos não tocam no livro sagrado senão após a ablução, conhecida como wudu.

Normalmente, os muçulmanos guardam o Alcorão numa prateleira alta do quarto, em sinal de respeito pelo Alcorão e alguns transportam pequenas versões consigo para seu conforto ou segurança. Apenas a versão original em árabe é considerada como o Alcorão; as traduções são vistas como sombras fracas do significado original (Visto que a tradução do Árabe para outras línguas é muito dificultosa).

Uma vez que os muçulmanos tratam o livro com reverência, consequentemente é proibido reciclar, reimprimir ou deitar cópias velhas do Alcorão para o lixo. Como solução alternativa, os volumes do Alcorão devem ser enterrados ou queimados de uma maneira respeituosa.

É considerado um pecado gravíssimo modificar, cortar, excluir ou adicionar as palavras do Alcorão. Também é considerado pecado vender este livro.

Bibliografia:

GUELLOUZ, Azzedine - O Alcorão. Lisboa: Instituto Piaget, 2007

 

Fonte: Wikipedia

<VOLTAR>

23.3.4 - SUNA

A palavra árabe Suna significa ‘caminho trilhado’, e logo, suna do profeta significa os caminhos trilhados pelo profeta, ou aquilo que é normalmente conhecido como Tradições do Profeta. Terminologicamente, a palavra “Suna” significa também os feitos, dizeres e aprovações do Profeta Muhammad durante os seus 23 anos de profeta, e isto significa que tudo o que ele disse, fez ou aprovou durante o seu tempo como profeta e mensageiro de Deus é considerado uma suna, e os muçulmanos têm de seguir e praticar as suas tradições. Os registros validados (a "hadith") desse "caminho", constituem um exemplo moral para os muçulmanos.

Sunnah, deste modo, é a segunda fonte da lei islâmica após o sagrado Alcorão. O sagrado Alcorão para os muçulmanos é a palavra de Allah (Deus), e a Sunnah passa a ser os meios pelo que o profeta Muhammad aplicou e ensinou o Islam, para e com seus companheiros, sendo estas informações compiladas e armazenadas em muitos livros, os mais importantes sendo: Sahih Bukhari, Sahih Muslim, Sunan An-Nasai, Sunan Attirmidhi, Sunan Ibn Majah, e Sunan Abu Daud, que perfazem um corpo de lei islâmica e directivas divinas para muçulmanos em todo o mundo.

As duas palavras são praticamente equivalentes quando se referindo às tradições do Profeta, mas na verdade existe uma diferença entre as duas. Hadiths são classificadas quanto ao seu estatuto, em relação aos seus textos e à sua cadeia de transmissores. Académicos de Hadiths estudaram a Suna do profeta desde o seu contexto bem como os seus transmissores por forma a estabelecer o que é verdade e o que é falso nestes hadiths. [carece de fontes?]

Através da pesquisa do transmissores da Hadith, acadêmicos da Hadith chegaram a um sistema para saber as diferentes categorias da Hadith, e de como avaliar o texto por forma a estabelecer se ele é correcto, bom, fraco ou falso.

A Suna deve ser distinguida da fiqh, que são as opiniões de juristas religiosos, e o Alcorão, que é uma revelação em si e não um registro
Fonte: Wikipedia

<VOLTAR>

23.3.5 - HADITH

O Hadith (الحديث, pl. Ahadith) ou Hadiz, é um corpo de leis, lendas e histórias sobre a vida de Maomé, (estas histórias chamam-se em Árabe Sunnah e incluem a sua biografia, ou sira) e os próprios dizeres nos quais ele justificou as suas escolhas ou ofereceu conselhos; muitas partes do Hadith lidam com os seus companheiros (Sahaba).

Para a maioria dos muçulmanos, o hadith contém uma exposição com autoridade dos significados do Alcorão. A lei islâmica é deduzida dos atos, afirmações, opiniões e modos de vida de Maomé. Muçulmanos tradicionais acreditam que os académicos islâmicos dos passados 1400 anos foram bem sucedidos na maior parte em determinar a exactidão de boa parte do Hadith com que lidaram.

A literatura, como um todo, foi passada de geração em geração oralmente até meados do século VIII (menos de 100 anos após a morte de Maomé e seus companheiros), ponto a partir do qual foram escritas colecções do Hadith. Mais tarde, elas foram editadas. Este processo tomou duas formas:

musnad - classificação de acordo com os nomes dos tradicionalistas
musannaf - classificação de acordo com o tema; editada de acordo com o conteúdo.
Os diferentes ramos do Islão (sunitas e xiitas) aceitam diferentes colecções da hadith como genuínas.

Tal como o Talmude está para a Torá no Judaísmo, a Hadith está para as leis do Alcorão no Islão. A Hadith é a interpretação autoritativa do Alcorão, mesmo quando a prática corrente está em conflito com o significado do texto. A lei islâmica tem alguma flexibilidade, já que algumas tradições do profeta foram anuladas por outros dizeres posteriores dele.

A cadeia de autoridades
Todo hadith vem acompanhado de uma lista de autoridades (Isnad), em forma de cadeia de transmissão oral: "X afirma, referindo-se às palavras de Y, que ouviu Z dizer...". Essas cadeias são essenciais na hora de determinar a validade e o alcance da tradição.

Os atribuídos a Maomé são, evidentemente, mais valiosos que os demais. Ainda assim, existem transmissores de tradições que gozam de elevada confiança dos entendidos na materia, enquanto que outros são ignorados.

As cadeias podem ser bastante largas, porém a maior parte delas datam de um século ou dois depois da morte de Maomé.

Referências:
Robinson, C. F. (2003). Islamic Historiography. Cambridge University Press. ISBN 0521629365.
Robson, J. "Hadith". Encyclopaedia of Islam. Ed. P.J. Bearman, Th. Bianquis, C.E. Bosworth, E. van Donzel and W.P. Heinrichs. Brill Academic Publishers. ISSN 1573-3912.
 

<VOLTAR>

23.3.6 - TORÁ

Torá (do hebraico תּוֹרָה, significando instrução, apontamento, lei) é o nome dado aos cinco primeiros livros do Tanakh (também chamados de Hamisha Humshei Torah, חמשה חומשי תורה - as cinco partes da Torá) e que constituem o texto central do judaísmo. Contém os relatos sobre a criação do mundo, da origem da humanidade, do pacto de Deus com Abraão e seus filhos, e a libertação dos filhos de Israel do Egito e sua peregrinação de quarenta anos até a terra prometida. Inclui também os mandamentos e leis que teriam sido dadas a Moisés para que entregasse e ensinasse ao povo de Israel.

Chamado também de Lei de Moisés (Torat Moshê, תּוֹרַת־מֹשֶׁה), hoje a maior parte dos estudiosos do Criticismo Superior concordam que Moisés não é o autor do texto que possuímos, mas sim que se trate de uma compilação posterior, enquanto os estudiosos do Criticismo Inferior acreditam que o texto foi escrito pelo próprio Moshê, incluindo as partes que falam sobre sua morte. Por vezes o termo "Torá" é usado dentro do judaísmo rabínico para designar todo o conjunto da tradição judaica, incluindo a Torá escrita, a Torá oral (ver Talmud) e os ensinamentos rabínicos. O cristianismo baseado na tradução grega Septuaginta também conhece a Torá como Pentateuco, que constitui os cinco primeiros livros da Bíblia cristã

Divisão da Torá
As cinco partes que constituem a Torá são nomeadas de acordo com a primeira palavra de seu texto, e são assim chamadas:

בראשית, Bereshit - No princípio conhecido pelo público não-judeu como Gênesis
שמות, Shemot - Os nomes ou Êxodo
ויקרא, Vaicrá - E chamou ou Levítico
במדבר, Bamidbar- No ermo ou Números
דברים, Devarim - Palavras ou Deuteronômio


Geralmente suas cópias feitas à mão, em rolos, e dentro de certas regras de composição, usadas para fins litúrgicos, são conhecidas como Sefer Torá, enquanto suas versões impressas, em livro, são conhecidas como Chumash.

Origens e desenvolvimento da Torá
A tradição judaica mais antiga defende que a Torá existe desde antes da criação do mundo e foi usada como um plano mestre do Criador para com o mundo, humanidade e principalmente com o povo judeu. No entanto, a Torá como conhecemos teria sido entregue por Deus a Moisés, quando o povo de Israel, após sair do cativeiro no Egito, peregrinou em direção à terra de Canaã. As histórias dos patriarcas, aliados ao conjunto de leis culturais, sociais, políticas e religiosas serviram para imprimir sobre o povo um sentido de nação e de separação de outras nações do mundo.

De acordo com algumas tradições, Moisés é o autor da Torá, e até mesmo a parte que discorre sobre sua morte (Devarim Deuteronômio 32:50-52) teria sido fruto de uma visão antecipada dada por Deus. Outros defendem que, ainda que a essência da Torá tenha sido trazida por Moisés, a compilação do texto final foi executada por outras pessoas. Este problema surge devido ao fato de existirem leis e fatos repetidos, narração de fatos que não poderiam ter sido escritos na época em que foram escritos e incoerência entre os eventos, que mostra a Torá como sendo fruto de fusões e adaptações de diversas fontes de tradição. A Torá seria o resultado de uma evolução gradual da religião israelita.

A primeira tentativa de sistematizar o estudo do desenvolvimento da Torá surgiu com o teólogo e médico francês Jan Astruc. Ele é o pioneiro no desenvolvimento da teoria que a Torá é constituída por três fontes básicas, denominadas jeovista, eloísta e código sacerdotal, e mais outras fontes além destas três. Deve-se enfatizar que, quando se fala destas fontes, não se refere a autores isolados, mas sim a escolas literárias.

Um estudo sobre a história do antigo povo de Israel mostra que, apesar de tudo, não havia uma unidade de doutrina e desconhecia-se uma lei escrita até os dias de Josias. As fontes jeovista e eloísta teriam sua forma plenamente desenvolvida no período dos reinos divididos entre Judá e Israel (onde surgiria também a versão conhecida como Pentateuco Samaritano). O livro de Deuteronômio só viria a surgir no reinado de Josias (621 a.C.). A Torá como conhecemos viria a ser terminada nos tempos de Esdras, onde as diversas versões seriam finalmente fundidas. Vemos então o início de práticas que eram desconhecidas da maioria dos antigos israelitas, e que só seriam aceitas como mandamentos na época do Segundo Templo como a Brit milá, Pessach e Sucót por exemplo.

Conteúdo
Em Bereshit é narrada a suposta criação do mundo e do homem sob o ponto de vista judaico, e segue linearmente até o pacto de Deus com Abraão. São apresentados os motivos dos sofrimentos do mundo, a constante corrupção do gênero humano e a aliança que Deus faz com Abraão e seus filhos, justificados pela sua fé monoteísta, em um mundo que se torna mais idólatra e violento. Nos é apresentada a genealogia dos povos do Oriente Médio, e as histórias dos descendentes de Abraão, até o exílio de Jacó e de seus doze filhos no Egito.

Em Shemot mostram-se os supostos fatos ocorridos neste exílio, quando os israelitas supostamente tornam-se escravos na terra do Egito, o que carece de evidência histórica, e Deus se manifesta a um israelita-egípcio, Moisés, e o utiliza como líder para libertação dos israelitas, que pretendem tomar Canaã como a terra prometida aos seus ancestrais. Após eventos miraculosos, os israelitas fogem para o deserto, e recebem a Torá dada por Deus. Aqui são narrados os primeiros mandamentos para Israel enquanto povo (antes a Bíblia menciona que eram seguidos mandamentos tribais), e mostra as primeiras revoltas do povo israelita contra a liderança de Moisés, que mata os descordantes sem dó, e as condições da peregrinação.

Em Vaicrá são apresentados os aspectos mais básicos do oferecimento das korbanot, das regras de cashrut e a sistematização do ministério sacerdotal.

Em Bamidbar continuam-se as narrações da saga dos israelitas no deserto, as revoltas do povo no deserto e a condenação de Deus à peregrinação de quarenta anos no deserto.

Em Devarim estão compilados os últimos discursos do personagem mítico Moisés antes de sua morte e da entrada na Terra de Israel.

 

ZOHAR:

O Zohar (em hebraico זהר, "esplendor") é considerado como um dos trabalhos mais importantes da Cabalá, no misticismo judaico.

Trata-se de comentários místicos sobre a Torá (os cinco livros de Moisés) escrito em aramaico e hebraico medieval. Contém uma discussão mística sobre a natureza de Deus e considerações sobre a origem e estrutura do universo, a natureza das almas, pecado, redenção, o bem e o mal, e diversos temas relacionados.

O Zohar não é um livro, mas um grupo de livros. Estes livros incluem interpretações bíblicas assim como matérias sobre teologia, teosofia, cosmogonia mística, psicologia mística, e também o que alguns poderiam chamar de antropologia.
 

Fonte:Wikipédia
<VOLTAR>

23.3.7 - TANAKN

Tanakh ou Tanach (em hebraico תנ״ך) é um acrônimo utilizado dentro do judaísmo para denominar seu conjunto principal de livros sagrados, sendo o mais próximo do que se pode chamar de uma Bíblia judaica.

O conteúdo do Tanakh é equivalente ao Antigo Testamento cristão, porém com outra divisão.

A palavra é formada pelas sílabas iniciais das três porções que a constituem, a saber:

A Torá (תורה), também chamado חומש (Chumash, isto é "Os cinco") refere-se aos cinco livros conhecidos como Pentateuco, o mais importante dos livros do judaísmo.

Neviim (נביאים) "Profetas"
Kethuvim (כתובים) "os Escritos"
O Tanakh é às vezes chamado de Mikrá (מקרא).
 

<VOLTAR>

23.3.8 - TALMUD

O Talmude (em hebraico: תַּלְמוּד, transl. Talmud) é um registro das discussões rabínicas que pertencem à lei, ética, costumes e história do judaísmo. É um texto central para o judaísmo rabínico, perdendo em importância apenas para a Bíblia hebraica.

O Talmude tem dois componentes: a Mishná (c. 200 d.C.), o primeiro compêndio escrito da Lei Oral judaica; e o Guemará (c. 500 d.C.), uma discussão da Mishná e dos escritos tanaíticos que frequentemente abordam outros tópicos, e são expostos amplamente no Tanakh.

O Mishná foi redigido pelos mestres chamados Tannaim ("tanaítas"), termo que deriva da palavra hebraica que significa "ensinar" ou "transmitir uma tradição". Os tanaítas viveram entre o século I e o III d.C. A primeira codificação é atribuída a Rabi Akiva (50 – 130), e uma segunda, a Rabi Meir (entre 130 e 160 d.C.), ambas as versões tendo sido escritas no atual idioma aramaico, ainda em uso no interior da Síria.

Os termos Talmud e Guemará são utilizados frequentemente de maneira intercambiável. A Guemará é a base de todos os códigos da lei rabínica, e é muito citada no resto da literatura rabínica; já o Talmude também é chamado frequentemente de Shas (hebraico: ש"ס), uma abreviação em hebraico de shisha sedarim, as "seis ordens" da Mishná.

Lei oral
Originalmente, o estudo acadêmico do judaísmo era oral. Os rabinos expunham e debatiam a lei (isto é, a Bíblia hebraica) e discutiam o Tanakh sem o benefício das obras escritas (além dos próprios livros bíblicos), embora alguns possam ter feito anotações privadas (meguilot setarim), por exemplo, a respeito das decisões de cortes. A situação se mudou drasticamente, no entanto, principalmente como resultado da destruição da comunidade judaica no ano de 70 d.C., e os consequentes distúrbios nas normas legais e sociais judaicas. À medida que os rabinos foram forçados a encarar uma nova realidade — principalmente a dum judaísmo sem um Templo (para servir como centro de estudo e ensino) e uma Judéia sem autonomia — surgiu uma enxurrada de discursos legais, e o antigo sistema de estudiosidade oral não pôde ser mantida. Foi durante este período que o discurdo rabínico passou a ser registrado na escrita.[1][2] A primeira lei oral registrada pode ter sido na forma dos Midrash, na qual a discussão haláquica está estruturada como comentários exegéticos sobre o Pentateuco. Uma forma alternativa, porém, organizada pelos tópicos de assuntos, em vez dos versos bíblicos, tornou-se dominante por volta do ano 200 d.C., quando o rabino Judá HaNasi redigiu a Mishná (משנה).

A Lei Oral estava longe de ser monolítica ,variando enormemente entre diversas escolas. As duas mais famosas eram a Escola de Shammai e a Escola de Hillel. No geral, todas as opiniões, mesmo as não-normativas, eram registradas no Talmude.


Mishná
A Mixná ou Míxena, também chamada de Mishná, é uma compilação de opiniões e debates legais. As declarações contidas na Mixná são tipicamente concisas, registrando as opiniões breves dos rabinos debatendo algum tópico, ou registram apenas um veredito anônimo, que aparentemente representava uma visão consensual. Os rabinos registrados na Mixná são chamados de Tannaim.

Na medida em que suas leis estão ordenadas pelo assunto dos tópicos, e não pelo conteúdo bíblico, e a Mishná discute cada assunto, individualmente, de maneira mais extensa que os Midrash, e inclui uma seleção muito maior de assuntos haláquicos. A organização da Mishná tornou-se, desta maneira, a estrutura do Talmude como um todo. Porém nem todos os tratados da Mishná possuem uma Guemará correspondente. Além disso, a ordem dos tratados do Talmude difere, em muitos casos, da do Mishná.

Baraita
Além da Mishná, outros ensinamentos tanaíticos eram correntes na mesma época, e por algum tempo depois. A Guemará frequentemente se refere a estas declarações tanaíticas, para compará-los àqueles contidos na Mishná e para apoiar ou refutar as proposições dos Amoraim. Todas estas fontes tanaíticas não-mishnaicas são denominadas de baraitot (singular baraita, ברייתא - literalmente "material de fora", se referindo às obras externas ao Mishná).

Os baraitot citados no Guemará são, frequentemente, citações da Toseftá (um compêndio tanaítico da Halaká, paralela à Mishná) e dos midrashim haláquicos especificamente Mekhilta, Sifra e Sifre. Alguns baraitot, no entanto, são conhecidos apenas por tradições citadas no Guemará, e não formam parte de qualquer outra coleção.

Guemará

Nos três séculos que se seguiram à redação da Mishná, os rabinos de Israel e da Babilônia analisaram, debateram e discutiram aquela obra. Estas discussões foram a Guemará (גמרא). A palavra significa "completude", em hebraico, do verbo gamar (גמר), "completar", "aprender". A Guemará se focaliza principalmente na elucidação e elaboração das opiniões dos Tannaim. Os rabinos do Guemará ficaram conhecidos como Amoraim (no singular Amora, אמורא).

Boa parte da Guemará consiste de análises legais. O ponto de partida para a análise é, costumeiramente, uma declaração legal existente em determinada Mixná. A declaração é então analisada e comparada com outras declarações, numa troca dialética entre dois disputantes (frequentemente anônimos, por vezes metafóricos), que são chamados de makshan ("questionador") e tartzan ("respondendor"). Outra função importante da Guemará é identificar a base bíblica correta para determinada lei apresentada na Mishná, assim como o processo lógico que a conecta com outra: esta atividade era conhecidade como talmud, muito antes da existência do Talmude como texto.

Estas trocas formam os componentes básicos da Guemará; o nome dado a cada passagem é sugya (סוגיא; plural sugyot). Uma Sugya costumeiramente contém uma elaboração cuidadosamente estudada e detalhada de uma declaração mishnaica.

Em determinada sugya, declarações escriturais, tanaíticas e amoraicas, são trazidos para reforçar as diversas opiniões. Ao fazê-lo, a Guemará levanta discordâncias semânticas entre os Tannaim e os Amoraim (frequentemente direcionando o ponto de vista para uma autoridade mais antiga, no sentido de como ele teria respondido a questão), e comparando as visões mishnaicas com as passagens da Baraitá. Raramente os debates são encerrados formalmente; em muitos casos, a palavra final determina a lei prática, embora existam diversas exceções a este princípio.

Halaca e Agadá
O Talmude contém um material vasto, que aborda assuntos de naturezas muito diversas. Tradicionalmente, as declarações talmúdicas podem ser classificadas em duas categorias amplas, as declarações haláquicas e agádicas. As declarações haláquicas são aquelas que se relacionam diretamente com as questões da prática e lei judaica (Halaca), enquanto as declarações agádicas são aquelas que não tem qualquer conteúdo legal, sendo de natureza mais exegética, homilética, ética ou histórica.

Bavli e Yerushalmi
O processo da Guemará continuou nos dois principais centros do academicismo judaico da época, na Terra de Israel e na cidade de Babilônia, grande centro da Mesopotâmia. De maneira correspondente, os dois corpos de análise se desenvolveram separadamente, e as duas obras do Talmude foram criadas. A compilação mais antiga é chamada de Talmude de Jerusalém (Talmud Yerushalmi). Foi compilado em Israel, durante o século IV d.C.. Já o Talmude Babilônico (Talmud Bavli), foi compilado ao redor do ano 500, embora tenha continuado a ser editado posteriormente. A palavra "Talmude", quando utilizada sem qualquer qualificação, costuma se referir ao Talmude Babilônico.

Referências:
1. Ver Strack, Hermann, Introduction to the Talmud and Midrash, Jewish Publication Society, 1945. pgs. 11-12. "[A Lei Oral] foi transmitida de boca a boca, durante um longo período… As primeiras tentativas de anotar os assuntos tradicionais, existem motivos para se acreditar, datam da primeira metade do segundo século pós-cristão." Strack teoriza que o crescimento dum cânone cristão (o Novo Testamento) foi um fator que teria influenciado os rabinos a registrar a lei oral através da escrita.
 

2. A teoria de que a destruição do Templo e a subsequente desordem foi explicada pela primeira vez na Epístola de Sherira Gaon, e repetida frequentemente. Ver, por exemplo, Grayzel, A History of the Jews, Penguin Books, 1984, p. 193.

Fonte: Wikipédia
<VOLTAR>

23.3.9 - MITZVÁ

Mitzvá (em hebraico: מצווה, "mandamento"; plural, mitzvos ou mitzvot; de צוה, tzavá, "comando"). Dentro do judaísmo, esta palavra se refere aos 613 mandamentos dados na Torá (os primeiros cinco livros da Bíblia Hebraica) e a qualquer lei rabínica em geral. O termo também pode se referir ao cumprimento de uma mitzvá como definido acima.

O termo Mitzvá também vem a expressar qualquer ato de bondade humana, como o enterro de um corpo de uma pessoa desconhecida. De acordo com os ensinamentos do Judaísmo todas as leis morais são derivadas dos mandamentos divinos.

As opiniões dos rabinos talmúdicos são divididas entre aqueles que buscam o propósito das mitzvot e aqueles que não os questiona. Os primeiros argumentam que se a razão para cada mitzvá pudesse ser determinada, as pessoas podem tentar alcançar o que vêem como o propósito da mitzvá, sem realmente realizar a mitzvá por si só.
 

Fonte: Wikipédia

<VOLTAR>

23.3.10 - SEFER YETZIRAH

Sefer Yetzirah (ספר יצירה) é um texto antigo pertencente ao corpus da cabala judaica. O Livro Yetzirah é um dos remanescentes dos livros secretos hebraicos, um dos mais antigos e está ligado a literatura dos santuários e da carroagem, é uma das colunas secretas sobre a qual se baseia a kabbalah.

O tempo da escrita não é conhecido, segundo a tradição ele teria sido obra de Abraão, mas outros dizem que foi escrito no quarto século da era cristã e o provavelmente teria sido escrito entre o século II e o século VI da era cristã.

O escritor declara ter descoberto o ato da criação de forma secreta e por isso, mesmo com as muitas contradições

entre a teoria da criação prescrita na bíblia em relação as que foram escritas por ele, ele teme, pois revela muitas coisas secretas na Torah.

O texto inicia com as palavras "Em trinta e três caminhos maravilhosos da sabedoria legislou YAH YHWH dos

Exércitos, o Deus de Israel, o Deus vivo e Rei do Universo, Deus Misericordioso e Gracioso que se assenta para sempre, Santo é o seu nome e o seu universo."

32 caminhos, 10 números e 22 letras(alef beith)

O Autor declara que através destas contagens criou Deus o Universo e quando Abraão descobriu este segredo, compreendeu o segredo da fé.

Porque Abraão nosso pai viu sobre ele a paz, viu e investigou e legislou, esculpiu, gravou acrescentou e criou com subindo as suas mãos, foi-lhe descoberto ao Senhor de Tudo que o assentou em seu interior, o abraçou e beijou sua cabeça, chamou-o Seu Amado e o chamou pelo nome e fez com ele um pacto para ele e sua descendência para sempre e como foi dito, e creu no Senhor e isto lhe foi imputado como justiça.

O homem é um microcósmico, por isso em seu corpo pode-se entender a obra da criação. Assim como ao homem, no universo é um centro de onde emana em dez direções.

O autor do livro declara somente 3 princípios, uma "chama de fogo, água e vento", ele não acrescentou o pó que segundo ele teria sido criado em sua opinião da água e do ar(vento).

