Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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23.3.1.4 - PASSAGENS  DA BÍBLIA

 

23.3.1.4.01 - JARDIM DO ÉDEN - PARAÍSO

23.3.1.4.02 - A ARCA DE NOÉ 

23.3.1.4.03 - SODOMA E GOMORRA

23.3.1.4.04 - TORRE DE BABEL

23.3.1.4.05 - TROMBETAS DE JERICÓ

23.3.1.4.06 - AS PRAGAS DO EGITO 

23.3.1.4.07 - A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO

23.3.1.4.08 - VIA SACRA (VIA CRÚCIS)

23.3.1.4.09 - ARCA DA ALIANÇA

23.3.1.4.10 - MILAGRES NA BÍBLIA

23.3.1.4.11 -

23.3.1.4.12 -

23.3.1.4.13 -

23.3.1.4.14 -

23.3.1.4.15 -

 

23.3.1.4.1 - JARDIM DO ÉDEN - PARAÍSO

No Livro de Génesis, no jardim do Éden, Deus fez toda a espécie de árvores agradáveis à vista e de saborosos frutos para comer. Nele também colocou, ao centro, a Árvore da Vida e a Árvore da Ciência do Bem e do Mal. Um rio nascia no Éden e ia regar o jardim, dividindo-se a seguir em quatro braços. Segundo a descrição bíblica, O nome do primeiro é Pison, rio que rodeia toda a região de Havilá, onde se encontra ouro puro, bdélio e Ónix ou pedra Sardônica. O nome do segundo rio é Ghion, o qual rodeia toda a terra de Cuche. O nome do terceiro é o Tigre, e corre ao oriente da Assíria. O quarto rio é o Eufrates.

A árvore do conhecimento tinha um fruto que, segundo Eva, manipulada pela serpente (supostamente simbolizando satanás) devia ser bom para comer, pois era de atraente aspecto e precioso para a inteligência. Contudo, apesar de atraente, ou talvez por isso, era o fruto proibido original.

Os relatos que originaram o Gênesis seriam provenientes de uma época em que os mares eram mais baixos [3]. A região do Golfo Pérsico tem uma profundidade média de 50 metros e máxima de 90 metros, portanto toda a área era região acima do nível do mar. Os dois rios atualmente não identificados possivelmente seriam rios que chegariam ao golfo vindos do Irã ou da Península Arábica. O dilúvio teria resultado na subida do nível dos mares, inundando a região do Golfo e conseqüentemente ocultando sob o mar a localização do Jardim do Éden, possivelmente alterando o clima da região e contribuindo para a desertificação da península arábica.

Etimologia

A origem do termo "Éden" em hebraico parece derivar da palavra acade edinu, que deriva do sumério E.DIN. Em todas estas línguas a palavra significa planície ou estepe. A Septuaginta traduz do hebraico (gan) “jardim” para palavra grego (pa·rá·dei·sos) paraíso. Devido a isso, temos a associação da palavra portuguesa paraíso com o jardim do Éden.

O fruto proibido

Várias tradições fazem referências ao fruto proibido de diversas maneiras:

·         Como significando o reconhecimento do certo e do errado;

·         Como conhecimento adquirido por se alcançar o amadurecimento por experiência;

·         Símbolo do direito que o Criador do homem teria de especificar aos seres humanos o que é "bom" e o que é "mau", exigindo a prática do que é bom e a rejeição do que é mau, a fim de continuarem aprovados por Ele.

Ainda outros argumentam que em vista da ordem de ‘serem fecundos e tornarem-se muitos, e de encherem a terra’ (Gên 1:28), o fruto da árvore não poderia ser o símbolo de relações sexuais, visto que esta seria a única maneira de haver procriação. Também há a argumentação de que não podia significar apenas a faculdade de reconhecer o certo e o errado, porque a obediência à ordem de Deus exigia esta discriminação moral. Quanto a referir-se ao conhecimento obtido ao atingir a madureza, argumenta-se que não seria pecado por parte do homem atingir este estágio, nem lógico que seu Criador o obrigasse a continuar imaturo.

 

 

23.3.1.4.2 - A ARCA DE NÓE

A Arca de Noé era, segundo a religião abraâmica, um grande navio construído por Noé, a mando de Deus, para salvar a si mesmo, sua família e um casal de cada espécie de animais do mundo, antes que viesse o Grande Dilúvio da Bíblia. A história é contada em Gênesis 6-12[1][2], assim como no Alcorão e em outras fontes.

Conforme a tradição bíblica, Deus decidiu destruir o mundo por causa da perversidade humana, mas poupou Noé, o único homem justo da Terra em sua geração, mandando-lhe construir uma arca para salvar sua família e representantes de todos os animais e aves. A certa altura, Deus se lembrou de Noé e interrompeu o Dilúvio, fazendo as águas recuarem e as terras secarem. A história termina com um pacto entre Deus e Noé, assim como com sua descendência.

Essa história tem sido amplamente discutida nas religiões abrâmicas, surgindo comentários que vão do prático (como Noé teria eliminado os resíduos animais?) ao alegórico (a arca representa a Igreja como salvadora da Humanidade em decadência). A partir do século I, vários detalhes da arca e da inundação foram examinados, questionados e até colocados em dúvida por estudiosos cristãos e judeus.

Mas, no século XIX, o desenvolvimento da Geologia e da Biogeografia tornaram difícil sustentar uma interpretação literal da história. A partir de então, os críticos da Bíblia mudaram sua atenção para a origem e os propósitos seculares da arca; no entanto, os intérpretes literais da Bíblia continuam a ver a história narrada como chave para sua compreensão da Bíblia e agora exploram a região das montanhas do Ararat, no nordeste da Turquia, onde a arca estaria descansando.

Narrativa

A história de Arca de Noé, de acordo com os capítulos 6 a 9 do livro do Gênesis, começa com Deus observando o mau comportamento da Humanidade e decidido a inundar a terra e destruir toda vida. Porém, Deus encontrou um bom homem, Noé, "um virtuoso homem, inocente entre o povo de seu tempo", e decidiu que este iria preceder uma nova linhagem do homem. Deus disse a Noé para fazer uma arca e levar com ele a esposa e seus filhos Shem, Ham e Japheth, e suas esposas. E, de todas as espécies de seres vivos existentes então, levar para a arca dois exemplares, macho e fêmea. A fim de fornecer seu sustento, disse para trazer e armazenar alimentos.

Noé, sua família e os animais entraram na arca e "no mesmo dia foram quebrados todos os fundamentos da grande profundidade e as janelas do céu foram abertas, e a chuva caiu sobre a terra por quarenta dias e quarenta noites". A inundação cobriu mesmo as mais altas montanhas por mais de seis metros (20 pés), e todas as criaturas morreram; apenas Noé e aqueles que com ele estavam sobre a arca ficaram vivos. A história do Dilúvio é considerada por vários estudiosos modernos como um sistema de dois contos ligeiramente diferentes, entrelaçados, daí a aparente incerteza quanto à duração da inundação (quarenta ou cento e cinquenta dias) e o número de animais colocados a bordo da arca (dois de cada espécie, ou sete pares de alguns tipos) .

Eventualmente, a arca veio a descansar sobre o Monte Ararat. As águas começaram a diminuir e os topos das montanhas emergiram. Noé enviou um corvo, que "voou de um lado a outro até que as águas recuaram a partir da terra". Em seguida, Noé enviou uma pomba, mas ela retornou à arca sem ter encontrado nenhum lugar para pousar. Depois de mais sete dias, Noé novamente enviou a pomba e ela voltou com uma folha de oliva no seu bico e então ele soube que as águas tinham abrandado.

Noé esperou mais sete dias e enviou a pomba mais uma vez, e desta vez ela não retornou. Em seguida, ele e sua família e todos os animais saíram da arca e Noé fez um sacrifício a Deus, e Deus resolveu que nunca mais lançaria maldição à terra por causa do homem, nem iria destruí-la novamente dessa maneira.

A fim de se lembrar dessa promessa, Deus colocou o Arco da Aliança nas nuvens, dizendo: "Sempre que houver nuvens sobre a terra e o arco aparecer nas nuvens, eu me lembrarei da eterna aliança entre Deus e todos os seres vivos de todas as espécies sobre a terra".

A arca nas tradições antigas

Na tradição rabínica

A história da Arca de Noé foi objecto de muita discussão na posterior literatura rabínica. A falha de Noé em advertir outros sobre a inundação foi largamente vista como fonte de dúvidas sobre a sua bondade. Era ele o único virtuoso em uma geração má? De acordo com uma tradição, ele passou adiante a advertência de Deus, plantando cedros por cento e vinte anos antes do Dilúvio, a fim de que os pecadores pudessem ver e ser instados a alterar seu comportamento.

A fim de proteger Noé e sua família, Deus colocou leões e outros animais ferozes a guardá-los contra os ímpios que escarneciam deles e causavam-lhes violência. De acordo com um midrash, foi Deus, não os anjos, que reuniu os animais para a arca, juntamente com os seus alimentos. Como havia necessidade de distinguir entre animais limpos e imundos, os animais limpos se deram a conhecer através do rebaixamento diante de Noé à medida que eles entravam na arca. Uma opinião diferente sustenta que a própria arca distinguia os puros de impuros, admitindo sete dos primeiros e dois dos segundos.

Noé se encarregou dia e noite da alimentação e dos cuidados para com os animais, e não teve sono pelo ano inteiro a bordo da arca. Os animais foram os melhores de suas espécies e assim comportavam-se com extrema bondade. Eles se abstiveram de procriação a fim de que o número de criaturas que desembarcassem fosse exactamente igual ao número que embarcou. O corvo criou problemas, recusando-se a sair quando a Arca de Noé enviou-o primeiro e acusou o Patriarca de querer destruir sua raça, mas, como os comentadores salientaram, Deus quis salvar o corvo para que os seus descendentes fossem destinados a alimentar o profeta Elias.

Os refugos foram armazenados no mais baixo dos três pavimentos, seres humanos e animais limpos sobre o segundo, e os pássaros e animais impuros no topo. Uma opinião diferente situou os refugos no pavimento mais alto, de modo que podiam ser jogados ao mar através de um alçapão. Pedras preciosas, brilhantes como meio-dia, providenciaram luz e Deus assegurou que os alimentos frescos fossem mantidos. O gigante Og, rei de Bashan, esteve entre os salvos, mas, devido a seu tamanho, teve que permanecer fora, passando-lhe Noé alimentos através de um buraco na parede da arca.

Na tradição cristã

Cedo no Cristianismo, escritores elaboraram significados alegóricos para Noé e a arca. Na primeira epístola de Pedro, aqueles salvos pela arca das águas da inundação eram vistos como os precursores da salvação através do batismo dos cristãos, e o rito do batismo anglicano ainda pede a Deus, "que de sua grande misericórdia salvou Noé", que receba na Igreja as crianças levadas para batismo. Artistas freqüentemente retrataram Noé de pé em uma pequena caixa sobre as ondas, simbolizando a salvação de Deus através da Igreja e sua perseverança através do tumulto, e Santo Agostinho de Hipona (354-430), na obra Cidade de Deus, demonstrou que as dimensões da arca correspondiam às dimensões do corpo humano, que é o corpo de Cristo, que é a Igreja. São Jerônimo (347-420) chamou o corvo, que foi enviado adiante e não retornou, de "chula ave de abominação" expulsa pelo batismo; enquanto a pomba e a folha de oliva vieram para simbolizar o Espírito Santo e a esperança de salvação e, eventualmente, de paz.

 

Sacrifício de Noé

Santo Hipólito de Roma (235-), procurando demonstrar que "a arca era um símbolo de Cristo, que era esperado", declarou que a embarcação teve sua porta na parte oriental, que os ossos de Adão foram levados a bordo juntamente com ouro, mirra e resina, e que a arca foi lançada ao vaivém nas quatro direções sobre as águas, fazendo o sinal da cruz, antes de eventualmente parar no Monte Kardu, "a leste, na terra dos filhos de Raban, e os orientais chamaram-na de Monte Godash; os árabes e os persas chamaram-na de Ararat".

Em um plano mais prático, Hipólito explicou que a arca foi construída em três pavimentos, o mais baixo para os animais selvagens, o do meio para aves e animais domésticos e o nível mais alto para seres humanos, e que os animais machos foram separados das fêmeas por grandes estacas, para ajudar a manter a proibição contra a coabitação a bordo do navio. Do mesmo modo, Orígenes (182-251), respondendo a um crítico que duvidava de que a arca pudesse conter todos os animais do mundo, e seguindo uma discussão sobre cúbitos, sustentou que Moisés, o tradicional autor do livro do Gênesis, tinha sido ensinado no Egito e, por isso, utilizava (no texto bíblico) os cúbitos egípcios, que eram maiores. Ele também fixou a forma da arca como uma pirâmide truncada, retangular, em vez de quadrada em sua base, e afunilando-se em um quadrado na lateral; não foi até o século XII que se veio a pensar na arca como uma caixa retangular com um teto inclinado.

Na tradição islâmica

Noé (Nuh) é um dos cinco principais profetas do Islã, geralmente mencionado em conexão com o destino daqueles que se recusam a ouvir a Palavra. As referências estão espalhadas através do Alcorão, com a máxima consideração à surata 11:27-51, intitulada "Hud".

Em contraste com a tradição judaica, que usa um termo que pode ser traduzido como uma caixa ou um peito para descrever a arca, a surata 29:14 refere-se a ela como um safina, um navio ordinário, e a surata 54:13 cita-a como "uma coisa de tábuas e pregos". A surata 11:44 diz que ela foi parar no Monte Judi, identificado pela tradição como uma colina perto da cidade de Jazirat ibn Umar, na margem oriental do Tigre, na província de Mosul, no norte do Iraque.

Abd Allah ibn Abbas, contemporâneo de Maomé, escreveu que Noé estava em dúvida quanto a que forma dar a arca, e que Deus revelou-lhe que era para ser modelada como uma barriga de ave e feita com madeira de teca. Noé então plantou uma árvore, que em vinte anos havia crescido o suficiente para proporcionar-lhe toda a madeira de que ele necessitava.

O historiador persa Abu Ja'far Muhammad ibn Jarir al-Tabari, autor de História dos Profetas e Reis (915-), incluiu inúmeros detalhes sobre a Arca de Noé, não encontrados em nenhuma outra parte, por exemplo, ele diz que a primeira criatura a bordo foi a formiga e a última foi o burro, por meio dos quais Satanás veio a bordo. Ele também diz que quando os apóstolos de Jesus manifestaram o desejo de aprender sobre a arca de uma testemunha ocular, ele respondeu com uma ressurreição temporária de Ham, filho de Noé, dos mortos, que lhes disse mais: para lidar com o excessivo excremento, Noé criou milagrosamente um par de porcos, que saíram da cauda do elefante, e, para lidar com um rato clandestino, Noé criou um par de gatos a partir do nariz do leão.

Abu al-Hasan Ali ibn al-Husayn Masudi (956-) disse que o local onde ela veio a descansar poderia ser encontrado no seu tempo. Masudi também disse que a arca começou sua viagem em Kufa, no Iraque central, e rumou para Meca, onde ela marcou a Kaaba, antes de viajar finalmente para Judi. A surata 11:41 diz: "E ele disse, 'Ancore-a aqui; em nome de Deus ela se moverá e permanecerá!’". Abdallah ibn Umar al-Baidawi, escrevendo no século XIII, disse que Noé falava "Em Nome de Deus!" quando ele desejava que a Arca se movesse e o mesmo quando ele queria que ela permanecesse no lugar.

