Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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310.6.5 - RamaKrishna

 

Ramakrishna Paramahamsa (Bengali: রামকৃষ্ণ পরমহংস), nascido Gadadhar Chattopadhyay (Bengali: গদাধর চট্টোপাধ্যায়), (18 de Fevereiro, 1836 - 16 de Agosto, 1886), foi um dos mais importantes líderes religiosos Hindus da Índia, e foi profundamente reverenciado por milhões de Hindus e não-Hindus como um mensageiro de Deus. Ramakrishna foi uma figura influente na Renascença Bengali do século XIX. Swami Vivekananda, um dos seus maiores discípulos descreveu Ramakrishna Paramahamsa como: "Ele que foi Rama, Ele que foi Krishna, agora é Ramakrishna neste corpo."

Biografia:
Historicamente, na Índia, a ênfase dada aos ensinamentos dos santos e pouca, tanto em datas quanto em detalhes. No caso de Ramakrishna entretanto, nós temos um autentico registro de sua vida e obra. Isto foi possivel por causa do cuidado que seus discípulos tiveram em preservar apenas os fatos advindos de inúmeras fontes. O credito principal por preservar estes fatos vai para o Swami Saradananda, um discipulo de Ramakrishna. Ele escreveu uma bibliografia autorizada para marcar a diferença entre os fatos e as histórias que cresciam em volta do nome de Ramakrishna. Um nova tradução em inglés da obra de Swami Chetanananda, hoje esta disponivel em livrarias.

Entretanto, o melhor registro dos ensinamentos de Sri Ramakrishna Bengali Kathamrita escrito por Sri Mahendranath Gupta (Sri M.). A tradução desta obra para lingua inglesa, O evangelho de Sri Ramakrishna de Swami Nikhilananda, e certamente o mais amplamente lido. No prefacio da tradução, Nikhilananda menciona, "Eu fiz um tradução literal, omitindo apenas algumas paginas, sem particular interesse para os leitores ingleses ." Alguns dizem que estas omissões de Nikhilananda, surgem problemas de interpretação do Kathamrita.


Infância
Gadadhar nasceu na vila de Kamarpukur, que é agora um distrito santificado de Bengali ocidental. os pais de Gadadhar, Khudiram e Chandramani, eram pobres e sempre tinham grandes dificuldades. Gadadhar era conhecido como mascote da vila. Ele era considerado habíl com as mãos e tinha o dom natural para a arte. Ele, entretanto, não gostava de ir para escola, e não tinha interesse em ganhar dinheiro. Ele adorava a natureza e passava horas nos campos e jardins frutíferos fora da cidade, com seus amigos. Ele era visto visitando os monges que fazia o trajeto para Puri. Ele os ajudava e escutava com atenção, os debates religiosos que eles frequentimente discutiam.

Quando os preparativos para Gadadhar ser investido no caminho sagrado (Upanayana) estavam quase completos, ele declarou que teria sua primeira alms como Brahmin de uma certa mulher da etnia Sudra da vila (os hindus são extremamente precoceituosos e uma sudra é considerada uma intocavel). Este foi um choque nos dias em que as tradições exigiam que a primeira alms fosse uma brahmin, mas ele foi inflexivel. Ele disse ter dado a sua palavra a mulher e se ele não mantivesse a sua palavra, que tipo de Brahmin ele poderia ser? Sem argumento, sem apelo, não importando as lagrimas para convence-lo ele ficou firme na sua posição. Finalmente, Ramkumar, seu irmão mais velho e cabeça da familia após a morte do seu pai, deu seu consentimento.

Enquanto isso, a condição financeira da familia piorava a cada dia. Ramkumar foi para uma escola de Sanscrito em Calcutá e também serviu como sacerdote purohit para algumas famílias. Nesta epoca, uma mulher rica de Calcutá, Rani Rashmoni, fundou um templo em Dakshineswar. Ela pediu para que Ramkumar servisse como sacerdote no templo de Kali e Ramkumar concordou. Após certa persuasão, Gadadhar concordou em decorar a deidade. Quando Ramkumar se afastou, Gadadhar tomou seu lugar como sacerdote.

Iniciação
Ramakrishna foi iniciado em Advaita Vedanta por um monge peregrino chamado Totapuri, na cidade de Dakshineswar. Totapuri era "um professor viril de aparência severa e feições ásperas , e uma voz forte". Ramakrishna logo afetuosamente apelidou o monge de Nangta ("homem nu"), por ele ser um sannyasin (renunciante), ele não usava roupas.[2]

Eu [Ramakrishna] disse a Totapuri em desespero: "Isto não é bom. Eu nunca serei capaz de libertar o meu espírito para um estado incondicionado e estar face a face com o Atman." Ele [Totapuri] repreendeu severamente: "O que você quer dizer com não pode? Você deve!" olhando para ele, ele achou um pedaço de vidro. Ele pegou e bateu num ponto entre as minhas sobrancelhas e disse: "Concentre sua mente neste ponto." [...] A última barreira desaparecerá e meu espírito imediatamente precipitou-se para além do plano de condicionamento. Eu me perdi em samadhi.[3]

Embora Sri Ramakrishna fosse analfabeto ele entendia complexas filosofias. De acordo com ele o universo visível e todos os outros universos(brahmanda)são apenas bolhas emergindo de um oceano de inteligência (Brahman) (Gospel de Ramakrishna, vol. 4).

