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 306 - ALLAN KARDEC:

BIOGRAFIA

 DE ALLAN KARDEC
(
Denizard Hyppolyte Léon Rivail)
* 1804 -   +1869

O menino de olhos claros, de personalidade enérgica e perseverante.

Allan Kardec era uma pessoa totalmente oposta ao protótipo de um místico ou de um iluminado. Homem muito inteligente, de temperamento calmo, racional e lógico, nunca possuiu nenhum tipo de mediunidade. Embora tido pelos espíritas como um missionário, jamais se proclamou como tal. Sua doutrina não é produto de uma tese pessoal, de cunho personalista, elaborada por revelação em algum "lugar santo", isolado, após alguma super experiência mística e solitária, totalmente subjetiva.

Nascido em Lyon, França, em 3 de Outubro de 1.804 no seio de uma família simples de juízes e advogados, batizado como Denizard Hyppolyte Léon Rivail.

O pequeno Rivail nasceu em uma época de graves agitações políticas, conflitos sociais e religiosos, não apenas na França, mas em todo o mundo. Era a época de Napoleão I. Os franceses sofriam o peso de intermináveis chacinas e toda a Europa se transformara em sangrento campo de batalha.

O materialismo, a descrença, a intolerância religiosa predominavam. Os membros proeminentes do clero, com raras exceções, compartilhavam avidamente da roda dos interesses mundanos, tragicamente esquecidos do exemplo do Sublime Nazareno, de quem se auto-intitulavam legítimos representantes na Terra.

 

Aos 12 anos, Rivail concluiria seus estudos em sua amada Lyon. Seus pais, desejosos em lhe oferecer boa educação, vivendo o clima das lutas religiosas reinantes na França de então, entenderam por bem confiar o único filho ao famoso educador Johann Heinrich Pestalozzi, o mais sábio, respeitado e célebre professor daquele tempo, precursor da moderna educação, da chamada "escola ativa" e fundador da primeira escola profissional do mundo, na Suíça.

O jovem professor Rivail, seu Instituto e suas obras.

Em 1824 retornaria para Paris, França, e se dedica ao ensino e a publicação de obras pedagógicas que seriam um grande sucesso, levando na intimidade de sua alma, as lições inesquecíveis do grande educador, cuja influência moral jamais deixaria de inspirá-lo, durante todos os grandes momentos de sua vida missionária.

 

Em 1825, falava 6 línguas quando ele abriu sua própria escola de primeiro ano, seguindo-se em 1826 da abertura do Instituto Técnico Rivail que ensinava física, matemática, astronomia, anatomia comparada e retórica. Redigiu também uma séria de livros sobre assuntos diversos para a Universidade da França, e continuando a perseguir a realização de suas obras de ensino, que ao por volta do ano de 1840 era um educador reputado e respeitado que poderia simplesmente viver da renda de seus livros pelo resto dos seus dias.

Em 1832 aos 27 anos, casa-se com distinta professora, a senhorita Amelie Boudet, uma jovem culta, poetisa e pintora que conhecera no "Instituto Educacional Técnico". Lecionava letras e belas-artes.

 

Em 1854 Rivail, com 50 anos, é um mestre respeitado, escritor reconhecido com obras didáticas adotadas pela Universidade da França. Equilibrado, sua mente está amadurecida e o coração sereno e compassivo, pronto para dar início ao cumprimento da missão que haveria de desempenhar.

Até então, não havia tido nenhum interesse pelas manifestações espíritas que a França e toda a Europa voltavam a atenção para os fenômenos das chamadas "mesas girantes". Pessoas de todos os níveis culturais e sociais, indiferentemente de suas convicções religiosas, estavam às voltas com sessões em que se realizavam fenômenos de efeitos físicos.

 

Nessas sessões, as mesas eram movimentadas por entidades espirituais, respondendo, por códigos, às perguntas feitas pelos participantes. Muitas pessoas sérias, orientadas por espíritos bondosos e sábios, obtinham comunicações elevadas e interessantes. Mas em geral, esses fenômenos se davam para o divertimento dos salões parisienses, alheios para compreender a extensão do novo fenômeno.

A desmistificação do conhecimento secreto.

Foi o magnetizador Fortier quem falou ao professor Rivail sobre esses espantosos fatos mediúnicos. Outro amigo, companheiro de juventude, um corso de nome Carloti, também chamou-lhe a atenção sobre tais acontecimentos inexplicáveis. Em razão de sua mentalidade crítica e científica, o respeitado professor manteve-se reservado e distante.

Até que um dia, no lar dos amigos sr. Pârtier e senhora Plainemaison, pela primeira vez, assiste a diversos fenômenos mediúnicos, onde as mesas saltavam e corriam, sozinhas. O que o professor via em casa de seus amigos, repetia-se por todas as partes do mundo. Mas os assistentes, com raras exceções, pareciam não compreender o alcance de tudo aquilo, fazendo dessas reuniões um passatempo ocioso e fútil.

Mais tarde, diria Allan Kardec: "Entrevi naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim mesmo investigar a fundo". Assim se inicia um trabalho de monge que se seguiria durante 2 anos.