A inundação foi enviada por Deus em resposta à oração de Noé, que aquela geração má deveria ser destruída; mas, como Noé era justo, ele continuou a pregar e setenta idólatras foram convertidos e entraram na arca com ele, elevando o total para setenta e oito pessoas a bordo (estes acrescidos de oito membros da própria família de Noé). Os setenta não tiveram descendentes e todos os nascidos depois da inundação da Humanidade são descendentes dos três filhos de Noé. Um quarto filho (ou um neto, de acordo com alguns), Canaã, estava entre os idólatras e foi um dos afogados.

Baidawi deu o tamaho da arca em 300 cúbitos (157 m, 515 pés) de comprimento por 50 (26,2 m, 86 pés) de largura e 30 (15,7 m, 52 pés) de altura e explicou que, no primeiro dos três níveis, animais selvagens e domesticados foram acomodados, no segundo os seres humanos e no terceiro as aves. Em cada tábua havia o nome de um profeta. Faltavam três tábuas, simbolizando três profetas, elas foram trazidas do Egito por Og, filho de Anak, o único dos gigantes que teve permissão de sobreviver à inundação. O corpo de Adão foi colocado no meio para dividir os homens das mulheres.

Noé passou cinco ou seis meses a bordo da arca, no termo dos quais ele enviou um corvo. Mas o corvo parou para se regozijar em Carrion e, por isso, Noé amaldiçoou-o e enviou a pomba, que desde então tem sido conhecida como a amiga do homem. Masudi escreveu que Deus comandou a terra para absorver a água e algumas porções que foram lentas em obediência receberam água salgada como castigo, e por isso se tornaram secas e áridas. A água que não foi absorvida formou os mares, de modo que as águas da inundação ainda existem.

Noé deixou a arca aos dez dias do mês de Muharram, e ele e os seus familiares e companheiros construíram uma vila no sopé do monte Judi, chamado Thamanin ("oitenta"), a partir de seu número. Noé então bloqueou a arca e confiou as chaves a Shem. Yaqut al-Hamawi (1179-1229) mencionou uma mesquita construída por Noé, que poderia ser vista em seu tempo, e Ibn Batutta atravessou a montanha nas suas viagens, no século XIV. Modernos muçulmanos, embora geralmente não ativos na pesquisa da arca, acreditam que ela ainda existe no alto das encostas da montanha.

Em outras tradições

Os mandaeans, do sul do Iraque, praticam uma religião única, possivelmente influenciada em parte pelos seguidores iniciais de João Batista. Eles respeitam Noé como um profeta, embora rejeitem Abraão (e Jesus) como falsos profetas. Na versão dada em suas escrituras, a arca foi construída a partir de sândalo do Monte Hor e era de forma cúbica, com comprimento, largura e altura de 30 gama (o comprimento de um braço); o seu local de descanso final seria o Egito.

A religião dos yazidi, das montanhas Sinjar, no norte do Iraque, mistura crenças islâmicas e indígenas. De acordo com as sua Mishefa Reş, o Dilúvio não ocorreu uma vez, mas duas vezes. No Dilúvio original, sobreviveu um certo Na'umi, pai de Ham, cuja arca descansou em um lugar chamado Sifni Ain, na região de Mossul. Algum tempo depois veio a segunda inundação, sobre os yezidis apenas, na qual sobreviveu Noé, cujo navio foi trespassado por uma rocha, uma vez que flutuava sobre o Monte Sinjar, e depois passou à terra do Monte Judi como descrito na tradição islâmica.

Segundo a mitologia irlandesa, Noé teve um filho chamado Bith, que não foi autorizado a entrar na arca, e que em vez disso tentou colonizar a Irlanda com cinqüenta e quatro pessoas, as quais foram, então, todas aniquiladas no Dilúvio.

A Fé Bahá'í, uma mistura do Islamismo, Hinduísmo e outras religiões, criada no século XIX, respeita a arca e as inundações como figuras simbólicas. Na crença Bahá'í, apenas seguidores de Noé estavam espiritualmente vivos, e foram preservados na arca por causa de seus ensinamentos, enquanto os outros estavam mortos espiritualmente. A escritura Bahá'í Kitáb-i-Íqán subscreve a crença islâmica de que Noé tinha um grande número de companheiros, quarenta ou setenta e dois, além de sua família, na arca, e que ele ensinou por novecentos e cinqüenta anos (simbólicos) antes da inundação.

A arca em escolas científicas e críticas

A arca sob escrutínio

A Renascença viu uma especulação que poderia ter parecido familiar a Orígenes e Agostinho. Contudo, ao mesmo tempo, uma nova classe de escola surgiu, uma que, embora nunca questionasse a verdade literal da história da arca, começou a especular sobre o comportamento prático do Noé dentro de um navio, de um âmbito puramente naturalista. Assim, no século XV, Alfonso Tostada deu uma descrição pormenorizada da logística da arca e estabeleceu critérios para a eliminação de excrementos e a circulação de ar fresco; e o notável geômetra do século XVI, Johannes Buteo, calculou as dimensões interiores do navio, que permitissem salas para moedores de moinhos e fornos de fumo, um modelo amplamente adotado por outros comentadores.

No século XVII, era necessário conciliar a exploração do Novo Mundo e a maior consciência da distribuição global de espécies com a velha crença de que toda a vida teve origem a partir de um único ponto nas encostas do Monte Ararat. A resposta óbvia é que o homem se havia espalhado ao longo dos continentes após a destruição da Torre de Babel e levado animais com ele, ainda que alguns dos resultados parecessem peculiares: por que razão tinham os nativos da América do Norte levado cascavéis, mas não cavalos, perguntou Sir Thomas Browne, em 1646. "Como a América abundava de bestas e animais nocivos, mas não continha criaturas necessárias como um cavalo, é muito estranho".

Browne, que foi um dos primeiros a pôr em causa o conceito de geração espontânea, era um médico e cientista amador que fez essa observação de passagem. Estudiosos da Bíblia da época, como Justus Lipsius (1547-1606) e Atanásio Kircher (1601-80), também refizeram a história da arca sob uma análise rigorosa, na tentativa de harmonizar a história bíblica com o conhecimento histórico e natural. As hipóteses resultantes foram um importante impulso para o estudo da distribuição geográfica de plantas e animais, e indiretamente estimularam o surgimento da Biogeografia no século XVIII.

Historiadores naturais começaram a desenhar conexões entre os climas e os animais e plantas adaptados a eles. Uma influente teoria considerou que o bíblico Ararat tinha diferentes zonas climáticas e, como o clima mudou, os animais migraram e eventualmente, espalharam-se e repovoaram o planeta. Havia também o problema de um cada vez maior número de espécies conhecidas: para Kircher e anteriores historiadores naturais, havia pouco espaço para todas as espécies animais conhecidas na arca, e, no tempo em que John Ray (1627-1705) estava trabalhando, apenas várias décadas depois de Kircher, seu número tinha se expandido para além das proporções bíblicas. Incorporando todo o leque de diversidade animal na arca, a história foi se tornando cada vez mais difícil, e em 1700 poucos historiadores naturais poderiam justificar uma interpretação literal da narrativa da Arca de Noé.

A hipótese documentária

A narrativa bíblica da inundação, na qual aparece a Arca de Noé, parece ter sido sujeita a análise literária considerável. A narrativa é muitas vezes apresentada como um test-case para a hipótese documentária, que propõe que a narrativa da inundação era composta pela combinação de duas histórias independentes sobre o mesmo assunto. Essa hipótese ainda tem muitos seguidores nos círculos académicos, mas já não pode ser chamada uma posição consensual. Teorias alternativas sobre as origens do Pentateuco sustentam que a narrativa era o produto de uma lenta acumulação de blocos de material ao longo do tempo, ou o resultado de extensas edições e adições a um texto original. Existe um consenso geral de que a história da arca está incorporada dentro de um contexto sugestivo de influências editorais paralelas que continuam a ser chamadas de jeovaístas e sacerdotais. O desacordo continua sobre que passagens da narrativa pertencem a que fonte.

Escola bíblica e a arca no século vinte

A hipótese documentária ainda tem muitos seguidores nos círculos académicos, mas já não pode ser chamada de uma posição consensual. Teorias alternativas sobre origens do Pentateuco sustentam que a Tora e a narrativa da arca foram o produto de uma lenta acumulação de blocos de material ao longo do tempo, ou o resultado de extensas edições e adições a um texto original, mas há um acordo geral de que existem duas vertentes distintas na narrativa da arca história, que, independentemente de serem entendidas como documentos distintos, ou como uma seqüência de camadas editoriais ou acréscimos autorais, continuam a ser chamadas de jeovaístas e sacerdotais.

Uma boa parte da atenção acadêmica foi dada ao significado teológico da história da arca para os antigos autores. O respeitado estudioso evangélico Gordon Wenham fez notar a presença de uma elaborada palístrofe dentro da história: a narrativa tem duas metades, cada uma espelhando a outra, com a frase "E Deus lembrou-se de Noé" em seu centro: isso, de acordo com Wenham, identifica o seu núcleo teológico. Martin Norte identificou a arca história como o elemento central de uma unidade narrativa que ele chamou de história primal: esta retoma Genesis 1-11 e conta a história da criação da mundo, o surgimento do pecado, a decisão de Deus de destruir a sua primeira criação e começar de novo com Noé. O resto da história primal narra o novo crescimento do pecado depois de Noé, que culminou com a Torre de Babel.

As percepções de Wenham e Noht são largamente aceitas entre os estudiosos contemporâneos como a presença de uma forte vertente dos mitos mesopotâmicos em Gênesis 1.11 (a história da criação, a Torre de Babel e muitos elementos individuais dentro dessas histórias). Os sacredotes exilados do Templo de Jerusalém, confrontados com histórias sobre deuses babilônicos que criam e controlam o mundo (incluindo Atrahasis, as inundações e o mito da arca babilônica), reescreveram os mitos dos seus conquistadores para dar primazia a Javé e efetivamente negar o poder de babilônicos e das suas divindades. Tal como a arca deles, os navios de Atrahasis e Noé são modelados nos templos de suas respectivas culturas: as quatro faces de Atrahasis, as sete camadas do zigurate mesopotâmico, os sete céus da crença babilônica, os três pavimentos retangulares do Templo de Salomão e os três céus da crença hebraica.

Interpretações literais

De acordo com uma sondagem telefônica conduzida pela ABCNEWS/Primetime, em 2004, 60% dos estadunidenses acreditam que a história da Arca de Noé é literalmente verdadeira. Sítios literalistas como Answers in Genesis discutem questões tais como a natureza da madeira, como a arca poderia ter acomodado representantes de todas as espécies de animais, pássaros e insetos da terra, e de navegabilidade do navio em geral. O sítio Old Earth Creationists, acreditando que uma inundação no mundo inteiro é uma impossibilidade de conciliar a com a ciência, sugere que a inundação foi meramente local, e que a arca foi, portanto, uma barcaça, em vez de um navio.

As razões que levam ao literalismo têm sido manifestadas por John Morris, um dos principais criacionistas, como se segue: "Se a inundação de Noé efetivamente aniquilou toda a raça humana e a sua civilização, como a Bíblia ensina, então a arca constitui uma dos maiores ligações remanescentes com o Mundo Antediluviano. Nenhum artefato significativo poderia ser de maior antiguidade ou importância .... [com] tremendo impacto potencial sobre a controvérsia da criação-evolução (incluindo o evolucionismo teísta)". A procura pela Arca de Noé, por isso, continua nas montanhas de Ararat, embora até agora sem sucesso.

Referências

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2.    Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português). 2 ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. 1133 p. 2 vol. ISBN 978-85-276-0347-8

·         Bailey, Lloyd R.. Noah, the Person and the Story. South Carolina: [s.n.], 1989. ISBN 0-87249-637-6

·         Best, Robert M.. Noah's Ark and the Ziusudra Epic. Fort Myers, Florida: [s.n.], 1999. ISBN 0-9667840-1-4

·         Brenton, Sir Lancelot C.L.. The Septuagint with Apocrypha: Greek and English (reprint). Peabody: [s.n.], 1986. ISBN 0-913573-44-2

·         Tigay, Jeffrey H.. The Evolution of the Gilgamesh Epic. [S.l.: s.n.], 1982. ISBN 0-8122-7805-4

·         Woodmorappe, John. Noah's Ark: A Feasibility Study. El Cajon, CA: [s.n.], 1996. ISBN 0-932766-41-2

·         Young, Davis A.. The Biblical Flood. Grand Rapids, MI: [s.n.], 1995. ISBN 0-8028-0719-4

Fonte: Wikipedia

 

23.3.1.4.3 - SODOMA E GOMORRA

Sodoma e Gomorra (do hebraico סְדוֹם Sodom e עֲמוֹרָה Amorah ) são, de acordo com a Bíblia judaico-cristã, duas cidades que teriam sido destruídas por Deus com fogo e enxofre descido do céu. Segundo o relato bíblico, as cidades e os seus habitantes foram destruídos por Deus devido a prática de actos imorais. Os seus habitantes eram os cananeus.

A expressão "Sodoma e Gomorra" se aplica, por extensão, às cinco cidades-estado do Vale de Sidim, no Mar Salgado ou Mar Morto. Eram elas: Sodoma, Gomorra, Admá, Zebolim e Bela (também é chamada de Zoar[1]).

O Vale de Sidim ("Vale dos Campos") era descrito como um lugar paradisíaco[2]. Ocupava uma área aproximadamente circular no vale inferior do Mar Salgado, actualmente submerso pelas suas águas salgadas. A região é chamada em hebraico de Kikkár que significa "bacia". A pequena península na margem oriental do Mar Salgado, é chamada em árabe de El-Lisan que significa "a língua". Desde a península de El-Lisan ao extremo sul, se estenderia o Vale de Sidim. O seu fundo registra uma profundidade de 15 a 20 metros, enquanto para norte da península, o fundo desce rapidamente para uma profundidade de 400 metros.

O Vale do Rio Jordão situa-se numa importante falha tectónica que desce abaixo do nível médio do mar. A referida destruição poderia muito bem ter sido originada por um forte sismo que teria originado actividade vulcânica.

EVIDENCIAS HISTÓRICAS:

Durante doze anos, as cidades do Vale de Sidim foram feitas tributárias do Elão. No décimo-terceiro ano, seus reis se rebelaram. A Enciclopédia Funk & Wagnalls menciona que os elamitas destruíram a cidade de Ur, na Baixa Mesopotâmia, por volta de 1950 a.C.. Subsequentemente, exerceram considerável influência na Mesopotâmia. Quedorlaomer, Rei do Elão, lidera uma coligação para punir os rebeldes. Esta força militar é formada pelos exércitos dos reis de Sinear, Elasar, Elão e Goim. Invade a região da Transjordania, do Negebe e o Vale de Sidim. Quedorlaomer ou Kudur-lahmil, possivelmente significa "Servo de [deus] Lagamar".

Alguns arqueólogos consideram que Numeira ou Arabá, seria a antiga Gomorra. Para outros arqueólogos, é possível que um grande terremoto tenha destruído estas cidades e provocado uma mudança no nível das terras ocupadas por elas, quando suas ruínas foram inundadas pelas águas do mar.