Os conceitos chave nos ensinamentos de Ramakrishna são:

A unicidade da existência
A divindade de todos os seres vivos
A unidade de Deus e a harmonia das religiões
A principal amarra na vida humana é a luxúria e a cobiça (kamini e kanchana, em Bengali)
Uma parte da sua vida e ensinamentos é recordada por seu discípulo, Mahendranath Gupta, conhecido como "M", no Kathamrita, que nos mostra a forma distinta que Ramakrishna usava em suas conversas, seu profundo emprego de metáforas e parábolas, seu característico humor e seu frequente uso do dialeto Bangali.

Como Adi Sankara fez a mais de mil anos antes, Ramakrishna Paramahamsa revitalizou o Hinduismo que tinha sido fragilizado com o excessivo ritualismo e superstição no século dezenove e ajudou a melhorar a resposta ao desafio do Islam, Cristianismo e o alvorecer de uma nova era. Entretanto, diferente de Adi Sankara Ramakrishna devenvolveu ideias sobre o pos-samadhi Ascendência da consciência no mundo fenomênico, que ele descreveu com o termo Vignana. Enquanto ele defendeu a suprema validade do Advaita Vedanta, ele também proclamou aceitar ambos o Nitya (Eterno Substrato) e o Leela (a dinâmica fenomênico da Realidade) como um aspecto de Brahman.

A ideia da ascendência da consciência mostra a influencia pelo movimento Bhakti e certa sub-escolas do Shaktismo no pensamento de Ramakrishna. A idea mais tarde influenciou a visão de Aurobindo sobre a vida divina na Terra.

Hinduísmo
Pode-se dizer que de certa maneira a Renascença Hindu que a Índia experimentou no século XIX foi impulsionada por sua vida e obra. Embora o Brahmo Samaj e o Aryal Samaj precedam a Missão de Ramakrishna, sua influência foi limitada num nível mais amplo. Com o surgimento da Missão, no entanto, a situação mudou dramaticamente. A Missão de Ramakrishna foi fundada por Ramakrishna quando distribuiu o plano da renúncia a seus discípulos diretos. Isto é corroborado por Vivekananda, quando diz que sem a graça do Thakur nada teria sido possível. Muitos seguidores de Ramakrishna acreditam que Vivekananda agiu como mensageiro do mestre no Ocidente e doravante ajudou na realização de sua missão espiritual.

O Hinduísmo encarou o desafio intelectual do século XIX, dos ocidentais e Indianos de forma diferente. A prática Hindu de adoração de ídolos esteve sobre intensa pressão especialmente em Bengali, até então o centro da Índia Britânica, e foi declarado intelectualmente insustentável. A resposta a isto foi variada: movimentos de jovens de Bengali abandonaram o Hinduísmo e abraçaram o Cristianismo ou o ateísmo, o movimento de Brahmo manteve a primazia do Hinduísmo, mas desistiu da adoração de ídolos e lançou o nacionalismo Hindu de Bankim Chandra Chattopadhyay. A influência de Ramakrishna foi crucial neste período de renovação para as tradições Hindus, e pode ser comparada a contribuição de Chaitanya nos séculos anteriores, quando o Hinduísmo em Bengali esteve sob pressão similar com o crescimento da força do Islã.

É difícil dar uma descrição ampla da influência de Ramakrishna sobre o Hinduísmo, e de quão profunda ela foi, mas algumas de suas contribuições mais importantes não podem deixar de ser percebidas. Na adoração da Murti da mãe Kali, ele questionava a razão da adoração de ídolos – se estava adorando um pedaço de pedra, uma deusa viva ou um ser vivo, porque ela não respondia a suas preces. Ele foi tranquilizado várias vezes por experiências que mostraram a ele que ela estava presente. Por muitos que foram convertidos por ele, isto reforçou as velhas tradições que tiveram um holofote sobre as mesmas neste momento. Ramakrishna também excursionou por outras versões de religião, declarando Joto mot toto path. Em Bengali, isto significa Toda opinião leva ao caminho. Ele adotou um nome claramente Vaishnavita (Rama e Krishna foram encarnações de Vishnu), mas ele era devoto de Kali, a deusa mãe, e era conhecido por seguir varias outras religiões incluindo o Tantrismo, o Cristianismo e o Islam.


Sem nacionalismo indiano
O impacto do Ramakrishna no crescente nacionalismo indiano foi um pouco mais indireto, mas bastante notável. Um grande número de intelectuais dessa época tiveram reuniões regulares com ele e o respeitavam, embora nem todos necessariamente concordassem com ele nas questões religiosas. Numerosos membros do Brahmo Samaj respeitavam-no. Embora alguns deles criticassem sua forma de Hinduísmo, o fato de não demonstrar que simpatizava em o uma possibilidade para uma identidade nacional forte perante um adversário colonial que intelectualmente subvertia a civilização indiana. Uma declaração semelhante pode ser feita sobre o fato de Ishwar Chandra Vidyasagar e Ramakrishna terem-se em alta estima, apesar do primeiro ser um ateu declarado.

Fonte: Wikipédia

 

   

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