Apesar das formas de contagem do autor serem bem variadas, não é muita clara a sua intenção em nenhuma delas. A única coisa que se consegue determinar é que o autor tentou demonstra a metodologia pela qual Deus teria criado o universo, segundo o declarado, que o mundo teria sido criado pelas palavras proclamadas por Deus.

Este livro foi de grande influência os rabinos considerados da era medieval na região de Provença.

Apesar de sua influência, é necessário declarar que este livro não é uma cerimonia cabalística, as contagens que são descritas na kabbalah são um conjunto de características que formam a divindade, estas não são as contagens existentes neste livro, neste livro trata-se somente de números principalmente porque textos que foram escritos anteriores ao século XII não pertencem a literatura da Kabbalah aceita nos dias de hoje.
 

Fonte: Wikipedia

<VOLTAR>
 

23.3.14 -   UPANISHAD

Upanixade  

Os Upanixades (em sânscrito Upanichád) são parte das escrituras Shruti hindus, que discutem principalmente meditação e filosofia, e são consideradas pela maioria das escolas do hinduísmo como instruções religiosas. Contêm também transcrições de vários debates espirituais, e 12 de seus 123 livros são considerados básicos por todos os hinduístas.

 

Surgiram como comentários sobre os Vedas, sua finalidade e essência, sendo portanto conhecidos como Vedānta ("o fim do Veda"). O termo Upanixade deriva das palavras sânscritas upa ("perto"), ni ("embaixo") e chad ("sentar"), representando o ato de sentar-se no chão, próximo a um mestre espiritual, para receber instrução. Os professores e estudantes são vistos em uma série de posições sentadas (o marido respondendo questões sobre imortalidade, um adolescente sendo ensinado pela Morte, etc.). Às vezes os sábios são mulheres, e outras vezes as instruções (ou antes inspirações) são dadas por reis.

 

Os Upanixades principais

Vários Upanixades são extensões ou explicações de cada um dos quatro Vedas (Rigveda, Yajurveda, Sāmaveda e Atharvaveda). Os mais antigos e mais longos dos Upanixades são o Bŗhadāraņyaka e o Chhāndogya; os estudiosos divergem sobre a data em que foram escritos, as estimativas vão dos séculos XVI a VII a.C. A maioria concorda que muitos dos Upanishads mais antigos foram escrito antes do tempo de Buda. Inicialmente havia mais de duzentos upanishads, mas o filósofo Shankara considerou apenas quinze como básicos. Foram totalmente cadastrados apenas em 1656, por ordem de Dara Shakoh.

 

Estes tratos filosóficos e meditativos formam a "coluna vertebral" do pensamento hindu. Dos mais antigos Upanixades, o Aitareya e Kauşītāki pertencem ao Rigveda, Kena e Chhāndogya ao Samaveda, Īşa e Taittirīya e Bŗhadāraņyaka ao Yajurveda, e Praşna e Muņd.aka ao Atharvaveda. (Upanishad associados e informações de livros Védicos tirados de Radhakrishnan Indian Philosophy, Vol. 1.)

 

Em adição, os Māņd.ukya, Katha, Şvetāşvatara são muito importantes. Outros também incluem os Upanixades Mahānārāyaņa e Maitreyi como chave.[1][2]

 

Origens

Colapsos escolares dos livros védicos vêem os quatro Vedas como liturgia poética, coletivamente chamados mantras ou sam.hitā-s, adoração e súplica a um tipo de noção monista e henoteísta dos Deuses/Deusas e uma principal Ordem (Ŗta) que transcendeu até mesmo os Deuses e originou-se da Única Fonte.

 

Os bramanas (brāhmaņas) eram uma coleção de instruções de ritual, livros detalhando as funções sacerdotais (que até então estavam primeiramente disponíveis a todos os homens, e passaram a ser um privilégio dos brâmanes). Estes vieram após os Mantras.

 

Então, temos os Upanixades, que consistem dos Aranyakas e Upanixades. Araņyaka significa "da floresta", e estes mais provavelmente cresceram como um tipo de rejeição súbita dos bramanas: detalham práticas meditativas iôguicas, contemplações do místico e os múltiplos princípios manifestados. Os Upanixades basicamente reúnem todas as idéias místicas monísticas e universais que começaram nos antigos hinos védicos, e exerceram uma influência sem precedentes no resto da filosofia hindu e indiana. De qualquer maneira, por aderentes, eles não são considerados filosofia sozinhos, e formam meditações e ensinamentos práticos para aqueles avançados o bastante, para se beneficiarem da sua sabedoria.

 

Os Upanixades não dão nenhuma pista sobre quando nem quem compôs estes textos. Esta anonimidade enfatiza a natureza eterna das verdades neles contidas. Geralmente, críticas da tradição védica e hindu vão usar o termo bramânico para implicar um karma-kanda, ou modo de adoração baseado em rituais, uma palavra de padres que perde a visão de uma espiritualidade mais profunda. De qualquer jeito, é amplamente reconhecido que aqueles que escreveram os místicos versos dos Upanixades foram, com toda a probabilidade, brâmanes também.

 

Conteúdo

O Upanixade Taittiriya diz o seguinte, em seu nono capítulo: "Aquele que conhece a felicidade de Brahma, de onde retrocedem todas as palavras, como também a mente, sem alcançá-la, não tem medo de ninguém que for. Ele não aflige-se com o pensamento: "Por que não o fiz certo? Por que fiz o pecado?". Quem quer que conheça isso considera ambos estes como Atman: certamente ele aprecia ambos estes como Atman. Este, assim, é o Upanixade, a sabedoria secreta de Brahman."

 

Os Upanixades contêm informações sobre crenças básicas hindus, incluindo crença em uma alma mundial, um espírito universal, Brahman, e uma alma individual, Atman.[3] Uma variedade de deuses menores são vistos como aspectos deste único campo divino impessoal, Brahman (e não Brahma). Brahman é o definitivo, tanto transcendente quanto imanente, a existência infinita e absoluta, a somatória total do que é, foi e será. Brahman não é um Deus no sentido monoteístico, tanto que ele não é saturado com nenhuma característica limitante, nem aquelas dos que são ou não são, e isto é refletido no fato de que, em sânscrito, a palavra brahman é de gênero neutro (ao invés de masculino ou feminino).

 

"Quem é que sabe?" "O que faz pensar a minha mente?" "A vida tem um propósito, ou ela é somente governada pela chance?" "Qual é a causa do cosmo?" Os sábios dos Upanixadestentam resolver esses mistérios e procurar conhecimento de uma realidade além do pensamento comum. Eles também mostram uma preocupação com os estados de consciência, e observaram e analisaram sonhos, tanto quanto sonos sem sonho.

 

A filosofia dos Upanixades

Por causa da sua natureza mística e intensamente filosófica que anula todo o ritual e completamente abraça os princípios de Um Brahman e o Atman interior, os Upanixades têm um sentimento universal que levaram a sua explicação em numerosas maneiras, dando origem às três escolas de Vedanta.

 

Para somar todos os Upanixades em só uma frase, seria तत् त्वं असि , Tat Tvam Asi: "Tu és Aquele". Ao final, o definitivo, sem forma, inconcebível Brahman é o mesmo que nossas almas, Atman. Nós só precisamos percebê-lo através da discriminação e perfurando através do Maya.

 

Uma citação distintiva que é indicativo da chamada para a auto-realização, uma que inspirou Somerset Maugham a intitular que ele escreveu sobre Christopher Isherwood, é a seguinte:

"Levante-se! Acorde! Procure a orientação de

um professor Iluminado e realize o Ego.

Afiado como a extremidade de uma navalha é

o caminho, dizem os sábios, difícil de atravessar."

--- Deus da Morte (Yama) instruindo Nachiketas na Katha (Palavra) Upanishad.

 

Os Upanixades também contêm as primeiras e mais definitivas explicações de aum como a palavra divina, a vibração cósmica que está por baixo de toda a existência e contém múltiplas trindades de seres e princípios subsomados ao seu Único Ego. O Isha (que significa Senhor) diz do Ego:

"Quem quer que veja todos os seres na alma,

e a alma em todos os seres,

não afasta-se para longe disso.

No qual todos os seres se tornaram alguém com a alma instruída,

que ilusão ou tristeza existe para aquele que vê unidade?

Este encheu tudo.

Este é radiante, incorpóreo, invulnerável,

sem tendões, puro, intocado pelo mal.

Sábio, inteligente, que cerca, auto-existente,

este organiza objetos ao longo da eternidade."

 

"Aum Shanti Shanti Shanti" Este, também, é encontrado primeiramente nos Upanixades, a chamada para a tranqüilidade, para a quietude divina, para a paz perpétua.

 

Lista dos Upanixades

Īsa = Şukla Yajurveda, Mukhya Upanişad (O Regente Interior)

Kena = Sāmaveda, Mukhya Upanişad (Quem move o mundo?)

Katha = Kŗşņa Yajurveda, Mukhya Upanişad : ver Katha Upanişad (A Morte como Mestre)

Prasna = Atharvaveda, Mukhya Upanişad (O Alento da Vida)

Muņd.aka = Atharvaveda, Mukhya Upanişad (Duas formas de Conhecimento)

Māņd.ukya = Atharvaveda, Mukhya Upanişad (A Consicência e suas fases)

Taittirīya = Kŗşņa Yajurveda, Mukhya Upanişad : ver Taittiriya Upanişad (Da Comida para a Alegria)

Aitareya = Ŗgveda, Mukhya Upanişad : ver Aitareya Upanişad (O Microcosmo do Homem)

Chhāndogya = Sāmaveda, Mukhya Upanişad (Canção e Sacrifício)

(10) Bŗhadāraņyaka = Şukla Yajurveda, Mukhya Upanişad

Brahma = Kŗşņa Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Kaivalya = Kŗşņa Yajurveda, Şaiva Upanişad

Jābāla (Yajurveda) = Şukla Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Şvetāşvatara = Kŗşņa Yajurveda, Sāmānya Upanişad (As Faces de Deus)

Ha.nsa = Şukla Yajurveda, Yoga Upanişad

Āruņeya = Sāmaveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Garbha = Kŗşņa Yajurveda, Sāmānya Upanişad

Nārāyaņa = Kŗşņa Yajurveda, Vaişņava Upanişad

Paramahamsa = Şukla Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

(20) Amŗta-bindu = Kŗşņa Yajurveda, Yoga Upanişad

Amŗta-nāda = Kŗşņa Yajurveda, Yoga Upanişad

Atharva-şira = Atharvaveda, Şaiva Upanişad

Atharva-şikha = Atharvaveda, Şaiva Upanişad

Maitrāyaņi = Sāmaveda, Sāmānya Upanişad : see Maitrayaniya Upanişad

Kauşītāki = Ŗgveda, Sāmānya Upanişad

Bŗhajjābāla = Atharvaveda, Şaiva Upanişad

NŗsiMhatāpanī = Atharvaveda, Vaişņava Upanişad

Kālāgnirudra = Kŗşņa Yajurveda, Şaiva Upanişad

Maitreyi = Sāmaveda, Sa.nnyāsa Upanişad

(30) Subāla = Şukla Yajurveda, Sāmānya Upanişad

Kşurika = Kŗşņa Yajurveda, Yoga Upanişad

Māntrika = Şukla Yajurveda, Sāmānya Upanişad

arva-sāra = Kŗşņa Yajurveda, Sāmānya Upanişad

Nirālamba = Şukla Yajurveda, Sāmānya Upanişad

Şuka-rahasya = Kŗşņa Yajurveda, Sāmānya Upanişad

Vajra-sūchi = Sāmaveda, Sāmānya Upanişad

Tejo-bindu = Kŗşņa Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Nāda-bindu = Ŗgveda, Yoga Upanişad

Dhyānabindu = Kŗşņa Yajurveda, Yoga Upanişad

(40) Brahmavidyā = Kŗşņa Yajurveda, Yoga Upanişad

Yogatattva = Kŗşņa Yajurveda, Yoga Upanişad

Ātmabodha = Ŗgveda, Sāmānya Upanişad

Parivrāt (Nāradaparivrājaka) = Atharvaveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Tri-şikhi = Şukla Yajurveda, Yoga Upanişad

Sītā = Atharvaveda, Şākta Upanişad

Yogachūdāmaņi = Sāmaveda, Yoga Upanişad

Nirvāņa = Ŗgveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Maņd.alabrāhmaņa = Şukla Yajurveda, Yoga Upanişad

Dakşiņāmūrti = Kŗşņa Yajurveda, Şaiva Upanişad

(50) Şarabha = Atharvaveda, Şaiva Upanişad

Skanda (Tripād.vibhūţi) = Kŗşņa Yajurveda, Sāmānya Upanişad

Mahānārāyaņa = Atharvaveda, Vaişņava Upanişad

Advayatāraka = Şukla Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Rāmarahasya = Atharvaveda, Vaişņava Upanişad

Rāmatāpaņi = Atharvaveda, Vaişņava Upanişad

Vāsudeva = Sāmaveda, Vaişņava Upanişad

Mudgala = Ŗgveda, Sāmānya Upanişad

Şāņd.ilya = Atharvaveda, Yoga Upanişad

Pai.ngala = Şukla Yajurveda, Sāmānya Upanişad

(60) Bhikşuka = Şukla Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Mahat = Sāmaveda, Sāmānya Upanişad

Şārīraka = Kŗşņa Yajurveda, Sāmānya Upanişad

Yogaşikhā = Kŗşņa Yajurveda, Yoga Upanişad

Turīyātīta = Şukla Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Sa.nnyāsa = Sāmaveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Paramahamsa-parivrājaka = Atharvaveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Aksamālika = Ŗgveda, Şaiva Upanişad

Avyakta = Sāmaveda, Vaişņava Upanişad

Ekāksara = Kŗşņa Yajurveda, Sāmānya Upanişad

(70) Annapūrņa = Atharvaveda, Şākta Upanişad

Sūrya = Atharvaveda, Sāmānya Upanişad

Akşi = Kŗşņa Yajurveda, Sāmānya Upanişad

Adhyātmā = Şukla Yajurveda, Sāmānya Upanişad

Kuņd.ika = Sāmaveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Sāvitri = Sāmaveda, Sāmānya Upanişad

Ātmā = Atharvaveda, Sāmānya Upanişad

Pāşupata = Atharvaveda, Yoga Upanişad

Parabrahma = Atharvaveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Avadhūta = Kŗşņa Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

(80) Tripurātapani = Atharvaveda, Şākta Upanişad

Devi = Atharvaveda, Şākta Upanişad

Tripura = Ŗgveda, Şākta Upanişad

Katharudra = Kŗşņa Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Bhāvana = Atharvaveda, Şākta Upanişad

Rudra-hŗdaya = Kŗşņa Yajurveda, Şaiva Upanişad

Yoga-kuņd.alini = Kŗşņa Yajurveda, Yoga Upanişad

Bhasma = Atharvaveda, Şaiva Upanişad

Rudrāksa = Sāmaveda, Şaiva Upanişad

Gaņapati = Atharvaveda, Şaiva Upanişad

(90) Darşana = Sāmaveda, Yoga Upanişad

Tārasāra = Şukla Yajurveda, Vaişņava Upanişad

Mahāvākya = Atharvaveda, Yoga Upanişad

Pajņcha-brahma = Kŗşņa Yajurveda, Şaiva Upanişad

Prāņāgni-hotra = Kŗşņa Yajurveda, Sāmānya Upanişad

Gopāla-tapaņi = Atharvaveda, Vaişņava Upanişad

Kŗşņa = Atharvaveda, Vaişņava Upanişad

Yājņyavalkya = Şukla Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Varāha = Kŗşņa Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

Şātyāyani = Şukla Yajurveda, Sa.nnyāsa Upanişad

(100) Hayagrīva = Atharvaveda, Vaişņava Upanişad

Dattātreya = Atharvaveda, Vaişņava Upanişad

Gārud.a = Atharvaveda, Vaişņava Upanişad

Kali-saņţāraņa = Kŗşņa Yajurveda, Vaişņava Upanişad

Jābāla (Sāmaveda) = Sāmaveda, Şaiva Upanişad

Saubhāgya = Ŗgveda, Şākta Upanişad

Sarasvatī-rahasya = Kŗşņa Yajurveda, Şākta Upanişad

Bahvŗcha = Ŗgveda, Şākta Upanişad

(108) Muktika = Şukla Yajurveda, Sāmānya Upanişad

 

19 são do Shukla Yajurveda e têm a Shānti começando em `pūrņamada'.

 

32 Upanixades são do Kŗşna Yajurveda e têm a Shānti começando em `sahanāvavatu'.

16 Upanixades são do Sāmaveda e têm a Shānti começando em `āpyāyantu'.

31 Upanixades são do Atharvaveda e têm a Shānti começando em `bhadram-karņebhiH'.

10 Upanixades são do Ŗgveda e têm a Shānti começando em `vaņme-manasi'.

A lista dos 108 Upanixades pode ser encontrada em Muktika 1: 30-39. A classificação de cada Upanixades não é dada no Muktika.

 

Referências

Easwaran, Eknath The Upanishads (Translated for the Modern Reader) Nilgiri Press, 1987.

 

Bibliografia

Edmonds, I.G. Hinduism. New York: Franklin Watts, 1979.

Embree, Ainslie T., ed. The Hindu Tradition. New York: Random House, 1966.

Merrett, Frances, ed. The Hindu World. London: MacDonald and Co, 1985.

Pandit, Bansi. The Hindu Mind. Glen Ellyn, IL: B&V Enterprises, 1998.

Smith, Huston. The Illustrated World’s Religions: A Guide to Our Wisdom Traditions. New York: Labrynth Publishing, 1995.

Wangu, Madhu Bazaz. Hinduism: World Religions. New York: Facts on File, 1991.

 

Referências

1. Site que sumariza os Upanixades

2. Traduções de Eknath Easwaran dos principais Upanixades.

3. Smith 10

Fonte: Wikipedia

<VOLTAR>

23.3.15 - SHRUTI

Shruti (do Sânscrito "aquilo que é ouvido") é um cânon de escrituras hindus. Não data a um período particular, mas atravessa a história inteira do Hinduísmo, começando com os textos mais antigos conhecidos, com alguns Upanishads mais recentes chegando até os tempos modernos.

Shruti é dito de não ter autor; ao invés, acredita-se que tem gravações divinas dos "sons cósmicos da verdade", ouvidos por rishis.

Existem vários modos, que competem entre si, de definir Shruti. É mais comumente definido como sendo composto pelos quatro Vedas:

  • Rig-Veda Sabedoria dos Hinos de Louvação

  • Atharva-Veda Sabedoria das Fórmulas Mágicas

  • Sama-Veda Sabedoria das Melodias

  • Yajur-Veda Sabedoria das Fórmulas Sacrificiais

Algumas sub-divisões dentro das escrituras, como os Aranyakas, Brahmanas, e Upanishads, pertencem ao conjunto de trabalhos distintamente chamados de Shruti. Em adição, o Mahabharata (um Itihasa, ou "História", "Épico", também parte da classe das "escrituras amigáveis") é considerado Shruti por alguns e é, algumas vezes, chamado de 'quinto' Veda. Às vezes, o Bhagavad Gita, um capítulo do Mahabharata, é separadamente considerado digno da "posição" de Shruti.

 

Significado Filosófico:

As principais escolas filosóficas hindus, e em especial a escola advaita na linha de Shankara consideram os shruti como as fontes de formas e idéias primordiais, onipresentes e que dispensam interpretação.

Um conceito fundamental como sentimento de amor (sânscrito, kama) dispensa qualquer tipo de inferência, por ser um conceito fundamental e é descrito como tal nos shrutis.

Em contrapartida, a literatura denominada smirti são inferências feitas a partir de idéias e formas primordiais, que adjetivam os shrutis, podendo ser até mesmo contraditórias, mas que continuam verdadeiras caso não neguem o shruti.

Por exemplo, pode-se adjetivar o amor como materno, filial, mundano, espiritual, temporário, que são inferências feitas sobre o aforismo amor, que são válidas enquanto não o neguem ou anulem.

Já inferências como amor esférico, azul, gordo, nitrogenado, adjetivam o amor de forma ilógica que podem anular o sentido da idéia, sendo portanto inferências não válidas.

Toda a literatura sagrada hindu é bastante esotérica, requerendo estudos e qualificação para a interpretação. No hinduísmo parte-se da premissa que o conhecimento espiritual é um segredo e um mistério, que jamais pode ser proselitizado.

Não existe a escritura “revelada” como compreendida nas crenças ocidentais, mas textos inertes por expressar apenas conceitos e formas universais, os shrutis e textos dinâmicos que são adjetivações constantes dos shrutis, os smirtis.

Fonte: Wikipedia 

 < Voltar para a Página Principal >

 

23.3.16 - VEDAS

Denominam-se Vedas os quatro textos, escritos em sânscrito por volta de 1500 a.C., que formam a base do extenso sistema de escrituras sagradas do hinduísmo, que representam a mais antiga literatura de qualquer língua indo-européia. A palavra Veda, em sânscrito, da raiz vid- (reconstruída como sendo derivada do Proto-Indo-Europeu weid-) que significa conhecer, escreve-se veda no alfabeto devanágari e significa "conhecimento". É a forma guna da raiz vid- acrescida do sufixo nominal -a.

São estes os quatro Vedas:

Ordem

Nome

Significado

Conteúdo
(composto tatpurusha de)

1
2
3
4

Rigveda
Yajurveda

Samaveda
Atarvaveda

"veda dos hinos"
"veda do sacrifício"
"veda dos cantos rituais"
--

c - (hino) e veda
yajus - (sacrifício) e veda. Foco em liturgia, rituais e sacrifício.
sāman- (canto ritual) e veda
atharvān (um tipo de sacerdote) e veda

 

Muitos historiadores consideram os Vedas os textos sobreviventes mais antigos. Estima-se que as partes mais novas dos vedas datam a aproximadamente 500 a.C.; o texto mais antigo (Rigveda) encontrado é, atualmente, datado a aproximadamente 1500 a.C., mas a maioria dos indólogos concordam com a possibilidade de que uma longa tradição oral existiu antes que os Vedas fossem escritos. Representam o mais antigo estrato de literatura indiana e, de acordo com estudantes modernos, são escritos em uma forma de linguagem que evoluiu no sânscrito. Eles consideram o uso do sânscrito védico como a linguagem dos textos um anacronismo, embora seja geralmente aceita.

Conteúdo

Os vedas consistem de vários tipos de textos, todos datando aos tempos antigos. O núcleo é formado pelos Mantras que representam hinos, orações, encantações, mágicas e fórmulas rituais, encantos etc. Os hinos e orações são endereçados a uma grande quantidade de deuses (e algumas deusas), dos quais importantes membros são Rudra, Varuna, Indra, Agni etc. Os mantras são suplementados por textos relativos aos rituais sacrificiais nos quais esses mantras são utilizados e também textos explorando os aspectos filosóficos da tradição ritual, narrativas etc.

Organização

Os mantras são colecionados em antologias chamadas de Samhitas. Existem quatro Samhitas: Rk (poesia), Sāman (música), Yajus (oração), e Atharvan (um tipo de sacerdote). Refere-se normalmente a eles como Rigveda, Samaveda, Iajurveda, e Atarvaveda respectivamente. Cada Samhita é preservado em um número de versões (shakhas), sendo que as diferenças entre elas são mínimas, exceto no caso do Iajurveda, onde as duas versões "brancas" (shukla) contém somente os mantras, enquanto as quatro versões "negras" (krishna) entremearam os brâmanas junto aos mantras.

O Rigveda contém a mais antiga parte dos textos, e consiste de 1028 hinos. O Samaveda é mais um arranjo do Rigveda para música. O Iajurveda dá orações sacrificiais e o Atarvaveda dá encantos, encantamentos e fórmulas mágicas. Separadamente destes, há alguns materiais seculares perdidos e lendas.

A próxima categoria de textos são os brâmanas. Estes são textos rituais que descrevem em detalhes os sacrifícios nos quais os Mantras eram usados, como também comentam o significado do ritual sacrificial. Os brâmanas são associados com um dos Samhitas. Os brâmanas podem formar ou textos separados, ou, no caso do Iajurveda "Negro", podem ser parcialmente integrados no texto do Samhita. O mais importante dos brâmanas é o brâmana Shatapatha do Iajurveda "Branco".

Os Aranyakas e os Upanixades são trabalhos teológicos e filosóficos. Geralmente formam parte dos brâmanas (como o Upanixade Brhadaranyaka). São a base da escola de Vedanta de Darsana.

Posição e compilação

A tradição hindu considera os vedas incriados, eternos e que são revelados a sábios (Rishis). Orishi Krishna Dwaipayana, melhor conhecido como Veda Vyasa – Vyasa significando "editor" ou "compilador" – supostamente distribuiu esta massa de hinos nos quatro livros dos Vedas, sendo cada livro supervisionado por um de seus discípulos. Paila organizou os hinos do Rig Veda. Aqueles que eram cantados durante cerimônias religiosas e sociais foram compilados por Vaishampayana com o título de Yajus mantra Samhita (ver Iajurveda). Jaimini é dito de ter coletado hinos que eram fixados a música e melodia — "Saman" (ver Sama-Veda). A quarta coleção de hinos e cantos conhecida como Atharva Samhita foi colecionada por Sumanta.