Os geólogos canadenses Grahan Harris e Anthony Berardow, descobriram que a Península de Lisan, era parte oriental do Mar Morto, e teria sido o epicentro de um terremoto de escala maior que seis na escala Richter ocorrido há aproximadamente 4.000 anos (no mesmo período que teria sido a destruição de Sodoma, Gomorra, Adma e Zeboim). Segundo estes geólogos, o terremoto provocou efeitos que levou ao engolimento das construções. Os restos de Gomorra estariam debaixo das águas do Mar Morto.

Segundo a revista Despertai!, arqueólogos suecos teriam encontrado vestígios das antigas Sodoma e Gomorra. Em cooperação com o Departamento de Antigüidades de Amã, os cientistas fizeram a descoberta em Lisan, ao leste do mar Morto, na Jordânia.

O jornal sueco Östgöta-Correspondenten teria explicado[carece de fontes?]: "...é surpreendente que se encontrassem restos de construções destruídas uns 1.900 anos antes de Cristo". Estes arqueólogos estariam convencidos de que encontraram Sodoma e Gomorra. Depois de analisarem objetos de cerâmica, muros, sepulcros e artefatos de pederneira, sua conclusão foi de que as cidades foram destruídas por um desastre natural.

Os Crimes de Sodoma

Segundo a bíblia, o motivo da destruição das cidades de Sodoma e Gomorra foram a perversidade de seus habitantes e a imoralidade e a desobediência ao Senhor. Após o retorno de Abraão do Egipto, o relato bíblico menciona que os habitantes de Sodoma eram grandes pecadores contra Deus[3]. Porém, isso não impediu uma coexistência pacífica entre os habitantes de Sodoma com o patriarca Abraão, e com o seu sobrinho, .

Alguns escritos judaicos clássicos enfatizam os aspectos de crueldade e falta de hospitabilidade com forasteiros. Uma tradição rabínica, exposta na Mishnah, afirma que os pecados de Sodoma estavam relacionados à ganância e ao apego excessivo à propriedade, e que são interpretados como sinais de falta de compaixão. Alguns textos rabínicos acusam os sodomitas blasfemos e sanguinários. Outra tradição rabínica indica que Sodoma e Gomorra tratavam os visitantes de forma sádica. Um dos crimes cometidos contra os forasteiros é quase idêntico ao de Procusto, na mitologia grega, dizendo respeito à "cama de Sodoma" (midat sdom) na qual os visitantes eram obrigados a dormir. Se os hóspedes fossem mais altos, eram amputados, se eram mais baixos, eram esticados até atingirem o comprimento da cama.

A Destruição das Cidades

Segundo o livro de Gênesis, dois anjos de Deus dizem a Abraão que "o clamor de Sodoma e Gomorra se têm multiplicado, e porquanto o seu pecado se têm agravado muito". Abraão então intercede consecutivas vezes pelo povo sodomita, e Deus ao final lhe responde se houvesse em Sodoma dez pessoas justas, a cidade não seria destruída[4].

Nesse mesmo dia, os dois anjos que visitaram Abraão descem à cidade e são hospedados na casa de Ló[5]. Antes de se deitarem, os homens da cidade cercaram a casa de Ló para terem relações sexuais com seus dois hóspedes. Ló então sai na defesa dos anjos[6], oferecendo suas filhas virgens para saciar o desejo da multidão.

Ferindo com cegueira os homens que estavam junto á porta da casa de Ló, os anjos retiram o patriarca e sua família da cidade e lhes dá a ordem de seguirem sempre em direção das montanha sem olharem para trás. Então, de acordo com Gênesis, inicia-se a destruição de Sodoma e de toda a planície daquela região.

Referências

1.     Gênesis 14:2

2.     Gênesis 13:10

3.     Génesis 13:13

4.     Gênesis 18:20-33

5.     19:1-3

6.     19:4-9

 

 

 

23.3.1.4.4 - TORRE DE BABEL

A Torre de Babel, segundo a narrativa bíblica no Gênesis, foi uma torre construída por um povo com o objetivo que o cume chegasse ao céu, para chegarem a Deus e estarem mais perto dele. Isto era uma afronta dos homens para Deus, pois eles queriam se igualar a ele. Deus então parou o projeto e fez com que a torre ruisse, depois castigou os homens de maneira que estes falassem varias línguas para que os homens nunca mais se entendessem e não pudessem voltar a construir uma torre. Esta história é usada para explicar a existência de muitas línguas e raças diferentes. A localização da construção teria sido na planície entre os rios Tigre e Eufrates, na Mesopotâmia (atual Iraque), uma região célebre por sua localização estratégica e pela sua fertilidade.

Narrativa

A história é encontrada em Gênesis 11:1-9:
1 Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras.
2 Emigrando do Oriente, os homens encontraram uma planície na terra de Sinar e nela se fixaram.
3 Disseram uns para os outros: «Vamos fazer tijolos, e cozamo-los ao fogo.» Utilizaram o tijolo em vez da pedra, e o betume serviu-lhes de argamassa.
4 Depois disseram: «Vamos construir uma cidade e uma torre, cujo cimo atinja os céus. Assim, havemos de tornar-os famosos para evitar que nos dispersemos por toda a superfície da terra.»
5 O SENHOR, porém, desceu, a fim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar.
6 E o SENHOR disse: «Eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projectos.
7 Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros.»
8 E o SENHOR dispersou-os dali por toda a superfície da Terra, e suspenderam a construção da cidade.
9 Por isso, lhe foi dado o nome de Babel, visto ter sido lá que Deus confundiu a linguagem de todos os habitantes da Terra, e foi também dali que os dispersou por toda a Terra.

Modelo proposto pela História

Babel, capital do Império babilônico, era uma cidade-estado extremamente rica e poderosa. Era um centro político, militar, cultural e econômico do mundo antigo. Tal qual cidades como Nova York e Paris, nos dias atuais, ela recebia grande número de imigrantes de diversas nacionalidades, cada qual falando um idioma diferente.

O plano interno da Babilônia — seus bairros e ruas principais — tinha sido estabelecido muito antes do império neobabilônio. Na área residencial do cômoro Merkez, onde se obteve acesso aos níveis mais antigos, o padrão de ruas tinha mudado muito pouco ao longo dos séculos desde a ocupação cassita. Os reis assírios, em especial Esarhadon, tinham contribuído para a beatificação da cidade — sobretudo Esagila, o principal santuário de Marduk —, revestindo algumas ruas com reboco e reparado as defesas. Entretanto, o projeto de converter a Babilônia numa metrópole suficientemente grandiosa para representar as aspirações de um império foi iniciado por seu pai, Nabopolassar. Ele iniciou o trabalho no Palácio Sul, sua residência, construiu um templo para Ninurta, as muralhas do cais do Arahru (como o Eufrates era então chamado) e em 61O a.e.c., iniciou o mais ambicioso de todos os empreendimentos arquitetônicos, a reconstrução de Etemenanki, “Fundação do Céu e da Terra”, como a “Torre de Babel” ou zigurate era chamada.

Contexto Histórico e Linguístico

A forma grega do nome, Babilônia, é do Acadiano Bāb-ilu, que significa "Portão de Deus". Isto sumaria corretamente o propósito religioso das grandes torres-templo (os zigurates) da antiga Suméria (Sinar bíblica, no sul do Iraque moderno). Estes templos enormes, quadrados e com escadas eram vistos como portões para os deuses virem à terra, escadas literais para o céu. ("Alcançando o céu" é uma inscrição comum nas torres-templo.) Este é o tipo de estrutura referida na narrativa bíblica, apesar de artistas e estudiosos bíblicos a imaginarem de diferentes maneiras. O retrato influente de Pieter Brueghel é baseado no Coliseu de Roma, enquanto que as representações cónicas da torre mais tardias (como na ilustração de Doré) se assemelham muito a torres Muçulmanas tardias observadas por exploradores do século XIX na área. O artista flamengo também faz uma pintura alegórica, talvez a nova construção européia do Imperador para a Cristandade.

Os Zigurates estão entre as maiores estruturas religiosas alguma vez construídas, e o seu uso remonta aos princípios da História.

Para os judeus adquiriu o significado de "confusão" em harmonia com Gênesis 11:9. Moisés terá derivado o nome Babel, em hebraico Bavél, da raiz do verbo ba.lál, que significa "confundir". Curiosamente, Bab e El sugere uma combinação do acadiano Bab ("porta", "portão") com o hebraico El ("Deus", abreviatura usada para Elóhah e Elohím). Segundo o Gênesis, seria Nimrod ou Ninrode (Ninus), filho de Cus, que teria mandado construir a Torre-templo de Babel. Alguns acreditam que tenha sido Cus quem iniciou a sua construção, antes da confusão das línguas (idiomas). Após isso, seu filho Nimrod, teria continuado a urbanização do local, dando origem à futura cidade de Babilônia.

Segundo a Hipótese documental, a passagem deriva da fonte Javista, um escritor cujo trabalho está cheio de Paranomásias, e como muitas das outras paranomásias no texto Javista, o elemento da história que se refere à confusão das línguas é visto por muitos como uma pseudo-etimologia para o nome Babel, relacionado com uma história mais histórica do colapso de uma torre.

A Linguística histórica luta há muito tempo contra a ideia de uma linguagem única original (Língua adâmica). Tentativas de identificar esta língua com uma língua actual têm sido rejeitadas pela comunidade académica. Foi este o caso do Hebreu, e do Basco (como foi proposto por Manuel de Larramendi). Ainda assim, o bem documentado ramo de linguagens com antepassados comuns (como as modernas línguas europeias vindas do antigo Indo-Europeu) aponta na direcção de uma única língua ancestral. O tema principal da disputa é a data, que muitos estudiosos poriam vários milhares de anos antes da própria data da Bíblia para o fim da Torre de Babel.

Um grande projecto de construção no mundo antigo pode ter usado trabalho forçado de diversas populações conquistadas ou súbditas, e o domínio que cobria a Babilónia teria tido algumas línguas não Semitas, como o Hurrita, o Cassita, o Sumério, e o Elamita, entre outros.

Amar-Sin (2046-2037 a.C.), terceiro monarca da Terceira dinastia de Ur, tentou construir um zigurate em Eridu que nunca foi terminado. Tem sido sugerido que Eridu seria o local onde teria estado a torre de Babel, e que a história teria sido mudada mais tarde para a Babilónia Enmerkar (i.e. Enmer o Caçador) rei de Uruk, sugerido por alguns como sendo o modelo para Nimrod, foi também um constructor do templo de Eridu.

Há uma história parecida à da Torre de Babel na Mitologia suméria chamada Enmerkar e o Senhor de Aratta, na qual os dois deuses rivais, Enki e Enlil acabam por confundir as línguas de toda a humanidade como efeito colateral da sua discussão.

Em Gênesis 10, diz-se que Babel era parte do reino de Nimrod. Apesar de não ser especificamente mencionado na Bíblia, Ninrode é frequentemente associado com a construção da torre noutras fontes. Uma teoria recentemente proposta por David Rohl associa Nimrod com Enmerkar, e propõe que as ruínas da Torre de Babel são na verdade as ruínas muito mais velhas do zigurate de Eridu, a sul de Ur, em vez de Babilónia. Entre as razões para esta associação estão o grande tamanho das ruínas, a idade mais velha das ruínas, e o facto de um título de Eridu ser NUN.KI ("lugar poderoso"), que mais tarde se tornou um título da Babilónia.

Tradicionalmente, os povos enumerados no capítulo 10 do Gênesis (a Tabela das Nações) são vistos como tendo-se espalhado pela Terra a partir do Sinar apenas após o abandono da Torre, que é uma explicação da diversidade cultural. Alguns, contudo, vêem uma contradição entre a menção em Génesis 10:5 que diz "5Deles nasceram os povos que se dispersaram por países e línguas, por famílias e nações." E a seguinte história de Babel, que começa da seguinte maneira "1Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras." (Genesis 11:1).

O Etemenanki: o zigurate da Babilónia

 

Em 440 a.C. Heródoto escreveu:

A parede exterior da Babilónia é a principal defesa da cidade. Há, contudo, uma segunda parede interior, de menor espessura que a primeira, mas não muito inferior a ela [parede exterior] em força. O centro de cada divisão da cidade era ocupado por uma fortaleza. Numa ficava o palácio dos reis, rodeado por um muro de grande força e tamanho: na outra estava o sagrado recinto de Júpiter (Zeus) Belus, um cerco quadrado de 201 m de cada lado, com portões de latão sólido; que também lá estavam no meu tempo. No meio do recinto estava uma torre de mampostería sólida, de 201 m em comprimento e largura, sobre a qual estava erguida uma segunda torre, e nessa uma terceira, e assim até oito. A ascensão até ao topo está do lado de fora, por um caminho que rodeia todas as torres. Quando se está a meio do caminho, há um lugar para descansar e assentos, onde as pessoas se podem sentar por algum tempo no seu caminho até ao topo. Na torre do topo há um templo espaçoso, e dentro do templo está um sofá de tamanho invulgar, ricamente adornado, com uma mesa dourada ao seu lado. Não há estátua de espécie alguma nesse sítio, nem é a câmara ocupada de noite por alguém a não ser por uma mulher nativa, que, como os Caldeus, os sacerdotes deste deus, afirmam, é escolhida para si próprio pela divindade, de todas as mulheres da terra.

Pensa-se que esta Torre de Júpiter Belus se refere ao deus acadiano Bel, cujo nome foi helenizado por Heródoto para Zeus Belus. É provável que corresponda ao gigantesco zigurate a Marduk (Etemenanki), um antigo zigurate que foi abandonado, caindo em ruínas devido a abalos sísmicos, e relâmpagos a danificar o barro. Este enorme zigurate, e a sua queda são vistos por muitos académicos como tendo inspirado a história da Torre de Babel. Contudo, também se encaixaria bem na narrativa Bíblica — dando algum suporto arqueológico para a história. Mais provas podem ser recolhidas daquilo que o Rei Nabucodonosor inscreveu nas ruínas do seu zigurate.

Em 570 a.C., Nabucodonosor II da Babilónia, procurando restaurar o zigurate, escreveu sobre o seu estado arruinado:

Um antigo rei construiu o Templo das Sete Luzes da Terra, mas ele não completou a sua cabeça. Desde um tempo remoto, as pessoas tinham-no abandonado, sem a ordem a expressar as suas palavras. Desde aquele tempo terramotos e relâmpagos tinham dispersado o seu barro secado pelo sol; os tijolos da cobertura tinham-se rachado, e a terra do interior tinha sido dispersada em montes. Merodach, o grande senhor, excitou a minha mente para reparar este edifício. Eu não mudei o local, nem retirei eu a pedra da fundação ? como tinha sido feito em tempos anteriores. Por nisso eu fundei-a, eu fi-la; como tinha sido em dias antigos, assim eu exaltei o topo.

Noutras fontes

A destruição

Não é mencionado no relato do Gênesis que Deus destruiu directamente a torre; contudo, os relatos no Livro dos Jubileus, em Cornelius Alexandre (frag. 10), Abydenus (frags. 5 and 6), Flávio Josefo (Antiguidades Judaicas 1.4.3), e os Oráculos Sibilinos (iii. 117-129) atestam a tradição de que Deus derrubou a torre com um grande vento.

Jubileus

O Livro dos Jubileus, que se sabe ter sido usado entre pelo menos 200 a.C. e 90 d.C., contém um dos relatos mais detalhados alguma vez encontrados sobre a Torre.