É interessante observar que a excelência doutrinária inegável do Espiritismo, codificado por Allan Kardec deve-se, em sua quase totalidade, à mediunidade de quatro meninas que foram: Caroline e Julie Boudin (16 e 14 anos, respectivamente), Ruth Japhet e Aline Carlotti— verdadeiros anjos reveladores da nova mensagem do Céu para os dias futuros.

 

 

Assim, Rivail mudaria o rumo dos experimentos, dirigindo perguntas filosóficas, recolhendo informações, comparando-as, categorizando-as. Em sessões especiais, utilizaria a mediunidade de duas meninas, filhas de seu amigo Boudin, Caroline e Julie, quando recebe a maior parte dos ensinamentos contidos em O Livro dos Espíritos. No decorrer dos fatos, um grupo de pesquisadores que havia acumulado mais de 50 cadernos com comunicações recebidas, lhe pede para que as revisem e ordenem. Recusa-se inicialmente mas em seguida empreende esta tarefa monumental que culminaria com a publicação do Livro dos Espíritos, assim mesmo entitulado a pedido dos espíritos para bem marcar a sua origem.

A mensagem do antigo druida para as gerações futuras.

 

1857 Em Abril por ocasião do lançamento de O Livro dos Espíritos , o professor Rivail resolveu apresentá-lo a público com o seu antigo nome gaulês Allan Kardec, nome que lhe foi revelado por um espírito guia e que tinha sido seu discípulo quando ele foi um sacerdote gaulês, um druida, numa existência anterior, ao tempo de Júlio César, na Gália (na verdade, antigo nome do território francês).

 

1858 – 1º de Janeiro surge a Revista Espírita, dirigida pessoalmente por Allan Kardec, até sua desencarnação, em 1869. Três meses depois, é fundada a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, e neste mesmo ano, Kardec publica um pequeno livro de esclarecimentos doutrinários denominado Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas.

 

1859 Mais uma obra do codificador é trazida à lume: O que é o Espiritismo, uma introdução aos estudos da doutrina.

 

1861Nos primeiros dias do ano, o infatigável missionário publica outra obra: O Livro dos Médiuns. Considera-o como sendo "a continuação de O Livro dos Espíritos", pois também neste, os ensinamentos pertencem aos espíritos.

 

1862 Em 15 de Janeiro aparece um pequeno livro intitulado O Espiritismo em Sua Expressão Mais Simples, também de autoria do antigo druida. Trata-se de uma síntese da Doutrina, escrita com simplicidade, "ao alcance de qualquer inteligência", esclarece o missionário. De suas viagens aos espíritas de Bordeaux e Lyon se origina mais duas publicações: Viagem Espírita de 1862, e Refutações às Críticas contra o Espiritismo.

 

1864 – Kardec publica uma pequena brochura: Resumo da Lei dos Fenômenos Espíritas e também a obra que se consiste em verdadeiro tratado moral dos ensinamentos de Jesus: O Evangelho Segundo o Espiritismo.

 

1865 Em agosto é publicado pela Livraria Espírita de Paris seu novo livro:O Céu e o Inferno – A Justiça de Deus Segundo o Espiritismo. Explica o codificador que o homem carrega dentro de si a necessidade de crer, mas para que essa crença satisfaça a seus anseios,ela deve corresponder às suas necessidades intelectuais.

 

1868 – O grande missionário publica uma obra de grande valor científico: "A Gênese — Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo". Nesta obra o codificador deixa o campo exclusivamente doutrinário para evidenciar as relações do Espiritismo com a ciência.

O retorno à Vida Maior.

 

Allan Kardec planeja muitas coisas em favor da Doutrina. Intenciona escrever novas obras e construir uma casa-abrigo para os trabalhadores do Espiritismo que envelhecessem sem recursos. Com as economias provenientes de suas obras pedagógicas, comprara um terreno na Avenida Ségur.

No dia 31 de março de 1869, entre 11 e 12 horas da manhã, ao atender a um visitante que lhe solicita um exemplar da "Revista Espírita", repentinamente, a velha enfermidade do coração liberta seu grandioso espírito.

 

Conclusão: A possibilidade de ser e tornar-se cada vez mais e melhor.

A mensagem espírita, bem compreendida em teoria e prática, descortina a seus adeptos um vasto horizonte religioso-filosófico-científico, proporcionando um gradativo refinamento de cogitações e conseqüente elevação de aspirações.

Uma educação espiritual consistente, não coercitiva, racional e consoladora — este é o legado de Allan Kardec, o antigo druida ressurgido. Sua mensagem é destinada às gerações futuras, mais despojadas e sublimadas pela dor do milenar desengano resultante da pertinente transgressão às leis divinas. Estas gerações compreenderão a Terceira Revelação, pois que a viverão em profundidade. A evidência da vida ultrafísica se imporá, irrefutavelmente, convergindo a humanidade para a religião interior, cósmica, referida por Jesus como a que seria vivenciada "em espírito e verdade" — unificando o rebanho disperso em torno do único Pastor.

 

Fonte:

 http://www.avecristo.com.br/bio_kardec.htm

 

   
 

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