Filosofias e seitas que desenvolveram-se no subcontinente indiano tiveram diferentes posições nos Vedas. No budismo e no jainismo, a autoridade do Veda é repudiada, e ambos desenvolveram-se em religiões separadas. As seitas que não rejeitaram explicitamente os Vedas continuaram seguidores do Sanatana Dharma, que é conhecido, nos tempos modernos, como hinduísmo.

Posteriormente, no hinduísmo, os Vedas ocuparam uma posição exaltada. São considerados shruti, ou seja, revelação, e a casta brâmaneica baseada nos Vedas forma uma importante parte da vida religiosa hindu nos dias de hoje. Vedanta, Ioga, Tantra, e até mesmo Bhakti consideram os Vedas uma revelação.

Estudo

Nos dharmashastras, o estudo dos Vedas foi considerado um dever religioso dos três altos varnas (Brâmanes, Xatrias e Vaixás). Mulheres e Sudias não precisavam nem podiam estudar o Veda (isso começou a acontecer só na idade Védica ou Sutra posterior, porque numerosas evidências sugerem que todos os humanos eram igualmente permitidos a estudar os Vedas, e muitos "autores" védicos eram mulheres). Elaborar métodos para preservar o texto (aprendendo de cor e não escrevendo), disciplinas subsidiárias (Vedanga) etc., foram desenvolvidos nas escolas védicas. No décimo quarto século, Sayana escreveu célebres comentários sobre os textos védicos.

Nos tempos modernos, estudos védicos são cruciais para a compreensão da linguística Indo-Européia, como também na história indiana antiga.

Muitas formas de hinduísmo encorajam os mantras védicos a serem interpretados das formas mais liberais e filosóficas possíveis, diferentemente de variedades notáveis das religiões Abraâmicas (relativo ao Tanakh, à Bíblia e ao Corão). De fato, uma interpretação não-literal dos mantras é desencorajada, e até mesmo as três camadas de comentários (Brahmanas, Aranyakas, e Upanishads), que formam uma parte integral da literatura shruti, na verdade interpretam os aparentemente politeístas, ritualísticos e altamente complexos Samhitas em uma forma filosófica e metafórica para explicar os conceitos "ocultos" de Deus (Ishwara), o Ser Supremo (Brâman) e a alma ou o ego (Atman). Também, muitos hindus acreditam que o próprio som dos mantras védicos é purificador ao ambiente e à mente humana.

Fonte: Wikipedia 

<VOLTAR>

 

23.3.17 - RIG VEDA

Rig Veda ou Rigveda, Livro dos Hinos, é o Primeiro Veda e é, com certeza, o mais importante veda, pois todos os outros derivaram dele. Rig Veda é o Veda mais antigo e, ao mesmo tempo, o documento mais antigo da literatura hindu, composto de hinos, rituais e oferendas às divindades. Possui 1.028 hinos, sendo que a maioria se refere a oferendas de sacrifícios, algumas sem relação com o culto. Independentemente do valor interno, o Primeiro Veda é valiosíssimo pela sua antiguidade.

Passagens geográficas e etnológicas no Rigveda provêem evidência de que o Rigveda foi escrito por volta de 1700–1100 a.C., durante o período védico em Punjabe (Sapta Sindhu), fazendo dele um dos mais antigos textos de quaisquer Línguas indo-européias e um dos textos religiosos mais antigos do mundo. Foi preservado por séculos somente por tradição oral e provavelmente não foi escrito até abaixa Idade Média.[1]

Texto

O Rigveda consiste [2] de 1.028 hinos (ou 1,017, sem contar os hinos apócrifos valakhīlya 8.49–8.59) compostos emsânscrito védico, muitos dos quais são planejados para vários rituais de sacrifício. Esta longa coleção de hinos curtos é dedicada principalmente a louvar os deuses. É organizado em 10 livros, conhecidos como Mandalas. Cada mandala é composto de hinos, chamados de sūkta, que são compostos por versos individuais chamados rc, plural rcas. Os Mandalas não têm tamanho e idade iguais: Os "livros familiares", mandalas 2-7, são considerados a parte mais antiga e são os livros mais curtos, arrumados por tamanho, contando 38% do texto. RV 8 e RV 9, igualmente formados de hinos de idades misturadas, contam 15% e 9%, respectivamente. RV 1 e RV 10, finalmente, são ambos os mais jovens e longos livros, contando 37% do texto.

As mais antigas passagens do Rigveda referem-se aos três deuses védicos (Indra, Mitra e Varuna) e recordam a luta épica dos arianos védicos com os habitantes originais, chamados de "Dasyas" e "Simyus". Hinos védicos impõem tabus nas tribos védicas de venturar para o sul à terra dos dasyas e tem diferenças contraditórias aos "Krishna-yoni-dasyas". Literatura gangética tardia que consiste nos Puranas também descreve uma guerra entre o deus védicoIndra e o deus local Krishna.

 

Preservação

O Rigveda é preservado por dois principais shakhas ("troncos", escolas), Śākala e skala. Considerando sua longa idade, o texto está espetacularmente bem preservado e não-corrompido, com as duas revisões praticamente idênticas, então edições escolares podem ser feitas sem aparato crítico. Associado ao Śākala está o Aitareya-Brahmana. O skala inclui o Khilani e tem o Kausitaki-Brahmana associado a ele.

Esta compilação incluía a arrumação em livros e também mudanças ortoépicas, como a regularização do sandhi(chamado por Oldenberg de orthoepische Diaskeunase). Teve lugar séculos após a composição dos hinos mais antigos, quase co-eval à redação dos outros Vedas.

Do tempo de sua redação, o texto tem sido dividido em duas versões: O Samhitapatha tem todas as regras sânscritas de sandhi aplicadas e é o texto usado para recitação. O Padapatha tem cada palavra isolada na sua forma sozinha e é usado para memorização. O Padapatha é, como sempre foi, um comentário ao Samhitapatha, mais os dois parecem ser quase co-evais. O texto original reconstruído para a métrica ("original" no sentido de que procura recuperar os hinos como foram compostos pelos Rishis) fica em algum lugar entre os dois, mas mais próximo ao Samhitapatha.

 

Organização

O esquema de numeração mais comum é por livro, hino e verso (e pada (pé) a, b, c ..., se requerido). Ex. O primeiro pada é *1.1.1a agním īe puróhitam "A Agni eu louvo, o alto padre" e o pada final é §                       10.191.4d yáthāh vah súsahā́sati "for your being in good company" Hermann Grassmann numerou os hinos de 1 até 1028, colocando o valakhilya no final. Os 1028 hinos inteiros do Rigveda, na edição de 1877 do Aufrecht, contêm um total de 10.552 verses, ou 39.831 padas. O Shatapatha Brahmana dá o número de sílabas como 432.000[3], enquanto o texto métrico de van Nooten e Holland (1994) tem um total de 395,563 sílabas (ou uma média de 9,93 sílabas por pada); contar o número de sílabas não é tão fácil, por causa do sandhi. A maioria dos versos são jagati (padas de 12 sílabas), trishtubh (padas de 11 sílabas), viraj (padas de 10 sílabas) ou gayatri ou anushtubh (padas de 8 sílabas).

 

Conteúdo

Os deuses chefes do Rigveda são Agni, o fogo sacrificial, Indra, um deus heróico que é louvado por ter matado seu inimigo Vrtra, e Soma, a poção sagrada, ou a planta da qual é feita. Outros deuses prominentes são Mitra (amigo ou aliado), Varuna (vento) e Ushas (o amanhecer) e os Ashvins. Também invocados são Savitar, Vishnu, Rudra, Pushan, Brihaspati, Brahmanaspati, Dyaus Pita (o céu), Prithivi (a terra), Surya(o sol), Vayu (o vento), Apas (as águas), Parjanya (a chuva), Vac (o mundo), os Maruts, os Adityas, os Rbhus, os Vishvadevas (os todos-deuses), muitos rios (notavelmente Sapta Sindhu, e o Rio Sarasvati), como também vários outros deuses menores, pessoas, conceitos, fenômenos e ítens. Também contém referências fragmentárias a possíveis eventos históricos, notavelmente a luta entre o antigo povo védico (conhecido como arianos védicos, um subgrupo dos Indo-Arianos) e seus inimigos, os Dasa.
Mandala 1 engloba 191 hinos. O hino 1.1 é dirigido ao Agni, e seu nome é a primeira palavra do Rigveda. Os hinos restantes dirigem-se principalmente ao Agni e ao Indra. Os hinos 1.154 a 1.156 se dirigem ao Vishnu.
Mandala 2 engloba 43 hinos, principalmente ao Agni e ao Indra. É principalmente atribuído ao Rishi grtsamda śaunohotra.
Mandala 3 engloba 62 hinos, principalmente ao Agni e ao Indra. o verso 3.62.10 tem grande importância no Hinduísmo como o Gayatri Mantra. A maioria dos hinos neste livro é atribuída ao viśvāmitra gāthinah.
Mandala 4 consiste em 58 hinos, principalmente para o Agni e o Indra. A maioria dos hinos deste livro é atribuída a vāmadeva gautama.
Mandala 5 engloba 87 hinos, principalmente ao Agni e ao Indra, os Visvadevas(deuses do mundo), os Maruts, a deidade-gêmea Mitra-Varuna e os Asvins. Dois hinos cada são dedicados aos Ushas (o amanhecer) e ao Savitar. A maioria dos hinos neste livro é atribuída à família atri.
Mandala 6 engloba 75 hinos, principalmente ao Agni e ao Indra. A maioria dos hinos neste livro é atribuída à família bārhaspatya de Angirasas.
Mandala 7 engloba 104 hinos, ao Agni, Indra, os Visvadevas, os Maruts, Mitra-Varuna, os Asvins, Ushas, Indra-Varuna, Varuna, Vayu (o vento), dois cada aSarasvati (antigo rio/deusa do aprender) e Vishnu, e a outros. A maioria dos hinos neste livro é atribuída a vasistha maitravaurni.
Mandala 8 engloba 103 hinos a deuses diferentes. Os hinos 8.49 a 8.59 são os valakhīlya apócrifos. A maioria dos hinos neste livro é atribuída à família kānva.
Mandala 9 engloba 114 hinos, inteiramente dedicados ao Soma Pavamana, a planta da poção sagrada da religião védica.
Mandala 10 engloba 191 hinos, ao Agni e outros deuses. Contém o Nadistuti sukta que louva rios e é importante para a reconstrução da geografia da civilização védica e o Purusha sukta que tem significado na tradição hindu. Também contém o Nasadiya sukta (10.129), provavelmente os mais celebrados hinos no oeste, que lidam com a criação.

Rishis
Cada hino do Rigveda é tradicionalmente atribuído a um rishi específico, e os "livros familiares" (2-7) são ditos de terem sido escritos por uma família de rishis cada. As famílias principais, listadas por número de versos atribuídos a eles são:
Angirasas: 3619 (especialmente Mandala 6)
Kanvas: 1315 (especialmente Mandala 8)
Vasishthas: 1267 (Mandala 7)
Vaishvamitras: 983 (Mandala 3)
Atris: 885 (Mandala 5)
Bhrgus: 473
Kashyapas: 415 (parte do Mandala 9)
Grtsamadas: 401 (Mandala 2)
Agastyas: 316
Bharatas: 170

 

Traduções

O Rigveda foi traduzido ao inglês por Ralph T.H. Griffith em 1896. Traduções parciais ao inglês por Maurice Bloomfield e William Dwight Whitney existem. A tradução de Griffith é boa, considerando a sua idade, mas não substitui a traduçã de Geldner de 1951 (em alemão), a única tradução escolar independente até agora. As traduções posteriores por Elizarenkova dependem muito de Geldner, mas a tradução de Elizarenkova (em russo) tem valor levando em conta literatura escolar até 1990.

 

Tradição hindu

De acordo com a tradição indiana, os hinos rigvédicos foram colecionados por Paila na orientação de Vyāsa, que formou o Rigveda Samhita como conhecemos. De acordo com o Śatapatha Brāhmana, o número de sílabas do Rigveda é 432.000, que é igual ao número de muhurtas (1 dia = 30 muhurtas) em quarenta anos. Essa afirmação acentua a filosofia subjacente dos livros védicos de que existe uma ligação (bandhu) entre o astronômico, o fisiológico, e o espiritual.

Os autores da literatura Brāhmana descreveram e interpretaram o ritual rigvédico. Yaska foi um comentarista do Rigveda. No século 14, Sāyana escreveu um comentário exaustivo sobre isso. Outros Bhāsyas (comentários) que têm sido preservados até os tempos presentes são aqueles por Mādhava, Skamdasvāmin e Vemkatamādhava.

 

Datação e reconstrução histórica

O Rigveda é de longe mais arcaico que qualquer outro texto indo-ariano. Por essa razão, foi o centro de atenção da sabedoria ocidental dos tempos de Max Müller. O Rigveda registra um estágio prematuro da religião védica, ainda bem ligado à religião pré-zoroastriana persa. Acha-se que o Zoroastrianismo e o Hinduísmo védico evoluíram de uma cultura religiosa comum indo-iraniana mais antiga.

Aceita-se que o núcleo do Rigveda date da Idade do Bronze, fazendo dele o único exemplo de literatura da Idade do Bronze com uma tradição irrompida. Sua composição é geralmente datada entre 1700–1100 a. C. [4]. O texto nos séculos seguintes teve revisões de pronúncia e padronização (samhitapatha, padapatha). Essa redação pode ter sido completada por volta do sétimo século AC[5]. A escrita aparece na Índia no quinto século a. C. na forma da escrita Brahmi, mas textos do tamanho do Rigveda não foram escritos até a Baixa Idade Média, nas escritas Gupta ou Siddham, e, enquanto manuscritos eram usados para ensinar nos tempos medievais, tiveram um papel mínimo na preservação do conhecimento, por causa de sua natureza efêmera (manuscritos indianos eram escritos em cascas ou folhas e decompunham rapidamente no clima tropical) até o advento da imprensa na Índia britânica. Os hinos foram então preservados pela tradição oral por até um milênio desde o tempo da sua composição até a redação do Rigveda, e o Rigveda inteiro foi preservado em shakhas por mais 2,500 anos, do tempo de sua redação até o editio princeps por Müller, um feito coletivo de memorização inigualado em qualquer outra sociedade conhecida.

 

A literatura purânica nomeia Vidagdha como o autor do texto Pada.[6] Outros estudantes argumentam que o Sthavira Sak do Aitareya Aranyaka é o padakara do RV.[7] Após sua composição, os textos foram preservados e codificados por um vasto corpo de sacerdócio védicocomo a filosofia central da civilização védica da Idade do Ferro.

 

O Rigveda descreve uma cultura móvel, nomádica, com carroças movidas a cavalo e armas de metal (bronze). De acordo com alguns estudantes, a geografia descrita é consistente com aquela de Punjabe (Gandhara): Rios fluem de norte a sul, as montanhas são relativamente remotas mas ainda alcançáveis (Soma é uma planta encontrada nas montanhas, e tem de ser comprada, importada por mercantes). Contudo, os hinos foram certamente compostos em um longo período, com os mais antigos elementos possivelmente alcançando os tempos indo-iranianos, ou o segundo milênio a. C. Existe algum debate sobre se ostentações da destruição de fortes de pedra por arianos védicos e particularmente por Indra referem-se a cidades da civilização do Vale do Indo ou se eles se reportam a embates entre os primitivos Indo-Arianos e a cultura BMAC ("Bactria-Margiana Archaeological Complex" - Complexo Arqueológico Bactria-Margiana) ocorrida séculos mais tarde, no que é agora o norte do Afeganistão e o sul do Turcmenistão (separado do alto Indo pela cadeia montanhosaHindu Kush, e uns 400 km de distância). De qualquer jeito, enquanto é muito provável que o corpo do Rigveda tenha sido composto em Punjabe, mesmo se baseado em tradições poéticas, não existe menção de tigres ou de arroz[8] no Rigveda (em oposição aos Vedas posteriores), sugerindo que a cultura védica somente penetrou nos planos da Índia após ser completado. Similarmente, assume-se que não existe menção de ferro. [9] A Idade do Ferro no norte da Índia começa no décimo segundo século a. C. com a cultura Black and Red Ware(BRW). Este é um prazo amplamente aceito para a codificação inicial do Rigveda (a arrumação dos hinos individuais em livros, e a correção do samhitapatha (aplicando Sandhi) e o padapatha (dissolvendo o Sandhi) em textos métricos mais antigos), e a composição dos Vedas mais recentes. Esse tempo provavelmente coincide com o reino Kuru, mudando o centro da cultura védica de Punjabe para o que é agoraUttar Pradesh.

 

Alguns dos nomes de deuses e deusas encontrados no Rigveda também se acham em outros sistemas de crença baseados na Religião Proto-Indo-Européia como: Dyaus-Pita é aparentado com o Zeus grego, o Júpiter latino (de deus-pai), e o germânico Tyr; Mitra é aparentado com o Mitra persa; Ushas com a Eos grega e a Aurora latina; e, com menos certeza, Varuna com o Urano grego. Finalmente, Agni é associado com o ignis latino e com o ogon russo, ambos significando "fogo".

Alguns escritores encontraram referências astronômicas[2] no Rigveda datando até a 4000 a. C.[10], uma data bem no meio do Neolítico indiano. As reivindicações de tal evidência permanecem controversas. [11]

Kazanas (2000) numa polêmica contra a "Teoria da Invasão Ariana" sugere uma data tão cedo como 3100 a.C., baseado numa identificação do Rio Sarasvati dos primtivos Rigvedas como sendo o Ghaggar-Hakra e em argumentos glotocronológicos. Sendo uma polêmica contra a corrente estudiosa predominante, ela está diametricamente em oposição aos pontos de vista da linguística histórica predominante, e dá suporte à controversa Teoria de Fora da Índia, que assume uma data tão antiga quanto 3000 a.C. a para era do próprio Proto-Indo-Europeutardio.

 

Flora e Fauna no Rigveda

O cavalo (Asva) e o gado desempenham um importante papel no Rigveda. Há também referências ao elefante (Hastin, Varana), ao camelo(Ustra, especialmente em Mandala 8), ao búfalo (Mahisa), ao leão (Simha) e ao Gaur (tipo de bisão indiano) no Rigveda.[12] O pavão(Mayura) e o Chakravaka (Anas casarca) são aves mencionadas no Rigveda.

 

Pontos de vista indianos mais recentes

A percepção hindu do Rigveda transferiu-se do conteúdo ritualístico original para uma interpretação mais simbólica ou mística. Instâncias desacrifício de animais, por exemplo, não são vistas literalmente como matanças, mas como processos transcendentes. O ponto de vista rigvédico é visto como considerando o universo sendo infinito em tamanho, dividindo o conheciemento em duas categorias: inferior(relacionado aos objetos, envolvidos por paradoxos) e superior (relacionado ao sujeito que percebe, livre de paradoxos). Swami Dayananda, que criou a Arya Samaj e Sri Aurobindo enfatizaram uma interpretação espiritual (adhyatímica) do livro.

O rio Sarasvati, louvado no RV 7.95 como o maior rio fluindo da montanha ao mar é às vezes identificado como o rio Ghaggar-Hakra, que se tornou seco talvez antes de 2600 a.C. ou certamente antes de 1900 a.C.. Outros argumentam que o Sarasvati foi originalmente o rioHelmand no Afeganistão. Essas questões relacionam-se ao debate entre a Migração Indo-Ariana (denominado "Teoria da Invasão Ariana") e a reivindicação de que a cultura védica junto ao Sânscrito védico se originaram na Civilização do Vale do Indo, um tópico de grande significado no Nacionalismo Hindu, sendo conduzido, por exemplo, por Amal Kiran e Shrikant G. Talageri. Subhash Kak afirmou que há um código astronômico na organização dos hinos. Bal Gangadhar Tilak, também baseado em alinhamentos astronômicos, reivindicou em seu "The Orion" - O Órion - (1893) a presença da cultura rigvédica na Índia no quarto milênio a.C. e, em seu "Arctic Home in the Vedas" -Lar Ártico nos Vedas - (1903), chegou a argumentar que os arianos teriam se originado perto do polo norte e descido em direção ao sul durante a Idade do Gelo.

Referências

1. Os mais antigos manuscritos ao século 11.

2. Existe uma confusão com o termo Veda, que é tradicionalmente aplicado aos textos associados com o samhita, como Brâmanasou Upanixades. No inglês, o termo Rigveda é geralmente usado para referir-se só ao Rigveda samhita, e textos como o Aitareya-Brahmana não são considerados "parte do Rigveda" mas "associados com o Rigveda" na tradição de um certo shakha.

3. igual a 40 vezes 10,800, o número de tijolos usado para o uttaravedi: o número é motivado numerologicamente e não baseado na verdadeira contagem de sílabas.

4. Oberlies (1998:155) dá uma estimativa de 1100 a. C para os hinos mais jovens no livro 10. Estimativas para um terminus post quemdos hinos mais antigos são muito mais incertas. Oberlies (p. 158), baseado em 'evidência cumulativa', definiu um período de 1700–1100. O EIEC (s.v. Línguas Indo-Arianas, p. 306) dá 1500–1000. É certo que os hinos pós-datam a separação Indo-Iraniana de ca. 2000 a. C. Não pode ser dito que os elementos arcaicos do Rigveda voltam a até somente algumas gerações após aquele período, mas estimativas filológicas tendem a datar o tamanho do texto à segunda metade do segundo milênio.

5. Oldenberg (p. 379) o coloca próximo ao fim do período Brahmana, vendo que Brahmanas mais velhos ainda continham citações rigvédicas pré-normalizadas. O período Brahmana é mais antigo que a composição dos samhitas dos outros Vedas, alongando para aproximadamente o novo ao sétimo séculos. Isso significaria que a redação dos textos como preservados foi completada aproximadamente no sétimo século a. C. O EIEC (p. 306) igualmente dá a data de sétimo século.

6.  O Satapatha Brahmana refere-se ao Vidagdha Sakalya sem discutir nada relacionado ao Padapatha, e nenhum trabalho gramatical refere-se ao Vidagdha como um padakara. Mas o Brahmanda Purana e o Vayu Purana dizem que ele foi o Padakara do RV. O Satapatha Brahmana é mais antigo que o Aitareya Aranyaka. O Aitareya Aranyaka é geralmente datado ao sétimo século a. C. Jha, Vashishtha Narayan. 1992. A Linguistic Analysis of the Rgveda-Padapatha. Sri Satguru Publications. Delhi

7. O Rkpratisakhya do Saunaka também refere-se ao Sthavira Sakalya. Jha, Vashishtha Narayan. 1992. A Linguistic Analysis of the Rgveda-Padapatha. Sri Satguru Publications. Delhi

8. Existe, contudo, menção de ApUpa, Puro-das e Odana (arroz-sopa de aveia) no Rig Veda, termos que, ao menos em textos posteriores, referem-se a pratos de arroz, veja Talageri (2000)

9. O termo "ayas" (=metal) ocorre no Rigveda, mas não existe evidência positiva de que se refere a ferro. "Deveria estar claro que qualquer controvérsia sobre o significado de ayas no Rgveda ou o problema da familiaridade ou não-familiaridade Rigvédica com ferro é insensato. De qualquer jeito, não existe evidência positiva. Pode significar tanto cobre quanto bronze e, estritamente na base dos contextos, não existe motivo para escolher entre os dois." Chakrabarti, D.K. "The Early Use of Iron in India" - O Uso Primitivo do Ferro na Índia (1992) Oxford University Press

10. sumarizadas por Klaus Klostermaier em umapalestra feita em 1998

11. ex. Michael Witzel, The Pleiades and the Bears viewed from inside the Vedic texts (As Plêiades e as Ursas vistas de dentro dos textos védicos), EVJS Vol. 5 (1999), 2a. edição (Dezembro) [1]; Elst, Koenraad. Update on the Aryan Invasion Debate. [S.l.]: Aditya Prakashan, 1999. ISBN 81-86471-77-4; Bryant, Edwin and Laurie L. Patton (2005) The Indo-Aryan Controversy, Routledge/Curzon.

12. Talageri 2000, Lal 2005

 Edições Originais

§   Friedrich Max Müller, The Hymns of the Rigveda, with Sayana's commentary (Os Hinos do Rigveda, com o comentário de Sayana) , Londres, 1849-75, 6 vols., 2a. ed. 4 vols., Oxford, 1890-92.

§   Theodor Aufrecht, 2a. ed., Bonn, 1877.

§   V. K. Rajawade et. al., Rigveda-samhita with the commentary of Sayanacarya (Rigveda-samhita com o comentário de Sayanacarya), Pune, 1933-46, 5 vols. Reimpressão 1983.

§   B. van Nooten und G. Holland, Rig Veda, a metrically restored text (Rig Veda, um texto restaurado metricamente), Department of Sanskrit and Indian Studies (Departamen to de Estudos Sânscritos e Indianos), Harvard University (Universidade de Harvard), Harvard University Press, Cambridge, Massachusetts e Londres, Inglaterra, 1994.