E eles começaram a construir, e na quarta semana fizeram tijolos com fogo, e os tijolos serviram-lhes para pedra, e o barro com que os cimentaram juntos era asfalto que vem do mar, e das fontes de água na terra de Sinar. E eles construíram-no; a sua largura era de 203 tijolos, e a altura [de um tijolo] era o terço de um; a sua altura era de 5433 cúbitos e 2 palmos, e [a extensão de uma parede era] treze estádios [e da outra trinta estádios]. (Jubileus 10:20-21, tradução de Charles em 1913)

Note que um estádio equivale a 185,4 metros e um cúbito a pouco mais de 0,5 metros.

Midrash

A Literatura Rabínica oferece muitos relatos diferentes sobre outras causas para a Torre de Babel ter sido construída, e sobre as intenções dos seus construtores. Na Mishná era vista como uma rebelião contra Deus. Uns midrash mais tardios registam que os construtores da Torre, chamados "a geração da secessão" nas fontes Judaicas, disseram: "Deus não tem o direito de escolher o mundo superior para Si próprio, e de deixar o mundo inferior para nós; por isso iremos construir uma torre, com um ídolo no topo segurando uma espada, para que pareça como se pretendesse guerrear com Deus" (Gen. R. xxxviii. 7; Tan., ed. Buber, Noah, xxvii. et seq.).

A construção da Torre foi feita para desafiar não só Deus, mas também Abraão, que exortava os construtores a reverenciar. A passagem menciona que os construtores falavam palavras afiadas contra Deus, não citadas na Bíblia, dizendo que uma vez em cada 1656 anos, o céu abanava para que a água chovesse para a terra, por isso eles iram suportar isso com colunas para que não pudesse haver outra inundação (Gen. R. l.c.; Tan. l.c.; similarmente Flávo Josefo, "Ant." i. 4, § 2).

Alguns entre essa geração pecaminosa até queriam pelejar contra Deus no céu (Talmude Sanhedrin 109a.) Eles foram encorajados nesta tarefa impensável pela noção de que setas que eles atiravam para o céu caíam a pingar com sangue, por isso o povo acreditava mesmo que podiam guerrear contra os habitantes dos céus (Sefer ha-Yashar, Noah, ed. Leghorn, 12b). Segundo Josefo e Midrash Pirke R. El. xxiv., foi principalmente Nimrod quem persuadiu os seus contemporâneos a construir a Torre, enquanto que outras fontes rabínicas afirmam, pelo contrário, que Nimrod estava separado dos construtores.

Apocalipse de Baruque

O terceiro livro de Baruque, ou, Apocalipse de Baruque (3 Baruque), conhecido apenas de cópias Gregas e Eslavas, parece aludir à Torre, e pode ser consistente com a tradição Judaica. Nele, Baruque é primeiro levado (numa visão) a ver o local de repouso das almas "daqueles que construíram a torre da discórdia contra Deus, e o Senhor baniu-os." A seguir é-lhe mostrado outro lugar, e lá, ocupando a forma de cães,

Aqueles que deram a sugestão de construir a torre, por aqueles que vós vistes conduzirem multidões de ambos homens e mulheres, a fazerem tijolos; entre quem, uma mulher que fazia tijolos não era autorizada a ser libertada na hora do parto, mas trazida à frente enquanto estava a fazer tijolos, e carregava o seu filho no seu avental, e continuava a fazer tijolos. E o Senhor apareceu-lhes e confundiu a sua fala, quando eles tinham construído a torre à altura de quatrocentos e sessenta e três cúbitos. E eles pegaram numa broca, e procuraram perfurar os céus, dizendo, Veja-mos se o céu é feito de barro, ou de latão, ou de ferro. Quando Deus viu isto Ele não os permitiu, e castigou-os com cegueira e confusão da fala, e tornou-os no que vistes. (Apocalipse grego de Baruque, 3:5-8)

Alcorão e tradições Islâmicas

Embora não mencionada pelo nome, o Alcorão tem uma história com parecenças com a história Bíblica da Torre de Babel, embora localizada no Egipto de Moisés. Em Sura 28:38 e 40:36-37 o Faraó pede a Haman para lhe construir uma torre de barro para que ele possa subir até ao céu e confrontar o Deus de Moisés.

Outra história em Sura 2:96 menciona o nome de Babil, mas dá poucos detalhes adicionais sobre isso. Contudo, o conto aparece mais completo em escritos Islâmicos de Yaqut (i, 448 f.) e de Lisan el-'Arab (xiii. 72), mas sem a torre: os povos foram varridos por ventos até à planície que foi depois chamada "Babil", onde lhes foram designadas as suas línguas separadas por Alá, e foram depois espalhados da mesma forma.

Na [História dos Profetas e Reis pelo historiador Muçulmano Tabari do século XIX, é dada uma versão mais completa: Nimrod faz a torre ser construída em Babil, Alá destrói-a, e a língua da humanidade, previamente o Siríaco, é então confundida em 72 linguagens. Abu al-Fida, outro historiador Muçulmano do século XIII, relata a mesma história, adicionando que o patriarca Éber (um antepassado de Abraão) tinha sido autorizado a manter a língua original, neste caso o Hebraico, porque ele não participava na construção.

Outras tradições

Várias tradições similares à da Torre de Babel são encontradas na América Central. Uma diz que Xelhua, um dos sete gigantes salvos do dilúvio, construiu a Grande Pirâmide de Cholula para desafiar o Céu. Os deuses destruíram-no com fogo e confundiram a linguagem dos construtores. O Dominicano Diego Duran (1537-1588) disse ter ouvido este relato de um sacerdote com 100 anos em Cholula, pouco depois da conquista do México.

Outra lenda, atribuída pelo historiador nativo Don Ferdinand d'Alva Ixtilxochitl (c. 1565-1648) aos antigos Toltecas, diz que depois dos homens se terem multiplicado após um grande dilúvio, eles erigiram um alto zacuali ou torre, para se preservarem no caso de um segundo dilúvio. Contudo, as suas línguas foram confundidas e eles foram para diferentes partes da terra.

Outra lenda ainda, atribuída aos Índios Tohono O'odham ou Papago, afirma que Montezuma escapou a uma grande inundação, depois tornou-se mau e tentou construir uma casa que chegasse ao céu, mas o Grande Espírito destruiu-a com relâmpagos.

Rastos de uma história um pouco parecida também têm sido citados entre os Tarus do Nepal e do Norte da Índia (Relatório do Census de Bengal, 1872, p. 160); e de acordo com David Livingstone, os Africanos que ele conhecera e que viviam junto ao Lago Ngami em 1879 tinham uma tradição assim, mas com as cabeças dos construtores a serem "partidas pela queda do scaffolding" (Missionary Travels, cap. 26)

O mito Estónio " do Cozinhado das Línguas " (Kohl, Reisen in die 'Ostseeprovinzen, ii. 251-255) também tem sido comparado, assim como a lenda Australiana da origem da diversidade das falas (Gerstacker, Reisen, vol. iv. pp. 381 seq.).

Altura e largura

A altura da torre é matéria de especulação, mas visto que a torre pode ser simbolicamente considerada uma precursora do desejo do homem de construir edifícios altos pela História, a sua altura é um aspecto significativo do seu mythos. A Torre histórica encomendada por Nabucodonosor a cerca de 560 a.C. na forma de um zigurate de oito níveis é vista pelos historiadores como tendo cerca de 2089 metros de altura e 100 de largura.

A Torre de Babel Bíblica contudo, teria sido construída 2000 anos antes. A narrativa no livro do Génesis não menciona a altura da torre, e por isso não tem sido um grande tema de debate entre fundamentalistas Cristãos. Há, porém, pelo menos duas fontes extra-canonicais que mencionam a altura da torre.

O Livro dos Jubileus menciona a altura da torre como sendo de 5433 cúbitos e 2 palmos (2484 metros de altura). Isto seria aproximadamente quatro vezes mais alto do que as estruturas mais altas do mundo de hoje e em toda a história humana. Tal afirmação seria considerada mítica para a maioria dos estudiosos, visto que construtores em tais tempos antigos seriam considerados incapazes de construir uma estrutura de quase 2,5 quilómetros de altura.

A outra fonte extra-canonical é encontrada no Terceiro Apocalipse de Baruch; menciona que a 'torre da discórdia' alcançava uma altura de 463 cúbitos (212 metros de altura). Isto seria mais alto do que qualquer outra estrutura construída no mundo antigo, como a Pirâmide de Quéops em Gizé, Egito e mais alta do que qualquer estrutura construída na história humana até à construção da Torre Eiffel em 1889. Uma torre de tal altura no mundo antigo teria sido tão incrível ao ponto de merecer a sua reputação e menção na Bíblia e outros textos históricos.

Após isso, os povos foram espalhados pela terra cada um conforme sua língua.(Gênesis Cap-11) Daí se explica fato de existir muitos idiomas, isso tornou necessário por que o propósito do criador era que a humanidade se espalhasse por toda a terra, essa idéia de construir tal torre tinha o objetivo de manter todas as pessoas num só lugar.

Filósofo Teutônico

Jacob Boehme defende, em seu livro "Quarenta Questões Sobre a Alma", que a torre simboliza a confusão das "falsas religiões" que a humanidade teria construído para voltar ao céu. Em seus textos, afirma que cada um pode "falar" com Deus diretamente sem intermediários e identificar a Escola de Mistério.

Zigurate

Um zigurate é uma forma de templo, criada pelos sumérios e comum para os babilônios e assírios, pertinente à época do antigo vale da Mesopotâmia e construído na forma de pirâmides terraplanadas. O formato era o de vários andares construídos um sobre o outro, com o diferencial de cada andar possuir área menor que a plataforma inferior sobre a qual foi construído — as plataformas poderiam ser retangulares, ovais ou quadradas, e seu número variava de dois a sete.

O centro do zigurate era feito de tijolos queimados, muito mais resistentes, enquanto o exterior da construção mostrava adornos de tijolos cozidos ao Sol, mais fáceis de serem produzidos, porém menos resistentes. Os adornos normalmente eram envidraçados em cores diferentes, possivelmente contendo significação cosmológica. O acesso ao templo, situado no topo do zigurate, se fazia por uma série de rampas construídas no flanco da construção ou por uma rampa espiralada que se estendia desde a base até o cume do edifício. Os exemplos mais antigos de zigurates datam do final do terceiro milênio a.C., enquanto os mais tardios, do século VI a.C., e alguns dos exemplos mais notáveis dessas estruturas incluem as ruínas na cidade de Ur e de Khorsabad na Mesopotâmia.

Com a descrição supracitada pode-se formular uma imagem, ainda que básica, de com que se parece um zigurate. A idéia que se tem de que serviam como lugar de idolatria ou cerimônias públicas, contudo, não é correta. Na Mesopotâmia acreditava-se que eram a morada dos deuses. Através dos zigurates as divindades colocariam-se perto da humanidade, razão pela qual cada cidade adorava seu próprio deus ou deusa. Além disso, apenas aos sacerdotes era permitida a entrada ao zigurate, e era deles a responsabilidade de cuidar da adoração aos deuses e fazer com que atendessem as necessidades da comunidade. Naturalmente os sacerdotes gozavam de uma reputação especial na sociedade suméria.

Um exemplo de zigurate mais simples é o do Templo Branco de Uruk, na antiga Suméria, que deve ter sido construído por volta de 400-300 a.C.. O próprio zigurate é a base sobre o qual o Templo Branco repousa, e sua função é trazer o templo mais próximo aos céus, de forma que pudesse prover acesso desde o solo até lá, por meio de degraus — a estrutura teria a função, portanto, de uma ponte entre os dois mundos. Por isso acredita-se que o templo dos sumérios seria um eixo cósmico, uma conexão vertical entre o céu e a terra, e entre a terra o submundo; e uma conexão horizontal entre as terras. Construído em sete níveis, ou camadas, o zigurate representaria os sete céus, ou planos de existência, os sete planetas e os sete metais a eles associados e suas cores correspondentes.

Um exemplo de zigurate sólido e abrangente é o de Marduk, ou Torre de Babel, situado na antiga Babilônia. Infelizmente não sobrou nem mesmo a base daquela poderosa estrutura, mas de acordo com achados arqueológicos e fontes históricas, a torre colocava-se sobreposta a sete camadas multicoloridas, em cujo topo achava-se um templo de proporções singulares. Acerca desse templo, acredita-se haver sido pintado e preservado em cor anil, combinando com o cimo das camadas. É sabido que havia três escadarias que levavam ao templo, e diz-se que duas delas ascendiam apenas até a metade da altura do zigurate.

O nome sumério para a estrutura era Etemenanki, palavra que significa "A Fundação do Céu e da Terra." Provavelmente construído sob as ordens de Hamurabi, averigüou-se que o centro do zigurate de Marduk continha restos de outros zigurates e estruturas mais antigas. O estágio final consistia dum encaixamento de 15 metros de tijolos reforçados construído pelo monarca Nabucodonossor.

 

23.3.1.4.5 - TROMBETAS DE JERICÓ

Josué
 

Jericó: 5.10-6.27

Tradução de Ivo Storniolo

Os israelitas ficaram acampados em Guilgal e celebraram a Páscoa no dia catorze do mês, à tarde, na planície de Jericó. No dia seguinte à Páscoa comeram dos produtos da terra, pães sem fermento e grãos tostados, nesse mesmo dia. O maná cessou no dia seguinte, quando comeram dos produtos da terra. Os israelitas não mais tiveram o maná. Naquele ano comeram dos frutos da terra de Canaã.

Estando próximo de Jericó, Josué levantou os olhos e viu que à sua frente estava um homem em pé, com a espada desembainhada na mão. Josué foi até ele e perguntou: “És a nosso favor ou a favor dos nossos adversários?”. Ele respondeu: “Não, sou chefe do exército do Senhor, e acabo de chegar”. Então Josué prostrou-se com o rosto poe terra e o adorou. Depois perguntou-lhe: “O que diz o meu Senhor ao seu servo?” O chefe do exército do Senhor respondeu a Josué: “Tira as sandálias dos pés, pois o lugar em que pisas é sagrado”. E Josué assim o fez.

Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos israelitas. Ninguém saía e ninguém entrava. O Senhor disse então a Josué: “Vê, eu estou entregando em tua mão Jericó, junto com o rei e seus guerreiros. Vós, todos os homens de guerra, rodeai a cidade dando uma volta ao redor da cidade; assim façais por seis dias. Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifre de carneiro diante da arca. No sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as trombetas. Quando derem um toque prolongado, quando ouvirdes o som da trombeta, todo o povo lançará um grande grito; o muro da cidade virá abaixo, o povo subirá, cada um à sua frente”.

Josué, filho de Nun, convocou os sacerdotes e disse-lhes: “Levai a arca da aliança; e ste sacerdotes levem sete trombetas de chifre de carneiro na frente da arca do Senhor”. E disse ao povo: “Passai e rodeai a cidade, e quem estiver armado passe à frente da arca do Senhor”. E aconteceu conforme Josué ordenara ao povo. Sete sacerdotes com sete trombetas de chifre de carneiro passaram à frente do Senhor e tocaram as trombetas. A arca da aliança do Senhor seguia atrás deles; quem estava armado ia na frente dos sacerdotes que tocavam as trombetas, e a retaguarda seguia atrás da arca. Marchavam e tocavam as trombetas. [paralelo: vaso Chigi: a falange]

Josué ordenara ao povo: “Não griteis nem façais ouvir a vossa voz e que nenhuma palavra saia da vossa boca, até o dia em que eu vos disser: ‘Gritai’. Então gritareis.

