Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

Página Principal

310.12.12 - AURIO CORRÁ

Aurio Corrá 

Música Para Suavizar a Vida

2009-04-29 14:33

Autor do texto: Gilberto Schoereder – Revista Sexto Sentido nº 8

 

Conheça o trabalho de Aurio Corrá (mostragem)
Clique na Música para ouvir:
Monte Carlo
Onde ficam as Baleias
Encanto da Floresta (Parte)
Campo de Estrelas

 

 
Um dos pioneiros da música new age no Brasil, o compositor e instrumentista Aurio Corrá fala sobre seu trabalho, sobre a história e as características terapêuticas desse gênero de melodia, cada vez mais procurado em todo o mundo.

    Os especialistas em música New Age são unânimes na hora de afirmar que os acordes desse tipo de melodia ultrapassam a fronteira do puro entretenimento, pois estão diretamente ligados a um modo de pensar e se relacionar com a realidade física e espiritual. Não há dúvida que isso se deve à influência da música e técnicas de meditação orientais, que atuam no físico das pessoas, reduzindo o estresse e proporcionando significativa melhoria na qualidade de vida.


    O compositor Aurio Corrá, hoje um dos grandes nomes da new age no Brasil, foi dos primeiros, ou o primeiro a ter contato íntimo com esse gênero de melodia nos anos 70. Segundo ele, a new age surgiu na década de 60, durante a revolução criativa que sacudiu o mundo, modificou os costumes e a música — especialmente as experimentações com rock e jazz, que tinham grande urgência para encontrar novas formas de expressão.     "O flautista Paul Horn foi um dos primeiros a encontrar novos caminhos e harmonias", explica Corrá. "Para isso ele viajou à Índia, atrás da música oriental."


    Essa busca pelo Oriente é um retrato do pensamento nos anos 60. Filosofias e religiões milenares invadiram o Ocidente com espantosa voracidade, trazidas por incontáveis gurus e suas seitas. A meditação, o vegetarianismo e a expansão da consciência através das drogas tornaram-se tão comuns quanto ver televisão. Em um dos trabalhos mais marcantes da época, o álbum Revolver, dos Beatles, pode-se perceber claramente a influência da cultura indiana nos  instrumentos e ritmos, adaptados à proposta do rock.


    O que os estudos de Paul Horn mostraram foi um tipo de música totalmente diferente do rock e jazz, que dominavam o cenário mundial na época, muito bem recebida pelo público ocidental.



Transformação:


    Além das novas formas, instrumentos e harmonias, a 'caminhada para o oriente' trouxe também a descoberta da música como elemento de transformação individual. Segundo Corrá, outros músicos ocidentais, que seguiram as pegadas de Paul Horn, perceberam que a preocupação com a qualidade de vida era algo inerente às composições orientais. Elaborada e apresentada corretamente, a música elimina o estresse, cura o corpo, desobstrui os canais de energia, descongestiona o cérebro e harmoniza a pessoa.
    A denominação new age propriamente dita surgiu quando a música começou a invadir o meio psicanalítico, principalmente na Califórnia, e ser utilizada em trabalhos de relaxamento. O mérito do batismo é creditado a Steve Halpern, que começou a compor harmonias especificas para seus clientes, adaptando algumas técnicas orientais de meditação que, segundo se diz, não funcionam muito bem com ocidentais desacostumados à cultura da paciência.
    A partir de então a new age dividiu-se em várias correntes, e além da melodia com características terapêuticas surgiu o que Corrá definiu como música imaginativa — ritmos que, de certa maneira, convidam o ouvinte a compor sua própria história a partir do que está sendo executado. "É o tipo de música", diz Corrá, "na qual o indivíduo caminha junto com o som, imaginando um filme em sua cabeça, formando imagens junto com a melodia.     Essa formação de imagens é excelente para desobstruir o que está represado dentro da pessoa e desbloquear energias".

Busca Espiritual


    Aurio Corrá, que começou a estudar partitura aos 4 anos de idade, saiu do jazz contemporâneo para a new age motivado por uma inquietação interior, ou algo que ele chamou de curiosidade filosófica. Seguindo a formação espiritualista de sua infância, que quase o levou à carreira eclesiástica, ele partiu em sua busca filosófica, viajando à Índia para conversar pessoalmente com gurus e beber a sabedoria na fonte.


    Depois, quando chegou aos EUA, alguns amigos lhe falaram sobre grupos que tocavam música para pessoas rezarem e meditarem. Bastante desconfiado, ele foi assistir ao concerto de um artista new age, o que acabou provocando uma mudança de rumo em seu trabalho. "Foi em 1970", ele conta, "e eu nunca mais quis ver outra coisa. Comecei a me enfronhar no assunto, comprar discos e estudar. Voltei aos EUA e à Índia, estudei ainda mais, conversei com os músicos e comecei a trabalhar com a new age".


    Quando retornou ao Brasil, em 1980, percebeu que muitas pessoas procuravam saber o que era essa música new age de que tanto se falava e sobre a qual havia tão pouca informação. Corrá começou a difundir o gênero, primeiro entre os amigos, depois profissionalmente, quando foi convidado a apresentar o programa Alquimia, na Rádio USP FM, de São Paulo. Três meses depois, o programa já era a maior audiência da emissora e se manteve assim por vários anos, apresentando principalmente álbuns importados, uma vez que, na época, pouca coisa era produzida no Brasil.