Edições Traduzidas

§   Latim: F. Rosen, Rigvedae specimen, Londres, 1830

§   Francês: A. Langlois, Paris 1948-51 ISBN 2-7200-1029-4

§   Inglês: Ralph T.H. Griffith, Hymns of the Rig Veda (Hinos do Rig Veda) (1896)

§   Alemão: Karl Friedrich Geldner, Der Rig-Veda: Aus dem Sanskrit ins Deutsche übersetzt Harvard Oriental Studies, vols. 33, 34, 35 (1951), reimpresso pela Harvard University Press (2003) ISBN 0-674-01226-7

§   Russo: Tatyana Ya. Elizarenkova, Nauka, Moscou 1989-1999.

Bibliografia

 

Comentários

§   Sayana (século XIV), ed. Müller 1849-75

§   Sri Aurobindo: Hymns of the Mystic Fire - Commentary on the Rig Veda (Hinos do Fogo Místico - Comentário sobre o Rig Veda), Lotus Press, Twin Lakes, Wisconsin ISBN 0-914955-22-5 [3]

 

Filologia

§   Thomas Oberlies, Die Religion des Rgveda, Viena 1998.

§   Oldenberg, Hermann: Hymnen des Rigveda. 1. Teil: Metrische und textgeschichtliche Prolegomena. Berlim 1888; Wiesbaden 1982.

§   — Die Religion des Veda. Berlim 1894; Stuttgart 1917; Stuttgart 1927; Darmstadt 1977

§   — Vedic Hymns, The sacred books of the East vo,l. 46 ed. Friedrich Max Müller, Oxford 1897

 Históricos

§   Frawley David: The Rig Veda and the History of India (O Rig Veda e a História da Índia), 2001.(Aditya Prakashan), ISBN 81-7742-039-9

§   N. Kazanas, Uma Nova data para o Rgveda (em inglês) Philosophy and Chronology, (2000) ed. G C Pande & D Krishna, edição especial do Journal of Indian Council of Philosophical Research - Junho, 2001)

§   Lal, B.B. 2005. The Homeland of the Aryans. Evidence of Rigvedic Flora and Fauna & Archaeology (A Terra Natal dos Arianos. Evidência da Flora, da Fauna e da Arqueologia), Nova Deli, Aryan Books International.

§   Talageri, Shrikant: The Rigveda: A Historical Analysis (O Rigveda:Uma Análise Histórica), 2000. ISBN 81-7742-010-0

Arqueoastronomia

§   Kak, Subhash: The Astronomical Code of the Rigveda ( O Código Astronômico do Rigveda), Deli, Munshiram Manoharlal, 2000, ISBN 81-215-0986-6.

§   Tilak, Bal Gangadhar: The Orion (O Órion), 1893.

 Fonte:

Wikipédia

 < Voltar para a Página Principal >

 

23.3.18 - SAMAVEDA

O Samaveda (Sânscrito: सामवेद, sāmaveda, um composto tatpurusha de sāman "canto ritual" + veda "sabedoria" ), é o terceiro, na ordem normal de enumeração dos quatro Vedas, as antigas escrituras hindus.


O Samaveda fica em segundo lugar na santidade e importância litúrgica depois do Rigveda ou Veda da Louvação Recitada. O seu Sanhita (samhita), ou porção métrica, consiste principalmente de hinos a serem cantados pelos sacerdotes Udgatar na execução destes importantes sacrifícios nos quais o suco da planta Soma, clarificado e misturado com leite e outros ingredientes, era oferecido em libação a várias deidades.
A Coleção é feita de hinos, porções de hinos e versos destacados, tirados principalmente do Rigveda, transpostos e re-organizados, sem referência à sua ordem original, para adaptarem-se às ceremônias religiosas às quais eles eram empregados. Não pretendia-se que os versos fossem cantados, mas sim cantados em específicas melodias usando os sete svaras ou notas. Tais músicas são chamadas Samagana e, nesse sentido, o Samaveda é realmente um livro de hinos.


Nestes hinos compilados, há variações freqüentes, de maior ou menor importância, do texto do Rigveda como possuímos agora, em que as variações, embora, em alguns casos, sejam aparentemente explanatórias, parecem, em outros, ser mais antigas e originais que as leituras do Rigveda. No canto, os versos ainda são alterados por prolongação, repetição e inserção de sílabas, e várias modulações, descansos e outras modificações perscritas, para a orientação dos sacerdores excercentes, nos Ganas ou Livros de Canções. Dois destes manuais, o Gramageyagana, ou Congregacional, e o Aranyagana ou Livro de Canções da Floresta, seguem a ordem dos versos da Parte I, do Sanhita, e os outros dois, o Uhagana, o Uhyagana, da Parte II. Esta parte é menos deslocada que a Parte I, e é geralmente organizada em trios dos quais o primeiro verso é geralmente a repetição de um verso que ocorreu em uma Parte I.


O Samaveda sobrevive em uma única shakha ou versão, o Kauthuma shakha, com um segundo shakha, Jaiminiya (ou Talavakara), sobrevivendo fragmentariamente, o Jaiminiya Samhita. Do Jaiminiya shakha, também temos oJaiminiya Brahmana, o Jaiminiya Upanishad Brahmana e o Kena Upanishad.
Fonte: Wikipédia

 < Voltar para a Página Principal >

23.3.19 - YAJUR VEDA

O Iajurveda (também grafado Yajurveda ou Yajur Veda; sânscrito: यजुर्वेदः yajurveda, um composto tatpurusha de yajus "sacrifício" + veda "sabedoria") é um dos quatro Vedas hindus. Contém textos religiosos com foco na liturgia, rituais e sacrifícios, e como executar os mesmos. O Yajurveda foi escrito durante o período Védico entre 1500 a.C. e 500 a.C., junto dos outros Vedas. (ver Vedas)

Coleções

Existem duas coleções primárias ou samhitas do Iajurveda: Shukla ("branco") e Krishna ("negro"). Ambos contêm os versos necessários para rituais, mas o Iajurveda Krishna tem comentários de prosa adicionais e instruções detalhadas sobre o próprio trabalho.
[editar]Iajurveda Krishna
Existem quatro versões do Yajurveda Negro:
taittirīya samhita (TS)
maitrayani samhita (MS)
caraka-katha samhita (KS)
kapisthala-katha samhita (KapS)
O melhor conhecido destes é o TS, que foi batizado com o nome de Tittiri, um aluno de Yaska. Consiste de oito livros ou kandas, subdivididos em capítulos ou prapathakas, mais adiante subdivididos em hinos individuais.
Alguns hinos individuais ganharam importância no hinduísmo, ou seja, TS 4.5 e 4.7, correspondem ao Shri Rudram Chamakam, e 1.8.6.i ao mantra Shaivaite Tryambakam. A fórmula bhūr bhuvah suvah prefixada ao (rigvédico) Gayatri mantra também é do Iajurveda, aparecendo quatro vezes.
Cada uma das versões tem um brâmana associado, e alguns deles também tem Shrautasutras, Grhyasutras, Aranyakas, Upanishads e Pratishakhyas associados.


Iajurveda Shukla
O Iajurveda Shukla tem duas versões:
Vajasaneyi Madhyandiniya
Vajasaneyi Kanva


O primeiro é popular no Norte da Índia e Orissa e é, de longe, a maior tradição védica seguida entre os hindus no país, em termos de população.
O shakha Kanva é restrito a Kerala e Tamila Nadu. Jagadguru Adi Shankara é dito de ter seguido esta versão. Os rituais védicos do famoso templo de Ranganathaswamy, o maior templo da Índia, são executados de acordo com esse Shakha.
Tradições védicas dizem que Yajnavalkya tinha sérias diferenças com o seu professor Vaishampayana, de quem ele tem estudado as coleções do Iajurveda. Em uma ocasião, Vaishampayana estava tão enfurecido com Yajnavalkya que pediu que ele devolva todo o conhecimento adquirido. Yajnavalkya vomitou tudo o que aprendeu, na forma de carne. Os outros discípulos de Vaishampayana assumiram a forma de pássaros tittiriya e comeram a carne, ansiosos para receber o conhecimento. Assim, o trabalho veio a ser chamado de Taittiriya Samhita ("comido por pássaros taittiriya").
- Depois de ter vomitado o conhecimento adquirido de seu professor, Yajnavalkya adorou o Deus do Sol Surya (também conhecido como Aditya) com grande penitência. Agradado, Surya ensinou a Yajnavalkya novas porções do Yajurveda. Estas porções foram colecionadas pelo nome de Shukla Yajurveda.
O shukla Iajurveda também é prominente pelos seus dois grandes Upanixades: o Isa Vasya e o Brihadaranyaka. O último é o maior de todos os Upanishads e também é considerado como sendo o Upanixade Shreshtha, ou o mais refinado de todos os Upanixades.

Bibliografia

Ralph Thomas Hotchkin Griffith, The Texts of the White Yajurveda. Translated with a Popular Commentary (1899).
Devi Chand, The Yajurveda. Sanskrit text with English translation. Third thoroughly revised and enlarged edition (1980).
The Sanhitâ of the Black Yajur Veda with the Commentary of Mâdhava Achârya, Calcutta (Bibl. Indica, 10 volumes, 1854-1899)
Kumar, Pushpendra, Taittiriya Brahmanam (Krsnam Yajurveda), 3 vols., Delhi (1998).

Fonte:Wikipedia

 < Voltar para a Página Principal >

 

23.3.20 -  ATHARVA VEDA

O Atarvaveda (também grafado Atharvaveda ou Atharva Veda; em sânscrito: अथर्ववेद, atharvavéda, um compostotatpurusha de atharvān, um tipo de sacerdote, e veda que significa "conhecimento") é um texto sagrado dohinduismo, parte dos quatro livros dos Vedas: o quarto Veda . De acordo com a tradição, o Atharvaveda foi principalmente composto por dois grupos de rishis conhecidos como os Bhrigus e os Angirasas. Adicionalmente, tradições atribuem partes a outros rishis, tais como Kauśīka, Vaśīstha e Kasyapa. Existem duas versões sobreviventes (śākhās) conhecidos como Śaunakiya (AVS) e Paippalāda (AVP).

 

Posição

O Atharvaveda, enquanto indubitavelmente pertencente ao corpo védico principal, de algumas maneiras representa uma tradição paralela independente àquela do Rigveda e o Iajurveda.

Os textos jainistas e budistas são consideravelmente mais hostis ao AV (eles o chamam Aggvāna ou Ahavāna Veda) do que eles são a outros textos hindus. Eles até o chamam de Veda não-ariano preparado pela tradição Paippalādapara sacrifícios humanos. Os textos hindus também têm tido uma visão menos que caridosa e têm, em ocasiões, omitido a referência ao texto Atharvān no contexto de literatura védica, embora alguns atribuam isso ao fato de que o Atarvaveda foi uma adição posterior cronologicamente. Os próprios Pariśiśhthas atarvanos (apêndices) afirmam que sacerdotes específicos de escolas Mauda e Jalada deveriam ter evitado. É até afirmado que mulheres associadas ao Atharvān poderiam sofrer abortos.

 

Versões:

O Caranavyuha (atribuído a Shaunaka) lista nove shakhas, ou "escolas", do Atarvaveda:

1.    paippalāda

2.    stauda

3.    mauda

4.    śaunakiya

5.    jājala

6.    jalada

7.    brahmavada

8.    devadarśa

9.    chāranavidyā

 

Referências

Maurice Bloomfield, Hymns of the Atharva-veda, Sacred Books of the East, v. 42 (1897, at sacred-texts.com)

Alexander Lubotsky, Atharvaveda-Paippalada, Kanda Five Harvard College, (2002)

Thomas Zehnder, Atharvaveda-Paippalada, Buch 2 Idstein, (1999).

Fonte: Wikipédia -

 < Voltar para a Página Principal >

 

23.3.21 - YOGA SUTRAS

Os Ioga Sutras, ou Aforismos da Ioga) são o texto clássico que codificou o conhecimento tradicional sobre a ioga. Foi escrito por Patañjali, renomado siddha nascido na região a noroeste da Índia, e que obteve notoriedade ensinando a ioga no sul daquele país. Acredita-se que tenha vivido por volta da época de Siddharta Gautama, o Buda, no século V a.C., ou pouco tempo depois.

O texto se compõe de 196 aforismos divididos em quatro capítulos que tratam do método do Yoga para libertar o praticante das transformações materiais e da morte (sutra IV, 33) devolvendo-o à sua natureza autêntica (sutras IV, 34 e I, 3). Os quatro capítulos são os seguintes:

 

1. Samāadhi Pāada - trata da definição do samadhi, que é um estado meditativo da mente, e dos processos para alcançar esse estado;

2. Sādhana Pāda - trata da prática que leva ao estado meditativo, e dos obstáculos que podem ser encontrados;

3. Vibhūti Pāda - trata dos resultados obtidos com a prática da meditação profunda (samyama), que são conhecimentos e habilidades especiais;

4. Kaivalya Pāda - trata do objetivo final do Yoga proposto nos Sutras, que é o estado de identificação do praticante com todo o Universo, produzindo o isolamento (Kaivalyam) que dá nome ao capítulo.

 

O Yoga ensinado nos Sutras é conhecido como Raja Yoga, Yoga Clássico ou Yoga do Samkhya. De fato é do Sistema Samkhya que os Sutras extraem a teoria que dá sustentação à sua proposta prática.

 

Sutras são um tipo de composição literária sânscrita que tem a finalidade de facilitar a memorização de um assunto complexo. Extremamente concisos, apresentam o assunto de forma linear, em que cada aforismo decorre naturalmente do anterior. Seu estilo de compor o assunto com pouquíssimas palavras torna muito difícil sua leitura, ainda que facilite a memorização. Por essa razão os sutras são frequentemente acompanhados por comentários mais extensos produzidos por mestres de várias épocas, com vistas ao melhor entendimento de seu conteúdo.

O mais celebrado comentário aos Sutras de Patanjali é conhecido como Mahabhashya, de autoria atribuída a Vyasa Deva (o mesmo autor do épico Mahabharata). Em que pesem as dúvidas sobre a identidade de seu verdadeiro autor, esse comentário é o mais autoritativo sobre os Sutras do Yoga.

Acredita-se que o quarto capítulo dos Sutras possa ter sido composto muito tempo depois dos outros três, como uma reação ao crescimento do Budismo pelo norte da Índia. Não há evidências desse fato, além da análise literária do conteúdo do próprio texto.

 

Bibliografia

  • Heinrich Zimmer, compilado por Joseph Campbell, Filosofias da Índia

 

Fonte: Wikipedia

 < Voltar para a Página Principal >

23.3.22 - KAMA SUTRA

Kamasutram, geralmente conhecido no mundo ocidental como Kama Sutra, é um antigo texto indiano sobre o comportamento sexual humano, amplamente considerado o trabalho definitivo sobre amor na literatura sânscrita. O texto foi escrito por Vatsyayana, como um breve resumo dos vários trabalhos anteriores que pertencia a uma tradição conhecida genericamente como Kama Shatra.

“Ao contrário do que muitos pensam, o Kama Sutra não é um manual de sexo, nem um trabalho sagrado ou religioso.

Ele também não é, certamente, um texto tântrico. Na abertura de um debate sobre os três objectivos da antiga vida hindu - Darma, Artha e Kamadeva - a finalidade do Vatsyayana é estabelecer kama, ou gozo dos sentidos, no contexto. Assim, Darma (ou vida virtuosa) é o maior objetivo, Artha, o acúmulo de riqueza é a próxima, e Kama é o menor dos três.” — Indra Sinha.[1]

Kama é a literatura do desejo. Já o Sutra é o discurso de uma série de aforismos. Sutra foi um termo padrão para um texto técnico, assim como o Yôga Sútra de Pátañjali. O texto foi escrito originalmente como Vatsyayana Kamasutram (ou "Aforismos sobre o amor, de Vatsyayana"). A tradição diz que o autor foi um estudante celibatário que viveu em Pataliputra, um importante centro de aprendizagem. Estima-se que ele tenha nascido no início do século IV. Se isso for correto Vatsyayana viveu durante o ápice da Dinastia Gupta, um período conhecido pelas grandes contribuições para a literatura Sânscrita e para cultura Védica.

Trechos do livro

 Posição ilustrada no Kama Sutra

  • "Foi dito por alguém que não há ordem ou momento exatos entre o abraço, o beijo e as pressões ou arranhões com as unhas ou dedos, mas que todas essas coisas devem ser feitas, de um modo geral, antes que a união sexual se concretize, ao passo que as pancadas e a emissão dos vários sons devem ocorrer durante a união. Vatsyayana, entretanto, pensa que qualquer coisa pode ocorrer em qualquer momento, pois o amor não se incomoda com o tempo ou ordem."

  • "Quando o amor se intensifica, entram em jogo as pressões ou arranhões no corpo com as unhas. As pressões com as unhas, entretanto, não são comuns senão entre aqueles que estejam intensamente apaixonados, ou seja, cheios de paixão. São empregadas, juntamente com a mordida, por aqueles para quem tal prática é agradável."

ver Tantrismo

Fonte:Wikipédia

 < Voltar para a Página Principal >

23.3.23 - PURVAS

Os catorze Purvas , traduzido como conhecimento prévio ou antigas, são uma grande massa de escrituras Jain que foi pregado por todos os Tirthankaras (professores onisciente) do jainismo abrangendo toda a gama de conhecimentos disponíveis neste universo. As pessoas que têm o conhecimento de Purvas receberam um status elevado de srutakevali ou "onisciente pessoas biblicamente". 

 

Tanto o Jain tradições, Svetambara e Digambara sustentam que todos os quatorze Purvas ter sido perdida. [ 1 ] Segundo a tradição, o Purvas faziam parte da literatura canônica e depositados na terceira seção do Dr stivada (o décimo segundo e último cânone).

 

Conhecimento de Purvas tornou-se bastante vulnerável após o Senhor Mahaviras nirvana (liberação) por conta dos efeitos da fome, de tal forma que, eventualmente, apenas uma pessoa - Bhadrabahu Svami tinha um comando sobre ele. De acordo com a profecia de Mahavira, o conhecimento da Purvas morreu dentro de mil anos de seu nirvana e, eventualmente, toda a Drstivada desapareceu também. ( Bhagvati Sutra 20,8) [ 2 ] No entanto, uma tabela detalhada do conteúdo do Drstivada eo Purvas sobreviveu na quarta Anga,Samavāyānga e Nandīsūtra. Além disso, alguns trechos de Drstivada e Purvas se diz ter sobrevivido emSatkhandāgama e Kasāyaprabhrta, especialmente a doutrina do Karma .

 

Matérias do Purvas

Foram catorze Purvas contendo várias descrições e detalhes:

1.     Utpaad Purva - Viver (Jiv), não-vivos (Ajiv), e seus modos (paryaya);

2.     Agrayaniya Purva - Nove realidades ( Navtattva ), seis substâncias ( Shad-dravya ), etc;

3.     Viryapravada Purva - relacionadas com a energia da alma, não vivos, etc;

4.     Asti Nasti Pravada Purva - Multiplicidade de pontos de vista ( Anekāntvād ), Saptabhangi, etc;

5.     Jnana Prāvada Purva - Cinco tipos de conhecimento e três tipos de ignorância, etc;

6.     Satya Pravada Purva - Relativo a, contenção verdade, o silêncio (Maun), fala, etc;

7.     Atma pavada Purva - Análise da alma de pontos de vista diferentes (naya);

8.     Karma Pravada Purva - Teoria do karma , o seu cativeiro, o influxo, a sua fruição da natureza, derramamento;

9.     Pratyakhyana Purva - Desistir (Pachchhakhän), contenção, votos, o desapego, etc;

10.  Vidya Pravāda Purva - Especialização (vidya), habilidades excepcionais, prática;

11.  Kalyana Pravada Purva - alerta Espiritual (Apramäd) e preguiça (Pramäd);

12.  Prana Pravada Purva - Dez tipos de substâncias de vida ou vitalidades (Pran), duração, etc;

13.  Kriya Visala Purva - Skills, 64 de artes das mulheres, 84 homens de artes, etc;

14.  Lokbindus ā Purva - Três partes do universo, incluindo céus e infernos, matemática, etc.

 

O conteúdo do Purvas era tão grande, que a tradição diz que, o primeiro é escrito pelo volume de tinta que é equivalente ao tamanho de um elefante. A segunda é duas vezes maior, e um terço é duas vezes maior do que um segundo e assim por diante. Dizia-se que, todos os esforços para descrever o conhecimento de Purva nas palavras foram em vão. Ela forneceu informações detalhadas sobre seis tipos de reais ou substâncias, todos os tipos de seres vivos, as coisas que deviam existir para o tempo eterno, aqueles que viriam a existir por um tempo transitório e seu tempo de extinção, cinco tipos de conhecimento, verdade, alma, karma, mantras, os benefícios de austeridades, o estilo de vida de ascetas e chefes de família, nascimento, morte e uma descrição detalhada de todo o universo. Ele também continha vários saberes sobre o nível de habilidades excepcionais, incluindo a realização dos vários poderes mágicos.

 

 

O Srutakevalis

As pessoas que têm o conhecimento de Purvas eram conhecidos como srutakevali ou "onisciente pessoas biblicamente". [ 3 ] Eles estavam a um passo de atingir iluminado ou Kevala Jnana . As seguintes pessoas tinham conhecimento de Purvas após o senhor Mahavira :

1. Ganadhara Gautama Svami
2. Ganadhara Sudharma Svami
3. Jambu Svami

 

Estas três pessoas, também atingido Kevala Jnana ou iluminação e foram posteriormente liberadas. Depois de Jambu Svami, os Chefes seguinte da Ordem Jaina que eram seus sucessores tinham conhecimento de toda a 14 Purvas: 

1. Prabhava
2. Sayyambhava
3. Yashobhadra
4. Sambhutavijaya
5. Bhadrabahu
6. Sthulibhadra
- Embora ele disse ter tido conhecimento de todos os 14 Purvas, o significado das últimas quatro Purvas não foi revelado a ele.
[ 4 ]
 

Referências:

1.        Jaini, Padmanabh (1998). O Caminho da Purificação Jaina. Nova Deli: Banarsidass Motilal. ISBN 81-208-1578-5 .

2.      Dundas, Paul, John Hinnels ed. (2002). Os jainistas. London: Routledge. ISBN 0-415-26606-8 p.68

3.      Jaini, Padmanabh (1998). O Caminho da Purificação Jaina. Nova Deli: Banarsidass Motilal. ISBN 81-208-1578-5 .

4.      Hemacandra, Parishishtaparvam Ed. H. Jacobi. Calcutta 1891. 2 ª ed. IX Verso pp 55-76

5.      Jacobi, Hermann (1884). Sūtra Ācāranga, Jain Parte I sutras, livros sagrados do Oriente, vol. 22. .

6.      Roy, Ashim Kumar (1984) A História dos jainistas Nova Deli: Editora Gitanjali

 

Fonte:Wikipedia

 

 

23.3.24 - TAO TE CHING

O Tao Te Ching (em chinês: Loudspeaker.svg道德經) ou Dao de Jing, comumente traduzido pelo nome de "O Livro do Caminho e da sua Virtude" , é um dos antigos escritos chineses mais conhecidos e importantes. A tradição diz que o livro foi escrito em cerca de 600 a.C. por um sábio que viveu na Dinastia Zhou chamado Lao Tzi ("Velho Mestre"), como um livro de provérbios relacionados com o Tao , e que acabou servindo como obra inspiradora para diversas religiões e filosofias, em especial o Taoísmo e o Budismo Chan (e sua versão japonesa o Zen).

 

Cosmogonia no Tao Te Ching

As ideias cosmogónicas e metafísicas do Tao Te Ching de acordo com algumas ramificações do taoísmo podem ser definidas da seguinte forma:

Tudo nasce do vazio indiferenciado, imensurável, insondável, que nunca pode ser exausto: «o Tao sem nome», que se move em torno de si mesmo sem parar. Deste «Tao sem nome» (que não existe) nasce o que existe (e tem nome): O Caminho (Tao). Não vemos o Tao como Um por causa dos nomes com que designamos o que vemos com os nossos sentidos - as «dez mil coisas» (O caracter chinês que significa «dez mil» Tenthousandchinese.jpgé usado, como aliás também no grego, para significar uma míriade, ou seja, um número grande e indefinido.) É com o aparecimento dos nomes que aparecem todas as coisas e o Um se transforma em muitos.

 

A Virtude (Te) é a manifestação do Tao através da sua misteriosa operação: o chamado «agir não agindo» - a acção involuntária que caracteriza a natureza das coisas - «O modo de Caminhar».

 

A partir destas ideias cosmogónicas e metafísicas, Lao Tzi deduz um sistema de moral e regras de conduta que tem por objectivo conformar as acções humanas com a ordem natural do Universo. O Homem nasceu do Tao mas depois começou a desviar-se dos seus atributos, ou seja, perdeu a Virtude - o saber como Caminhar. É uma queda que lembra a queda que se seguiu à expulsão de Adão e Eva do Paraíso, segundo a Bíblia. O Caminho do Tao é o caminho de volta ao estado de graça em harmonia com o Tao (o chamado «regresso precoce»).

Tao é normalmente traduzido como Caminho ou Via. Mas apenas por parecer ser «o melhor que se pôde arranjar». De facto, o caminho não se distingue do caminhante ou do caminhar. Não há criador. O universo (o Céu e a Terra) apareceu (e aparece continuamente) a partir do Tao primordial. O que existe aparece do que não existia antes e é eterno. O universo é como um organismo vivo resultante da expansão vitalizada do Tao (a ordem natural, a providência).