A arca do Senhor rodeou a cidade contornando-a uma vez. Depois voltaram ao acampamento e ali pernoitaram. Josué levantou-se de madrugada, e os sacerdotes levaram a arca do Senhor. Os sete sacerdotes que levavam as sete trombetas de chifre de carneiro estavam na frente da arca do Senhor, andando e tocando as trombetas. Quem estava armado ia na frente e a retaguarda seguia atrás da arca do Senhor. Marchavam e tocavam as trombetas.

No segundo dia rodearam a cidade uma vez e voltaram ao acampamento. Assim fizeram por seis dias. No sétimo dia madrugaram ao romper da aurora e rodearam a cidade sete vezes, conforme o mesmo ritual; somente naquele dia rodearam a cidade ste vezes. Na sétima vez os sacerdotes tocaram as tromebtas e Josué disse ao povo: “Gritai, porque o Senhor vos entregou a cidade. A cidade e tudo o que nela houver será consagrado ao extermínio em honra do Senhor. Somente Raab a prostituta será conservada com vida, bem como todos os que estiverem com ela em casa, porque escondeu os mensageiros que enviamos. Quanto a vós, cuidado com as coisas consagradas ao extermínio, para que, tendo-as consagrado ao extermínio, não as tomeis; pois tornaríeis o acampamento de Israel consagrado ao extermínio, acarretando-lhe a desgraça. Toda a prata, ouro, objetos de bronze e de ferro swerão consagrados sao Senhor, e destinados ao tesouro do Senhor”.

O povo lançou o grito e tocaram as trombetas. Ao ouvir o toque de trombeta o povo lançou um grande grito e a muralha da cidade veio abaixo; o povo subiu para a cidade, cada um à sua frente, e tomaram a cidade. Consagraram ao extermíneo tudo o que havia na cidade: homens e mulheres, jovens e velhos, vacas, ovelhas e burros. Passaram tudo ao fio da espada.

Josué disse então aos dois homens que haviam explorado a terra: “Ide à casa da prostituta e tirai-a de lá com tudo o que estiver com ela, conforme lhe jurastes”. Os jovens exploradores foram e tiraram a Raab, junto com o pai, a mãe, os irmãos e tudo o que ela possuía; tiraram também todo o seu clã e os deixaram fora do acampamento de Israel.

Quanto à cidade, incendiaram-na juntamente com tudo o que nela havia; somente a prata, o ouro, os objetos de bronze e de ferro destinaram ao tesouro do Senhor. Josué conservou a vida de Raab, a prostituta, bem como a família de seu pai e tudo o que ela possuía; e ela permaneceu no meio de Israel até o dia de hoje, por ter escondido os mensageiros que Josué enviara para explorar Jericó”.

Naquele tempo Josué fez um juramento: “Seja maldito diante do Senhor o homem que se levantar para reconstruir esta cidade de Jericó: que os alicerces lhe custem o primogênito e as portas lhe custem o caçula”.

O Senhor estava com Josué e sua fama corria por toda a terra.

Fonte:http://www.fflch.usp.br/dh/heros/traductiones/biblia/antigotestamento/josue/jerico.html

 

23.3.1.4.6 - AS PRAGAS DO EGITO

As dez pragas do Egito são as dez pragas que, segundo a tradição judaico-cristã, Javé enviou pelas mãos de Moisés sobre o Faraó do Egito e seu povo, narradas no livro de Êxodo, capítulos 7—12. As pragas foram enviadas para que Israel fosse libertado da terra do Egito e se reconhecesse a unicidade de Deus.

As pragas pareceriam dirigidas às divindades egípcias específicas, como o deus Nilo, os deuses-animais, culminando com a morte do primogénito de Faraó já que este era considerado uma divindade.[carece de fontes?]

As dez pragas descritas no texto foram, em ordem cronológica:

1.    Águas em sangue דָם (Dam)

2.    Rãs צְּפַרְדֵּעַ (Tsifardeah)

3.    Piolhos כִּנִּים (Kinim)

4.    Moscas עָרוֹב (Arov)

5.    Doenças nos animais דֶּבֶר (Dever)

6.    Sarna que rebentava em úlceras שְׁחִין (Shkhin)

7.    Saraiva com fogo בָּרָד (Barad)

8.    Gafanhotos אַרְבֶּה (Arbeh)

9.    Trevas חוֹשֶך (Choshech)

10. Morte dos primogénitos מַכַּת בְּכוֹרוֹת (Makat b'chorot)

 

Verificação histórica

Não existe nenhuma comprovação na Arqueologia da ocorrência das dez pragas do Egito, nem uma referência nos registros do Egito Antigo.[1][2] Alguns historiadores, no entanto, propuseram a hipótese de que as pragas se referem a catástrofes ecológicas, motivadas principalmente pela explosão do vulcão Santorini.[3]

Hipótese da origem vulcânica

1. As águas do Nilo Tingem-se de Sangue ou mar vermelho.

A explosão do Vulcão Santorini espalhou cinzas por sobre o Egito. A lama e a fumaça que caíram sobre o rio torna quente a água do Nilo e provoca a reprodução descontrolada de algas pirrófitas que causam o fenômeno da maré vermelha colorindo as águas com cor de sangue.

2. Rãs Cobrem a Terra

A intoxicação das águas faz com que as rãs e sapos fujam do rio, espalhando-se por toda a região.

3. Mosquitos Atormentam Homens e Animais

Com a morte de muitos animais, as carcaças podres proliferam grande quantidade de moscas, além delas existe também naquela região o maruim, um pequeno mosquito de picada muito dolorosa.

4. Moscas Escurecem o Ar e Atacam Homens e Animais

Outro tipo de insecto, a mosca dos estábulos, transforma-se em praga, atacando todo tipo de mamífero que encontra.

5. Uma Peste Atinge os Animais

A peste equina africana e a peste língua-azul, doenças transmitidas pelo maruim, mataram a maioria dos mamíferos.

6. Pústulas Cobrem Homens e Animais

O mormo, uma doença equina que também ataca o homem, é transmitida pela mosca dos estábulos provocando úlceras na pele.

7. Chuva de Granizo Destrói Plantações

O granizo pode cair nas regiões desérticas do Mediterrâneo, embora seja um fenómeno relativamente raro. Misturado com raios, da a ilusão de ser saraiva. Também se supõe que proveio do encontro entre uma massa de ar quente e uma massa de ar fria que causa ventos, chuva forte, ou tempestades eléctricas, que os egipcios poderiam interpretar como chuva de fogo.

8. Nuvem de Gafanhotos Ataca Plantações

Após a tempestade, os ventos fortes mudaram o curso dos gafanhotos etíopes.

9. Escuridão Encobre o Sol por Três Dias

Uma tempestade de areia pode durar dias e é capaz de encobrir completamente a luz do Sol. É possível que o mesmo fenómeno que ocorreu com os raios tenha encoberto o Sol, devido às correntes de areia do deserto do Saara levantadas pelo vento.

10. Os Primogénitos de Homens e Animais Morrem

Com a escassez de alimentos, causada pela morte dos animais e peixes e a devastação das plantações.Cereais eram guardados em celeiros, ou abaixo da terra para serem protegidos da contaminação, mas já estavam contaminados por vestígios dos gafanhotos e/ou moscas dos estábulos, e junto com o forte calor os grãos podem desenvolver um tipo de fungo altamente tóxico. Como no Egito antigo os primogénitos (tanto humanos quanto dos animais) tinham a preferência na alimentação, uma tradição no egito antigo, tanto para homens quanto para animais(recebiam a primeira porção, logo a mais contaminada por ser mais vulnerável, e uma porção extra no final) como eram muitas toxinas, era possível a morte dos primogênitos.

E assim terminou. 

Fonte:Wikipédia 

 

 23.3.1.4.7 - A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO

Ponte natural no mar vermelho

Possivelmente o mais assombroso de tudo, é a presença de uma ponte natural abaixo da água. Ao largo do Golfo de Aquaba, as profundidades alcançam cerca de 5.000 pés e a costa Egípcia vai descendo a essa profundidade em um declive de cerca de 45 graus. Se os Israelitas tivessem tentado cruzar em qualquer outro lugar ao largo do Golfo de Aquaba teriam que enfrentar uma ladeira muito inclinada de aproximadamente 5.000 pés. Com todos seus animais e carros, a tarefa seria praticamente impossível. Somente aqui, nas margens de Nuweiba, há um ”caminho” descendente em um degrau gradual de 6 graus, a uma profundidade de somente 100 metros. A Bíblia a descreve como, “Aquele que faz um caminho através do próprio mar e uma senda mesmo através de fortes águas.” (Isaías 43:16, 17)

 

A Travessia do Mar Vermelho

Capítulo 13:17 - 15:21

Deus não permitiu que o povo seguisse a rota direta ao longo da costa do Mediterrâneo para Canaã, conhecido como "o caminho dos filisteus" (que seria uma viagem de poucas semanas).

Tal rota era fortemente guardada por soldados egípcios. O povo era pacífico, acostumado a uma vida servil, ou pastoril. Tinham com eles suas famílias e o seu gado. Seria fácil desanimarem ao ver a oposição de exércitos inimigos e debandar de volta à relativa tranquilidade do Egito.

Se Deus não nos leva diretamente ao nosso objetivo, não devemos desanimar: Ele sabe melhor o que existe pelo caminho, e podemos seguí-lO confiantes em Sua sabedoria.

Tendo saído de Ramessés e ido para Sucote (40 kms.), continuaram indo para o sul até Etã (32 kms.). Em seguida, viraram para o norte e foram até Baal-Zefom (Baal-do-Norte - 40 kms.), voltando quase em linha paralela ao caminho pelo qual tinham vindo, rodeando perto do mar Vermelho. Isto Deus fez para confundir o faraó, que pensaria que eles estavam desorientados, perdidos no deserto.

Apesar das centenas de anos decorridos desde a morte de José, Moisés não se esqueceu da promessa antes dele morrer (Gênesis 50:25), e levou seus ossos nesta viagem. O povo ia em ordem, todos bem organizados, cada um em seu lugar dentro da multidão.

Para guiar o povo, o SENHOR ia adiante deles, visível como uma coluna de núvem de dia, e coluna de fogo à noite, alumiando-os, para que pudessem andar de dia e de noite. Também temos a sua Palavra que nos alumia o caminho da vida, disponível a qualquer hora.

Este povo tinha o que nenhum outro povo jamais teve: a Glória, a presença visível de Deus (Romanos 9:4). Nem mesmo à igreja foi isto dado na terra. Deus nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo (Efésios 1:3). Eles aguardavam a vinda de Cristo, para nós ela é um evento histórico, no passado. Não precisamos da presença visível de Deus para andar pela fé.

É óbvio que a manobra estranha desta multidão pelo deserto serviu para fazer Faraó e seus oficiais refletirem no prejuízo que iriam sofrer por terem deixado seus servos ir embora, e tomar a decisão de ir atrás deles para forçá-los a voltar. Tudo isto estava nos planos de Deus: Ele iria definitivamente mostrar aos egípcios que Ele é o SENHOR.

 

O faraó aprontou seu carro, seiscentos carros escolhidos e todos os carros do Egito com seus capitães. Cada carro levava dois guerreiros: um para conduzí-lo e outro para usar as armas que levava, uma espécie de tanque primitivo. Ele se compunha de um chassis de madeira ou couro sobre duas rodas, puxado por cavalos. Era uma força poderosa para usar contra um povo desarmado, a maior parte do qual era composto de mulheres, velhos e crianças. O faraó não tinha dúvidas quanto ao sucesso da sua ofensiva.

Com seu equipamento veloz, o faraó e seu exército facilmente alcançaram os israelitas, defronte de Baal-Zefom. Vendo-se apertados entre o exército do faraó e o Mar Vermelho, os israelitas pensaram que iam morrer no deserto e foram reclamar amargamente a Moisés. Com sarcasmo eles mencionaram os sepulcros no Egito, pois os egípcios eram notórios por sua obsessão com túmulos.

Quando estavam debaixo da dura servidão no Egito, os israelitas haviam clamado por livramento (Êxodo 2:23). O SENHOR atendera ao seu clamor e os tirara da servidão. Mas, assim que se sentiram em perigo, temeram a morte e reclamaram de Moisés dizendo que preferiam a servidão. Eles nada podiam fazer por si mesmos, e não tinham esperança sem o socorro divino. É a situação de toda a humanidade, pois o mundo é um lugar sem esperança: um grande cemitério, pois a maioria pensa que esse é o seu fim (Romanos 5:12).

Tendo presenciado a forte mão de Deus em seu livramento, seria de esperar que teriam suficiente fé nEle para não se desesperarem desta forma. Esta foi a primeira entre muitas ocasiões em que este povo reclamou contra Moisés e contra o SENHOR por terem sido tirados da servidão do Egito. É um exemplo para nós, a fim de que aprendamos a confiar no poder de Deus: sabendo o que Ele fez no passado, podemos enfrentar as crises desta vida com confiança, sem medo e reclamações.

Opovo estava enfurecido e desesperado, mas Moisés os animou a esperar e ver como o SENHOR iria fazer o livramento para eles. Profeticamente, Moisés anunciou que este povo nunca mais veria os egípcios depois de seu livramento.Talvez não sejamos perseguidos por um exército, mas às vezes nos sentimos cercados pelo mal, num beco sem saída. Sigamos o conselho de Moisés: não devemos temer, mas confiar no livramento que certamente o SENHOR nos concederá.

O SENHOR disse a Moisés para acabar com esse clamor, e tocar o povo para a frente. A oração tem um lugar importante em nossas vidas, mas devemos também agir com os meios ao nosso alcance. Às vezes sabemos o que é necessário fazer, mas adiamos com a desculpa que estamos pedindo maior direção de Deus.

Parecia não haver para onde ir, mas o SENHOR mandou o povo seguir, e prometeu abrir um caminho para eles pelo mar. O Anjo de Deus saiu da frente deles com a coluna de núvem e se colocou atrás, entre eles e os egípcios, dando luz aos israelitas através da noite, e escuridão com densa neblina para os egípcios de forma que não podiam aproximar-se.

Com a obediência de Moisés e do povo, o Criador dos céus e da terra provou o Seu domínio sobre o que havia criado: fez soprar um forte vento oriental que, não somente abriu um caminho através do mar até a outra margem, mas secou o fundo de forma que todos os israelitas o atravessaram a pé enxuto.

O exército egípcio eventualmente descobriu o que se passava, e partiu em perseguição, indo até o meio do mar. Mas o SENHOR, de madrugada (entre as duas horas da manhã e o nascer do sol) lhes emperrou as rodas dos carros (talvez atolando-os), e tiveram que ir devagar, com dificuldade. Quando estavam desistindo da perseguição o SENHOR mandou que Moisés estendesse sua mão sobre o mar, e o mar se fechou sobre os egípcios, ao romper da manhã, morrendo todos os cavalarianos do exército egípcio.

Israel, no começo da sua viagem para a terra prometida, viu assim o poder de Deus, não somente remindo os seus primogênitos mediante o sangue do cordeiro, mas livrando-os do poder dos egípcios mediante o Seu poder. Isto nos fala da redenção que temos da pena do pecado mediante o sangue de Cristo, o Cordeiro de Deus, e o livramento do poder do pecado que está ao nosso alcance mediante o Seu poder supremo, ao seguirmos o Seu caminho.

Moisés e os homens israelitas, em sua alegria, compuzeram o primeiro hino que encontramos na Bíblia, e, segundo os estudiosos, o primeiro registrado em todo o mundo. Eles então cantaram em louvor ao SENHOR com acompanhamento de música e danças por todas as mulheres (lideradas por Miriam [que se traduz Maria], irmã de Moisés, com seus noventa e tantos anos).