    Seu primeiro álbum, Aura, foi lançado em 1990 e deu a Aurio Corrá o título de artista independente mais vendido no país. Os álbuns seguintes, Soprus e Animus, seguiram o mesmo caminho, ultrapassando a barreira das 40 mil cópias vendidas. Para ele, esses números apenas comprovavam a sede que as pessoas tinham por esse tipo de música, e a partir de então a new age realmente se estabeleceu no país. Grandes gravadoras tentaram lançar alguns CDs, mas, segundo Corra, sem êxito por terem escolhido obras erradas.


    Hoje, vários especialistas estão instalados na área e a situação é totalmente diferente, com lançamentos de grande qualidade, inclusive de músicos brasileiros com prestígio internacional. Um exemplo da procura pela new age está nos números de venda do álbum Imagens, que Corrá lançou em 1994 e que já atingiu um milhão de exemplares. Reiki, lançado em 1998, está seguindo o mesmo caminho.

Música e Integração


    O desenvolvimento natural da new age originou diversos ramos. Alguns compositores optaram pela utilização da música eletrônica e sistemas complexos de computação. Outros, pela música acústica, pelo desenvolvimento de pesquisas com instrumentos de percussão, ou a utilização de instrumentos tradicionais.
    Mais importante do que tudo isso, segundo Corrá, é que fazer música new age implica em algo mais do que a escolha da forma como ela será apresentada. "A preocupação de um músico new age não é se tornar uma estrela, um astro famoso, mas produzir músicas que tragam benefício ao próximo. Se a minha música puder acalmar outra pessoa, ela cumpriu sua função. Geralmente, os compositores new age não dão concertos. Eles vivem mais isolados, dedicando-se ao trabalho, compondo e, ocasionalmente, saindo para tocar em institutos terapêuticos".
    Para cumprir essa função da melhor maneira possível, diz Corrá, não basta tocar uma música lenta qualquer. "O músico precisa ter uma formação espiritual, filosófica, ter um trabalho interior para que sua obra seja uma conseqüência disso. Eu, por exemplo, não sou apenas músico. Sou psicólogo, me formei em medicina oriental, sou acupunturista, estudei os meridianos de energia do corpo e todo o processo de energização. Estudei shiatsu, medicina tibetana e toda a medicina alternativa. Já trabalhei com isso e a minha música é conseqüência dessa pesquisa. Como eu poderia fazer música para agir no corpo humano se não conhecesse energia?".


    Uma experiência simples e bastante conhecida, capaz de pode mostrar a atuação da música num corpo é realizada com sementes: três partes da mesma semente são colocadas em três salas separadas, sob as mesmas condições climáticas, porém, cada uma é submetida a um tipo de música. O resultado é que, com certos tipos de melodias, as sementes se desenvolvem muito melhor.


    O mesmo ocorre com o corpo humano. Corrá diz que é comum os músicos utilizarem sons naturais em suas composições, como o barulho do mar, ruídos típicos da floresta ou de um riacho. Não se trata de buscar um efeito plástico para tornar a música mais bonita ou atraente, mas de causar uma reação biológica no organismo. "A pessoa não percebe", ele explica, "mas o efeito ocorre. Quando nos afastamos da natureza e vivemos numa cidade grande, nós entramos em depressão que, em última análise, é o afastamento da natureza. Pesquisas recentes provaram que o inconsciente assimila todas as funções biológicas daquilo que vê. Isso tem sido utilizado na recuperação de atletas imobilizados por lesões: o fisioterapeuta faz com que ele imagine estar usando a parte do corpo lesada e o resultado é uma recuperação 60% mais rápida. Assim, quando escutamos o barulho do mar, nosso inconsciente reage como se estivéssemos na praia, provocando reações químicas e biológicas no corpo. Esse efeito pode ser produzido dentro de um apartamento, com a música — o que, é claro, não exclui o prazer de ir à praia ou ao campo. Mas é algo que ajuda, que alivia".

Buscar Qualidade


    Para Aurio Corrá, é fundamental que as pessoas busquem aprimorar sua qualidade de vida. "Quando temos uma vida interior melhor, automaticamente o exterior também melhora. Não adianta lutar contra o desmatamento, para que não joguem lixo nas ruas, para que não sujem os mares e praias. Não adianta criar leis e vigilância. Quando a gente se limpa por dentro, fica limpo por fora também, porque não há diferença entre interior e exterior. O mundo é uma conseqüência do que nós somos. Se tiramos o ser humano do mundo, o planeta fica bonito, porque é o homem que está criando os problemas. Por isso, é necessário que ele se limpe dentro, que melhore interiormente. Se estivermos todos calmos, o mundo será calmo. Se estivermos em paz, o mundo estará em paz. Se estamos bem, o mundo é um paraíso."


    A maneira de mudar essa situação é o autoconhecimento, perceber que somos basicamente desestruturados. "Quando se sabe que dentro de um vidro tem veneno, não é aconselhável mexer nele. É muito simples. Não precisamos de guru, não precisamos de religiões, de padres, pastores ou filósofos. Não precisamos de ninguém para nos ensinar. Só precisamos enxergar".


    Neste sentido, a música new age pode ajudar a pessoa a realizar esse trabalho de autoconhecimento, facilitando uma estruturação interna mais adequada para sua vida e para o mundo que a cerca.

 

 
   

Indice - compilado por Beraldo Figueiredo

Página Principal