 

O Tao manifesta-se continuamente no fluxo e refluxo constante de todas coisas que existem e que foram criadas pela sua atividade.

 

O Tao não tem personalidade. O que vitaliza o universo são dois princípios ou substâncias que combinados são o Tao: o yang (luz, calor, criativo, masculino) - que existe especialmente concentrado no Céu - e o yin (sombra, frio, receptivo, feminino) - que existe especialmente concentrado na Terra.

 

Vários filósofos taoístas chineses entendem os versículos que expõem as idéias cosmogónicas sobre o início do universo como sendo, de facto ou também, a descrição do modo como a consciência da realidade externa emerge na nossa mente.

 

Quando vemos uma cor ou ouvimos um som, há um momento breve inicial em que o nosso cérebro ainda não fez um julgamento sobre a nossa percepção; não sabemos ainda que som ou cor é, nem sequer temos ainda uma consciência clara que estamos a ouvir ou ver alguma coisa. Estamos no domínio «do sem nome», do vazio indiferenciado que nunca pode ser exausto ou descrito. Depois, quando emerge a consciência e o pensamento, que tem por base a linguagem, passamos ao domínio «do que tem nome» e vemos então todas coisas diferenciadas, cada uma com o seu nome. É com o aparecimento dos nomes que aparecem todas as coisas e o Um se transforma em muitos.

 

Em termos mentais, o Caminho do Tao é o caminho de volta a esse breve «estado de graça» inicial. Um estado em que qualquer trabalho mental interior é eliminado e em que regressamos à nossa espontaneidade natural. As práticas dos Budismos Chan e Zen, que tiveram a sua origem nas idéias taoistas, têm como objetivo exatamente atingir esse estado mental primordial de fusão paradoxal com o Um.

 

Origens

Como a maior parte das figuras mitológicas dos fundadores de religiões , a vida do escritor do Tao Te Ching , Lao Tzu é envolto em lendas. Segundo a tradição Lao Tzi nasceu no sul da China cerca de 604 a.C sendo superintendente judicial dos arquivos imperiais em Loyang, capital do estado de Ch'u. Desgostoso pelas intrigas da vida na corte, Lao Tzi decidiu afastar-se da sociedade seguindo para as Terras do Oeste. Montado em uma carroça guiada por um boi , seguiu viagem, mas ao atravessar a fronteira, um dos seus amigos, o policial Yin-hsi, o reconheceu e lhe pediu que escrevesse seus ensinamentos antes de partir. Lao Tzi então escreveu o pequeno livro conhecido posteriormente como o Tao Te Ching , e partiu em seguida. Segundo a história, morreu em 517 a.C. Lao Tzi foi canonizado pelo imperador Han entre os anos 650 a.C. e 684 a.C.

 

Trata‑se de um texto filosófico relativamente curto, com pouco mais de 5000 caracteres, que era originariamente conhecido como o Lao Tse (老子, que significa Velho Mestre) ou como o Texto de cinco mil palavras (五千字文, wǔqiān zìwén).O seu nome atual vem das palavras que iniciam cada uma das duas secções principais em que é hoje normalmente dividido, chamadas Livro do Tao (道經, dào jīng) e Livro do Te (德經, dé jīng). A palavra Ching (, jīng) designa um livro considerado como um clássico. Tao (, dào), que significa «via» ou «caminho», é o nome usado para designar o que há de mais profundo e misterioso na realidade, e Te (, dé), que significa «virtude» ou «conduta», é o nome usado pelos taoistas para designar a sua manifestação no mundo. A escola de pensamento taoista (道家, dào jiā) ficou explicitamente identificada com a palavra Tao, por ter atribuído conotações novas a este termo, associando‑o a uma abordagem diferente do conceito de Realidade Última. Os mais recentes estudos apontam para que o Tao Te Ching tenha sido escrito entre 460 a.C. e 380 a.C. A versão mais antiga que se conhece do Tao Te King foi encontrada em 1993, em Guodian, na China, num túmulo datado do período de meados do século IV ao início do século III a.C. Está escrita numa série de réguas de bambu, cada uma das quais contém cerca de vinte caracteres. O texto passa de uma régua para outra sem qualquer pontuação ou divisão em parágrafos ou capítulos. De todas as versões que chegaram até aos nossos dias a que é normalmente considerada como sendo a mais fiável é a que acompanha os comentários ao Tao Te King escritos por Wang Pi (王弼, wángbì; n.226 – f. 249 d.C.). [1]

 

Interpretação

As diversas correntes do pensamento religioso e filosófico através dos tempos atribuiram milhares de interpretações diferentes ao sentido do Tao Te Ching. Porém , o tema principal do livro é localizado em seu primeiro provérbio: "O Tao que pode ser dito não é o Tao Verdadeiro". O Tao Te Ching situa a origem de todas as coisas no Tao (Caminho, Senda), que longe do conceito de Deus nas religiões deístas, é um príncipio inimaginável, inenarrável, eterno e absoluto, que não pode ser compreendido, já que qualquer tentativa de classificá-lo, cria uma dicotomia que não pode existir em algo Eterno e Absoluto. Já que o Tao não pode ser compreendido, o Tao Te Ching enfatiza que não existem meios de manipulá-lo. Logo os seres devem viver uma vida simples, sem grandes questionamentos morais ou filosóficos, onde se enfatize o "não-agir" (a "não-acção",wu wei,無為 ), isto é, deixar-se guiar pelo curso natural e lógico dos eventos do universo. O homem que seguir este príncipio acaba liberto das vicissitudes da vida, e se torna o "Homem Santo" celebrado no Taoísmo.

Uma filosofia deste tipo, logicamente quebra todos os conceitos e tentativas do homem controlar seu destino e demonstra que toda tentativa de se criar uma religião, uma sociedade política ou moral acaba sempre sendo infrutífera.

Fonte:Wikipédia

 < Voltar para a Página Principal >

 

23.3.25 - AVESTA

Avesta é o nome das mais antigas escrituras do zoroastrismo, da Pérsia que datam de 500 a.C..
A base do Avesta é um conjunto de hinos (ou gathas) que falam do deus criador Ahura Mazda.
Inclui:

  •  Yasna: liturgia

  •  Khorda Avesta: preces comuns

  •  Visperad: liturgia

  •  Vendidad: mitos, observâncias religiosas



Gathas
O Gathas é um livro pequeno, com 17 cânticos compostos por Zaratustra Spitama em avéstico antigo, para melhor, e de forma mais eficaz, transmitir a mensagem que trouxe. A palavra gathas significa cânticos. O Gathas tem uma linguagem precisa e concisa, sem uma lista de mandamentos e um tratado doutrinário. Pelo contrário, é apenas uma expressão espontânea de questões comuns a todos os seres humanos, em todas as épocas e lugares.
Compostos há mais de três mil anos, os 17 mantras do Gathas querem ser o ponto de partida, os provocadores do pensamento; não fecham, nem concluem, antes, abrem as portas e convidam para uma longa e estimulante jornada de buscas e descobertas.

Os cinco Gathas
Os Gathas, consistindo de 17 cânticos, são também divididos em cinco grupos, de acordo com a sua métrica original.

  •  Os primeiros sete cânticos são chamados de Ahunavaiti Gâthâ (Os Gathas que transmitem Ahuna: o princípio da livre escolha).

  •  Os quatro cânticos seguintes são: Ushtavaiti Gâthâ (Os Gathas que transmitem Ushta).

  •  Os quatro cânticos da frente são: Spentâ Mainyu Gâthâ (Os Gathas da Mentalidade Progressista).

  •  O cântico em seguida é: Vohu Khshathra Gâthâ (O Gatha da Boa Organização).

  •  O cântico final, incluindo o  Airyemâ Ishyâ é: Vahishtâ Îshti Gâthâ (O Gatha do melhor desejo).



Preservação e sobrevivência do Gathas
A sobrevivência do Gathas até os dias de hoje é resultado de uma história triste com final feliz.
Quando a dinastia Sassânida ganhou a coroa Kayanian, no ano de 224 a.D. na Pérsia, a língua de Zaratustra tinha se tornado desconhecida e misteriosa.
O Gathas havia sido incorporado numa coleção de escritos posteriores agora conhecidos como Avesta. Esse material só sobreviveu traduzido, comentado e interpretado na língua palavi dos sassânidas.
A queda do Império Sassânida no ano de 630 a.D. e o subseqüente eclipse da religião zoroastriana fez dura a vida dos que continuaram a tradição. Os livros religiosos foram atacados com fúria pelos conquistadores árabes, sobrando do Avesta apenas um terço ou menos. Felizmente o Gathas sobreviveu a essa catástrofe.
O contato continuado entre os zoroastrianos que haviam se refugiado na Índia e os que ficaram no Irã entre os Séculos XV e XVIII a.D., seguido do interesse em estudos orientais por parte de eruditos europeus, ajudou a devolver ao mundo as palavras de Asho Zaratustra. A recuperação do Gathas é relativamente recente. A tradução e os estudos do Gathas hoje disponíveis têm mais ou menos uma centúria. Devemos muito dessa recuperação à curiosidade e paciência dos eruditos ocidentais orientalistas.

O Gathas no Avesta
A posição dada ao Gathas no Avesta testifica sua importância no conjunto. A saudação, que o introduz, chama de ideais os seus pensamentos e palavras e pede que sejam proclamados. Toda vez que os escritores subseqüentes ao Avesta mencionam o Gathas o fazem com grande deferência. Os cânticos de Zaratustra são apontados como orações rituais a serem recitadas em momentos especiais e tidas como inspiradas por Deus.

FONTE: Wikipedia

 < Voltar para a Página Principal >

 

23.3.26 - GURU GRANTH SAHIB

O Guru Granth Sahib é o livro sagrado do Sikhismo.

É uma colectânea de orações e hinos escritos pelos primeiros cinco gurus do Sikhismo, pelo nono guru e por santos do Hinduísmo e do Islão. O texto encontra-se em várias línguas, em escrita gurmukhi.

 

O Guru Granth Sahib encontra-se sempre na sala principal (Darbar Sahib) de um templo sikh (gurdwara). O livro é colocado numa plataforma e coberto com um tecido fino. O primeiro acto de um sikh depois de entrar num templo é ajoelhar-se perante o livro em sinal de respeito.

 

Em 1604 o quinto guru do Sikhismo, o Guru Arjan, juntou os seus escritos aos dos quatro primeiros gurus, dando origem a um primeiro livro conhecido como Adi Granth ("O Primeiro Livro"). Nesse mesmo ano o livro foi instalado no Harimandar Sahib (o Templo de Ouro), em Amritsar. O Guru Gobind Singh decidiu em 1708 que ele seria o guru eterno da comunidade, dando por terminada a sucessão de gurus humanos.

Até 1852 foram feitas cópias à mão do livro; nesse ano surgiria a primeira edição impressa.

Todos os Guru Granth Sahib possuem 1430 páginas. Os sikhs particularmente devotos dedicam-se à leitura ininterrupta do livro (akhand-path), o que representa cerca de 48 horas de leitura. -

Fonte: Wikipédia

 < Voltar para a Página Principal >

 

23.3.27 - KITÁB-I-AQDAS

O Kitáb-i-Aqdas é o livro central da Fé Bahá'í, escrito por Bahá'u'lláh, fundador da religião. Foi escrito em Árabe com o título Árabe de al-Kitáb al-Aqdas (Árabe: الكتاب الاقدس‎), mas é conhecido por seu título em Persa, Kitáb-i-Aqdas (Persa:كتاب اقدس‎ ). Também algumas vezes chamado de "Aqdas", "o Livro mais Sagrado" ou "o Livro das Leis".

Considerado pelos Bahá'ís como o principal livro dos ensinamentos da Fé, não sendo, entretanto, apenas um livro de leis, possuindo também conceitos éticos de indivíduos, grupos ou lugares. O Kitáb-i-Aqdas também discute o estabelecimento das instituições administrativas da Fé Bahá'í, bem como práticas religiosas, recomendações pessoais e sociais, exortações éticas, princípios sociais, diversas leis, obrigações, e profecias.

Índice

O Kitáb-i-Aqdas é suplementado pelo

·         "Perguntas e Respostas" ', que consiste em 107 perguntas submetidas a Bahá'u'lláh por Zaynu'l-Muqarrabin a respeito da aplicação das leis e das respostas de Bahá'u'lláh para aquelas perguntas.

·         "Alguns Textos Suplementares Revelados por Bahá'u'lláh"

·         "Sinopse e Codificação das Leis e Mandamentos", preparados por Shoghi Effendi

·         Notas explicativas preparadas pela Casa Universal de Justiça

O livro foi dividido em seis temas principais no "Sinopse e Codificação" por Shoghi Effendi:

1.    A nomeação de `Abdu'l-Bahá como o sucessor de Bahá'u'lláh e intérprete de seus ensinamentos.

2.    Prenúncio da Instituição da Guardiania

3.    A Instituição da Casa de Justiça

4.    Leis, Mandamentos e Exortações.

5.    Admoestações, Reeprensões e Advertências Específicas

6.    Assuntos Diversos

Adiante, as leis foram dividas em quatro categorias:

A. Oração

B. Jejum

C. Leis de Caráter Pessoal

D. Leis, Mandamentos e Exortações Diversos

Leis do Kitáb-i-Aqdas

Algumas leis e ensinamentos do Kitáb-i-Aqdas, de acordo com os ensinamentos Bahá'ís, não são intencionados para serem aplicados no tempo presente; suas aplicações dependem nas decisões da Casa Universal de Justiça. Veja também Leis bahá'ís para leis em práticas nas comunidades Bahá'ís.

Oração

Bahá'ís entre 15 a 70 anos de idade executam uma oração obrigatória diária, e podem escolher diariamente entre três deles, que são acompanhados dos rituais específicos, e precedidos por abluções. Durante a oração obrigatória os Bahá'ís se direcionam ao Qiblih, que é o Santuário de Bahá'u'lláh em Bahji. As pessoas estão isentas das orações obrigatórias quando estiverem doente, em perigo, ou as mulheres durante seus períodos.

A oração congregacional é proibida, com exceção no caso das Orações aos Mortos.

Jejum

O jejum Bahá'í é realizado do nascer do sol ao pôr-do-sol no mês Bahá'í de `Alá' de 2 de Março até 20 de Março. Durante esse tempo os Bahá'ís de boa saúde entre as idades de 15 a 70 anos abstém-se de alimentar e beber. As isenções para o jejum são para as pessoas que estão viajando, doentes, grávidas, nutrindo, menstruando, ou comprometidos a trabalhos pesados. Declarar jejuar fora do período prescrito do jejum é permissível, e encorajado quando for feito em benefício à humanidade.

Leis de Caráter Pessoal

Casamento e Divórcio

No Kitáb-i-Aqdas o casamento é fortemente recomendado, porém não obrigatório. De acordo com os ensinamentos Bahá'ís, a sexualidade é tida como natural e uma extensão do casamento. Entretanto, as relações sexuais são permitidas somente entre homens e mulheres casados. Isto infere a proibição do casamento homossexual ou a poligamia ou qualquer outra relação sexual fora do casamento.

Os Bahá'ís podem casar quando atingem a idade da maturidade (que se fixou em 15 anos), sendo que as leis civis de cada país devem ser obedecidas. É necessário também o consenso dos pais biológicos de ambos os nubentes para que se casem. Para que se realize o casamento, é também requisitado que se pague um dote (do noivo para a noiva) de 19 mithqáls em puro ouro, o mesmo valor se fixa para os habitantes das aldeias, mas em prata. O casamento inter-religioso é permitido e incentivado.

O divórcio é permitido, embora desencorajado, é concedido após um ano de separação, se o par for incapaz de reconciliar suas diferenças.

Herança

No Kitáb-i-Aqdas está mencionado que todos os Bahá'ís devem escrever seu testamento. As outras leis Bahá’í de herança no Kitáb-i-Aqdas aplica-se apenas no caso, em que o indivíduo morre sem deixar um testamento. O sistema de herança prevê a distribuição da propriedade de quem falece entre sete categorias de herdeiros: crianças, esposo, pai, mãe, irmãos, irmãs, e professores com as categorias mais elevadas obtêm uma parte maior. Nos casos onde algumas das categorias do herdeiro não existem a parte cai em parte às crianças e à Assembléia Espiritual Local.

Referencias

·         Bahá'u'lláh. O Kitáb-i-Aqdas: o Livro mais Sagrado. Wilmette, Illinois, USA: Bahá'í Publishing Trust, 1873. ISBN 0-85398-999-0

·         Bushrui, Suheil. O Estilo do Kitáb-i-Aqdas - Aspectos do Sublime. College Park, Maryland, USA: University Press of Maryland, 1995. ISBN 1-883053-08-0

·         Effendi, Shoghi. A Presença de Deus. Wilmette, Illinois, USA: Bahá'í Publishing Trust, 1944. ISBN 0-87743-020-9

·         Hatcher, J.S.. O Oceano de Suas Palavras: Um Guia do Leitor à Arte de Bahá'u'lláh. Wilmette, Illinois, USA: Bahá'í Publishing Trust, 1997. ISBN 0-87743-259-7

·         Rouhani Ma'ani, Baharieh. As Leis do Kitáb-i-Aqdas. Oxford, UK: George Ronald. ISBN 0853984767

·         Taherzadeh, A.. A Revelação de Bahá'u'lláh, Volume 3: `Akka, 1868-77. Oxford, UK: George Ronald, 1984. ISBN 0-85398-144-2

 Fonte:Wikipédia

 < Voltar para a Página Principal >

 

23.3.28 - KITÁB-I-ÍGÁN

O Kitáb-i-Íqán (Árabe: الكتاب الإيقان‎ Persa: كتاب ايقان‎ "O Livro da Certeza"), é um dos vários livros tidos como sagrados pelos seguidores da Fé Bahá'í; é a referência primária de toda alusão teológica contida nos escritos bahá'ís.

Origem

Foi escrito parte em Persa e parte em Árabe por Bahá'u'lláh, profeta fundador da Fé Bahá'í em 1862. Nesta época, Bahá'u'lláh estava exilado em Bagdá, parte do império Otomano. Embora Bahá'u'lláh declarou ter recebido a revelação a dez anos no Síyáh-Chál, masmorra em Teerã, ele ainda não tinha declarado sua missão. As referências a sua própria posição aparecem conseqüentemente somente numa forma vendada. Christopher Buck, autor de um grande estudo do Íqán, referiu este tema do livro como o " segredo messiânico", paralelizando com o mesmo tema no Evangelho de Marcos.[1]

O Íqán constitui o trabalho teológico principal de Bahá'u'lláh, e resultante da Fé Bahá'í. É referido às vezes como o complemento do Bayán Persa . Quando foi litografado em Bombaim em 1882, era o primeiro trabalho da escrita Bahá'í a ser publicada.[2] Foi primeiramente traduzido para o inglês em 1904, uma das primeiras obras de Bahá'u'lláh em inglês.[3] Shoghi Effendi, que retraduziu a obra para o inglês em 1931, referiu à obra da seguinte forma:

Um modelo de prosa persa, com um estilo simultaneamente original, simples e vigoroso, notavelmente lúcido, e simultaneamente persuasivo e incomparável na sua irresistível eloquência, este Livro, determinando no esboço o grande esquema redentor de Deus, ocupa uma posição inigualável por qualquer obra na escala inteira da literatura de Bahá'í, exceto o Kitáb-i-Aqdas, o livro mais sagrado de Bahá'u'lláh.[4]

História

O tio do Báb, ájí Mírzá Siyyid Muammad, ficou perplexo ao ouvir que o prometido do Islã era o seu próprio sobrinho. Quando foi dito que este era exatamente a mesma objeção expressa pelo tio do profeta do Islão, ele ficou agitado e decidiu investigar este fato. Em 1861 viajou a Karbila, Iraque, para visitar seu irmão, ájí Mírzá asan- 'Alí, e foi então a Bagdá para encontrar Bahá'u'lláh. Lá levantou quatro perguntas sobre os sinais do aparecimento do prometido em escrita para Bahá'u'lláh. As 200 páginas (em línguas originais) do Kitáb-i-Íqán foram escritas em um período de no máximo dois dias e de duas noites em resposta por volta de 15 de Janeiro de 1861.[5][1].

Índices do Livro

O livro está em duas partes: a primeira parte trata com o discurso fundamental de que a revelação divina é progressiva e as religiões estão relacionadas uma com a outra, com cada religião monoteísta principal aceitando as anteriores e, frequentemente nos termos vendados, profetizando o advento da próxima religião. Como a pessoa que pergunta é muçulmano, Bahá'u'lláh usa os versos da Bíblia para mostrar como um cristão poderia interpretar seus próprios textos sagrados em termos alegóricos para vir a acreditar na dispensação seguinte. Por extensão o mesmo método da interpretação pode ser usado para um muçulmano para considerar a validade das declarações do Báb. A segunda e parte maior do livro é o discurso substantivo e trata as provas específicas, teológicos e lógicas, da missão do Báb. Uma das partes mais conhecida e mais apreciada é conhecido como "Epístola do Verdadeiro Investigador".

Shoghi Effendi ofereceu uma seguinte descrição longa do índice do livro:

Dentro de um compasso de duzentas páginas proclama inequivocavelmente a existência e o unicidade de um Deus pessoal, irreconhecível, inacessível, a fonte de toda a revelação, eterno, onisciente, onipresente e onipotente; afirma a relatividade da verdade religiosa e a continuidade da revelação divina; afirma a unidade dos profetas, a universalidade de sua mensagem, a identidade de seus ensinamentos fundamentais, a santidade de suas escrituras, e o carácter duplo de suas estações; denúncia a cegueira e a perversidade dos divinos e doutores de cada idade; menciona e explica as passagens alegóricas do Novo Testamento, os versos abstrusos do Alcorão, e as tradições muçulmanas enigmáticas que geraram mal-entendidos durante um longo tempo, dúvidas e animosidades que separaram e mantiveram distante os seguidores dos grandes sistemas religiosos do mundo; enumera os pré-requisitos essenciais para a realização por cada investigador verdadeiro do objeto de sua procura; demonstra a validade, a sublimidade e o significado da revelação do Báb; aclama o heroísmo e o desprendimento de seus discípulos; prefigura, e profetiza o triunfo mundial da revelação prometida aos povos do Bayán; confirma a pureza e inocência da Virgem Maria; glorifica os Imames da Fé Islãmica; celebra o martírio, e louva a soberania espiritual do Imã Husayn; desvenda o significado de termos simbólicos como o " Retorno, " " Ressurreição, " Selo dos profetas " e " Dia do Julgamento" ; prefigura e distingue entre os três estágios da revelação divina; e expande, em termos de incandescência, em cima das glórias e das maravilhas da " Cidade de Deus, " renovado, em intervalos fixos, pela dispensação de Providência, para a orientação, benefício e salvação de toda a humanidade. Pode ser alegado que de todos os livros revelados pelo Autor da Revelação Bahá'í, este livro sozinho, por afastar barreiras que em longas eras separaram tão insuperavelmente as grandes religiões do mundo, colocou uma fundação ampla e incontestável para a reconciliação completa e permanente de seus seguidores.

Notas

1.    Christopher Buck, Symbol and Secret (Los Angeles: Kalimat Press, 1995), 2.

2.    Buck, Symbol and Secret, 25.

3.    Bahá'u'lláh, The Book of Ighan, trans. Ali Kuli Khan, assisted by Howard MacNutt (New York: George V. Blackburne, Co., 1904).

4.    Shoghi Effendi, God Passes By (Wilmette, Ill.: Bahá'í Publishing Trust, 1974), 138-39.

5.    The questions ájí Mírzá Siyyid Muammad posed, and the letter he wrote to his son from Baghdad on January 17, 1861 (which dates the composition of the book) are both published in Ahang Rabbani, "The Conversion of the Great-Uncle of the Báb," World Order, vol. 30, no. 3 (Spring, 1999), 19-38.

Referências

·         Bahá'u'lláh. Kitáb-i-Íqán: O Livro da Certeza. Wilmette, Illinois, USA: Bahá'í Publishing Trust, 1862. ISBN 1931847088

·         Buck, Christopher. Símbolo & Segredo: Comentário do Alcorão no Kitáb-i-Iqán de Bahá'u'lláh. Los Angeles, USA: Kalimát Press, 1995. ISBN 0933770804

·         Dunbar, Hooper C.. Um Companheiro para o Estudo do Kitáb-i-Íqán. Oxford, United Kingdom: George Ronald, 1998. ISBN 0853984301

·         Hatcher, J.S.. O Oceano de Suas Palavras: Um Guia do Leitor à Arte de Bahá'u'lláh. Wilmette, Illinois, USA: Bahá'í Publishing Trust, 1997. ISBN 0877432597

·         Taherzadeh, Adib. Revelação de Bahá'u'lláh, Volume 1: Bagdá 1853-63. Oxford, UK: George Ronald, 1976. ISBN 0853982708

Fonte: Wikipédia

 < Voltar para a Página Principal >

 

23.3.29 - TIPITAKA

Tipitaka

O Cânone em Pali

Veja a relação de todos os suttas disponíveis no Índice dos Suttas e também a relação de todos os textos disponíveis no Índice dos Textos(ensaios e livros).