 

R David Jones

http://www.bible-facts.info/comentarios/vt/exodo/ATravessiadoMarVermelho.htm

 

ENCONTRADO RESTOS ARQUEOLÓGICOS:

Rodas e seus eixos encrostados de corais. Foram encontradas rodas de 4, 6 e 8 raios. As rodas de 8 raios só foram fabricadas na 18.a dinastia dos faraós. O rei do Egito usou toda a sua frota de carros (Êx 14.6 e 7) com todos os tipos de rodas existentes.

Mergulhando no fundo do mar Vermelho, em 1978, Ron Wyatt e seus dois filhos encontraram e fotografaram numerosas peças de carruagens incrustados de coral. Desde então, várias incursões de mergulho tem revelado mais e mais evidência. Um de seus achados incluiu uma roda de carruagem de oito raios, a qual levou Ron ao diretor de antiguidades Egípcias, o Dr. Nassif Mohammed Hassan. Depois de examina-lo imediatamente disse que pertenceu à décima oitava dinastía, datando o êxodo no  ano 1446 A.E.C. Quando lhe preguntaram como sabia, o Dr. Hassan explicou que a roda de oito raios foi utilizada únicamente durante este período, a época de Ramses II e Tutmoses (Moisés). Caixas de carruagens, esqueletos humanos, esqueletos de cavalos, rodas com quatro, seis e oito raios, tudo permanece como um testemunho,  como um testemunho silencioso ao milagre da divisão do Mar Vermelho.

fonte: http://serra-es.com.br/2009/09/25/as-provas-da-travessia-do-mar-vermelho/

 

MAR VERMELHO: A TRAVESSIA QUE NÃO EXISTIU

Paulo da Silva Neto Sobrinho

“... e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas
(Paulo, 2Tm 4,4).

“... se admitíssemos que Deus faz alguma coisa contrária às leis da natureza, seríamos também obrigados a admitir que Deus age em contradição com a sua própria natureza, o que é um absurdo”.
(ESPINOSA, 1670
).

Introdução

Relata-nos, os textos sagrados, que o povo hebreu ao sair do Egito, defrontou-se com o Mar Vermelho, que se dividiu em duas muralhas após Moisés estender a mão sobre ele, de modo que todo o povo o atravessou a pé enxuto. Os egípcios, que os perseguiam, foram tomados pelas águas quando se juntaram novamente, perecendo todo o exército do Faraó.

Apesar de que esse “milagre” sempre nos impressionou, nunca deixamos de questionar se realmente isso aconteceu como está relatado na Bíblia. Pelo que vimos nos filmes épicos é muita água sô! Veremos, neste estudo, se conseguimos desvendar esse mistério.

As passagens relacionadas

Das dez Bíblias fonte de nossa pesquisa, somente a Bíblia de Jerusalém traz a verdadeira denominação do local da passagem, cuja narrativa é a que colocamos nas passagens abaixo.

Ex 13, 17-18: Ora, quando o Faraó deixou o povo partir, Deus não o fez ir pelo caminho no país dos filisteus, apesar de ser o mais perto, porque Deus achara que diante dos combates o povo poderia se arrepender e voltar para o Egito. Deus, então, fez o povo dar a volta pelo caminho do deserto do mar dos Juncos, e os israelitas saíram bem armados do Egito.

Em nota de rodapé explicam:

A designação “o mar dos Juncos”, em hebraico yam sûf, é acréscimo. O texto primitivo dava apenas uma indicação geral: os israelitas tomaram o caminho do deserto para o leste ou o sudeste. – o sentido desta designação e a localização do “mar de Suf” são incertos. Ele não é mencionado na narrativa de Ex 14, que fala apenas do “mar”. O único texto que menciona o “mar de Suf” ou “mar dos Juncos” (segundo o egípcio) como cenário do milagre é Ex 15,4, que é poético.

Veremos, mais à frente, que Keller reforça essa afirmativa sobre a designação desse local.

Ex 14, 21-28: Então Moisés estendeu a mão sobre o mar. E Iahweh, por um forte vento oriental que soprou toda aquela noite, fez o mar se retirar. Este se tornou terra seca, e as águas foram divididas. Os israelitas entraram pelo meio do mar em seco; e as águas formaram como um muro à sua direita e à sua esquerda. Os egípcios que os perseguiam entraram atrás deles, todos os cavalos de Faraó, os seus carros e os seus cavaleiros, até o meio do mar... Moisés estendeu a mão sobre o mar e este, ao romper da manhã, voltou para o seu leito. Os egípcios, ao fugir, foram de encontro a ele. E Iahweh derribou os egípcios no meio do mar. As águas voltaram e cobriram os carros e cavaleiros de todo o exército de Faraó, que os haviam seguido no mar; e não escapou um só deles.

Transcrevemos da nota de rodapé:

Esta narrativa apresenta-nos o milagre de duas maneiras: 1º) Moisés levanta a sua vara sobre o mar, que se fende, formando duas muralhas de água entre as quais os israelitas passam a pé enxuto. Depois, quando os egípcios vão atrás deles, as águas se fecham e os engolem. Esta narrativa é atribuída à tradição sacerdotal ou eloísta. 2º) Moisés encoraja os israelitas fugitivos, assegurando-lhes que nada têm que fazer. Então, Iahweh faz soprar um vento que seca o “mar”, os egípcios ali penetram e são engolidos pelo seu refluxo. Nesta narrativa, atribuída à tradição javista, somente Iahweh é que intervém; não se fala de uma passagem do mar pelos israelitas, mas apenas da miraculosa destruição dos egípcios. Esta narrativa representa a tradição mais antiga. É somente a destruição dos egípcios que afirma o canto muito antigo de Ex 15,21, desenvolvido no poema de 15,1-18. Não é possível determinar o lugar e o modo deste acontecimento; mas aos olhos das testemunhas apareceu como uma intervenção espetacular de “Iahweh guerreiro” (Ex 15,3) e tornou-se um artigo fundamental da fé javista (Dt 11,4; Js 24,7 e cf. Dt 1,30; 6,21-22; 26,7-8). Este milagre do mar foi posto em paralelo com outro milagre da água, a passagem do Jordão (Js 3-4); a saída do Egito foi concebida de maneira secundária à imagem da entrada em Canaã, e as duas apresentações misturam-se no cap. 14. A tradição cristã considerou este milagre como uma figura da salvação, e mais especialmente do batismo (1Cor 10,1).

Embora muitas vezes explicam alguma coisa sobre passagens bíblicas, como vimos anteriormente, não as levam em consideração para análise de outras, assim insistem em que tal ocorrência se trata de “milagre”, mas como já deixamos transparecer, logo de início, só se por delírio poético do autor bíblico.

Ficamos em dúvida de como as coisas realmente aconteceram, já que pelo texto da Bíblia Moisés estendeu a mão sobre o mar, enquanto que o historiador Josefo, dizendo que o que conta foi encontrado nos Livros Santos, narra da seguinte forma:

Este admirável guia do povo de Deus, depois de ter acabado a sua oração, tocou o mar com sua vara maravilhosa e no mesmo instante ele se dividiu, para deixar os hebreus passar livremente, atravessando-o a pé enxuto, como se estivessem andando em terra firme. (História dos Hebreus, pág. 87).

Por outro lado, Josefo narra de forma espetacular o retorno das águas ao leito do mar, com o perecimento dos egípcios, coisa não encontrada na Bíblia da mesma forma. Vejamos:

O vento juntara-se às vagas para aumentar a tempestade: grande chuva caiu dos céus; os relâmpagos misturaram-se como ribombo do trovão, os raios seguiram-se aos trovões e para que não faltasse nenhum sinal dos mais severos castigos de Deus, na sua justa cólera, punindo os homens, uma noite sombria e tenebrosa cobriu a superfície do mar; do modo que, de todo esse exército, tão temível, não restou um único homem que pudesse levar ao Egito a notícia da horrível catástrofe. (História dos Hebreus, pág. 87).

A rota inicial do Êxodo

Partiram de Ramsés para Sucot, daí seguiram a Etam, de onde foram até Piairot, ponto em que partiram e atravessaram o mar, acampando em Mara, no Deserto de Etam. (Ex. 13,20; 14.2.9.15; 15,22; Nm 33, 5-8). Ver no mapa 1 abaixo, cuja rota está traça em linha vermelha:

Observar no Mapa 1 (destaque da área realçada no retângulo azul no Mapa 2) que na região da passagem pelo “Mar Vermelho” existe até uma rota comercial (linha pontilhada), demonstrando que não se necessitava de nenhum milagre para passar pelo local. Keller, num mapa colocado em seu livro E a Bíblia tinha razão..., informa que essa área é denominada de “mar dos Juncos”.

Bem abaixo, ainda no Mapa 1, na região indicada como de ajuntamento de água, se refere ao Golfo de Suez, não se trata especificamente do Mar Vermelho, que fica bem mais abaixo, conforme se pode ver mais claramente no Mapa 2.

Temos então pela geografia da região, que o Mar Vermelho é, vamos assim dizer, divido pela Península do Sinai em dois golfos, o de Suez e de Ácaba. Como se diz popularmente “cada um é cada um”, ou melhor, geograficamente falando, golfo é golfo, não é o mar propriamente dito.

Algumas explicações dos tradutores

Fora as que já fornecemos, logo após as passagens anteriormente transcritas, seria ainda interessante lermos outras que se nos apresentam.

O local da travessia do Mar Vermelho foi provavelmente a extensão norte do Golfo de Suez, ao sul do atual porto de Suez. Embora a expressão literal seja “mar dos Juncos”, a referência é ao mar Vermelho, não simplesmente a alguma região alagadiça. (Bíblia Anotada, pág. 98, em relação à Ex 13,18).

Mar Vermelho: lit. “mar dos Juncos”. A expressão designa tanto o atual mar Vermelho como também a região pantanosa e de lagunas, atravessada hoje pelo canal de Suez. É o cenário da passagem dos israelitas pelo “mar Vermelho” (Bíblia Vozes, pág. 91, em relação à Ex 10,19).

A descrição da passagem pelo mar Vermelho corresponde a um fenômeno de ordem natural, como o sugere a menção do “vento forte” (v.21) que põe o mar, isto é, uma região pantanosa, em seco. Tal fenômeno foi providencial para salvar os israelitas (v.24) e fazer perecer os egípcios (v.27): de madrugada as condições climáticas foram favoráveis à passagem segura dos israelitas; de manhã mudaram bruscamente e os egípcios pereceram. Nisto Israel viu a mão providencial de Deus (v.31), expressa pela nuvem e pelo fogo (13,21), pelas águas que formam alas para os israelitas passarem (14,22) e pela vara milagrosa de Moisés (v.16.21.26). (Bíblia Vozes, pág. 97, em relação à Ex 14,21-31).

Em toda essa narração da passagem do mar Vermelho é difícil estabelecer o que haja de verdadeiramente histórico e o que haja de fruto de reelaborações épicas. Tampouco é possível indicar o ponto exato em que se deu a travessia. Por certo, há uma intervenção milagrosa de Deus que, embora servindo-se de fenômenos naturais, pode ordená-los no tempo e lugar para que facilitassem a fuga dos hebreus e o castigo dos egípcios. Em todo o A.T. a passagem do mar Vermelho foi sempre considerada como o exemplo mais esplêndido do socorro providencial de Deus, e em o N.T. é ainda considerada como a figura da salvação, mediante a ablução batismal. (Bíblia Vozes, pág. 97, em relação à Ex. 14,15-31).

Mesmo que em algumas delas se reconheça que não é o mar Vermelho, mas o mar dos Juncos, ou que a passagem é um fenômeno de ordem natural, não deixam de envidar esforços em seus argumentos para levá-la à conta de milagre, contrariando o bom senso em detrimento da fé racional.

A arqueologia confirma os fatos?

Agora sim é que iremos ver o que Keller tem mesmo a nos dizer sobre esse assunto. Vejamos:

Esse “milagre do mar” tem ocupado incessantemente a atenção dos homens. O que até agora nem a ciência nem a pesquisa conseguiram esclarecer não é de modo algum a fuga, para a qual existem várias possibilidades reais. A controvérsia que persiste é sobre o cenário do acontecimento, que ainda não foi possível fixar com certeza.

A primeira dificuldade está na tradução. A palavra hebraica “Yam suph” é traduzida ora por “mar Vermelho”, ora por “mar dos Juncos”. Repetidamente se fala do “mar dos Juncos”: “Ouvimos que o Senhor secou as águas do mar dos Juncos[1] à vossa entrada, quando saístes do Egito...” (Josué 2.10). No Velho Testamento, até o profeta Jeremias, fala-se em “mar dos Juncos”. O Novo Testamento diz sempre “mar Vermelho” (Atos 7.36; Hebreus 10.29).

Às margens do mar Vermelho não crescem juncos. O mar dos juncos propriamente ficava mais ao norte. Dificilmente se poderia fazer uma reconstituição fidedigna do local – e essa é a segunda dificuldade. A construção do Canal de Suez no século passado modificou extraordinariamente o aspecto da paisagem da região. Segundo os cálculos mais prováveis, o chamado “milagre do mar” deve ter acontecido nesse território. Assim, por exemplo, o antigo lago de Ballah, que ficava ao sul da estrada dos filisteus, desapareceu com a construção do canal, transformando-se em pântano. Nos tempos de Ramsés II, existia ao sul uma ligação do golfo de Suez com os lagos amargos. Provavelmente chegava mesmo até mais adiante, até o lago Timsah, o lago dos Crocodilos. Nessa região existia outrora um mar de juncos. O braço de água que se comunicava com os lagos amargos era vadeável em diversos lugares. A verdade é que foram encontrados alguns vestígios de passagens. A fuga do Egito pelo mar dos Juncos é, pois, perfeitamente verossímil. (E a Bíblia tinha razão..., pág. 146).

[1] As traduções em português consultadas citam sempre “mar Vermelho”. (N. do T.)

As observações de Keller se encaixam perfeitamente com algumas das explicações dadas pelos tradutores, ficando desta forma sem propósito qualquer argumento contrário, a não ser que algum dia a ciência venha em socorro aos que querem enxergar as coisas sob ponto de vista religioso, sustentando os fatos como milagres.

Fatos semelhantes

A respeito da passagem do mar Vermelho, Josefo nos relata outro acontecimento idêntico:

“... ninguém deve considerar como coisa impossível, que homens, que viviam na inocência e na simplicidade desses primeiros tempos, tivessem encontrado, para se salvar, uma passagem no mar, que se tenha ela aberto por si mesma, quer isso tenha acontecido por vontade de Deus, pois a mesma coisa aconteceu algum tempo depois aos macedônios, quando passaram o mar da Panfília, sob o comando de Alexandre, quando Deus se quis servir dessa nação para destruir o império dos persas, como o narram os historiadores que escreveram a vida desse príncipe. Deixo, no entanto, a cada qual que julgue como quiser”. (História dos Hebreus, pág. 87).

Observar que nesta fala de Josefo é dito dum fato semelhante acontecido com os macedônios, que também a pé enxuto passaram o mar da Panfília.

No livro de Josué (3,14-17) o povo de Israel atravessou o rio Jordão, após as suas águas terem se dividido. Muitos também têm esse episódio como um milagre, entretanto vejamos as seguintes notas explicativas dos tradutores:

Sabemos que as águas do Jordão, no seu leito estreito e profundo, vão minando as margens, provocando de vez em quando grandes desabamentos de terras que podem obstruir por completo, a torrente. A partir desse lugar, o leito permanece seco até que as águas rompem uma passagem e encontram de nosso o seu caminho. A história conta-nos que isso aconteceu em 1267, 1914 e 1927. Em nada diminuiria a ação de Deus se se tivesse servido miraculosamente, nesse momento exato, destes elementos locais. (Bíblia Sagrada, Ed. Santuário, pág. 286 em relação à Js 3, 16).

Relaciona-se esse fato com o ocorrido em 1267, segundo o cronista árabe [de nome Huwairi, conforme Ed. Paulinas, pág. 222] o Jordão cessou de correr durante dez horas, porque desmoronamentos do terreno haviam obstruído o vale, precisamente na região de Adamá-Damieh. (Bíblia de Jerusalém, pág. 317, em relação à Js 3, 16).

... O Jordão, de fato, é um pequeno rio que, em alguns lugares, permite a travessia a pé enxuto, principalmente graças à abundância de pedras em seu leito. (Bíblia Sagrada, Ed. Vozes, pág. 238, em relação à Js 4, 3).

Conclusão

De nada adianta usar as interpretações piedosas de muitas das religiões tradicionais para sustentar esses fatos, pois ao homem inquisidor dos dias atuais, alegações desse tipo não estão tendo mais vez, já que ele prefere que se busque a verdade dos fatos. Devemos, mesmo à custa de muita indignação por parte de algumas pessoas, apontar os equívocos de interpretação, as interpolações, bem como as deliberadas adulterações, para mostrar a verdade limpa e pura, que muito mais agrada que uma mentira evidenciada pelos fatos.

Devem, pois, os teólogos rever seus conceitos e, diga-se de passagem, em sua maioria são dum passado remoto que, por força dos conhecimentos atuais, tornaram-se obsoletos. “A verdade ainda que tardia”, diria Tiradentes numa situação dessa.

Finalizando, veremos a opinião de Espinosa a respeito de milagres:

O homem comum chama, portanto, milagres ou obras de Deus aos fatos insólitos da natureza e, em parte por devoção, em parte pelo desejo de contrariar os que cultivam as ciências da natureza, prefere ignorar as causas naturais das coisas e só anseia por ouvir falar do que mais ignora e que, por isso mesmo, mais admira. Isso, porque o vulgo é incapaz de adorar a Deus e atribuir tudo ao seu poder e à sua vontade, sem elidir as causas naturais ou imaginar coisas estranhas ao curso da natureza. Se alguma vez ele admira a potência de Deus, é quando imagina como que a subjugar a potência da natureza.

A travessia é apenas uma história travessa que inventaram, não acham?

Mar/2004

Referência Bibliográfica:

  • A Bíblia Anotada. Trad. PINTO, O. C. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.

  • Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.

  • Bíblia Sagrada - Edição Barsa. Rio de Janeiro: Catholic Press, 1965.

  •  Bíblia Sagrada - Edição Pastoral. São Paulo: Paulus, 2001.

  •  Bíblia Sagrada. Aparecida, SP: Santuário,1984.

  • Bíblia Sagrada. Brasília, DF: SBB, 1969.

  • Bíblia Sagrada. Petrópolis, RJ: Vozes, 1989.

  •  Bíblia Sagrada. São Paulo: Ave Maria, 1989.

  • Bíblia Sagrada. São Paulo: Paulinas, 1980.

  • ESPINOSA, B. Tratado Teológico-Político. trad. AURÉLIO, D. P. São Paulo; Martins Fontes, 2003.

  • JOSEFO, F. História dos Hebreus. Trad. PEDROSO, V. Rio de Janeiro: CPAD, 1990.

  • KELLER, W. E a Bíblia tinha razão... São Paulo: Melhoramentos, 2000.

Fonte: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/paulosns/mar-vermelho.html

 

 

23.3.1.4.8 - VIA SACRA (Via Crúcis)

Via Crúcis (do latim Via Crucis, "caminho da cruz") é o trajeto seguido por Jesus Cristo carregando a cruz que vai do Pretório até o Calvário. O exercício da Via Sacra consiste em que os fiéis percorram mentalmente a caminhada de Jesus a carregar a Cruz desde o Pretório de Pilatos até o monte Calvário, meditando simultaneamente à Paixão de Cristo. Tal exercício, muito usual no tempo da Quaresma, teve origem na época das Cruzadas (do século XI ao século XIII): os fiéis que então percorriam na Terra Santa os lugares sagrados da Paixão de Cristo, quiseram reproduzir no Ocidente a peregrinação feita ao longo da Via Dolorosa em Jerusalém. O número de estações, passos ou etapas dessa caminhada foi sendo definido paulatinamente, chegando à forma atual, de quatorze estações, no século XVI. O Papa João Paulo II introduziu, em Roma, a mudança de certas cenas desse percurso não relatadas nos Evangelhos por outros quadros narrados pelos evangelistas. A nova configuração ainda não se tornou geral. O exercício da Via Sacra tem sido muito recomendado pelos Sumos Pontífices, pois ocasiona frutuosa meditação da Paixão do Senhor Jesus.

Por “Via Sacra” entende-se um exercício de piedade segundo o qual os fiéis percorrem mentalmente com Cristo o caminho que levou o Senhor do Pretório de Pilatos até o monte Calvário; compreende quatorze estações ou etapas, cada uma das quais apresenta uma cena da Paixão a ser meditada pelo discípulo de Cristo:

1.    Estação: Jesus é condenado à morte

2.    Estação: Jesus carrega a cruz às costas

3.    Estação: Jesus cai pela primeira vez

4.    Estação: Jesus encontra a sua Mãe

5.    Estação: Simão Cirineu ajuda a Jesus

6.    Estação: A Verônica limpa o rosto de Jesus

7.    Estação: Jesus cai pela segunda vez

8.    Estação: Jesus encontra as mulheres de Jerusalém

9.    Estação: Terceira queda de Jesus

10. Estação: Jesus é despojado de suas vestes

11. Estação: Jesus é pregado na cruz

12. Estação: Jesus morre na cruz

13. Estação: Jesus morto nos braços de sua Mãe

14. Estação: Jesus é enterrado

Existem diversas meditações de autores espirituais sobre a via crucis ou via sacra, dentre elas as que foram utilizadas em Roma, durante os últimos anos foram: Via Cucis com a Mãe, 2006; Via Crucis do card. Ratzinger, 2005; Via Crucis de João Paulo II, 2004; Via Crucis de João Paulo II, 2000; Via Crucis de Karol Wojtyla, 1976 e ainda são conhecidas as Via Crucis de São Josemaría Escrivá e a Via Cucis de Ernestina Champourcin, 1952.

Quando associado à Via Crucis, Jesus é especialmente venerado sob o nome de Nosso Senhor dos Passos.

LOCALIZAÇÃO:

Via Dolorosa é uma rua na cidade velha de Jerusalém, que começa na Porta de Santo Estevão e percorre a parte ocidental da cidade velha de Jerusalém, terminando na Igreja do Santo Sepulcro.

De acordo com a tradição cristã, foi por este caminho que Jesus Cristo carregou a cruz. A rua possui nove das catorze estações da cruz. As cinco últimas estações estão no interior da Igreja do Santo Sepulcro.

Percurso tradicional

O percurso tradicional começa perto da Porta de Santo Estevão (Porta do Leão), na Escola Primária Umariya, onde se situava a fortaleza Antónia, e segue para poente (este) em direcção da Igreja do Santo Sepulcro. Este percurso teve a sua origem numa procissão organizada pelos franciscanos no século XIV.

Outros percursos

A procissão de Quinta-Feira Santa bizantina começa no alto do Monte das Oliveiras, pára no Jardim de Getsemani, entra na cidade antiga pela Porta do Leão e segue o trajecto tradicional em direcção ao Santo Sepulcro.

No século VIII existiam mais estações, principalmente ao longo da parte sul da cidade antiga, na casa de Caifás, no Monte Sião, no Praetorium e, só depois, no Santo Sepulcro.

As estações da cruz

Primeira estação

A primeira estação encontra-se junto ao Mosteiro da Flagelação.

Segunda estação

A segunda estação encontra-se próxima dos restos de uma construção romana, conhecida hoje em dia por Arco do Ecce Homo, em memória das palavras de Pôncio Pilatos quando mostra Jesus Cristo à multidão.

Terceira estação

A terceira estação comemora a primeira queda de Jesus Cristo. Hoje em dia, o local tradicional está marcado por uma pequena capela pertencente ao Patriarcado Arménio de Jerusalém.

Quarta estação

A quarta estação comemora o encontro entre Jesus e sua mãe. Hoje em dia, no local existe um pequeno oratório.

Quinta estação

Sobre a arquitrave de uma porta existe um inscrição que comemora o encontro entre Jesus Cristo e Simão Cireneu, a quem os romanos ordenam que carregue a cruz de Cristo até o Gólgota.

Sexta estação

A sexta estação, que comemora o encontro entre Jesus e Verónica, quando esta limpa a sua face com um tecido que fica com as suas feições, é hoje em dia assinalado por uma igreja pertencente ao rito greco-católico.

Sétima estação

A sétima estação assinala a segunda queda de Jesus. Hoje em dia este local está assinalado por uma coluna na esquina da Via Dolorosa com a Rua do Mercado.

Oitava estação

A oitava estação comemora o encontro de Jesus com as mulheres de Jerusalém. Hoje em dia o local é assinalado por uma cruz enegrecida pelo tempo, esculpida na parede de um mosteiro ortodoxo.

Nona estação

A nona estação comemora a terceira queda de Jesus. Hoje em dia o local está assinalado por uma coluna da era romana, à entrada de um mosteiro copta.

 

 

 

Fonte: Wikipédia

 

 

23.3.1.4.9 - ARCA DA ALIANÇA

A Arca da Aliança, Arca de Deus ou Arca do Pacto (hebraico:ארון הברית aróhn hab·beríth; grego: ki·bo·tós tes di·a·thé·kes") é descrita na Bíblia como o objeto em que as tábuas dos Dez mandamentos teriam sido guardadas, como também veículo de comunicação entre Deus e seu povo escolhido. Foi objeto de veneração entre os hebreus até seu desaparecimento, que segundo especulações, ocorreu na conquista de Jerusalém por Nabucodonosor. Segundo o livro de II Machabeus, o profeta Jeremias foi o responsável por escondê-la.

Origem

Segundo o livro do Êxodo, a montagem da Arca foi orientada por Moisés, que por instruções divinas indicou seu tamanho e forma. Nela foram guardadas as duas tábuas da lei; a vara de Aarão; e um vaso do maná. Estas três coisas representavam a aliança de Deus com o povo de Israel. Para judeus e prosélitos a Arca não era só uma representação, mas a própria presença de Deus.

Construção

A Bíblia descreve a Arca da Aliança da seguinte forma: caixa e tampa de madeira de acácia, com 2 côvados e meio de comprimento (um metro e onze centímetros ou 111 cm), e um côvado e meio de largura e altura (66,6 cm). Cobriu-se de ouro puro por dentro e por fora. - (Êxodo 25:10 a 16)

Para seu transporte, necessário para um povo ainda nômade (nómada), foram colocadas quatro argolas de ouro nas laterais, onde foram transpassados varas de acácia recobertas de ouro. Assim, o objeto podia ser carregado pelo meio do povo.

Sobre a tampa, chamada propiciatório "o Kapporeth", foi esculpida uma peça em ouro, formada por dois querubins ajoelhados de frente um para o outro, cujas asas esticadas para frente tocavam-se na extremidade, formando um arco, de modo defensor e protetor. Eles se curvavam em direção à tampa em atitude de adoração (Êxodo 25:10-21; 37:7-9). Segundo relato do verso 22, Deus se fazia presente no propiciatório no meio dos dois Querubins de ouro em uma presença misteriosa que os Judeus chamavam Shekinah ou presença de Deus.

A Arca fazia parte do conjunto do Tabernáculo, com outras tantas especificações. Ela ficaria repousada sobre um altar, também de madeira, coberto de ouro, com uma coroa de ouro ao lado.

Somente os sacerdotes levitas poderiam transportar a tocar na arca, e apenas o sumo-sacerdote, uma vez por ano, no dia da expiação, quando a Luz de Shekiná se manifestava, entrava no santíssimo do templo. Estando ele em pecado, morreria instantaneamente.

Outros relatos bíblicos se referem ao roubo da arca por outros povos inimigos de Israel (filisteus), que sofreram chagas e doenças enquanto tinham a arca em seu poder. Homens que a tocavam que não fossem levitas ou sacerdotes morriam instantaneamente. Diante dessas terríveis doenças causadas pela presença da Arca do Senhor Deus de Israel, os filisteus se viram numa necessidade de se livrarem do objeto de adoração; então, a mandaram para a cidade de Gate, e logo após para Ecron, sendo sempre rejeitada, o que acarretou na sua devolução ao povo de Israel.

Função e simbologia

A partir do momento em que as tábuas dos Dez Mandamentos, a Vara de Arão que floresceu (que não só floresceu mas que também brotou améndoas) e o pote de maná escondido foram repousadas no seu interior, a Arca é tratada como o objeto mais sagrado, como a própria representação de Deus na Terra. A Bíblia relata complexos rituais para se estar em sua presença dentro do Tabernáculo.

Segundo a Bíblia, Deus revelava-se como uma fumaça que se manifestava com sua shekiná (presença) entre os querubins que tinham asas de anjos, corpo de homem e rosto de bebê. Tocá-la era um ato tolo, pois quem a tocasse era logo morto pela ira de Deus, razão pela qual existiam varas para seu transporte.

A Arca como instrumento de guerra

A Arca representava o próprio Deus entre os homens. A crença de Sua presença ativa fez com que os hebreus, por várias vezes, carregassem o objeto à frente de seus exércitos nas batalhas realizadas durante a conquista de Canaã. Inicialmente, a presença da Arca era suficiente para que pequenos contingentes hebreus aniquilassem exércitos cananeus inteiros.[carece de fontes?] Mas quando dispensavam-na, sofriam derrotas desastrosas.

Ainda restava o assentamento das sete Tribos de Israel na Terra de Canaã para que a conquista estivesse completa, quando Josué determinou a construção de um Tabernáculo permanente na cidade de Siló, onde a Arca ficaria protegida.

A captura da Arca pelos Filisteus e seu retorno

Nos últimos anos do período dos Juízes de Israel, a Arca da Aliança era guardada pelo sacerdote Eli, e seus filhos Hofni e Finéias. O profeta Samuel, ainda jovem, recebeu uma revelação divina condenando os mesmos ao julgamento, devido a crimes cometidos.

Neste tempo, segundo o relato bíblico, os filisteus invadiram a Palestina, vencendo o exército israelita próximo à localidade de Ebenézer. Estes, vendo-se em situação adversa, apelaram para a Arca, e a trouxeram de Siló. A maldição sobre Eli teria tido lugar, pois a Arca não surtiu efeito na batalha: os israelitas foram derrotados, e o objeto capturado. Os filhos de Eli foram mortos, e este, ao saber da notícia, caiu de sua cadeira e morreu com o pescoço quebrado.