A Tipitaka Pali (ti, "três," + pitaka, "cestos"), ou Cânone em Pali, é a principal coleção de textos em Pali que constitui a base doutrinária do Budismo Theravada. Juntamente com os antigos comentários, ambos constituem o conjunto completo dos textos clássicos Theravada.

O Cânone em Pali é um extenso conjunto literário: a tradução em inglês soma milhares de páginas. A maioria – porém não a totalidade – do Cânone já foi publicada em inglês ao longo dos anos. Embora somente uma pequena fração desses textos esteja disponível neste site, esta coleção pode ser um excelente lugar para iniciar os seus estudos.

As três divisões da Tipitaka são:

  1. Vinaya Pitaka
    A coleção de textos referente às regras de conduta que regula o dia a dia da Sangha – a comunidade de bhikkhus (monges ordenados) e bhikkhunis (monjas ordenadas). Muito mais do que apenas uma lista de regras, o Vinaya Pitaka também inclui as estórias que estão por trás da origem de cada regra, relatando em detalhe a maneira como o Buda solucionou a questão de como manter a harmonia comunitária em uma ampla e diversa comunidade espiritual.

  2. Sutta Pitaka
    A coleção dos discursos que são atribuídos ao Buda e alguns dos seus discípulos mais próximos, contendo todos os ensinamentos centrais do Budismo Theravada.

  3. Abhidhamma Pitaka
    A coleção de textos em que os princípios doutrinários apresentados no Sutta Pitaka são retrabalhados e reorganizados em um modelo sistemático que pode ser empregado para investigar a natureza da mente e da matéria.

 

Fonte: http://www.acessoaoinsight.net/tipitaka.php

  < Voltar para a Página Principal >

23.3.30 - URIZEN (Willian Blake)

Na mitologia complexa de William Blake , Urizen é a personificação da razão convencional e lei .  Ele é geralmente descrito como um homem barbudo de idade; ele às vezes tem arquiteto ferramentas 's, para criar e restringir o universo , ou redes, com a qual ele enreda as pessoas nas teias da lei e da cultura convencional. . Originalmente, Urizen representou um meio de um sistema de duas partes, com ele representando a razão e Los , sua oposição, o que representa imaginação.  Em reformulação de Blake do seu sistema mítico, Urizen é um dos quatro Zoas que resultam da divisão do homem primordial, Albion , e ele continua a representar a razão. Ele tem uma emanação , ou pares equivalente feminino, Ahania , que significa prazer .  No mito de Blake, Urizen é acompanhado por muitas filhas com três aspectos que representam do corpo.

Ele também é acompanhado por muitos filhos, com quatro representando os quatro elementos. Esses filhos juntar-se em rebelião contra seu pai, mas depois são unidos no Juízo Final.

Em muitos dos livros de Blake, Urizen é visto com quatro livros que representam as várias leis que ele coloca sobre a humanidade.

 

PERSONAGEM

Mito original Blake, Urizen, a representação de abstrações e uma abstração do ser humano, é a primeira entidade. Ele acredita-se santo e ele coloca sobre o estabelecimento de vários pecados em um livro de bronze, que serve como uma combinação de várias leis, como foi descoberto por Newton, dada a Moisés, eo conceito geral do deísmo, que a uniformidade força sobre a humanidade.

O resto do Eternals, por sua vez tornam-se indignado com Urizen se voltando contra a eternidade, e incutir essas essências do pecado dentro da criação de Urizen. Este tormentos Urizen e Los logo depois aparece. Dever Los dentro do trabalho é vigiar Urizen e servir como sua oposição.

 

Em termos de ciclo de Blake Orc, Urizen serve como uma força satânica semelhante ao Satã de Milton. Depois de Urizen derrotas a figura da serpente / Orc no Jardim do Éden história, a figura Orc, na forma de Fuzon Urizen do filho, as batalhas contra ele em uma história baseada em Êxodo. Urizen, como um pilar de nuvem que dificulta os israelitas em sua jornada para casa, batalhas contra Fuzon, como um pilar de fogo que os guia durante a noite. Eventualmente, Urizen é capaz de destruir seu filho rebelde e impor leis sobre os israelitas, na forma dos Dez Mandamentos. Isso também leva a uma morte da cultura israelense, e os israelitas sob Urizen estão presos de forma semelhante à forma como eles estavam sob os egípcios. Simbolicamente, o ciclo de Orc descreve como Urizen e Orc fazem parte de um todo unificado com Urizen representando a essência destrutiva e mais velhos, enquanto Orc é a essência jovem e criativo.

 

No mito depois de Blake, Urizen é um dos quatro Zoas, a divisão quádrupla de Deus. Os outros três representam aspectos da trindade e ele representa o caído, embora ele figura satânica é também a figura criador. Entre os Zoas, ele representa o sul e o conceito de razão. Ele é descrito como o que liga e controla o universo através da criação de leis. Ele está conectado a sua emanação conhecido como Ahania, a representação do prazer, e ele se opõe ao chamado Zoas Urthona, a representação da Imaginação. Seu nome pode significar muitas coisas, desde "Razão Seu" ou uma palavra grega que significa "limitar". Urizen origina-se no início da versão de Blake de Gênesis. Ele foi a entidade criada quando uma voz disse que a luz deve nascer, e ele era o quarto filho do Albion personagens e Vala. Ele é dito para representar o host Celestial, mas ele experimenta uma queda satânica em que desejava regra. Ele é motivado por seu orgulho e se torna um hipócrita. Quando Albion pede para ele, Urizen se recusa e se esconde, o que faz com que ele a experiência de sua queda. Após sua queda, Urizen conjunto sobre a criação do mundo material e seu ciúme da humanidade produziu tanto Wrath e Justiça.


No mundo material, ele tinha Steeds e um Chariot do Dia que foram roubadas dele por Luvah. Isso ocorreu porque, a razão, procurou tomar sobre as terras do Norte de Luvah, Imaginação. Depois de definir a assumir Imaginação, Luvah está roubando dos cavalos, o que representou instrução, mostrou como a emoção poderia dominar sobre a razão. Depois Luvah quedas e Orc torna-se, Urizen tenta recuperar os seus cavalos, mas só pode testemunhá-los ligados. Eventualmente, os cavalos são devolvidos a ele após o Julgamento Final.

Dentro dos primeiros trabalhos, Urizen representa as cadeias da razão que são impostas sobre a mente. Urizen, como a humanidade, é obrigado por essas cadeias.

Além disso, estes trabalhos descrevem como newtoniana razão ea vista a iluminação das armadilhas universo da imaginação. A ênfase poemas uma evolução dentro do universo, e esta versão preliminar de um "sobrevivência do mais apto" o universo está ligado a um mundo caído de tirania e assassinar.

Filhas Urizen começou como filhos da luz e são imagens possíveis de qualquer dos planetas ou das estrelas. Após sua queda, eles ganham forma humana. Três de suas filhas são Eleth, Uveth e Ona, que representam as três partes do corpo humano. Juntos, eles também organizam as águas de Geração, eles são os criadores do Pão of Sorrow, e ler o Livro de Ferro. No Juízo Final, que eles vigiam Ahania. Seus filhos são diferentemente organizado, em poemas diferentes: como Thiriel, Utha, Grodna, Fuzon, alinhados com os quatro elementos clássicos, ou como doze, alinhado com o signos do Zodíaco, e construtores da Shell mundanos e procurar manter a humanidade da caindo. Em mitos primitivos Blake, eles moram em várias cidades e não respeitar as leis de Urizen; Fuzon diretamente rebela contra Urizen, é capaz de cortar lombos Urizen, e foi crucificado por suas ações. Em versões posteriores dos filhos, eles são sábios e habitar com Urizen. Eles, com Urizen, queda após Luvah assume reino de Urizen. Após sua queda, eles são torturados no inferno, e criação de Urizen da ciência é visto como o seu domínio sobre eles. No entanto, os quatro filhos são colocados no comando dos exércitos Urthona e rebeldes contra o governo de Urizen. Durante o Juízo Final, os filhos se livrar de suas armas e celebrar o retorno de Urizen ao arado, e eles se juntam para a colheita.

Urizen é descrito como tendo vários livros: Ouro, prata, ferro e latão. Eles representam o amor, ciência, guerra e sociologia, que são quatro aspectos da vida. Os livros estão cheios de leis que buscam superar os sete pecados capitais. Ele constantemente acrescenta às obras, mesmo quando ele enfrenta a sua oposição em Orc, mas os livros são destruídos no Juízo Final. O Livro de Latão estabelece crenças sociais de Urizen que procuram remover toda a dor e instilar paz sob uma regra. A tentativa de forçar o amor através da lei incentivou o Eternals a colocar diante do Sete Pecados Capitais que Urizen esperava evitar. O Livro de Ferro foi perdido na Árvore do Mistério, e representa como Urizen pode criar guerras, mas não pode controlá-los.

Referências

·         Bentley, GE (Jr). The Stranger From Paradise . Bentley, GE (Jr). The Stranger From Paradise. New Haven: Yale University Press, 2003. New Haven: Yale University Press, 2003.

·         Bloom, Harold. The Visionary Company . Bloom, Harold. A empresa visionária. Ithaca: Cornell University Press, 1993. Ithaca: Cornell University Press, 1993.

·         Damon, S. Foster. A Blake Dictionary . Damon, S. Foster. Um Dicionário Blake. Hanover: University Press of New England, 1988. Hanover: University Press of New England, 1988.

·         Frye, Northrop. Fearful Symmetry . Frye, Northrop Symmetry. Medroso. Princeton: Princeton University Press, 1990. Princeton: Princeton University Press, 1990.

·         Stuart Peterfreund , William Blake in a Newtonian World: Essays on Literature as Art and Science (Univ. Oklahoma Press, 1998). ISBN 0-8061-3042-3 Stuart Peterfreund , William Blake em um mundo de Newton:. Ensaios sobre Literatura como Arte e Ciência (Univ. Oklahoma Press.

Fonte: Wikipédia em inglês

 < Voltar para a Página Principal >

 

William Blake:

 Nascido em Londres, 28 de novembro de 1757 — Falecido em Londres, 12 de agosto de 1827 - foi um poeta, pintor inglês, sendo sua pintura definida como pintura fantástica, e tipógrafo.

Blake viveu num período significativo da história, marcado pelo Iluminismo e pela Revolução Industrial na Inglaterra. A literatura estava no auge do que se pode chamar de clássico "augustano", uma espécie de paraíso para os conformados às convenções sociais, mas não para Blake que, nesse sentido era romântico, "enxergava o que muitos se negavam a ver: a pobreza, a injustiça social, a negatividade do poder da Igreja Anglicana e do estado."

Infância

Blake nasceu na "28ª Broad Street", no Soho, Londres, numa família de classe média. Seu pai era um fabricante de roupas e sua mãe cuidava da educação de Blake e seus três irmãos. Logo cedo a bíblia teve uma profunda influência sobre Blake, tornando-se uma de suas maiores fontes de inspiração.

Desde muito jovem Blake dizia ter visões. A primeira delas ocorreu quando ele tinha cerca de nove anos, ao declarar ter visto anjos pendurando lantejoulas nos galhos de uma árvore. Mais tarde, num dia em que observava preparadores de feno trabalhando, Blake teve a visão de figuras angelicais caminhando entre eles.

Com pouco mais de dez anos de idade, Blake começou a estampar cópias de desenhos de antigüidades Gregas comprados por seu pai, além de escrever e ilustrar suas próprias poesias.

 

Aprendizado com Basire

Em 4 de agosto de 1772, Blake tornou-se aprendiz do famoso estampador James Basire. Esse aprendizado, que estendeu-se até seus vinte e um anos, fez de Blake um profissional na arte. Segundo seus biógrafos, sua relação era harmoniosa e tranqüila.

Dentre os trabalhos realizados nesta época, destaca-se a estampagem de imagens de igrejas góticas Londrinas, particulamente da igreja Westimnster Abbey, onde o estilo próprio de Blake floresceu.

 

Aprendizado na The Royal Academy

Em 1779, Blake começou seus estudos na The Royal Academy, uma respeitada instituição artística Londrina. Sua bolsa de estudos permitia que não pagasse pelas aulas, contudo, o material requerido nos seis anos de duração do curso deveria ser providenciado pelo aluno.

Este período foi marcado pelo desenvolvimento do caráter e das ideias artísticas de Blake, que iam de encontro às de seus professores e colegas.

 

Trabalhos

Blake escreveu e ilustrou mais de vinte livros, incluindo "O livro de Jó" da Bíblia, "A Divina Comédia" de Dante Alighieri - trabalho interrompido pela sua morte - além de títulos de grandes artistas britânicos de sua época. Muitos de seus trabalhos foram marcados pelos seus fortes ideais libertários, principalmente nos poemas do livro Songs of Innocence and of Experience ("Canções da Inocência e da Experiência"), onde ele apontava a igreja e a alta sociedade como exploradores dos fracos.

No primeiro volume de poemas, Canções da inocência (1789), aparecem traços de misticismo. Cinco anos depois, Blake retoma o tema com Canções da experiência estabelecendo uma relação dialética com o volume anterior, acentuando a malignidade da sociedade. Inicialmente publicados em separado, os dois volumes são depois impressos em Canções da inocência e da experiência - Revelando os dois estados opostos da alma humana. [2]

William Blake expressa sua recusa ao autoritarismo em Não há religião natural e Todas as religiões são uma só, textos em prosa publicados em 1788. Em 1790, publicou sua prosa mais conhecida, O matrimônio do céu e do inferno, em que formula uma posição religiosa e política revolucionária na época: "a negação da realidade da matéria, da punição eterna e da autoridade".

Apesar de seu talento, o trabalho de gravador era muito concorrido em sua época, e os livros de Blake eram considerados estranhos pela maioria. Devido a isto, Blake nunca alcançou fama significativa, vivendo muito próximo à pobreza.

Referências

1.    "Um profeta obscuro e genial." Por José Antônio Arantes, bacharel em língua e literatura pela USP - tradutor, entre outros, dos autores Virginia Woolf (Nova Fronteira), William Blake e James Joyce (Iluminuras).

2.    a b c Cadernos Entre livros, nº 1. Editora Duetto (2007). "William Blake - "Um profeta obscuro e genial", por José Antônio Arantes.

·         William Blake, o estranho que virou santo Parana-online - consultado em 10 de outubro de 2010.

Fonte: Wikipédia

 < Voltar para a Página Principal >

 

23.3.31 - JÓIAS DOS MISTÉRIOS DIVINOS

 

Jóias dos Mistérios Divinos (AO 1990: Joias dos Mistérios Divinos) foi uma das primeiras obras de Bahá'u'lláh, consiste em uma longa epístola conhecida como Javáhiru´l-Asrár (Árabe: جواهر الاسرار‎) que literalmente significa "jóias" ou "essências" dos mistérios.

Um dos temas centrais do livro, assinala Bahá'u'lláh, é a explicação do retorno do Prometido sob a aparência de um novo ser humano. Em uma nota de prefácio escrita precedendo as linhas de abertura do manuscrito original, Bahá'u'lláha afirma:

"Este tratado foi escrito em resposta a um buscador que havia perguntado como o prometido Mihdí pôde ser transformado em 'Alí-Muhammad (o Báb). A oportunidade decorrente desta pergunta foi aproveitada para desenvolver diversos assuntos, todos eles de uso e benefício tanto para aqueles que buscam como para os que já alcançaram, pudésseis vós perceber com os olhos da virtude divina."

O buscador aludido na passagem acima foi Siyyid Yúsuf-i-Sidihí Isfaháni, que, naquela época residia em Karbilá. Através de um intermediário, suas perguntas foram apresentadas a Bahá'u'lláh, que revelou esta Epístola naquele mesmo dia.

 

Entre os diversos temas tratados neste trabalho estão:

·         o porquê da rejeição dos Profetas do passado;

·         o perigo da leitura literal das Escrituras;

·         o significado dos sinais e dos presságios da Bíblia, concernentes ao advento do novo Manifestante;

·         a continuidade da revelação divina;

·         alguns sinais da ocorrência, em breve, da própria revelação de Bahá'u'lláh;

·         significado de termos simbólicos como "o Dia do Julgamento", "a Ressurreição", "atingir a Presença Divina", e "vida e morte".

Fonte:

Bahá'u'lláh. Jóias dos Mistérios Divinos. 1 ed. [S.l.]: Editora Bahá'í do Brasil, 2003. 70 p. ISBN 8532000789

 

 

BANÁ’U’LLÁH

 

Mírzá Husayn-'Alí (Persa:میرزا حسینعلی), que se proclamou Bahá'u'lláh (1817 - 1892) (Árabe: بهاءالله, "A Glória de Deus) foi o fundador da Fé Bahá'í, a mais jovem das grandes religiões mundiais.

Bahá'u'lláh declarou ser ele o cumprimento da profecia Bábí: "aquele que Deus fará manifesto", e portanto "Suprema Manifestação de Deus". A Fé Bahá'í o tem como inaugurador de um novo ciclo profético, posterior aos de Krishna, Abraão, Moisés, Zaratustra, Buda, Jesus, Maomé e Báb.

Bahá'u'lláh foi o autor de vários trabalhos religiosos. Suas obras mais notáveis são o Kitáb-i-

 

Primeiros anos

Bahá'u'lláh nasceu em 12 de Novembro de 1817 em Teerã, capital do Império Persa. Sua mãe Khadíjih Khánum e seu pai Mírzá Buzurg eram nobres, oriundos da província de Mazandaran, e membros da corte de Alí Sháh, o Xá da Pérsia. Mirzá Buzurg foi vizir do imã Virdi Mírzá, e chegou a ser governador da província de Lorestão.

Quando criança foi educado segundo os ensinamentos do Islã, e destacou-se desde cedo por sua inteligência. Aos 13 anos de idade já discutia intrincados assuntos religiosos com os ulemás e clérigos da corte.

 

Após a morte de seu pai, Bahá'u'lláh, aos 22 anos, foi indicado como sucessor ao cargo de governador pelo novo vizir Haji Mirza Aqasi. Mas Bahá'u'lláh recusou o cargo,[1] pois não tinha interesse em assuntos seculares. Afastou-se da corte e de seus ministros e ocupou-se com ações beneméritas, sendo popularmente conhecido como o "campeão da causa da justiça".

Bahá'u'lláh casou com três esposas na época em que ainda era muçulmano, vivendo em situação de poligamia; seus nomes eram Ásíyih Khánum (Navváb), Fatimih (Mahd-i-'Ulya) e Gawhar. Bahá'u'lláh foi o pai de quatorze crianças, das quais apenas sete chegaram à idade adulta. Ao lado de sua primeira esposa Navváb, Bahá'u'lláh, ficou conhecido como o Pai dos Pobres e ela como a Mãe do Consolo, graças à extraordinária generosidade demonstrada aos desfavorecidos.

 

Vida na Fé Babí

Em 1844, um jovem de 25 anos de Shiraz, Siyyid Mírzá `Alí-Muhammad, que tomou o título O Báb (em árabe ou persa; significa "A Porta"), e Se proclamou o Prometido Mihdi do Islã. A Fé Babí rapidamente espalhou-se por volta do Império Persa e foi vítima de grande oposição de vários cleros islâmicos. O Báb foi martirizado em 1850 por um pelotão de fuzilamento quando ele tinha 30 anos e a comunidade foi quase toda exterminada em 1852-3.

 

Aceitação do Báb

Aos 28 anos de idade, Bahá'u'lláh entrou em contato com um mensageiro, Mullá Husayn, que anunciou as mensagens do Báb, e Ele aceitou essa revelação, convertendo-se a Fé Babí. Bahá'u'lláh começou a espalhar a nova causa, especialmente para os nativos de Sua província em Núr, tornando-se reconhecido como um dos seguidores mais influentes. A opressão do governo sobre a religião do Báb teve como consequência o aprisionamento de Bahá'u'lláh duas vezes e sujeito a torturas como o bastinado.[2]

 

Período em que ocorreu a tentativa de homicídio do Xá

Com o resultado do Martírio do Báb em 1850 foi planejado uma tentativa de assassinato contra o rei da Pérsia, Nasser-al-Din Shah, dois anos mais tarde por dois Bábís que queriam vingança. Apesar dos assassinos terem confessados que planejaram ambos sozinhos, a comunidade Babí inteira foi acusada, e ocorrendo a perseguição e morte de milhares de Bábís. Muitos dos Babís que não foram mortos, incluindo Bahá'u'lláh, foram encarcerados no Síyáh-Chál (Masmorra Negra), um calabouço subterrâneo de Teerã.[3] Bahá'u'lláh foi inocentado de envolvimento na tentativa de assassinato,[4] mas ficou em Síyáh-Chál por mais de quatro meses.[5]

Um oficial austríaco, Captain von Goumoens, que trabalhava na corte do Xá na época, deu o seguinte relato após aposentar-se:

"Eu vi aqueles que, com os olhos arrancados para fora, tinham que comer, numa cena em que, suas orelhas eram amputadas; ou cujos os dentes eram quebrados com violência desumana pelas mãos do executor; ou cujos os crânios eram simplesmente esmagados por marteladas de uma marreta…"

"E por fim da extremidade, penduraram os corpos para baixo chamuscados e perfurados por suas mãos e pés a uma cabeça da árvore, e agora todo persa podia deixar uma marca no coração … Quando eu leio de novo, o que eu escrevi, eu supero com o pensamento de que aqueles que estão com você na nossa querida amada Áustria ainda pode duvidar dessa verdadeira imagem, e me acusar de exagero. Podia por Deus que eu não pudesse ter vivido para ver isso!… No presente eu nunca saio de minha casa, para não ter que encontrar novas cenas de horrores… Eu não vou mais manter minha conexão com a cena de tais crimes.”[6]

 

Revelação no Síyáh-Chál

Foi durante o aprisionamento de Bahá'u'lláh em Síyáh-Chál que Ele recebeu uma visão de uma Donzela enviada por Deus, pela qual Ele recebeu a Sua missão como um Mensageiro de Deus e também “Aquele Que Deus Tornará Manifesto” profetizado pelo Báb.[3] Após quatro meses no Síyáh-Chál, devido as insistentes demandas do embaixador da Rússia,[7] e depois da pessoa que tentou assassinar o Xá confessar e exonerar os líderes Bábis, as autoridades libertaram Ele da prisão. Bahá'u'lláh refere a assistência do embaixador russo quando Ele escreveu para o Czar Alexandre II da Rússia:

"Enquanto permanecia acorrentado e agrilhoado na prisão, um de seus ministros Me ofereceu sua ajuda. Pelo que teve Deus ordenado a ti a estação de um conhecimento que ninguém pudesse compreender exceto o Seu conhecimento."[8]

As autoridades exilaram Bahá'u'lláh da Pérsia, e então Ele foi para Bagdá, e depois para uma cidade no Império Otomano.

 

Exílio em Bagdá

 

Trajeto da Pérsia para Bagdá

Em 1853, com recursos e alimentos muito limitados, e com o frio do inverno, Bahá'u'lláh e Sua família tiveram que viajar a pé em uma nevasca no caminho da Pérsia para Bagdá.

Mírzá Yáhyá foi nomeado pelo Báb para conduzir a comunidade Babí e estar disposto a obedecer “Aquele Que Deus Tornará Manifesto” profetizado pelo próprio Báb. Mírzá Yahyá viajou por volta da Pérsia sob disfarce e depois decidiu viajar até Bagdá para reunir-se com os babís usando fundos dados a ele por Bahá'u'lláh.

Um crescente número de babís consideraram Bagdá o novo centro de liderança da religião Babí, e uma massa de peregrinos começou a vir da Pérsia. No entanto, com o passar do tempo, os seguidores cada vez menos procuravam pela liderança de Mírzá Yahyá, e ao invés começaram a ver Bahá'u'lláh como o seu líder.[9] Como resultado Mírzá Yahyá começou tentativas de desconsiderar Bahá'u'lláh e depois dividiu a comunidade.[9] As ações de Mírzá Yahyá espantou muitos seguidores para fora da religião e permitiu que os inimigos continuassem a perseguição contra a Fé.[4]

 

Nas Montanhas do Curdistão

Em 10 de abril de 1854, Bahá'u'lláh sem avisar o propósito ou destino, partiu com um companheiro para as montanhas do Curdistão, nordeste de Bagdá, próximo a cidade de Sulaymaniyah.[4] Ele depois escreveu que Ele partiu para evitar de ser tornar causa de discórdia na comunidade Babí.

Por dois anos Bahá'u'lláh viveu sozinho nas montanhas do Curdistão[3] vestido como um dervixe e usando o nome de Darvish Muhammad-i-Irani. Em certa ocasião alguém notou Sua notável caligrafia, a qual trouxe curiosidade dos instrutores das ordens locais Sufi.[4] Como Ele começou a receber visitantes, Ele tornou-se conhecido por Sua aprendizagem e sabedoria. Shaykh `Uthmán, Shaykh `Abdu'r-Rahmán, e Shaykh Ismá'íl, líderes indisputáveis de Naqshbandíyyih, Qádiríyyih, e Ordens de Khálidíyyih respectivamente, começaram a pedir por Seus conselhos e admirá-Lo. Foi justamente para o Shaykh 'Abdu'r-Rahmán de Karkúk que a obra Quatro Vales foi escrita. Diversos outras notáveis obras foram escritas durante este período.[3]

Em Bagdá, devido a falta de firmeza e na qualidade de liderança de Mírzá Yahyá, a comunidade Bábí se encontrava em desunião.[4] Alguns babís, incluindo a família de Bahá'u'lláh, procuraram por Bahá'u'lláh, e quando a notícia de que um homem sábio vivendo nas montanhas sob o nome de Darvish Muhammad espalhou-se para as áreas vizinhas, ´Abdu'l-Bahá reconheceu seu pai, e enviou-lhe cartas suplicando que regressasse a Bagdá. Bahá'u'lláh aceitou, e pôs fim, assim, a um período de separação que durou dois anos.[4]

 

Retorno para Bagdá

Quando Bahá'u'lláh retornou para Bagdá Ele viu que a comunidade Babí ficou desmotivada e desunida. No tempo da ausência de Bahá'u'lláh, a comunidade em Bagdá tinha-se tornado alienada com a religião desde que Mírzá Yahyá tinha prosseguido em casar com a esposa viúva do Báb contra as claras instruções deixadas por Ele[4] e por indicar os seguidores para a província de Nur para a tentativa de homicídio contra o Xá.[10] Alguns Babís foram longe o suficiente para refutar as reivindicações de sucessão do Mírzá Yahyá, avançando argumentos contra, e disseminando seus próprios escritos.[11]

Bahá'u'lláh permaneceu em Bagdá por mais de sete anos. Durante esse tempo, enquanto mantinha Sua posição como Manifestante de Deus escondido, Ele ensinou os ensinamentos do Báb. Ele publicou muitos livros e versos, o qual Ele chamou de revelações, incluindo o Book of Certitude e as Palavras Ocultas.

A crescente influência de Bahá'u'lláh na cidade, e o renascimento da comunidade Bábí ganhou atenção de Seus inimigos entre os cleros islâmicos e governo persa.[12] Eles eventualmente conseguiram fazer com o governo Otomano exilasse Bahá'u'lláh de Bagdá para Constantinopla.[12]

 

O Festival de Ridván

Em 22 de abril de 1863, Bahá'u'lláh e seus acompanhantes partiram de Bagdá e acamparam no Jardim de Ridván, onde permaneceram por doze dias, antes de sua partida para o exílio para Constantinopla. O momento de tristeza revelou-se uma ocasião de muita alegria, pois nesta data Bahá'u'lláh relatou a visão que teve durante o cativeiro em Síyáh-Chál, segundo a qual era ele o Mensageiro de Deus profetizado por Báb. Hoje os Bahá'ís celebram os doze dias que Bahá'u'lláh esteve no Jardim de Ridván conhecido como o Festival de Ridván, especialmente a data de Sua declaração é comemorada.

Os onze anos de segredo no período que Bahá'u'lláh recebeu a revelação no Síyáh-Chál e sua declaração no Jardim de Ridván é referido por historiadores Bahá’ís e por Bahá’u’lláh mesmo Ayyam-i butun ("Dias Ocultos"). Bahá'u'lláh afirmou que esse período foi um "tempo de ocultação".

 

Aprisionamento

 

Constantinopla (Istambul)

Mencionado anteriormente, Bahá'u'lláh recebeu a ordem de mudar-se para a capital Otomana de Constantinopla (atualmente Istambul). Embora não fosse formalmente prisioneiro ainda, o forçado exílio de Bagdá foi o início de um longo processo o que tornou-se gradualmente em mais exílios e eventualmente a cidade-prisão de ‘Akká.

Bahá'u'lláh e sua família, junto com um pequeno grupo de baha'ís, permaneceram em Constantinopla por apenas quatro meses (Uma fonte em inglês[13] menciona que setenta e cinco pessoas estavam juntas.) Durante este tempo o embaixador persa na corte do Sultão montou uma campanha sistemática contra Bahá'u'lláh. Foi exilado assim para Adrianópolis (atualmente Edirne), mas antes de sair Ele escreveu uma epístola ao sultão, os conteúdos são desconhecidas, mas Shamsi Big, que entregou a carta, deu o seguinte relatório:

"Eu não sei o que a carta continha, porque não mais logo o grande vizir leu e então ficou com uma cor de cadáver, e comentou: 'É como se o Rei dos Reis estivesse emitindo Sua ordem para Seu rei vassalo mais humilde e regulando Sua conduta.'"

 

Adrianópolis (Edirne)

Durante o mês de dezembro em 1863, Bahá’u’lláh e Sua família embarcaram numa jornada de doze dias para Adrianópolis. Bahá’u’lláh residiu em Adrianópolis por quatro anos. Mírzá Yahyá, ao ouvir as palavras de Bahá'u'lláh na epístola lida para ele, desafiando ele a aceitar a revelação de Bahá'u'lláh, fez um contra-argumento que ele era o profetizado pelo Báb. Isso causa uma divisão na comunidade Bábí, e os seguidores de Bahá'u'lláh ficaram conhecidos como Bahá’ís, enquanto os que seguiam Mírzá Yahyá, também conhecido como Subh-i-Azal ("Manhã Eterna") ficaram conhecidos como Azalís. Em Adrianópolis, Bahá'u'lláh foi envenenado e quase morreu. Sua mão esquerda ficou trêmula pelo resto de sua vida. Textos históricos bahá'ís, e conteúdos contemporâneos, indicam que o Subh-i-Azal esteve diretamente por trás do envenenamento.[15][16] Mas como contra-argumento os Azalís acusaram Ele de ter se envenenado acidentalmente.

 

Cartas aos Líderes do Mundo

Em Adrianópolis Bahá'u'lláh escreveu cartas a líderes políticos e religiosos, convocando-os a abandonar seus caminhos e dedicar-se ao bem-estar dos povos.

Foram endereçados pelas epístolas:

·         Sultão Abdul-Azíz, Rei do Império Otomano;

·         Czar Alexandre II, o Czar da Rússia;

·         Imperador Francisco José I, Imperador da Áustria e Rei da Hungria (Império Austro-Húngaro);

·         Imperador Napoleão III, Imperador da França;

·         Nasser-al-Din Shah, Xá da Pérsia;

·         Rainha Vitória, Imperatriz do Império Britânico;

·         Kaiser Guilherme I, Kaiser da Alemanha;

·         Papa Pio IX.

De acordo com as tradições Bahá'ís, todos esses líderes sofreram maldições subsequentemente às epístolas por terem rejeitado os ensinamentos de Bahá'u'lláh, exceto pela Rainha Vitória, que respondeu de forma receptiva. Essas cartas foram compiladas no livro O Chamado do Senhor das Hostes e, de acordo com instruções feitas pelo próprio Bahá'u'lláh, uma das seções dessa obra, chamada de Súriy-i-Haykal (o "Surih do Templo", destinado ao Papa Pio IX, a Napoleão III, ao czar Alexandre II, à Rainha Vitória e a Nasser-al-Din Shah), foi escrita em forma de um pentagrama, o Haykal, símbolo do templo humano, mais especificamente dos Manifestantes de Deus.

 

‘Akká

Os Azalís conseguiram pressionar com que as autoridades otomanas e persas exilassem Bahá’u’lláh e os bahá'ís mais uma vez. Em uma manhã, sem aviso, soldados cercaram o lar de Bahá'u'lláh e disse a todos para se preparem para ser deportados para a cidade-prisão de ‘Akká. Bahá'u'lláh e Sua família partiram de Adrianópolis em 12 de agosto de 1868 e depois de uma jornada pela terra e o mar chegaram em ‘Akká no dia 31 de agosto. Os habitantes de ‘Akká foram alertados de que os novos prisioneiros eram inimigos do estado, de Deus e Sua religião, e que associação com eles era estritamente proibida.

Os primeiros anos em ‘Akká impôs situações muito severas, e marcou ocasiões muito difíceis para Bahá’u’lláh. Mírzá Mihdí, filho de Bahá'u'lláh, caiu através de uma clarabóia com 22 anos de idade enquanto andava para frente e para trás em estado de oração e meditação. Bahá'u'lláh ofereceu curar Mirzá Mihdí mas ele pediu ao invés que sua vida fosse usada como sacrifício para que os portões da prisão abrissem e que os peregrinos pudessem visitar a família sagrada. Meses depois a população e as autoridades começaram a confiar e respeitar Bahá'u'lláh, e as condições do aprisionamento foram melhoradas e Ele eventualmente foi libertado para deixar a cidade-prisão e visitar os lugares próximos. De 1877 até 1879] Bahá'u'lláh residiu numa casa de Mazra'ih.

 

Últimos anos

Bahjí

Os anos finais da vida de Bahá'u'lláh (1879-1892) foram passados na mansão de Bahjí, na proximidade de `Akká, mesmo que fosse ainda formalmente um prisioneiro do império do otomano. Durante seus anos no `Akká e Bahjí, Bahá'u'lláh produziu muitos volumes de suas obras produzidas incluindo o Kitáb-i-Aqdas (O Livro Sacratíssimo).

 

Pessoas de todas as partes viajavam e pediam para estar na presença de Bahá'u'lláh, entre elas o orientalista E.G. Browne de Cambridge, que relatou o evento em 1890:

"… Passaram-se um ou dois segundos antes que eu, palpitante de admiração e reverência, tomasse finalmente consciência de que a sala não estava deserta… Jamais posso esquecer-me da fisionomia daquele a quem olhava, embora não possa descrevê-la. Aqueles olhos penetrantes pareciam ler-nos a própria alma;… Não me foi preciso perguntar em presença de quem eu estava, enquanto curvei-me diante daquele que é o objeto de uma devoção e um amor que os reis poderiam invejar e os imperadores almejar em vão! [18]"

Em 9 de maio de 1892 Bahá'u'lláh teve uma ligeira febre que cresceu ao passar dos dias, diminuiu, e finalmente tomou Sua vida em 29 de maio de 1892. Ele foi enterrado em um santuário localizado próximo a Mansão de Bahjí.

 

Proclamações

Bahá'u'lláh declarou que Ele era o "Prometido" de todas as religiões , cumprindo as profecias messiânicas encontradas nas religiões mundiais.[19] Ele declarou que ser vários messias convertido em uma pessoa era no sentido espiritual, ao invés de material, cumprimento das profecias messiânicas e escatológicas encontradas nos escritos das religiões principais.[19] As afirmações escatológicas de Bahá’u’lláh constituem seis identificações messiânicas distintivas: do judaísmo, a encarnação do " Father" eterno para a profecia Yuletide de Isaías 9:6, o "Senhor das Hostes"; do Cristianismo, o "Espírito da Verdade" ou Consolador previsto por Jesus em Seu discurso de despedida no João 14-17 e o retorno de Cristo " na glória do Pai"; do Zoroastrianismo, o retorno de Shah Bahram Varjavand, um messias Zoroastriano previsto em vários textos Pahlavi; do Islã xiita o retorno do Terceiro Imame, Imame Husayn; do Islã sunita, o retorno de Jesus, Isa; e da Fé Babí, "Aquele Que Deus Tornará Manifesto".[19]

 

Embora Bahá'u'lláh não tenha dito que Ele era o messias hindu ou budista, porém Ele afirmou em princípio através de Seus escritos.[19] Depois, ´Abdu’l-Bahá declarou que Bahá'u'lláh era o Kalki avatar, que é um dos clássicos Vaishnavas na tradição hindu e é o décimo e último avatar (grande incarnação) de Vishnu que irá vir para acabar com a Idade da Escuridão e Destruição.[19] Bahá'ís também acreditam que Bahá'u'lláh é o cumprimento da profecia da vinda de Maitreya Buddha, que é o futuro Buda que eventualmente apareceria na Terra, atingiria a iluminação completa, e ensinaria o Dharma puro.[20] Bahá'ís acreditam que a profecia de que Maitreya iria introduzir uma nova sociedade de tolerância e amor seria cumprido com os ensinamentos de Bahá'u'lláh para a paz mundial.[20] Bahá'u'lláh é um descendente de uma longa linha de reis da Pérsia através de Yazdgerd III, o último monarca da dinastia Sasanian;[21] Ele também é descendente de Abraão através de Sua terceira esposa Keturah.[22]

 

Sucessão

Quando Bahá'u'lláh faleceu, Ele deixou um testamento, o qual declarava o seguinte em relação a sucessão:

"A Vontade do Testador divino é isto: É incumbente sob Aghsán, o Afnán e Minha família para virar, um e todos, suas faces perante O Mais Grande Ramo… Verdadeiramente Deus tem ordenado a estação do Grande Ramo [Muhammad ‘Alí] para ser abaixo do Mais Grande Ramo [´Abdu’l-Bahá]. Ele é em verdade o Ordenador, o Todo-Sábio. Nós escolhemos ‘o Grande’ após ‘o Mais Grande’, como decretado por Ele quem é Todo-Conhecedor, o Todo-Informado."[23]

O favor cedido a ´Abdu’l-Bahá foi uma causa de inveja entre a família de Bahá'u'lláh. Muhammad 'Alí insistiu que ele deveria liderar a comunidade Bahá'í. Este período é considerado pelos bahá'ís como uma das provações mais difíceis dos primeiros anos da Fé.

Devido ao conflito causado pelo Seu meio-irmão, ´Abdu’l-Bahá excomungou ele como um Rompedor do Convênio. A divisão não sobreviveu por muito tempo. Depois de ter si afastado da comunidade Bahá'í, Muhammad 'Ali faleceu em 1937 com apenas alguns seguidores.

 

Obras

Bahá'u'lláh escreveu diversos livros, epístolas e orações, dos quais apenas uma fração deles foram traduzidos. Ele revelou milhares de epístolas com o total de volume equivalente a 70 vezes o tamanho do Alcorão e 15 vezes do tamanho do Antigo e Novo Testamento na Bíblia.[24][25][26] Abaixo estão algumas das obras que já foram traduzidas para o português:

·         Epístola ao Filho do Lobo

·         Os Quatro Vales

·         Joias dos Mistérios Divinos

·         Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh

·         As Palavras Ocultas

·         O Kitáb-i-Aqdas

·         O Kitáb-i-Íqán

·         Orações e Meditações de Bahá'u'lláh

·         A Proclamação de Bahá'u'lláh

·         Os Sete Vales

·         O Chamado do Senhor das Hostes

·         O Tabernáculo da Unidade

·         Epístolas de Bahá'u'lláh revelados após o Kitáb-i-Aqdas

Jináb-i-Fádil-i-Mázindarání, ao analisar os escritos de Bahá'u'lláh, declarou que Ele escreveu numa seguinte lista de modelos ou categorias:[27]

1.    Interpretação de escritos religiosos.

2.    Escritos contendo leis e mandamentos.

3.    Escritos místicos.

4.    Escritos sobre o governo e a nova ordem, e cartas para os reis e líderes do mundo.

5.    Escritos sobre o conhecimento, filosofia, medicina, alquimia etc.

6.    Escritos pedindo por educação, bom caráter e virtudes.

7.    Escritos com ensinamentos sociais.

 

Fotografia de Bahá'u'lláh

Existem duas fotografias de Bahá'u'lláh, datadas de 1868. Ambas estão sob a guarda da Casa Universal de Justiça, em Haifa, Israel. A maioria dos seguidores da Fé Bahá'í tem grande reverência à imagem de Bahá'u'lláh e evita vê-la exceto em ocasiões especiais.

 

EPÍSTOLAS DE BAHÁ'U'LLÁH

Epístolas de Bahá'u'lláh Revelado depois do Kitáb-i-Aqdas são Epístolas selecionadas que foram escritas por Bahá'u'lláh, fundador da Fé Bahá'í, e publicadas juntas em 1978.

Seis das epístolas deste volume foram traduzidas para inglês e publicadas em 1917. As traduções foram feitas por Shoghi Effendi, e os que não foram traduzidos por ele, foram preenchidos com a publicação posterior em 1978, sob a supervisão da Casa Universal de Justiça.

 

 

 

Referências

·         ‘Abdu’l-Bahá, (Browne, E.G., Tr.). A Traveller's Narrative: Written to illustrate the episode of the Bab. [S.l.]: Cambridge University Press, 1891.

·         ‘Abdu’l-Bahá, (Browne, E.G., Tr.). A Traveller's Narrative: Written to illustrate the episode of the Bab. 2004 reprint, with translator's notes ed. Los Angeles, USA: Kalimát Press, 1886. ISBN 1-890688-37-1

·         Balyuzi, Hasan. Bahá’u’lláh, King of Glory. Paperback ed. Oxford, UK: George Ronald, 2000. ISBN 0-85398-328-3

·         Blomfield, Lady. The Chosen Highway. London, UK: Bahá’í Publishing Trust, 1975. ISBN 0-87743-015-2

·         British Broadcasting Corporation (2002). BBC Religion and Ethics Special: Bahá’í. Retrieved January 15, 2005.

·         "The Kitab-i Iqan:An Introduction to Bahá’u’lláh's Book of Certitude with Two Digital Reprints of Early Lithographs" by Christopher Buck in Occasional Papers in Shaykhi, Bábi and Bahá’í Studies, Vol. 2, No. 5 (June, 1998) Available online here.

·         Effendi, Shoghi. God Passes By. Wilmette, Illinois, USA: Bahá’í Publishing Trust, 1944. ISBN 0-87743-020-9

·         Furútan, `Alí-Akbar (editor). Stories of Bahá’u’lláh. Oxford, UK: George Ronald, 1986. ISBN 0-85398-243-0

·         Hatcher, J.S.. The Ocean of His Words: A Reader's Guide to the Art of Bahá’u’lláh. Wilmette, Illinois, USA: Bahá’í Publishing Trust, 1997. ISBN 0-87743-259-7

·         Nabíl-i-Zarandí. The Dawn-Breakers: Nabíl’s Narrative. Hardcover ed. Wilmette, Illinois, USA: Shoghi Effendi (Translator), 1932. ISBN 0-900125-22-5

·         Salmani, Ustad Muhammad-`Aliy-i, the Barber. My Memories of Bahá’u’lláh. Los Angeles, USA: Kalimát Press, 1982. ISBN 0-933770-21-9

·         Taherzadeh, Adib. The Revelation of Bahá’u’lláh, Volume 1: Baghdad 1853-63. Oxford, UK: George Ronald, 1976. ISBN 0-85398-270-8

·         Taherzadeh, Adib. The Revelation of Bahá’u’lláh, Volume 2: Adrianople 1863-68. Oxford, UK: George Ronald, 1977. ISBN 0-85398-071-3

·         Taherzadeh, Adib. The Revelation of Bahá’u’lláh, Volume 3: ‘Akká, The Early Years 1868-77. Oxford, UK: George Ronald, 1984. ISBN 0-85398-144-2

·         Taherzadeh, Adib. The Revelation of Bahá’u’lláh, Volume 4: Mazra'ih & Bahji 1877-92. Oxford, UK: George Ronald, 1987. ISBN 0-85398-270-8

 

Notas e referências

1.    Departamento de História - Universidade de Michigan

2.    Erro de citação Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas Balyuzi

3.    a b c d Hutter, Manfred (2005). "Baha'is". Encyclopedia of Religion (2nd ed.) 2. Ed. Ed. Lindsay Jones. Detroit: Macmillan Reference USA. p737-740. ISBN 0-02-865733-0

4.    Erro de citação Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas cole_bahabio

5.    Bahá’u’lláh. Epistle to the Son of the Wolf. [S.l.: s.n.], 1988. 20 p.

6.    Quoted in Effendi, Shoghi. God Passes By. [S.l.: s.n.], 1944. 65 p.

7.    [1]

8.    Súriy-i-Haykal, Bahá’u’lláh. The Summons of the Lord of Hosts. Haifa Israel: Bahá’í World Centre, 2002. 83 p. ISBN 0-85398-976-1

9.    a b Ma'sumian, Bijan (1993 Fall). "Baha'u'llah's Seclusion in Kurdistan". Deepen Magazine 1: 18-26.

10. Smith, Peter. The Bábí & Bahá’í Religions: From Messianic Shí'ism to a World Religion. Cambridge: The University Press, 1987. 60 p. ISBN 0-521-30128-9

11. Taherzadeh, Adib. The Revelation of Bahá’u’lláh, Volume 1: Baghdad 1853-63. Oxford, UK: George Ronald, 1976. ISBN 0-85398-270-8

12. a b "The Bahá’í Faith". Britannica Book of the Year. (1988). Chicago: Encyclopaedia Britannica. ISBN 0-85229-486-7

13. [2]

14. Citação Effendi, Shoghi. A Presença de Deus. [S.l.: s.n.], 1944. 160 p.

15. Mírzá Muhammad Jawád of Qazvín. An epitome of Bábí and Bahá’í history to A.D. 1898. [S.l.: s.n.], 1904.

16. Cole, Juan R.I.. Baha'u'llah's Surah of God: Text, Translation, Commentary. Página visitada em 2006-11-24.

17. Mirza Aqa Khan Kirmani made this claim later in his Hasht-Bihisht. This book is abstracted in part by E.G. Browne in "Note W" of his translation of A Traveller's Narrative, (Browne, E.G.. A Traveller's Narrative, An epitome of Bábí and Bahá’í history to A.D. 1898. [S.l.: s.n.], 1891. 359 p.). However, contemporary historians recognize that: "The Azali Babis and in particular Mirza Aqa Khan Kirmani and Shaykh Ahmad Ruhi showed little hesitation in alteration and falsification of Babi teachings and history in their works." (Manuchehri, Sepehr (setembro, 1999). "The Practice of Taqiyyah (Dissimulation) in the Babi and Bahai Religions". Research Notes in Shaykhi, Babi and Baha'i Studies Vol. 3 (no. 3).)

18. Loc. cit.

19. a b c d e Buck, Christopher. Studies in Modern Religions, Religious Movements and the Bābī-Bahā'ī Faiths. Boston: Sharon, Moshe, 2004. 143-178 p. ISBN 90-04-13904-4

20. a b Momen, Moojan (2002-03-02). Buddhism and the Baha'i Faith. bahai-library.org. Página visitada em 2007-07-15.

21. H. Balyuzi. Baha'u'llah: The King of Glory. Oxford, Great Britain: George Ronald, 1980. 9-12 p.

22. Sears, William. Thief in the Night. Oxford, UK: George Ronald, 2002. ISBN 0-85398-008-X

23. Bahá’u’lláh. Tablets of Bahá’u’lláh Revealed After the Kitáb-i-Aqdas. Wilmette, Illinois, USA: Bahá’í Publishing Trust, 1994. 221 p. ISBN 0-87743-174-4

24. BWNS. A new volume of Bahá’í sacred writings, recently translated and comprising Bahá’u’lláh's call to world leaders, is published. Página visitada em 2006-11-24.

25. Archives Office at the Bahá’í World Centre, Haifa, Israel. Bahá’í Archives - Preserving and safeguarding the Sacred Texts. Página visitada em 2006-11-24.

26. Universal House of Justice. Numbers and Classifications of Sacred Writings texts. Página visitada em 2006-11-24.

27. Fádil-i-Mázindarání, Asadu'lláh. Asráu'l-Áthár, Vol.I. [S.l.]: Bahá’í Publishing Trust, Tehran, 1967. 453 p.

Fonte: Wikipedia

 

 

< Voltar para a Página Principal >

23.3.32 - ADI GRANTH e MUL MANTAR

 

Adi Granth (ou Aad Granth, literalmente "escritura a metade") é a compilação inicial do Escrituras Sikh por Sri Guru Arjan Dev Ji, o quinto Guru Sikh , em 1604. This Granth ("book") is the Holy Scripture of the Sikhs . Este Granth ("livro") é a Sagrada Escritura dos Sikhs . The tenth Sikh Guru, Guru Gobind Singh added further holy Shabads to this Granth during the period 1704 to 1706. O décimo Guru Sikh, Guru Gobind Singh adicionou mais santo Shabads a esta Granth durante o período 1704-1706. Then in 1708, before his death, Guru Gobind Singh affirmed the Adi Granth as the perpetual Guru of the Sikhs and the Granth then became known as the Sri Guru Granth Sahib . Então, em 1708, antes de sua morte, Guru Gobind Singh afirmou o Adi Granth como o Guru eterno dos Sikhs ea Granth então ficou conhecido como o Guru Sri Granth Sahib .

Linha do Tempo

•    30 agosto de 1604: Conclusão do Adi Granth

•    Primeiro de setembro de 1604: Adi Granth instalada pela primeira vez em Harmandir Sahib pelo Guru Arjan Dev ji

•    1705: O Takht Damdama Sahib Bir foi completado por Guru Gobind Singh da memória.

•    20 de outubro de 1708: A instalação do Guru Granth Sahib como eterno Guru

A cópia original da escritura, chamada Adi Granth, compilados e autenticado pelo Guru Arjan Dev ainda hoje existe e é mantida em Kartarpur que é uma cidade de cerca de 15 km.  a noroeste da cidade de Jalandhar , Punjab, na Índia .  Ele contém os hinos de ambos os hindus e muçulmanos santos.