Os filisteus teriam tomado a Arca como despojo de guerra, e a levaram ao templo de Dagom, em Asdode. O relato bíblico conta que a simples presença do santuário naquele local foi o suficiente para que coisas estranhas ocorressem: por duas vezes, a cabeça da estátua de Dagom apareceu cortada. Em seguida, moléstias (hemorróidas, especificamente, além de um surto de ratos) teriam assolado a população de Asdode, inclusive príncipes e sacerdotes filisteus, o que fez com que a arca fosse transportada para Ecrom, outra cidade filistéia. Porém, a população local reagiu negativamente à sua presença, e a enviou de volta ao território de Israel numa carroça. O tempo de permanência da Arca na Filístia teria sido de sete meses.

A carroça, puxada por vacas, parou em Bete-Semes, onde foi recebida por um certo Josué (personagem diferente do Josué, comandante da Conquista de Canaã). Os bete-semitas, movidos pela curiosidade, olharam para o interior da Arca, e morreram instantaneamente. Em seguida, foi transportada para Quireate-Jearim, onde ficou aos cuidados de Eleazar por 20 anos.

A Arca em Jerusalém e o Templo de Salomão

No início de seu reinado, Davi ordenou que a Arca fosse trazida para Jerusalém, onde ficaria guardada em uma tenda permanente no distrito chamado Cidade de Davi. Com o passar do tempo, Davi tomou consciência de que a Arca, para ele símbolo da presença de Deus na Terra, habitava numa tenda, enquanto ele mesmo vivia em um palácio. Então começou a planejar e esquematizar a construção de um grande Templo. Entretanto, esta obra passou às mãos de seu filho Salomão.

No Templo, foi construído um recinto (chamado na Bíblia de "oráculo") de cedro, coberto de ouro e entalhes, dois enormes querubins de maneira à semelhança dos que havia na Arca, com um altar no centro onde ela repousaria. O ambiente passou a ser vedado aos cidadãos comuns, e somente os levitas e o próprio rei poderiam se colocar em presença do objeto sagrado.

Desaparecimento

A Arca permaneceu como um dos elementos centrais do culto a Deus praticado pelos israelitas durante todo o período monárquico, embora poucas referências sejam feitas a ela entre os livros de Reis e Crônicas.

Em 586 a.C (Segunda invasão a Judá) (ou 609 a.C [Primeira invasão a Judá], segundo alguns estudiosos), Nabucodonosor, rei da Babilônia, invadiu o reino de Judá e tomou a cidade de Jerusalém. O relato bíblico menciona um grande incêndio que teria destruído todo o templo. A Arca desaparece completamente da narrativa a partir desse ponto, e o próprio relato é vago quanto ao seu destino.

Para os católicos e judeus da diáspora, que se utilizam da Septuaginta, Escrituras Sagradas na versão grega dos LXX, o desaparecimento da Arca é narrado no livro de II Macabeus, não aceito pelos protestantes e por grande parte dos judeus que só aceitavam as escrituras em hebraico. Nessa situação o profeta Jeremias haveria mandado que levassem a Arca até o monte Nebo para ali a esconder em uma caverna (II MAC Cap. 2).

" O escrito mencionava também como o profeta, pela fé da revelação, havia desejado fazer-se acompanhar pela arca e pelo tabernáculo, quando subisse a montanha que subiu Moisés para contemplar a herança de Deus. No momento em que chegou, descobriu uma vasta caverna, na qual mandou depositar a arca, o tabernáculo e o altar dos perfumes; em seguida, tapou a entrada. Alguns daqueles que o haviam acompanhado voltaram para marcar o caminho com sinais, mas não puderam achá-lo. Quando Jeremias soube, repreendeu-os e disse-lhes que esse lugar ficaria desconhecido, até que Deus reunisse seu povo e usasse com ele de misericórdia. Então revelará o Senhor o que ele encerra e aparecerá a glória do Senhor como uma densa nuvem, semelhante à que apareceu sobre Moisés e quando Salomão rezou para que o templo recebesse uma consagração magnífica." (II Mac, 2, 4-7, Bíblia Ave-Maria).

Como os relatos bíblicos afirmam que somente os israelitas descententes de Aarão (Da tribo de Levi) poderiam transportá-la, qualquer não-levita seria consumido por Deus ao tocá-la, por isso é improvável que a mesma tenha sido destruída.

Em uma das visões de João, ele relata ter visto a Arca do Concerto ou da Aliança no templo de Deus no céu. Sendo a arca de grande importância e detentora de objetos preciosos, Deus haveria levado a arca para um lugar onde nenhum ser humano tivesse acesso para destruí-la. O relato de João está em Apocalipse 11:19 "E abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca do seu concerto foi vista no seu templo..."

A busca pela Arca

Não há certezas acerca de sua existência ou destruição. É possível que, antes de atear fogo ao Templo, os soldados de Nabucodonosor tenham tomado todos os objectos de valor (incluindo a arca coberta de ouro) e a levado como prémio pela conquista.

Uma vez em posse dos babilónicos, ela pode ter sido destruída para se obter o ouro, ou conservada como troféu. Babilónia também foi conquistada posteriormente por persas, macedónios, partos e outros tantos povos, e seus tesouros (incluindo possivelmente a Arca) podem ter tido incontáveis destinos.

De qualquer modo, ela tem sido um dos tesouros arqueológicos mais cobiçados pela humanidade, e inúmeras expedições à Mesopotâmia e à Palestina foram realizadas, sem sucesso. Existem hoje em vários museus réplicas da Arca baseadas nas descrições bíblicas, mas a verdadeira jamais foi encontrada.

O cineasta George Lucas inspirou-se na busca pela Arca para o roteiro de seu filme Raiders of the Lost Ark (intitulado Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida, no Brasil; Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida, em Portugal).

Para muitos a Arca foi trazida pelo filho do Rei Salomão, com a Rainha de Sabá (rainha da atual Etiópia). E está guardada em um templo na cidade de Aksum, na Etiópia, onde um único Sacerdote pode vê-la.

Leitura adicional

·         Carew, Mairead, Tara and the Ark of the Covenant: A Search for the Ark of the Covenant by British Israelites on the Hill of Tara, 1899-1902. Royal Irish Academy, 2003. ISBN 0954385527

·         Cline, Eric H. (2007), From Eden to Exile: Unravelling Mysteries of the Bible, National Geographic Society, ISBN 978-1426200847

·         Fisher, Milton C., The Ark of the Covenant: Alive and Well in Ethiopia?. Bible and Spade 8/3, pp. 65–72, 1995.

·         Grierson, Roderick & Munro-Hay, Stuart, The Ark of the Covenant. Orion Books Ltd, 2000. ISBN 0-7538-1010-7

·         Hancock, Graham, The Sign and the Seal: The Quest for the Lost Ark of the Covenant. Touchstone Books, 1993. ISBN 0-671-86541-2

·         Hertz, J.H., The Pentateuch and Haftoras. Deuteronomy. Oxford University Press, 1936.

·         Hubbard, David (1956) The Literary Sources of the Kebra Nagast Ph.D. dissertation., St. Andrews University, Scotland

·         Ritmeyer, L., The Ark of the Covenant: Where it Stood in Solomon's Temple. Biblical Archaeology Review 22/1: 46-55, 70-73, 1996.

Ligações externas

Textos Clássicos

·         "Shemot - Chapter 25". Tanach - Torah, Judaica Press.

Descrições

·         "Ark of the Covenant". The Catholic Encyclopedia, Volume I.

·         Pendleton, Philip Y., "A Brief Sketch of the Jewish Tabernacle". 1901. (International Sunday-school Lessons for 1902. Standard Eclectic Commentary comprising original and selected notes, explanatory, illustrative, practical. Embellished with maps, diagrams, chronological charts, tables, etc.)

·         Barrow, Martyn, "The Ark of the Covenant (Exodus 25:10-22)". 1995.

·         Kaulins, Andis, "Ark of the Covenant".

·         Shyovitz, David, "The Lost Ark of the Covenant". Jewish Virtual Library.

Localização

·         Israel National News "Kabbalist Blesses Jones: Now's the Time to Find Holy Lost Ark". Iyar 5765, May, 2005.

·         Smithsonian magazine investigates the Ark

Geral

·         "The Ark of the Covenant". Old Testament - Exodus, The Brick Testament.

Fonte: Wikipedia

 

 23.3.1.4.10 - MILAGRES NA BÍBLIA

Fato ou acontecimento fora do comum, que Deus realiza para confirmar o seu poder, o seu amor e a sua mensagem.
 

ANTIGO TESTAMENTO

Milagre:

Lugar:

Texto Bíblico:

A confusão das línguas

Babel

Gn 11.7-9

Sodomitas feridos de cegueira

Sodoma

Gn 19.11

Destruição de Sodoma e Gomorra

Sodoma & Gomorra

Gn 19-24,25

Esposa de Ló, transformada em sal

Região de Sodoma

Gn 19.26

Sarça ardente (Moisés)

Horebe

Ex 3.2

Vara transf. em serpente (Moisés)

Horebe

Ex 4.2-5

Mão de Moisés fica leprosa

Horebe

Ex 4.6,7

Vara transf. em serpente (Arão)

Egito

Ex 7.10-12

Dez pragas

Egito

Ex 7.12

Coluna de Nuvem e de fogo

Região do Egito

Ex 13.20,21

Mar vermelho é dividido

Região do Egito

Ex 14.2

Águas de Mara torna-se potável

Mara

Ex 15.24,25

Cordonizes e Maná

Deserto

Ex 16.13-35

Água brota da rocha

Horebe

Ex 17.5-7; Nm 20.8-12

Vitória sobre os Amalequitas

Refidim

Ex 17.8-16

Sacrifícios consumidos pelo fogo

Vários

Lv 9.24; 1Rs 18.38; 2Cr 7.1

Filhos de Arão consumidos

Sinai

Lv 10.1,2

Miriã é curada da lepra

Hazerote

Nm 12.10-15

Corá e seguidores, destruidos

Deserto

Nm 16.31-35

Praga enviada e detida

Deserto

Nm 16.41-50

Vara floresce e produz (Arão)

Cades

Nm 17.1-8

Serpentes ardentes  e a cura

Deserto de Zim

Nm 21.7-9

Jumenta fala (Balaão)

Petor

Nm 22.18-31

Jordão é dividido

Rio Jordão

Js 3.14-17; 2Rs 2.8-14

Queda dos muros (Jericó)

Jericó

Js 6.6-21

Sol e Lua, param

Gibeão

Js 10.12,13

Sansão bebe água de Leí

Leí

Jz 15.19

Dagom e filisteus caem diante da arca

Asdode

1Sm 5

Habitantes de Bete-Semes, feridos

Bete-Semes

1Sm 6.19

Samuel ora e chove

Gilgal

1Sm 12.18

Uzá  ferido de morte

Perez-Uzá

2Sm 6.6,7

Mão de Jeroboão

Betel

1Rs 4.4-6

Farinha e Azeite, multiplicados

Sarepta

1Rs 17.10-16

Soldados consumidos

Região de Samaria

2Rs 1.9-12

Carruagem de fogo

Região do Jordão

2Rs 2.11

Águas restauradas

Jericó

2Rs 2.19-22

Provisão de água para o exército

Moabe

2Rs 3.16-20

Azeite multiplicado

Israel

2Rs 4.1-7

Ressurreição do jovem

Suném

2Rs 4.32-36

Restauração da comida envenenada

Gilgal

2Rs 4.40,41

Multiplicação dos pães

Gilgal

2Rs 4.42-44

Lepra curada (Naamã)

Jordão

2Rs 5.10-14

Lepra em Geasi

Samaria

2Rs 5.24-27

Machado flutua

Jordão

2Rs 6.5,6

Batalhão é ferido com cegueira

Dotã

2Rs 6.15-18

Exercito Sírio é vencido

Samaria

2Rs 7.6,7

Mortos ressuscitam

Israel

2Rs 13.20,21

Exercito de Senaqueribe é vencido

Jerusalém

2Rs 19.35

Sol retrocede

Jerusalém

2Rs 20.9-11

Lepra em Uzias

Jerusalém

2Cr 26.19-21

Jovens na fornalha

Babilônia

Dn 3.19-27

Livramento de Daniel

Babilônia

Dn 6.16-23

Jonas no ventre do peixe

Mediterrâneo

Jn 1.17

Jonas é liberto

Mediterrâneo

Jn 2

NOVO TESTAMENTO: JESUS CRISTO

Milagre:

Texto Bíblico:

Transformação de água em vinho

Jo 2.1-11

Cura do filho do oficial

Jo 4.46-54

Cura do Paralítico de Betesda

Jo 5.1-9

Primeira grande pesca

Lc 5.1-11

Libertação do endemoninhado

Mc 1.23-28; Lc 4.31-36

Cura da sogra de Pedro

Mt 8.14,15; Mc 1.29-31; Lc 4.38,39

Purificação do leproso

Mt 8.2-4; Mc 1.40-45; Lc 5.12-16

Cura do paralítico

Mt 9.2-8; Mc 2.3-12; Lc 5.18-26

Cura da mão ressequida

Mt 12.9-13; Mc 3.1-5; Lc 6.6-10

Cura do criado do centurião

Mt 8.5-13; Lc 7.1-10

Ressurreição do filho da viúva de Naim

Lc 7.11-15

Cura do endemoninhado mudo

Mt 12.22; Lc 11.14

Acalma a tempestade

Mt 8.18-27; Mc 4.35-41; Lc 8.22-25

Cura do endemoninhado geraseno

Mt 8.28-33; Mc 5.1-14; Lc 8.26-39

Cura da mulher enferma

Mt 9.20-22; Mc 5.25-34; Lc 8.43-48

Ressurreição da filha de Jairo

Mt 9.23-26; Mc 5.22-24, 35-43; Lc 8.41-56

Cura de dois cegos

Mt 9.27-31

Cura do endemoninhado mudo

Mt 9.32,33

Primeira multiplicação de pães

Mt 14.14-21; Mc 6.34-44; Lc 9.12-17; Jo 6.5-13

Anda sobre as águas

Mt 12.24-33; Mc 6.45-52; Jo 6.16-21

Cura a filha da Cananéia

Mt 15.21-28; Mc 7.24-30

Cura do surdo e gago

Mc 7.31-37

Segunda multiplicação de pães

Mt 15.32-39; Mc 8.1-9

Cura do cego de Betsaida

Mc 8.22-26

Cura do jovem possesso

Mt 17.14-18; Mc 9.14-29; Lc 9.38-42

Pagamento do imposto

Mt 17.24-27

Cura do cego

Jo 9.1-7

Cura da mulher enferma

Lc 13.10-17

Cura do hidrópico

Lc 14.1-6

Ressurreição de Lázaro

Jo 11.17-44

Cura dos leprosos

Lc 17.11-19

Cura do cego Bartimeu

Mt 20.29-34; Mc 10.46-52; Lc 18.35-43

Figueira amaldiçoada

Mt 21.18,19; Mc 11.12-14

Restauração da orelha de Malco

Lc 22.49-51; Jo 18.10

Segunda grande pesca

Jo 21.1-11

NOVO TESTAMENTO APÓSTOLOS

Milagre:

Texto Bíblico:

Coxo curado por Pedro

At 3.6-9

Morte de Ananias e Safira

At 5.1-10

Restauração da vista de Saulo

At 9.17,18

Cura de Elimas

At 9.33-35

Ressurreição de Dorcas

At 9.36-41

Cegueira de Elimas

At 13.8-11

Cura de um coxo

At 14.8-10

Expulsão de demônio de uma jovem

At 16.16-18

Ressurreição de Êutico

At 20.9,10

Picada de cobra torna-se inócua

At 28.3-5

Cura do pai de Públio

At 28.7-9

Fonte: http://www.vivos.com.br/330.htm


 

 

 

   

Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

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