Compilação

 Uma das simplificações clássico da história Sikh pertence à elaboração da escritura sagrada, o Guru Granth Sahib .  O evento é geralmente descrito nos termos mais breve.  O Volume Santo foi compilado pelo Guru Arjan (AD 1563-1606) ea primeira cópia foi caligrafada por Bhai Gurdas em seu ditado - tudo isso é que aprendemos com a maioria das fontes.  Qual a quantidade de planejamento, atenção minuciosa ao detalhe e foi para este trabalho é arrastada mais.

 Um texto antigo, que dá algumas informações detalhadas é o "Gurbilas Chhevin Patshahi".  Escrito em 1718 AD, este, de fato, é a mais antiga fonte.  Apesar de não entrar em minúcias técnicas e literárias, que narra todo o processo desde o início da transcrição do Volume Santo para a sua instalação no recém-construído Harimandir Sahib em Amritsar .

 Por Guru Arjan assumiu a tarefa é explicado de várias maneiras.  Uma hipótese comumente aceita é de que a codificação das composições dos Gurus "em volume autorizado foi iniciada por ele, a fim de preservá-los de garbling por grupos cismáticos e outros.  De acordo com o Prakash Mahima (AD 1776), ele começou a trabalhar com o anúncio: "Como o panth (Comunidade) foi revelado ao mundo, então não deve ser o (Book) Granth, também."

Bani incluídos no Granth

 O " Bani ", palavra inspirada Gurus, sempre foi o objeto de maior reverência para com o Sikhs , bem como para os Gurus si.  Foi comparado com o Guru si mesmo. "O bani é o Guru Guru e bani" cantou Guru Ram Das medida em Nat Narain.  Acumulando o cânone, Guru Arjan desejava apor o selo da palavra sagrada.  Foi também a ser a fonte perene de inspiração e os meios de auto-perpetuação para a comunidade.

 Guru Arjan chamado Bhai Gurdas à sua presença e expressou a ele o desejo de que as composições dos Gurus, bem como as de alguns dos santos e sufis ser recolhidos.  Massagens foram enviados para os discípulos para reunir e transmitir-lhe os hinos de seus antecessores. Baba Mohan, filho de Guru Amar Das , Nanak III, tinha duas coleções de manuscritos dos hinos da Gurus 'herdou de seu pai.

 Bhai Gurdas viajou para Goindwal para trazer esses Pothis mas o proprietário recusou-se a vê-lo. Baba Buda, uma das mais antigas Sikhs dos dias Guru Nanak, foi da mesma forma se afastaram de sua porta.  Então Guru Arjan foi ele mesmo.  Sentou-se na rua abaixo da casa Mohan, serenata a ele em sua tambura.  Mohan foi desarmado para ouvir o hino.  Ele desceu com o pothis e apresentou-os ao Guru.  Como diz o Gurbilas, o pothis foram colocados em um palanquim enfeitado com pedras preciosas.  Os Sikhs levavam em seus ombros e Guru Arjan andou para trás com os pés descalços.  Ele se recusou a montar o seu cavalo, dizendo que o pothis foram o próprio espírito dos quatro Gurus - seus antecessores.

A viagem com o Pothis

 A cavalgada partiu em viagem Khadur Sahib para fazer reverência em santuários sagrados para Guru Angad .  Dois kos de Amritsar , que foi recebido pelo Hargobind, filho Guru Arjan, acompanhado por um grande número de sikhs.  Ele se curvou aos pés de seu pai e derramou pétalas na frente do pothis.  Guru Arjan, Hargobind, Bhai Gurdas e Bhai Buddha agora carregava o palanquim sobre os seus ombros e marcharam em direção Amritsar, liderada por músicos, com flautas e tambores.

 Em Amritsar, Guru Arjan primeira foi para o Sahib Harimandir para oferecer Karah Prasad em agradecimento.  Para citar o Gurbilas novamente, um atraente local no meio de uma floresta nos arredores de Amritsar foi marcado pelo Guru Arjan.  Tão densa era a vegetação que nem mesmo um moonbeam podia rezar para ele.  Era como Panchbati si, tranquilo e pitoresco.  Uma tenda foi içado neste cenário idílico.  Aqui Guru Arjan e Bhai Gurdas começou a trabalhar no volume sagrado.

A inscrição do Granth

 O making of do Granth não foi uma tarefa fácil.  Que envolveu o trabalho sustentado e uma rigorosa disciplina intelectual.  Seleções tiveram que ser feitas a partir de uma vasta quantidade de material.  Além de composições dos quatro Gurus anterior eo Guru Arjan que ele mesmo era um poeta com uma introspecção rara espiritual, havia canções e hinos de santos, tanto hindus e muçulmanos.  O que era genuíno tinha que ser peneirada a partir do que foi falsificado.  Em seguida, o material selecionado tinha que ser atribuídos a medidas adequadas musical e transcritas em uma ordem minuciosamente definidos.

 Guru Arjan realizou o trabalho com exatidão extraordinária.  Ele organizou os hinos em trinta ragas diferentes, ou padrões musicais.  Um método preciso foi seguido na criação das composições.  Primeiro veio shabads pela Gurus na ordem de sua sucessão.  Então veio mãos, vars [ desambiguação necessário ], e outras formas poéticas em uma ordem definida.  As composições dos Gurus em cada raga foram seguidos por aqueles do Bhaktas no mesmo formato. Gurmukhi foi o script usado para a transcrição.

 Um gênio, único no discernimento espiritual e não despreocupado com desenho metodológico, tinha criado uma escritura com um tom exaltado mística e um alto grau de organização.  Era grande em tamanho, cerca de 7.000 hinos, compreendendo composições dos cinco primeiros Gurus Sikhs e quinze Bhaktas e Sufis de diferentes partes da Índia , incluindo Sheikh Fariduddin Ganjshakar , Kabir e Ravidas .

Granth foi concluída

 O Volume Sagrado consistia em 974 folhas, ou 1.948 páginas, 12 "X 8", com vários outros em branco no fim de um raga quando não havia shabads suficiente para encher a seção que lhe é atribuído.  O site destes trabalhos maravilhosos hoje é marcado por um santuário chamado Gurdwara Ramsar.

 A conclusão do Granth Sahib foi, diz o "Gurbilas", comemorada com alegria muito.  Em ação de graças, Karah Prasad foi preparado em grandes quantidades.  Sikhs vieram em grande número para ver o Livro Sagrado.  Alegraram-se em seus corações por uma visão dele e se inclinou diante dela em veneração.  Entre os visitantes foi Bhai Banno, que liderou um grupo de Sikhs de Mangat , no oeste do Punjab .

Vinculando o Granth

 Guru Arjan queria ter a escritura terminou santo vinculado.  Ele enviou Bhai Banno de Lahore para ter esta concluída.  Banno pediu permissão do Guru para ser autorizado a levar o Granth Sahib primeiro a Mangat para os Sikhs lá para vê-lo.  O Guru permitiu isso, mas ordenou-lhe para não ficar em Mangat, ou em qualquer outro lugar, mais do que uma noite.

 Como Bhai Banno deixou Amritsar com seu cargo sagrado, ocorreu-lhe ter uma segunda cópia transcrita.  A primeira cópia, argumentou ele, permaneceria com o Guru.  Deve haver um adicional para o sangat .  Direção do Guru foi que ele não deveria ficar mais tempo do que uma noite em um lugar, mas ele tinha dito nada sobre o tempo a ser gasto na viagem.  Assim, ele prosseguiu com seus planos e enviou um Sikh para comprar papel.

 Ele propôs a seus companheiros que eles deveriam viajar de marchas fácil de cinco quilômetros por dia.  O tempo, assim, salvou foi utilizada na transcrição do texto sagrado.  Sikhs escreveu com amor e devoção e ninguém esquivou seu dever se era dia ou noite.  No momento em que chegou a Lahore , a segunda cópia estava pronta.  Mas Banno tinha adicionado a ele alguns textos apócrifos.  Ele tinha dois volumes encadernados e voltou para Amritsar tão rápido quanto podia.

O Granth chega

 Em Amritsar , Banno foi recebido com a devida cerimônia, embora Guru Arjan não fiquei um pouco surpreso de ver dois volumes em vez de um.  Bhai Banno falou com sinceridade: "Senhor, não há nada que se esconde de você Esta segunda cópia eu tinha feito para o bem do. sangat "Mas o Guru colocou o seu selo só no volume escrito por Bhai Gurdas de mão.  Ele ordenou que o Sikhs própria igual com o Guru Granth e não fazem distinção entre os dois.  "Quem gostaria de ver o Guru, deixá-lo ver o Granth. Aquele que iria procurar palavra do Guru, que ele leia a Granth com amor e atenção."

 Guru Arjan pediu a seu Sikhs onde o Granth Sahib ser instalado.  Bhai Buda disse: "Você é onisciente, Mestre! Mas não há lugar mais adequado que o Harimandir." O Guru ficou feliz ao ouvir essas palavras "como aquele que tem visão da lua nova." Ele então recitou o louvor da Harimandir : "Não há nada parecido em todos os três mundos Harimandir é como o meio-navio para o povo para atravessar o oceano do mundo triunfante A nova alegria invade aqui todos os dias A visão de que anula todos os pecados...."

A reverência e respeito

 Foi decidido passar a noite em Ramsar e voltar para Amritsar , na manhã seguinte.  O Granth Sahib repousava sobre uma cadeira sob o dossel, enquanto que o Guru e os Sikhs dormia no chão.  Um discípulo tinha que ser escolhido para assumir o comando do Granth Sahib.  Como diz o Gurbilas, Guru Arjan acordado durante a noite refletindo sobre a questão.  Formalmente sua escolha recaiu sobre antigos Bhai Buddha, cuja devoção foi universalmente aplaudido.

 À medida que acordou, o Guru e sua Sikhs fez abluções em Ramsar.  O primeiro lá em cima praticados sua meditação habitual.  Ao amanhecer, toda a sangat marcharam em direção Harimandir .  Bhai Buddha realizado o Livro Sagrado em sua cabeça e Guru Arjan andou para trás balançando o whisk sobre ele.  Músicos cantaram shabads .  Assim que chegaram ao Harimandir .  O Granth Sahib foi cerimonialmente instalado no centro do santuário interior de Bhadon Sudi 1, 1661 SK / 01 setembro de 1604. Bhai Buddha abriu com reverência para obter do mesmo a ordem divina, como Guru Arjan estava no comparecimento para trás.

 O hino seguinte foi lida como o anúncio do próprio Deus para a ocasião:

 "Ele mesmo vos socorreu Seus santos, no seu trabalho, Ele mesmo vem para ver a sua tarefa cumprida Bendita é a terra, abençoou o tanque de Bem-aventurado o tanque com amrit cheia Amrit transbordava do tanque: Ele tem tido a tarefa concluída;... Eterno é o Ser Perfeito, Seus louvores Vedas e Puranas cantar. O Criador tem concedido em mim os nove tesouros, e todos os carismas, sem falta faço sofrer agora. desfrutando de sua generosidade, bem-aventurança tenho alcançado, sempre em expansão é o Senhor generosidade. "

Fonte: Wikipédia em inglês

 

MUL MANTAR

O Mul Mantar ( Punjabi : ਮੂਲ ਮੰਤਰ, Mula Matar, pronunciado Mool Mantar) é a primeira composição do Sikh livro sagrado, o Adi Granth

É uma série de afirmações e é a base da teologia Sikh. [1] A Mul Mantar é a primeira composição do Guru Nanak e da origem do Adi Granth .  A Adi Granth começa com a Mul Mantar e ocorre mais de uma centena de vezes ao longo do texto. [2] A Mul Mantar é a parte mais conhecida de Sikh escritura mas tem um desafio para os tradutores. [3]

Etimologia

 Mul significa raiz, tem uma origem etimológica semelhante à linguagem Punjabi Muli palavra que significa rabanete branco . [4] A Mantar ou Mantra é "uma fórmula de autorização para a repetição".  O Mul Mantar é, portanto, a declaração raiz do Sikhismo. [5]

Tradução

 O Mul Mantar consiste de substantivos e adjetivos , mas sem verbos ou pronomes .  Além disso, os substantivos no Mul Mantar não têm contrapartidas exatas nas línguas europeias e as Gurmukhi script não faz distinção entre letras maiúsculas e minúsculas.  Assim, representa um desafio para os tradutores.

 A primeira afirmação , por exemplo, Ik Onkar foi processado várias maneiras.  Foi traduzido como "'Há um só Deus", como "Uma realidade é' e 'Este ser é um" ea capitalização variando de "Deus", "Realidade", ou "Ser" afeta o significado em Inglês . [6]

 Um certo número de traduções erroneamente mudar a Mul Mantar de uma lista de qualidades para uma declaração de fatos e adjetivos possessivos . [7] Por exemplo, eles podem mudar Satnam de "verdade por nome" para "Seu nome é a verdade", que adiciona um masculina de qualidade para Deus, que não aparece no original Gurmukhi . [8]

Referências

1.    Nesbitt, Eleanor M. (2005/11/15). Sikhismo: uma introdução muito curta .  Oxford University Press.  pp 22-24. ISBN 9780192806017 . http://books.google.com/books?id=8McnoJrNfB0C .  Retirado 17 de julho de 2010. 

2.    Kalsi, Sewa Singh; Marty, Martin E. (2005-03). Sikhismo .  Publishers Chelsea House.  p.  47. ISBN 9780791083567 . http://books.google.com/books?id=INgxOAAACAAJ .  Retirado 17 de julho de 2010. 

3.    Nesbitt, Eleanor M. (2005/11/15). Sikhismo: uma introdução muito curta .  Oxford University Press.  pp 22-24. ISBN 9780192806017 . http://books.google.com/books?id=8McnoJrNfB0C .  Retirado 17 de julho de 2010. 

4.    Nesbitt, Eleanor M. (2005/11/15). Sikhismo: uma introdução muito curta .  Oxford University Press.  pp 22-24. ISBN 9780192806017 . http://books.google.com/books?id=8McnoJrNfB0C .  Retirado 17 de julho de 2010. 

5.    Nesbitt, Eleanor M. (2005/11/15). Sikhismo: uma introdução muito curta .  Oxford University Press.  pp 22-24. ISBN 9780192806017 . http://books.google.com/books?id=8McnoJrNfB0C .  Retirado 17 de julho de 2010. 

6.    Nesbitt, Eleanor M. (2005/11/15). Sikhismo: uma introdução muito curta .  Oxford University Press.  pp 22-24. ISBN 9780192806017 . http://books.google.com/books?id=8McnoJrNfB0C .  Retirado 17 de julho de 2010. 

7.    Nesbitt, Eleanor M. (2005/11/15). Sikhismo: uma introdução muito curta .  Oxford University Press.  pp 22-24. ISBN 9780192806017 . http://books.google.com/books?id=8McnoJrNfB0C .  Retirado 17 de julho de 2010. 

8.    Nesbitt, Eleanor M. (2005/11/15). Sikhismo: uma introdução muito curta .  Oxford University Press.  pp 22-24. ISBN 9780192806017 . http://books.google.com/books?id=8McnoJrNfB0C .  Retirado 17 de julho de 2010. 

Leitura mais adicional

•    Macauliffe, MA (1909) A religião Sikh:. Escritos Sagrados seus gurus e autores.  Preço baixo Publicações. ISBN 81-7536-132-8 . 

•    Manilha, C (1981). Um Guru Nanak Glossário.  Escola de Estudos Orientais e Africano. ISBN 0728602431 . 

•    Singh, Dalip (1999). Sikhismo nas palavras do Guru.  Lok Sahit Prakashan.  B0000CPD3S ISBN. 

•    Singh, Dr. Gopal (1962). Guru Granth Sahib, Vol.1.  Taplinger Publishing Co..  ISBN. 

•    Singh, Dr. Santokh (1990). Transliteration Inglês e Interpretação de Baanees Nitnaym, Orações Sikh para Inglês Falando Juventude Sikh.  Sikh Centro de Recursos. ISBN 1-895471-08-7 . 

•    Osho (1994) O Nome Verdadeiro, Vol.1:. Discursos sobre Japji Sahib de Guru Nanak Dev.  New Age International (P) Ltd. ISBN 81-224-0606-8 . 

•    Dr Sahib Singh, D Lit (Jan 1972). Shiri Guru Granth Sahib Darpan.  Raj Publishers (Regd), Adda Husharpur Jallundhar.

Fonte: Wikipédia em Inglês

< Voltar para a Página Principal >

23.3.33 - CINCO BANIS

 O Sikh iniciado é convidado pelo Piare Panj durante a cerimônia de Sanchar Amrit a recitar os seguintes cinco Banis todas as manhãs como um compromisso com o Gurus Sikh e Waheguru.

Cinco Banis são: Japji Sahib, Jaap Sahib, Rehras, sohila e Amrit Savaiye-Banis estes são geralmente recitado diariamente por todos os Sikhs dedicou no início da manhã.
 

Japji Sahib

É a primeira composição sagrados encontrados nos principais Sikh Sagrada Escritura chama o Guru Granth Sahib. É um resumo famosos e concisa da filosofia Sikh, que foi compilado pelo fundador do Sikhismo eo primeiro guia espiritual dos sikhs mundialmente conhecido como Guru Nanak.

 

A compilação consiste na Mantar Mool, um Salok abertura ou verso, um conjunto de 38 Pauris ou hinos e uma Salok fechamento final. Este Bani chamado Japji Sahib, aparece no início do Guru Granth Sahib da página 1 à página 8 do Livro Sagrado dos Sikhs Nay! da Humanidade. Ele, o mais importante "conjunto de versos" Bani ou, e é carinhosamente recitado por todos os Sikhs todas as manhãs. A palavra 'japa' significa 'recitar' / 'para' cantar '/' para manter o foco em ". "Ji" é uma palavra que é usada para mostrar respeito como é a palavra 'Sahib'.

 

Japji Sahib

É a primeira composição sagrados encontrados nos principais Sikh Sagrada Escritura chama o Guru Granth Sahib. É um resumo famosos e concisa da filosofia Sikh, que foi compilado pelo fundador do Sikhismo eo primeiro guia espiritual dos sikhs mundialmente conhecido como Guru Nanak.

 

A compilação consiste na Mantar Mool, um Salok abertura ou verso, um conjunto de 38 Pauris ou hinos e uma Salok fechamento final. Este Bani chamado Japji Sahib, aparece no início do Guru Granth Sahib da página 1 à página 8 do Livro Sagrado dos Sikhs Nay! da Humanidade. Ele, o mais importante "conjunto de versos" Bani ou, e é carinhosamente recitado por todos os Sikhs todas as manhãs. A palavra 'japa' significa 'recitar' / 'para' cantar '/' para manter o foco em ". "Ji" é uma palavra que é usada para mostrar respeito como é a palavra 'Sahib'.

 

 

Shabad Hazaray

É a Bani de saudade do amado Guru. Foi escrito por Guru Arjan, quando ele foi separado de Guru Ram Das, seu pai por um período de tempo. Durante esse período de separação, enviou estas três cartas para seu amado Guru e pai expressando seu desejo pela "visão abençoada do Guru".

 

Recitando este shabad traz união com o amado o seu, que expressa em termos de profundidade o verdadeiro sentido, a dor da separação, a dor sofrida pelos do coração quando o pensamento permanece focado apenas em união e nada mais tem qualquer significado, quando tudo o resto perde qualquer interesse ou significado. É uma final na expressão de amor e saudade para o Guru Divino.

 

A quarta parte foi acrescentado pelo Guru Arjan no momento da união com o Guru Ram Das.

 

Em 1581 adiantado, um primo do Guru Ram Das, o quarto Sikh Guru veio para Amritsar de Lahore especialmente para pedir Guru sahib para assistir ao casamento de seu filho. O Guru não pôde comparecer por isso ele pediu a cada um de seus três filhos. Apenas Arjan concordou em ir para o casamento em Lahore. O Guru lhe disse para ficar lá e mantenha Guru-ka-Langar e difundir os ensinamentos do Guru até o Guru lhe enviou uma carta pedindo-lhe para voltar para Amritsar.

 

Arjan obedientemente seguiu as instruções do Guru. Ele assistiu ao casamento e iniciou uma Darbar Guru e Langar em Lahore. Ele era muito amado por seus parentes e os sangat Sikh. No entanto, depois de alguns dias, ele começou a perder o seu Guru pai. Ele expressou seu desejo em uma carta que ele enviou a seu pai. No entanto, esta carta foi interceptada por seu irmão mais velho, Prithi Chand. Arjan, em seguida, enviou uma segunda carta, esta também não chegou a seu pai. Assim, com a terceira letra, ele deu instruções claras para a letra a ser entregues em mão a seu pai Guru Ram Das.

 

 

Tradução do inglês para português

 

Jaap sahib

Jaap é a bani (conjunto de hinos) proferidas pelo Guru Gobind Singh ji, o Décimo Guru Sikh, o Décimo Nanak. É um dos Cinco Banis recitado pela maioria dos Sikhs praticar todas as manhãs e as bani que o Pyaré Panj recitar enquanto prepara Amrit, por ocasião do Amrit Sanchaar (Sikh Iniciação), numa cerimónia realizada a admitir inicia na Fraternidade Khalsa. É a bani segundo dos cinco na rotina diária da manhã a oração de um Sikh.

 

Este bani tem o mesmo lugar no Granth Sahib Dasam como o Japji tem no Guru Granth Sahib.

 

Guru Gobind Singh era um adorador de um Deus (Akal), este é comprovada pela primeira estrofe do Jaap sahib. Guru Gobind Singh ji concluído este bani antes de 1699, porque este bani foi recitado durante a instalação do Khalsa. Professor Sahib Singh diz que, "Guru Gobind Singh foi Nahan em 1684 e viveu lá por aproximadamente três anos. Durante estes três anos guru Sahib pode ter composto a Jaap Sahib, o Swaiyey eo Ustat Akal.

 

Sudha Swayas:

A Bani composta por Guru Gobind Singh, que nos diz como adorar e perceber Deus. Este Bani aparece na Granth Dasam nas páginas 13 a 15. Relatos históricos diz que esta foi composta para bani Bhim chand raja quando gru ji estava em pauta para mostrar a ele que por ter milhares de forças ou infinito de terra ou de um reino canot atingir deus.

 

Benti Chaupai

Benti Chaupai ou Chaupai sahib é uma oração ou Bani composta por décimo Guru Sikh, Guru Gobind Singh. Este Bani é um dos cinco Banis recitado pelo Sikh iniciado todas as manhãs. É também uma parte da oração da noite dos Sikhs chamado Rehras sahib. O Chaupee Benti pode ser lido a qualquer momento durante o dia para fornecer o foco de proteção, positiva e energia.

 

É curta composição que geralmente leva menos de cerca de 5 minutos para recitar a um ritmo lento, é escrito em linguagem Punjabi simples e pode ser facilmente entendida pela maioria dos falantes desta língua.

 

Chaupai é o nome curto para a oração Sikh ou Gurbani cujo nome completo é Kabiobach Bainti Chaupai. Esta composição faz parte dos mais importantes Sikh segundo livro sagrado chamado Granth Dasam. O Bani vem após a seção chamada Charitropakhyan. Muitos "charitars" (truques, enganos) do mundo são mostrados na Charitropakhyan. Charitars destacar as energias negativas que podem ser encontrados na terra. Depois Charitars compor, o mestre décimo compôs a seção que inclui este bani particular. É um Ardas ou 'pedido' ou 'apelo sincero "a Deus por proteção.

 

O sub-seções desta composição são os seguintes:

1.Kabiyo Bach Benti Chaupai

2.Arril e Chaupai (que segue Benti Chaupai como está escrito no Dasam Sri Granth. Essas estrofes curtas agir como conclusão desta Bani antes da Zafarnama)

3.Savaiye e Dohra (compilado a partir de uma seção anterior do Sri Dasam Granth)

 

Método e Propósito

Este bani é recitada todas as manhãs por Sikhs dedicados. Também faz parte da oração da noite chamado de Sahib Rehras, que Sikhs recitar todas as noites.

 

O Bani oferece proteção e segurança e Sikhs muitos recitar este Bani para ganhar segurança espiritual e defesa contra inimigos externos e internos, preocupações e aflições. O texto Gurmukhi é muito poderoso e dá uma auto-confiança e um sentimento otimista. Este Bani dá a sensação de fiabilidade e segurança no Senhor. Se alguém tem sentimentos negativos e uma falta de confiança no futuro, deve-se recitar este Bani para obter um impulso imediato.

 

Abaixo estão as quatro início Dísticos de 27 desta oração: Kabiyo Baach Bayntee Chaupa-ee

Por favor guarde-nos com as mãos. Todos do meu coração desejos são realizados. Minha mente está focada em seus pés. Ampara-nos como seus próprios. (1)

Destruir todos os meus inimigos. Com as mãos me proteger. No Bliss permanece minha casa, servo, Sikh, ó Criador! (2)

Dê-me sua proteção pessoal. Conter todos os meus adversários, hoje. Você já cumpriu os meus desejos. Minha sede de seu culto cresce. (3)

Leaving You, que eu nunca adorar outro. Todas as minhas necessidades, eu recebo de você. Você salvaria minha Sikhs e Devotos. Um por um que você destruir meus inimigos. (4)

 





 

 


 

< Voltar para a Página Principal >

23.3.34 -

 

< Voltar para a Página Principal >

23.3.34 -

 

< Voltar para a Página Principal >

 
   

Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

Página Principal